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de Patricia Cohen
Quando eles voltaram, ele colocou a caixa no púlpito e assim que começou sua fala, abriu-a e engoliu todas as 32 pílulas. Ele então seguiu com a palestra por duas horas sem mais nada além de um bocejo. Não foi um feito tão espetacular quanto, dizem, a vez em que ele se soltou de uma camisa de força pendurado de cabeça para baixo sobre as Cataratas do Niagara, mas ele serviu seu argumento: demonstrar que remédios homeopáticos são uma fraude. Homeopatia, cura pela fé, leitura de mentes, psíquicos, médiuns, radiestesistas, parapsicólogos. James Randi, 72 anos, tem-os na mira e mais, desde que ele tinha 15 anos e acusou um pastor de fraude pela canalização de mensagens dos mortos. (A polícia retirou-o da igreja levou-o preso por perturbar um serviço religioso). Da mesma forma que afirmações pseudocientíficas e paranormais cresceram de forma exuberante, o Sr. Randi trabalha como cético profissional, o que o fez ganhar uma cadeira cativa no show "Tonight" de Johnny Carson, um prêmio MacArthur "gênio", dúzias de convites para palestras todo ano, de Capitol Hill à China e uma série de processos de decepcionados leitores de mentes e entortadores de talheres como Uri Geller. O sr. Randi, freqüentemente chamado de o Incrível Randi, teve sucesso onde cientistas não tiveram, em desmascarar aqueles que alegam possuir poderes sobrenaturais. Mágico treinado, ele conhece o truque de fazer os ponteiros de um relógio moverem-se sem serem tocados, de adivinhar a informação contida em um envelope selado, de fazer uma estátua da Virgem Maria chorar. "Sou um mentiroso, um vigarista e um charlatão", declara o sr. Randi, um travesso homem com uma cerrada barba branca, mas "pelo menos eu sei disso". Aparentemente precisa-se de um conhecer o outro igual. "Cientistas, pessoas com graduação acadêmica, presumem que sabem como é feito", disse o sr. Randi, "mas eles são treinados a procurar por fatos, não por truques." Seu amigo Michael Shermer disse: "Randi é o cara. Ele é o pioneiro do movimento cético." O sr. Shermer, editor fundador da revista Skeptic e o autor de "Why People Believe Weird Things" [Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas] (W.H. Freeman, 1997), acrescenta, "Randi é um cético realista e determinado, que não é feito de bobo facilmente." (O sr. Randi uma vez convidou um crítico nojento, que ele disse estar espalhando boatos a seu respeito, a uma palestra e socou-lhe a boca). A crença no extraordinário parece que se infiltrou em todos os aspectos da cultura norte-americana, desde as centrais telefônicas mediúnicas de atendimento até as séries televisivas como "Mysteryous Ways" e "Roswell", até afirmações falsas de curas milagrosas. Em 1996, uma pesquisa feita pelo instituto Gallup apontou que cerca da metade dos norte-americanos examinados eram crentes em percepção extra-sensorial e na realidade dos O.V.N.I.'s. "Você vê a proliferação dessas coisas e pensa, 'Por que isto está acontecendo de repente hoje?' " disse Louis Masur, um historiador cultural na Faculdade Municipal de Nova Iorque. Mas não há "nada necessariamente novo a respeito disso hoje", ele disse. "Caminhamos em ciclos. Há um ciclo entre razão e fé, iluminação e religião. Volte atrás através da história americana em particular e você tem esses momentos onde a ciência, a experimentação e a razão dominam, e você tem esses outros momentos onde um conjunto de crenças baseadas na fé desafiam-nas". As pessoas sempre têm aceitado o apelo da ficção, concorda John Allen Paulos, um matemático e autor de "Innumeracy" [algo como "Sem Talento para Matemática"] (Farrar, Straus & Giroux, 1989), o qual examina o elo de ligação entre o analfabetismo matemático e a susceptibilidade à pseudociência. "A dureza do contraste entre crenças em várias pseudociências e na ciência moderna é o que as tornam piores." Outros acadêmicos pensam que tais crenças estão em aprimoramento. Elaine Showalter, uma professora de inglês na Universidade de Princeton, discute em seu livro "Hysteries" [Histerias] (Columbia University Press, 1997) que uma epidemia de histeria estava varrendo os E.U.A.. De seu ponto de vista, pessoas que afirmam terem sido abduzidas por alienígenas e aquelas sofrendo de síndrome de fadiga crônica, são incapazes de lidarem com seus problemas internos. Ao invés disso, elas culpam fontes externas — alienígenas, conspirações satânicas e viroses — dos quais elas ouvem a respeito em programas de entrevistas, na Internet ou em livros de auto-ajuda. Apesar da ignorância e da falta de educação estarem freqüentemente ligadas às crenças em afirmações sobrenaturais, a revolução da informação é agora freqüentemente lançada como vilã. Alguns cientistas sociais argumentam que a Internet ajuda a promover idéias fora de contexto sobre curas milagrosas e sobre leitura de mentes, não apenas porque ela pode distribuir boatos e intrigas, mas também porque as pessoas podem pegar as informações mais facilmente, alienando a si mesmas de outros pontos de vista. A televisão amplifica o efeito, disse o sr. Shermer. "Há um show sobre O.V.N.I.'s quase toda noite", ele disse. "Estas histórias são repetidas tantas vezes que elas começam a ser tidas como fatos." O sr. Randi, que freqüentemente fala de forma ameaçadora do começo de um novo Obscurantismo, disse, "Agora é mais fácil tornar-se tolo por causa do acesso ao besteirol sem sentido." Ele acredita numa rejeição em larga escala contra a tecnologia tanto quanto num enraizado desejo pela certeza; as pessoas desejam "alguma espécie de alívio mágico", ele disse. O sr. Randi está sentado na pequena biblioteca de sua fundação em Fort Lauderdale. Ele está vestindo uma camisa estampada azul, calças de algodão e botas de trabalho. Nas prateleiras estão livros sobre céticos e crédulos e pilhas de jornais como o North Texas Skeptic, The Rocky Mountain Skeptic, The Pseudoscience Monitor e Norwegian Skepsis. Os seres humanos procuram por padrões, ele disse. Daí o porquê de médiuns serem bem sucedidos; 98 de 100 alegações deles podem estar erradas mas as pessoas descontam os erros e se lembram dos acertos. "É como porcurar por ouro na bateia", ele diz. "Se você achar uma pepita de ouro, é nela que você irá se segurar." Não importa se você jogou fora bateia após bateia de areia e gravetos. "Você não se volta ao seu companheiro e diz: 'Oh, olhe para esta pedra sem valor.' " Como a personagem de um conto fora de moda de aventuras para garotos, Randall James Hamilton Zwinge deixou seu lar em Toronto aos 17 anos para se juntar a um parque itinerante, enrolando um turbante ao redor de sua cabeça e chamando a si mesmo de Príncipe Íbis. O turbante já se foi, mas o coração de produtor de espetáculos ainda bate. Ele é um incansável promotor de si mesmo, sua fundação e sua causa. Ele escreveu nove livros e tem seu próprio jornal, uma página na Internet onde ele é descrito como "um dos mais originais e destemidos pensadores dos E.U.A."; um show de rádio, uma coluna na revista Skeptic e uma habilidade de falar sem parar sobre idéias birutas. Agora no centro das atenções está sua oferta de um milhão de dólares a qualquer um que possa provar ter poderes sobrenaturais ou paranormais. É "um gesto exibicionista, mas ele confirma o nosso argumento toda hora", ele contou em uma Audiência do Congresso em 1999. O dinheiro foi levantado por doações anônimas, ele diz. Todos os anos, por volta de 50 pessoas inscrevem-se no processo de avaliação, por volta da metade são radiestesistas que dizem poder localizar água ou ouro com varas bifurcadas e praticamente todos são verdadeiramente crédulos. O sr. Randi e seu assistente, Andrew Harter, inventam os experimentos para aqueles que os executam através do requerimento de avaliação, apesar de ambos estarem certos de que o montante de dinheiro permanecerá intacto. Então, entre as milhares de afirmações sobrenaturais e paranormais que ele tem encontrado no correr de uma vida, terá o sr. Randi ouvido alguma coisa que o tenha induzido a parar e pensar? "Muitas vezes", ele disse "Esta é a beleza disso." Mas como disse uma vez a um amigo, existe uma única coisa que tem permanecido um milagre. "Sophia Loren. Como ela pode ter uma aparência como aquela naquela idade, eu não tenho idéia. Não é só Oil of Olay [marca de um creme hidratante]."
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