James Randi
 
 
Estatísticas Oficiais da STR Publicado: 31/03/2003
Atualizado: 31/03/2003
   
                     
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PUFF! VOCÊ É UM CÉTICO: O TRUQUE DE DESAPARECIMENTO DO INCRÍVEL RANDI
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de Patricia Cohen


Fort Lauderdale, Flórida — James Randi estava em pé na frente do auditório da Universidade Atlantic Florida antes de sua palestra, quando um casal chegou até ele para pedir um autógrafo. Em troca, ele tinha um favor a pedir. Poderiam descer a rua até a drogaria Eckerd e me comprar uma caixa de pílulas para dormir? Ele deu ao homem 5 dólares e um pedaço de papel onde ele tinha desenhado uma figura da caixa.

Quando eles voltaram, ele colocou a caixa no púlpito e assim que começou sua fala, abriu-a e engoliu todas as 32 pílulas. Ele então seguiu com a palestra por duas horas sem mais nada além de um bocejo.

Não foi um feito tão espetacular quanto, dizem, a vez em que ele se soltou de uma camisa de força pendurado de cabeça para baixo sobre as Cataratas do Niagara, mas ele serviu seu argumento: demonstrar que remédios homeopáticos são uma fraude.

Homeopatia, cura pela fé, leitura de mentes, psíquicos, médiuns, radiestesistas, parapsicólogos. James Randi, 72 anos, tem-os na mira e mais, desde que ele tinha 15 anos e acusou um pastor de fraude pela canalização de mensagens dos mortos. (A polícia retirou-o da igreja levou-o preso por perturbar um serviço religioso).

Da mesma forma que afirmações pseudocientíficas e paranormais cresceram de forma exuberante, o Sr. Randi trabalha como cético profissional, o que o fez ganhar uma cadeira cativa no show "Tonight" de Johnny Carson, um prêmio MacArthur "gênio", dúzias de convites para palestras todo ano, de Capitol Hill à China e uma série de processos de decepcionados leitores de mentes e entortadores de talheres como Uri Geller.

O sr. Randi, freqüentemente chamado de o Incrível Randi, teve sucesso onde cientistas não tiveram, em desmascarar aqueles que alegam possuir poderes sobrenaturais. Mágico treinado, ele conhece o truque de fazer os ponteiros de um relógio moverem-se sem serem tocados, de adivinhar a informação contida em um envelope selado, de fazer uma estátua da Virgem Maria chorar. "Sou um mentiroso, um vigarista e um charlatão", declara o sr. Randi, um travesso homem com uma cerrada barba branca, mas "pelo menos eu sei disso".

Aparentemente precisa-se de um conhecer o outro igual. "Cientistas, pessoas com graduação acadêmica, presumem que sabem como é feito", disse o sr. Randi, "mas eles são treinados a procurar por fatos, não por truques."

Seu amigo Michael Shermer disse: "Randi é o cara. Ele é o pioneiro do movimento cético." O sr. Shermer, editor fundador da revista Skeptic e o autor de "Why People Believe Weird Things" [Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas] (W.H. Freeman, 1997), acrescenta, "Randi é um cético realista e determinado, que não é feito de bobo facilmente." (O sr. Randi uma vez convidou um crítico nojento, que ele disse estar espalhando boatos a seu respeito, a uma palestra e socou-lhe a boca).

A crença no extraordinário parece que se infiltrou em todos os aspectos da cultura norte-americana, desde as centrais telefônicas mediúnicas de atendimento até as séries televisivas como "Mysteryous Ways" e "Roswell", até afirmações falsas de curas milagrosas. Em 1996, uma pesquisa feita pelo instituto Gallup apontou que cerca da metade dos norte-americanos examinados eram crentes em percepção extra-sensorial e na realidade dos O.V.N.I.'s.

"Você vê a proliferação dessas coisas e pensa, 'Por que isto está acontecendo de repente hoje?' " disse Louis Masur, um historiador cultural na Faculdade Municipal de Nova Iorque. Mas não há "nada necessariamente novo a respeito disso hoje", ele disse. "Caminhamos em ciclos. Há um ciclo entre razão e fé, iluminação e religião. Volte atrás através da história americana em particular e você tem esses momentos onde a ciência, a experimentação e a razão dominam, e você tem esses outros momentos onde um conjunto de crenças baseadas na fé desafiam-nas".

As pessoas sempre têm aceitado o apelo da ficção, concorda John Allen Paulos, um matemático e autor de "Innumeracy" [algo como "Sem Talento para Matemática"] (Farrar, Straus & Giroux, 1989), o qual examina o elo de ligação entre o analfabetismo matemático e a susceptibilidade à pseudociência. "A dureza do contraste entre crenças em várias pseudociências e na ciência moderna é o que as tornam piores."

Outros acadêmicos pensam que tais crenças estão em aprimoramento. Elaine Showalter, uma professora de inglês na Universidade de Princeton, discute em seu livro "Hysteries" [Histerias] (Columbia University Press, 1997) que uma epidemia de histeria estava varrendo os E.U.A.. De seu ponto de vista, pessoas que afirmam terem sido abduzidas por alienígenas e aquelas sofrendo de síndrome de fadiga crônica, são incapazes de lidarem com seus problemas internos. Ao invés disso, elas culpam fontes externas — alienígenas, conspirações satânicas e viroses — dos quais elas ouvem a respeito em programas de entrevistas, na Internet ou em livros de auto-ajuda.

Apesar da ignorância e da falta de educação estarem freqüentemente ligadas às crenças em afirmações sobrenaturais, a revolução da informação é agora freqüentemente lançada como vilã. Alguns cientistas sociais argumentam que a Internet ajuda a promover idéias fora de contexto sobre curas milagrosas e sobre leitura de mentes, não apenas porque ela pode distribuir boatos e intrigas, mas também porque as pessoas podem pegar as informações mais facilmente, alienando a si mesmas de outros pontos de vista. A televisão amplifica o efeito, disse o sr. Shermer. "Há um show sobre O.V.N.I.'s quase toda noite", ele disse. "Estas histórias são repetidas tantas vezes que elas começam a ser tidas como fatos."

O sr. Randi, que freqüentemente fala de forma ameaçadora do começo de um novo Obscurantismo, disse, "Agora é mais fácil tornar-se tolo por causa do acesso ao besteirol sem sentido." Ele acredita numa rejeição em larga escala contra a tecnologia tanto quanto num enraizado desejo pela certeza; as pessoas desejam "alguma espécie de alívio mágico", ele disse.

O sr. Randi está sentado na pequena biblioteca de sua fundação em Fort Lauderdale. Ele está vestindo uma camisa estampada azul, calças de algodão e botas de trabalho. Nas prateleiras estão livros sobre céticos e crédulos e pilhas de jornais como o North Texas Skeptic, The Rocky Mountain Skeptic, The Pseudoscience Monitor e Norwegian Skepsis.

Os seres humanos procuram por padrões, ele disse. Daí o porquê de médiuns serem bem sucedidos; 98 de 100 alegações deles podem estar erradas mas as pessoas descontam os erros e se lembram dos acertos. "É como porcurar por ouro na bateia", ele diz. "Se você achar uma pepita de ouro, é nela que você irá se segurar." Não importa se você jogou fora bateia após bateia de areia e gravetos. "Você não se volta ao seu companheiro e diz: 'Oh, olhe para esta pedra sem valor.' "

Como a personagem de um conto fora de moda de aventuras para garotos, Randall James Hamilton Zwinge deixou seu lar em Toronto aos 17 anos para se juntar a um parque itinerante, enrolando um turbante ao redor de sua cabeça e chamando a si mesmo de Príncipe Íbis. O turbante já se foi, mas o coração de produtor de espetáculos ainda bate. Ele é um incansável promotor de si mesmo, sua fundação e sua causa.

Ele escreveu nove livros e tem seu próprio jornal, uma página na Internet onde ele é descrito como "um dos mais originais e destemidos pensadores dos E.U.A."; um show de rádio, uma coluna na revista Skeptic e uma habilidade de falar sem parar sobre idéias birutas. Agora no centro das atenções está sua oferta de um milhão de dólares a qualquer um que possa provar ter poderes sobrenaturais ou paranormais.

É "um gesto exibicionista, mas ele confirma o nosso argumento toda hora", ele contou em uma Audiência do Congresso em 1999.

O dinheiro foi levantado por doações anônimas, ele diz. Todos os anos, por volta de 50 pessoas inscrevem-se no processo de avaliação, por volta da metade são radiestesistas que dizem poder localizar água ou ouro com varas bifurcadas e praticamente todos são verdadeiramente crédulos. O sr. Randi e seu assistente, Andrew Harter, inventam os experimentos para aqueles que os executam através do requerimento de avaliação, apesar de ambos estarem certos de que o montante de dinheiro permanecerá intacto.

Então, entre as milhares de afirmações sobrenaturais e paranormais que ele tem encontrado no correr de uma vida, terá o sr. Randi ouvido alguma coisa que o tenha induzido a parar e pensar?

"Muitas vezes", ele disse "Esta é a beleza disso." Mas como disse uma vez a um amigo, existe uma única coisa que tem permanecido um milagre. "Sophia Loren. Como ela pode ter uma aparência como aquela naquela idade, eu não tenho idéia. Não é só Oil of Olay [marca de um creme hidratante]."

Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • Reproduzido da E-Skeptic, 21 de fevereiro de 2001
  • O ensaio base original está disponível em The New York Times
  • Traduzido por: Lígia Amorese
  • Revisado por: Leo Vines
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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