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do Conselho Americano Sobre Ciência e Saúde (ACSH)
Bruce Ames, Ph.D. e Lois Swirsky Gold, Ph.D. Universidade da Califórnia, Berkeley Análise do menu preparada pelos membros do ACSH, diretores e conselheiros científicos, com assistência técnica da Dra. Ruth Kava, Diretora de Nutrição, e do Dr. Leonard Flynn, consultor científico.
Acetaldeído (maçãs, pão, café, tomates) - mutagênico e potente carcinogênico em roedores Ácido cafeínico (maçãs, cenouras, aipo, tomates-cereja, café, uvas, alface, mangas, peras, batatas) - carcinogênico em roedores Acrilamida (pães) - neurotoxina para humanos e roedores; carcinogênico em roedores Aflatoxina (nozes) - mutagênico e potente carcinogênico em roedores; também carcinogênico em humanos Álcool etílico (pães, vinhos) - carcinogênico em roedores e humanos Alil isotiocianato (arugula, brócoli, mostarda) mutagênico e carcinogênico em roedores Aminas heterocíclicas (rosbife, peru) 0 mutagênicos e carcinogênicos em roedores Anilina (cenouras) - carcinogênico em roedores Benzaldeído (maçãs, café, tomate) - carcinogênico em roedores Benzo(a)pirene (pães, café, torta de abóbora, chá) - mutagênico e carcinogênico em ratos Benzofuran (café) - carcinogênico em roedores Benzil acetato (chá de jasmim) - carcinogênico em ratos Catechol (café) - carcinogênico em roedores Coumarin (canela em tortas) - carcinogênico em roedores D-limonene (pimenta preta, manga) - carcinogênico em roedores 1,2,5,6-dibenz(a)antraceno (café) - carcinogênico em roedores Estragole (maçãs, manjericão) - carcinogênico em roedores Etil acrilato (abacaxi) - carcinogênico em roedores Etil benzeno (café) carcinogênico em roedores Etil carbamato (pães, vinho tinto) - mutagênico e carcinogênico em roedores Furan e seus derivados (pães, cebolas, aipo, cogumelos, batatas doces, molho de cranberry, café) - muitos são mutagênicos Furfural (pães, café, nozes, batatas doces) - derivado do furan e carcinogênico em roedores Hidrazinas (cogumelos) - mutagênicos e carcinogênicos em roedores Hidroquinona (café) - carcinogênico em roedores Peróxido de hidrogênio (café, tomates) - mutagênicos e carcinogênico em roedores 4-metilcatechol (café) - carcinogênico em roedores Metil eugenol (manjericão, canela e nutmeg em maçãs e tortas de abóbora) - carcinogênico em roedores Psoralens (aipo, salsinha) - mutagênicos e carcinogênicos em roedores Quercitin glicosídios (maçãs, cebolas, chá, tomates) - mutagênicos e carcinogênicos em roedores Safrole (nutmeg em tortas de maçã e abóbora, pimenta preta) - carcinogênico em roedores
Os feriados de fim de ano são uma boa época para lembrar que a oferta de comida nos Estados Unidos é de longe a melhor do mundo -- e a melhor de sua história. É a melhor nao só em termos de abundância e variedade, mas também em termo de segurança. Nossa dieta, como qualquer outra, é composta de água, macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas), micronutrientes (vitaminas e minerais) e dezenas de milhares de outras substâncias químicas naturalmente presentes na comida. Já se mostrou que algumas dessas substâncias causam câncer em roedores de laboratório e mpesquisas ou são "mutagênicas" quando tstadas em bactérias. Uma vez que mutagênicos podem danificar DNA, que é o material genético, eles são muitas vezes vistos como "possíveis mutagênicos animais". Testes mutagênicos como o teste de Amessao frequentemente utilizados como indicadores rápidos da probabilidade de uma substância causar câncer. Em 1958, quando o congresso aprovou leis para manter os "carcinogênicos" fora da oferta de comida processada (a chamada emenda Delaney à lei de 1938 do FDA), assumiu-se que os carcinogênicos (a) raramente eram encontrados em comidas e (b) foram colocados lá por humanos, deliberadamente (através de aditivos) ou não (através de resíduos de pesticidas). A emenda Delaney baniu dos alimentos norte-Americanos todas as substâncias artificiais que se demonstrasse causar câncer em animais de laboratório -- não importando quão pequena fosse a quantidade na comida ou quão alta fosse a dose fornecida aos animais nos testes. Mas foi feito algum progresso desde 1958: em 1996 a lei de Proteção à Qualidade de Alimentos removeu o requisito cientificamente indefensável de "risco zero" do processo de aprovação para pesticidas. Isso restringiu o escopo da irracionalmente restritiva cláusula Delaney.1 Nos mais de 40 anos desde que a emenda Delaney foi aprovada, ficou claro que muitas substâncias químicas presentes naturalmente -- substâncias abundantes em nossos alimentos -- causam câncer em roedores que se alimentam deles em altas quantidadss durante toda a vida. Além disso, os cientistas Bruce N. Ames e Lois Swirsky Gold analisaram a exposição do homem a substâncias químicas, tanto naturais como produzidas pelo homem (sintéticas), que haviam sido classificadas como "cancerígenas em roedores". Os pesquisadores concluíram que, quando classificado em um índice (o índice HERP) que compara a exposição humana à dose que gera tumores em roedores, o risco de câncer em humanos gerado pelo consumo dos carcinogênicos a roedores presentes naturalmente em nossa dieta é bem maior do que o possível dano de resíduos de aditivos ou pesticidas sintéticos. O consumo humano dos pesticidas da natureza em nossa dieta é cerca de dez mil vezes maior do que o consumo de pesticidas sintéticos ue são carcinogênicos em roedores. Em outras palavras, os consumidores que preferem se preocupar com o consumo de substâncias químicas que causam câncer em roedores (e o ACSH não recomenda que você se preocupe com esse risco hipotético) precisa entender que a dieta humana está cheia de carcinogênicos de roedores naturalmente presentes na dieta. O conhecimento científico presente sugere que é improvável que os resíduos de carcinogênicos de roedores sintéticos presentes em nossa dieta possam causar câncer nas quantidades que consumimos. Os dados são inadequados para nos permitir avaliar o risco para humanos em pequenas doses, e as incertezas são enormes. Muito se ouve sobre substâncias "carcinogênicas" na comida. Mas a mídia usa o nome "carcinogênico" mais frequentemente em conjunção com carcinogênicos sintéticos para roedores -- substâncias como Alar (uma substância usada para amadurecer frutas), sacarina (um adoçante não-calórico sintético) e BHA (hidroxianisole butilado, um antioxidante sintético). O que o ACSH mostra neste menu é que as substâncias químicas que são carcinogênicas em roedores, ou que são suspeitas de o serem, são abundantes na natureza. Muitos desses carcinogênicos a roedores presentes na natureza são pesticidas naturais -- substâncias que as plantas produzem para repelir ou matar predadores. Dos cerca de dez mil pesticidas naturais presentes em nossa dieta, somente cerca de 60 foram testados em experimentos com roedores.2 Eles são encontrados em uma vasta gama de vegetais comestíveis: couve de Bruxelas, melão, couve-flor, cereja, pimentas chili, cacau, alho, uvas, kale, lentilhas, alface e rabanete -- para falar de somente algumas que não estão em nosso Menu de natal.2 É muito improvável que o consumo de pequenas doses de carcinogênicos de oedores, sejam naturais ou sintéticos, possa causar câncer em humanos. Quando se entende que carcinogênicos e mutagênicos estão em todo lugar nos alimentos que a própria Mãe Natureza no fornece, pode-se ver o absurdo de entrar em pânico por causa de pequenas quantidades de substâncias sintéticas (como resíduos de pesticidas) que são "carcinogênicos" quando se fornecidos em altas doses durante a vida inteira de um roedor. Se você preferir acreditar que todo carcinogênico a roedores também for um carcinogênico humano em potencial, e decidir extrpolar diretamente de roedores a humanos, o leque de substâncias que ocorrem naturalmente e que as pessoas consomem em níveis próximos à dose crcinogênica para roedores ainda deixaria dúvidas quanto à importância de resíduos sintéticos no câncer humano. Note-se no menu de natal, por exemplo, que o recheio de pão contém furfural, um carcinogênico para roedores. Mas levando em conta a diferença de peso entre um humano e um roedor, baseada em dados de laboratório, uma pessoa precisaria comer 82.600 fatias de pão para ingerir uma quantidade de furfural igual à quantidade que aumenta o risco de câncer em roedores.
Ao analisar esse exemplo, lembre-se das condições de estudos em animais: o animal ingere a substância em todos os dias de sua vida (geralmente dois anos). Para ingerir uma dose equivalente, um homem precisaria consumir aquelas 82.600 fatias de pão todos os dias durante anos. O principal fator de risco nas refeições de natal -- além da intoxicação gerada por manuseio ou preparo inadequado da comida -- é comer demais. Uma pessoa com fome pode consumir facilmente mais de 2.000 calorias de uma só vez. Um consumo consistente de calorias em excesso contribui com a obesidade, com seus níveis mais altos de risco de doença cardíaca. ''E interessante que o consumo excessivo de calorias foi chamado de "o mais incrível" carcinogênico em estudos de carcinogenicidade em roedores. O peso corporal é um bom indicador do risco que tem um rato de adquirir câncer em comparações entre ratos com dietas hipocalóricas e ratos que podem comer quanto quiserem. Para diminuir o risco de câncer mudando nossa dieta, deveríamos nos concentrar em desequilíbrios dietéticos, não em substâncias residuais. Diversos estudos epidemiológicos mostraram que pessoas que consomem dietas com muitas frutas e legumes têm menor risco de contrair diversos tipos de câncer. Isso é verdade apesar do de as substâncias químicas naturais que são carcinogênicas em roedores também serem abundantes em muitas dessas mesmas frutas e legumes. Note que as populações estudadas diminuírm seus riscos apesar de sua comida presumivelmente conter resíduos de pesticidas sintéticos. Altos consumos de frutas e legumes ainda era um fator de proteção contra o câncer. Os alimentos em nosso menu de natal são saudáveis e integrais a despeito de conterem algumas das substâncias químicas da própria Mãe Natureza que já se demonstrou serem carcinogênicas em testes com altas doses em roedores.
O foco desse menu de natal da ACSH são os "carcinogênicos", definidos aqui como as substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que causam câncer em roedores quando consumidas em grandes quantidades. Um assunto relacionado é o dos "venenos", tecnicamente conhecidos como toxicants. Assim como não é cientificamente sólido crer que os alimentos não possuem mutagênicos e carcinogênicos para roedores, é igualmente irrealista igualar "natural" com seguro. Os alimentos possuem substâncias químicas que são tóxicas ou potencialmente tóxicas em abundância -- porque todas as substâncias são tóxicas em alguma dose. Os toxicologistas confirmaram que os alimentos naturalkmente contêm uma miríade de substÂncias tradicionalmente vistas como "venenos". Batatas contêm solanina, arsênico e chaconina. Lima beans contêm cianeto de hidrogênio, substância de uso clássico em suicídios. Cenouras contêm carototoxina, uma neurotoxina. E nutmeg, pimenta preta e cenouras contêm o composto alucinógeno miristicina. Além disso, todas as substâncias químicas, naturais ou sintéticas, são toxicants potenciais em altas doses mas perfeitamente seguros quando consumidos em baixas doses. Tome-se o sl de cozinha, por exemplo: essa substância comum, consumida em excesso, pode causar elevação da pressão sanguínea em indivíduos sensíveis. Algumas poucas colheres de sobremesa podem matar uma criança pequena. Selênio, um minerl essencial na dieta humana, pode causar náusea e alterações nervosas quando consumido cronicamente em excesso. O familiar estimulante cafeína também é um toxicant se consumido em altas doses (de 50 a 100 xícaras de café por dia, digamos). Suplementos do mineral essencial ferro com alguma frequência causam intoxicação em crianças. Quando se trata de toxicants na dieta, naturais ou sintéticos, a dose é que faz o veneno.
A hipótese de que substâncias químicas naturais não são danosas, e que as substâncias artiiciais o sao, nao tem nenhuma base científica. As substâncias devem ser avaliadas de acordo com seu potencial carcinogênico em humanos, não de acordo com sua origem -- e fazer isso requer mais informação biológica do que pode ser fornecido por um teste carcinogênico em roedores. Enquanto saboreamos nosso jantar de natal, devemos lembrar os benefícios que a pesquisa científica trouxe à agricultura e à tecnologia alimentar norte-americana. A ciência fez nossa comida mais segura, mais nutritiva, mas atraente, mais abundante, mais amplmente disponível, e mais agradável -- e tudo isso a um custo relativamente baixo. The American food supply is truly the envy of the world! Se políticas nacionais levarem a uma redução do número de substâncias disponíveis aos agricultores, a produção de alimentos poderá cair -- e os preços irão aumentar. Essa situação poderia na verdade aumentar a incidência de câncer se, frente a preços mais altos, as pessoas escolhessem comer menos frutas e legumes. Seria irônico que o mal direcionado fervor na remoção de supostos carcinogênicos (substâncias sintéticas) de nossa comida resultassem em menor consumo das próprias comidas que aparentam proteger contra o câncer.
Primeiro, seria irrealista tentar remover de nossos alimentos todo e qualquer traço de substância natural que leva a resultados positivos em testes de altas doses com roedores. Até os carcinogênicos humanos podem ser nem tóxicos nem carcinogênicos em doses bem pquenas. Imagine, por exemplo, a expectatia irrealista de "exposição zero" a luz do sol -- um carcinogênico para a pele. Apesar de a luz do sol poder, em altas doses, causar câncer em humanos, estaríamos dispostos a dispensar a produção de vitamina D pela pele sob luz solar? É importante enfatizar que quando se trta de carcinogênicos naturais, assim como de sintéticos, a "dose é que faz o veneno." Em segundo lugar, os cientistas estão somente arranhando a superfície dos dados em sua busca por identificar os carcinogênicos para roedores da própria natureza. Já é evidente que devemos rejeitar as hipóteses (quase pode-se chamá-las de superstições) de que o rótulo "natural" significa "seguro e sem carcinogênicos de roedores" e que substâncias "sintéticas" são os únicos carcinogênicos par roedores. Nenhuma evidência científica apóia essas crenças. De fato, um recente review de estudos de carcinogênicos em roedores demonstrou que entre as substâncias testadas quanto ao seu poder carcinogênico, 57% das naturais e 59% das sintéticas geraram resultados positivos: percentagens virtualmente idênticas!4 Também é importante perceber que devido ao nosso viés regulador inicial contra substâncias sintéticas, examinamos muito mais delas em testes carcinogênicos com roedores do que das substÂncias naturais -- apesar de 99,99% das substâncias às quais os humanos estao expostos serem naturais. Em terceiro lugar, o crescente corpo de evidências que documenta a carcinogenicidade (ao menos sb condições de laboratório) de substâncias cotidianas encontradas na natureza enfatiza a contradição que nós americanos criamos até hoje em nosso enfoue regulador de carcinogênicos. Essa contradição pode sr vista com mais clareza na enorme discrepância que existe entre o peso que demos aos carcinogênicos sintéticos -- temos tentado eliminá-los do país -- e a relativa falta de atenção que demos aos arcinogênicos naturais. Ignoramos em grande parte os carcinogênicos naturais, assim como o fato de que as taxas de carcinogenecidade em experimentos com roedores é virtualmente a mesma para carcinogênicos sintéticos nturais. Dos milhares de pesticidas naturais conhecidos, menos de 100 foram adequdamente investigados em testes com roedores.2 Todos os nosos esforços para reduzir riscos de câncer devem:
Notas 01 - A Lei de Proteção à Qualidade dos Alimentos de 1996 na verdade mudou o controle de resíduos de pesticidas em alimentos processados do artigo 409 da lei do FDA, onde está a cláusula Delaney, para o artigo 408. O efeito dessa mudança é que a cláusula Delaney não se aplica mais a resíduos de pesticidas, embora ainda se aplique a aditivos alimentares. Voltar 02 - Gold LS, Slone TH, Ames BN. Prioritizaion of possible carcinogenic hazards in food. In: Tennant DR, ed. Food Chemical Risk Analysis. London: Chapman&Hall; 1977:269-295. Voltar 03 - Dados obtidos de: Gold LS, Slone TH, Stern BR, Manley NB, Ames BN. Possible carcinogenic hazards from natural and synthetic chemicals: setting priorities. In: Cothern CR, ed. Comparative Environmental Risk Assessment. Boca Raton, FL: Lewis Publishers; 1993:209-235. Voltar 04 - Gold LS, Slone TH, Ames BN. What do animal cancer tests tell us about human cancer risk?: Overview of analyses of the carcinogenic potency database. Drug Metab Rev. 1998;30(2):359-404. Voltar 05 - A ACSH não rejeita aqui o uso de testes em animais para a predição de risco de câncer em humanos, mas apela ao bom senso na análise de resultados desses testes (para detalhes, vide o livreto da ACSH Of Mice and Mandates). É necesário mais pesquisa para estabelecer os mecanismos através dos quais diferentes substâncias, naturais ou sintéticas, causam câncer. Sem isso nao temos base científica sólida para extrapolar a partir de testes de altas doses em roedores para as doses muito mais baixas que são típicas na exposição de humanos. A ACSH especiicamente rejeita a extrapolação de tais testes para predizer o risco de câncer em huamnos. A ACSH nota, contudo, que uma substância, natural ou sintética, que causa câncer em muitas espécies de animais (nao somente em roedores), emmuitos níveis de exposição e em muitos experimentos deveriam ser regulamentados. A ACSH nota ainda que se deve considerar o estabelecimento de níveis de tolrância humana a esses carcinogênicos animais. Esse enfoque racional e razoável é seguido por agências governamentais no caso de um único carcinogênico natural (e usualmente inevitável), a aflatoxina, uma substância produzida por um fungo que cresce naturalmente em amendoim, milho e outros produtos. O FDA, notando a potência desse carcinogênico humano, determinou limites razoáveis e trabalháveis para exposição humana. Voltar
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