Daniel Sottomaior Publicado: 15/11/2000
Atualizado: 08/05/2001
PARTICIPAÇÃO DA STR NO PROGRAMA LIVRE "DESTINO"

Transcrito


No dia 14/11/2000, o Programa Livre (plivre@sbt.com.br) do SBT teve como tema "Destino". Representando a S.T.R. e o pensamento cético e racional, esteve Daniel Sottomaior. Representando a numerologia esteve Aparecida Liberato. Representando a quiromancia esteve Sônia Pinheiro (leia o texto Qual o Poder de Predição da Quiromancia?, por Renato Zamora Flores, Ida V.D. Schartz, Cláudia M. Szobot e Thor G. Olsten). E finalmente, representando a astrologia esteve João Bidu (leia o texto Testes Científicos Da Astrologia, por Ted Schultz). O texto seguinte corresponde à transcrição mais fiel que conseguimos fazer do que foi dito neste programa. A apresentadora Babi permitiu que pessoas da platéia fizessem perguntas aos convidados, que foram transcritas também.

Apresentação do Programa

BabiBabi: Até que ponto a curiosidade pelo destino afeta a vida de uma pessoa? Se basear por previsões astrológicas ou numerológicas pode se tornar prejudicial? O Programa Livre de hoje vai falar sobre a vontade de se conhecer o futuro e os caminhos que a personalidade e o destino podem seguir, através das previsões, estudos e combinações numerológicas. Você tem vontade de saber como é que vai ser o seu amanhã? Então não sai daí, que daqui há pouquinho a gente tem muita coisa pra falar sobre esse tema, muitas previsões, é claro! [Beijo] Conto com você.

Primeiro Bloco

Babi: É, muitos acreditam, outros nem tanto. Então o Programa Livre de hoje vai falar sobre a capacidade de prever o futuro e conhecer o destino. Para dar a leitura inicial e começar o programa em altas vibrações, eu vou convidar a numeróloga Aparecida Liberato. [Aparecida entra e Babi a abraça] Olá, boa noite. Que bom ter você aqui de volta com a gente. Muito tempo já, viu. Muito tempo. Tudo bem?

Aparecida: Obrigada Babi. É um prazer estar aqui, uma delícia. Boa noite para todo mundo, tudo bem? [Babi observa a pasta trazida por Aparecida] São as previsões. São os números.

Babi: Opa! A gente vai estar sabendo de previsões aqui. Quero saber o que é que vai rolar pro final de ano, ano que vem. O que você tiver já pode dar aí as dicas pra gente. Conta pra gente, no que a numerologia pode ajudar uma pessoa?

Aparecida LiberatoAparecida: Acho que são dois aspectos. O primeiro é o auto-conhecimento, então a pessoa poder entender, se entender melhor com a numerologia. Entender a razão das suas atitudes, a razão das suas escolhas, escolhas profissionais, escolhas de vida mesmo, de posturas. E o segundo, saber qual é o seu momento. Porque quando você sabe em que momento você está, porque é assim, tudo no universo acontece em ciclos de um a nove, e mudam...

Babi: É, as coisas vão mudando, vão mudando...

Aparecida: De um a nove! Então no ano um...

Babi: Tem nove ciclos na numerologia?

Aparecida: São nove... São... Não, são nove anos dentro de um ciclo. Então um ciclo é composto de nove números. Então ou você está num ano um, ou está num ano dois, enfim, até o nono. E estar em cada um...

Babi: Eu soube que dentro desses nove anos, assim, se você só teve a ganhar nos oito anos, no último você vai perder alguma coisa. O que é isso? É a lei da compensação?

Aparecida: Não, você sabe que na realidade, no nono ano, que é o último ano, depois você começa tudo isso tudo de novo, um, dois, três... Tudo de novo. Mas você começa com um outro amadurecimento. No nono ano existem conclusões, por que? Como você vai mudar de ciclo, então, existem perdas, você perde coisas, você muda de emprego, você perde entes queridos, você sai de um casamento, enfim, existem perdas, existem conclusões...

Babi: Mas essas perdas, a gente não pode encarar assim: você tem oito anos de positivismo e um de negativismo, não? São fechamentos de situações pra...

Aparecida: Não, de jeito nenhum! São fechamentos de um ciclo que começou há oito anos atrás.

Babi: O que é que você precisa para traçar a personalidade de uma pessoa? A data de nascimento?

Aparecida: O nome... A data de nascimento vai falar sobre a lição de vida, ou seja, qual o aprendizado desta pessoa nesta existência. E o nome...

Babi: Porque muita gente rege o ano assim: "Não, o meu ano começa primeiro de Janeiro mesmo." Não, né? Não tem essa...

Aparecida: Não. O ano começa pra gente na data do último aniversário e vai até o próximo aniversário. Então, você que fez aniversário em dezoito... [Consulta sua pasta] Não, seis do sete. Então, o seu ano começou em seis do sete e vai terminar em seis do sete.

Babi: Legal a gente se programar assim, né? Porque a gente não acha que, assim, "Janeiro não fiz aquelas promessas, blá blá blá." Não, tem até o seu aniversário pra cumprir tudo. Vamos de platéia, que já tem pergunta por aí. [Aponta para a platéia] Boa noite.

João: Boa noite, meu nome é João. Eu queria saber uma coisa. Num mundo tão grande, com certeza tem pessoas que nasceram no mesmo dia, na mesma hora, o mesmo nome, aquela coisa certinha. Elas vão ter o mesmo destino?

Babi: É uma boa pergunta. Legal! [Aplausos da platéia] E aí? São as coincidências.

Aparecida: Elas... É como os gêmeos, não é? Os gêmeos nascem no mesmo dia, não é? Então, os gêmeos têm a mesma lição de vida, ou seja, a mesma data de nascimento. Mas eles têm nomes diferentes, as pessoas têm nomes diferentes. Então o nome vai determinar o destino, tá? Então o caminho pelo qual essa pessoa vai aprender a lição de vida dela.

Babi: [Falando com a audiência] Bom, você sabia que as mãos podem ter muito mais utilidade do que fazer carinho? Porque fazer carinho é bom, a gente sabe, né? Não vamos dizer que é só isso, é isso também. Mas por exemplo, elas podem dar características da personalidade. Pra falar sobre isso a gente vai convidar a quiróloga Sônia Pinheiro. [Aplausos] Boa noite. Olá. Bem vinda. Fica à vontade Sônia. Sônia e Aparecida, vocês já se encontraram...

Sônia: É um prazer estar. Boa noite a todos.

Babi: Me conta da diferença, que a gente acha que muita gente conhece. A quiromancia, e tem a quirologia. E as duas fazem uns estudos nas mãos, mas qual é a diferença?

Sônia PinheiroSônia: A quirologia é um estudo das mãos. Envolve vários componentes: interpretação da saúde, da personalidade, das impressões digitais. A quiromancia é o ato de adivinhar através das mãos. Então é sem um fundamento científico, muitas vezes.

Babi: Ah, tá! Ela pode... Ela é uma coisa mais adivinhação...

Sônia: Mais adivinhação, mais intuitiva...

Babi: Mais intuitiva...

Sônia: E a quirologia não, ela te dá parâmetros pra que você possa analisar como essa pessoa interage com o mundo e quais são as dificuldades e as facilidades que ela têm.

Babi: Elas podem se complementar, se a pessoa quiser?

Sônia: Na realidade você acaba executando as duas coisas. Você quando pratica a quirologia, você acaba percebendo como a pessoa interage com o mundo e acaba adivinhando. Ela era "assim", está "assim", tem grandes chances de se tornar "isso" se não mudar o padrão de comportamento.

Babi: Quer dizer, então vai ajudar a pessoa assim: "Tá previsto "isso" [Apontando para a palma da mão], mas a sua característica é "essa"..." Você pode falar as duas coisas?

Sônia: É, porque na realidade você vê as duas mãos. A mão que você escreve é a mão do presente.

Babi: Ah, é?!

Sônia: A mão que você preserva mais e sulca menos é a mão do passado. Então quando eu olho uma mão...

Babi: [Balançando a mão esquerda] Então no caso essa é a mão presente...

Sônia: Dez por cento da população é canhota. Quem é canhoto aqui?

Babi: [Mão esquerda erguida] Eu faço parte dos dez por cento aqui...

Sônia: Então, pra você a mão do presente é a mão esquerda.

Babi: [Ergue a mão direita] E essa é a do passado? Mas qual que é a mão do futuro? [Une as duas mãos]

Sônia: Não, aí você... É a integração das duas. Você olha a mão como você era [Segura a mão direita da Babi], como você está [Segura a mão esquerda da Babi], e se não mudar o padrão de comportamento você tem grande probabilidade de conseguir determinadas coisas em função do teu comportamento. É o futuro que é a adivinhação.

Babi: Ok, bem explicado aí pra gente. [Aponta para a platéia] Oi, Boa noite.

Daniele: Boa noite, meu nome é Daniele, eu sou do cursinho da Poli [Escola Politécnica da USP, http://www.poli.usp.br, http://www.cpoli.cjb.net e http://www.gremio.poli.usp.br]. Eu gostaria de saber o seguinte. Quando você segue uma religião, você renuncia esse tipo de coisa: numerologia, astrologia. E vocês, acreditam em Deus? E se isso for um dom de vocês, então por que vocês cobram? Vocês não fazem gratuito? [Aplausos]

Babi: Nossa, tem várias perguntas numa só aí. Agora, deixa eu perguntar uma coisa. Quando você tem uma religião... Assim... Todas as religiões, aí eu pergunto à você, todas as religiões você tem que...

Daniele: Seria mais, assim, a católica. O Padre Marcelo fala muito isso. Você tem que renunciar. Seria mais a religião evangélica. Espiritismo eu acho que não entra nisso, mas a evangélica e a católica eles seguem. Quem realmente aceita Jesus renuncia esse tipo de coisa.

Babi: A bíblia diz que deveria se renunciar isso? Ah, olha, eu não sabia disso. [Vira para Sônia] E aí?

Sônia: Posso responder?

Babi: Diga.

Sônia: Bom, você tá confundindo um pouquinho quirologia com quiromancia. Realmente a adivinhação, ela é intuitiva e não tem fundamento científico. Mas na quirologia você estuda, você faz diagnóstico de doenças pelas impressões digitais. A medicina legal utiliza o reconhecimento de corpos através destas suas impressões. Então isso deixa de ser religião e passa a ser ciência.

Babi: Quer dizer, aí você vai estar falando da ciência e da religião...

Sônia: É, e não necessariamente todo mundo que trabalha com isso cobra. No meu caso por exemplo isso é um hobby e é tudo gratuito. Eu faço pra ajudar crianças carentes e não necessariamente há a necessidade de cobrar. [Aplausos]

Babi: É, eu sei que os médicos, que eles usam, por exemplo, quando a mão fica azulada é porque você tem tendências, ou tem problemas de coração. Não é isso? Não tem formas de você saber?

Sônia: É, quando você vai ser submetido a uma cirurgia, o médico o tempo todo fica olhando pras tuas unhas, porque quando você tem qualquer deficiência circulatória, a primeira parte do teu corpo que fica azulada são as extremidades. As unhas dos pés e das mãos, é por isso que eles tiram os esmaltes.

Babi: Ah, então tá certo. Aparecida, quer responder a pergunta?

Aparecida: Respondo sim. Em primeiro lugar, isso é uma profissão. As pessoas se formam, estudam, e elas querem obter do seu trabalho, elas precisam obter do seu trabalho, o ganho. O ganho financeiro. Então isso não necessariamente... É uma profissão como outra qualquer, não necessariamente ela precisa ser de doação. Em segundo lugar, isto é um instrumento, tanto a numerologia, a quirologia, astrologia, tarô, são instrumentos de auto-conhecimento e não negam a Deus. Em terceiro lugar, mesmo a Bíblia e toda a linguagem bíblica que fala de Deus, e fala de Jesus, têm nos números uma linguagem que está oculta por trás dos números que nós podemos... E existe toda uma investigação por trás disso, que inclusive a cabala traz, que é uma linguagem diferenciada que fala dos números não pela quantidade, mas sim pela qualidade. Então a linguagem bíblica é altamente, traz um significado numerológico bastante profundo.

Babi: Queria saber por que tantas pessoas - aliás até tantos artistas, né? - mudaram seus nomes a partir da numerologia?

Aparecida: É, as pessoas mudam. Não só os artistas, mas as pessoas trazem letras mais favoráveis. Se a gente considerar que cada letra traz um significado importante, então existem letras que trazem uma energia de independência, letras que trazem energia de comunicação...

Babi: Muita gente incorporou os seus apelidos aos seus nomes, o nome inteiro. Maria das Graças "Xuxa" Meneghel, Luis Inácio "Lula" da Silva...

Aparecida: É, mas eu acredito que não seja por um motivo numerológico, não. É porque eles eram conhecidos como... Xuxa incorporou, o Lula também... Mas você muda...

Babi: Você acha que pode ser feito... Por exemplo, se eu quiser colocar... Meu nome é Ana Bárbara Xavier Mendes. Se eu quiser colocar Ana Bárbara "Babi" Xavier Mendes, numerologicamente isso pode...

Aparecida: Você muda a energia do seu nome. Se bem que aquela energia do seu nome é aquela que fala sobre o seu destino. Essa não muda nunca, ela está na sua certidão de nascimento, não vai mudar nunca. Cada vez que você traz um apelido, um nome de casado por exemplo, a pessoa casa e traz...

Babi: Como é que fica? Porque a minha certidão de nascimento é uma, a de casado é outra, muda o nome, e aí?

Aparecida: Não, mas não muda o destino, o destino tá ali...

Babi: Mas o destino tá no meu [Apontando para trás]...

Aparecida: No seu nome de nascimento...

Babi: Olha!

Aparecida: Aí qualquer nome, então... O nome profissional, aquele que vem no cartão... Um apelido, então, um nome de casada, vão trazendo energias diferentes pra você.

Babi: E o fato, o nome de casada ele vai trazendo diferentes... Quer dizer, você pode juntar com o que tá previsto o seu destino e com o livre arbítrio...

Aparecida: Exatamente, agora, a energia pode não ser tão boa assim e aí então é que as pessoas mudam o nome. Então trocam de I pra Y. Mas sempre é preciso fazer um estudo, né? Então ver qual o soma dos números, e pensar muito bem que troca é essa que a pessoa tá fazendo.

Babi: Queria saber uma coisa, alguém já leu as suas mãos, Aparecida?

Aparecida: [Olha para Sônia] Ela... [Risos] Antes da gente entrar aqui...

Sônia: [Risos] Nós estávamos lendo as mãos lá no fundo.

Babi: Como é que foi essa experiência?

Aparecida: É muito interessante. Mas ela me contou que pra se ler as mãos é preciso, assim, sessões de três a quatro horas. Mas é fantástico, é uma coisa maravilhosa, eu gostei demais. Interessante é que nós estávamos analisando uma terceira pessoa, e estávamos falando sobre o quanto a numerologia forneceu o dado de que essa pessoa dispersava, jogava energia fora, e ela [Aponta para Sônia] então foi interessante, porque pelo número eu cheguei e disse "Olha, mas essa pessoa joga energia fora..."

Babi: Quer dizer, você fez a dela [Aponta para Sônia]? Você fez a numerologia...

Aparecida: Não, foi de uma terceira pessoa, de uma outra pessoa. E depois ela disse "ela joga energia fora, e veja as mãos dela, como os dedos são longos, e aí ela deve usar um anel no dedo do centro", uma coisa interessante.

Babi: Olha só! Quer dizer que as duas acabaram na terceira pessoa e falaram "isso aqui combina!" Olha só! [Risos]

Sônia: [Risos] Estava um perigo entrar na nossa sala.

Babi: Perigo bom, perigo bom! [Risos] Bom, a gente já falou de números, mãos, agora vamos chamar uma pessoa que estuda os astros e a sua influência na nossa vida. João Bidu! [João entra e abraça Babi] Olá João, muito boa noite! E aí? Tudo bem? Fique à vontade.

João: Tudo certinho? Boa noite pessoal.

Babi: Vem cá, com esse nome aí, Bidu... Bidu sabichão...

João BiduJoão: É, Bidu... Aliás, foi a primeira vez que eu fui na Editora Abril tentar distribuir a minha revista, o rapaz que me atendeu falou "você me desculpe, mas astrólogo com esse nome de João Bidu, meu amigo, não dá pra distribuir, não vai vender nada."

Babi: Ué?!

João: É, foi a previsão que ele fez. Errou, né? E esse nome aí saiu o seguinte...

Babi: Pois é, Bidu não é aquele que acerta tudo?

João: É, mas... Este nome saiu... Eu comecei no rádio, e na verdade a minha carreira não era bem pra ser um astrólogo, eu era pra ser o comandante de um programa do Omar Cardoso, que foi a maior autoridade de astrologia popular do Brasil. Mas, de repente, os caminhos mudaram, eu me interessei, me empolguei pela astrologia e aí acabou ficando com João Bidu, e isso me deu, assim, um certo medo de que o nome não passasse credibilidade. Mas a certa altura eu falei "não, eu vou..."

Babi: Aí a gente pode falar "é destino?" [Risos]

João: "...Eu vou atuar no popular e vai ser João Bidu, nada de professor João Bidu, vai ser João Bidu mesmo."

Babi: E o que é que você acha dos horóscopos de jornais?

João: Os horóscopos de jornais, eles... Assim como os de revistas, eles são mais mensagens astrais, mensagens zodiacais, porque você não tem condições num veículo popular falando pra todo mundo, de fazer um trabalho mais profundo.

Babi: É, que milhões de pessoas lêem...

João: E evidentemente que o astrólogo mais consciente, na hora que ele vê uma determinada influência um pouco mais pesada, e ele sabe a influência que ele tem sobre aquele público que tá lendo, ou às vezes nem sabe, né? Mexendo com o lado emocional, imaginário da pessoa, então ele sempre procura dar uma mensagem de otimismo, de alto astral pra pessoa.

Babi: É, porque você não pode chegar pra um signo e falar assim: "não saia de casa hoje", ou "é melhor nem não-sei-o-que..." Não, não dá, né?

João: Até porque ninguém gosta de ouvir isso, né?

Babi: É não, não dá pra... Vem cá, acho que a galera tá louca pra saber, a moçada aí. E combinação de signos, hein? Como é que a gente vai saber se com quem a gente tá, é tudo bem...?

João: Vamos lá, todo mundo quer saber...

Babi: [Olha para a platéia] Quem tá de namorado, tá de namorada aí? Tem alguém? Ou tá todo mundo solteiríssimo? Tem? É? Tem um casal aqui na galera? Oi, qual o seu nome?

Natália: Natália.

Eduardo: Eduardo.

Babi: Natália e o Eduardo. Ok, qual o seu signo?

Natália: Leão.

Eduardo: Áries.

Babi: Leão e áries. Qual a probabilidade? [Risos]

João: Olha, áries e leão são dois signos do fogo, né? Vai ser uma relação muito boa, na cama principalmente. [Murmúrios da platéia]

Babi: Ok!

João: Leão ocupa o paraíso astral de áries, que é um lado muito bom. Só que leão representa mais o namoradinho, o caso, o amante, do que propriamente o companheiro eterno da mulher de áries.

Babi: Olha, tem tudo aí pra dar um fogo só! É isso? Ai, que beleza! Muitos anos de namoro aí pra vocês. [Olha para a platéia] Quem mais aí, hein? Quem que é casal aí? Chega aí! Deixa eu falar com vocês dois. Queria saber os nomes e os signos. Qual o seu nome?

Rodrigo: Meu nome é Rodrigo.

Cíntia: Cíntia.

Babi: O Rodrigo e a Cíntia. Vamos ver os signos.

Rodrigo: Signo de leão.

Cíntia: Peixes.

Babi: Leão e peixes, combinação diferente aí...

João: É, a coisa é diferente... Leão e peixes na verdade nós temos a seguinte situação: leão veio ao mundo, leão é o escravo astral de peixes. Leão veio ao mundo para agradar e para servir à pessoa de peixes.

Babi: Ai que lindo!

João: Mas peixes que ocupa a oitava casa astral de leão, nem sempre retribui na mesma moeda. Grosso modo, é uma relação também de forte impacto sexual, há muito fascínio sexual aí entre leão e peixes, mas normalmente ocorre algum tipo de problema. É aí que eu sempre digo que a astrologia nunca determina, porque eu não posso falar que leão não combina com peixes, e vice-versa. Eu posso falar é que existe aí uma grande possibilidade de pintar problema. Vai depender deles, né...

Babi: Mesmo porque as pessoas podem administrar, não? "Mas eu amo, eu adoro, e é isso aí. Fulano tem tal característica que realmente eu não curto muito." Mas, calma aí.

João: Exatamente. Perfeitamente. É por aí, exatamente.

Babi: Concordo plenamente. [Aponta para a platéia]

Juliana: Oi, boa noite, meu nome é Juliana. E agora que os cientistas descobriram novos astros, eu gostaria de saber se isso influi em alguma coisa do mapa astral.

João: Ainda não porque esses astros que foram descobertos, foram descobertos pela astronomia, mas a astrologia lida com aspectos astronômicos, mas de maneira mais diferente, mais para o lado psicológico. Então aparentemente a gente não tem nenhuma informação sobre esse tipo de influência, e no mapa astral vamos continuando trabalhando com os planetas de antigamente, Júpiter, Mercúrio, Marte, Vênus, etc. e tal.

Babi: Vem cá, pessoas assim que são muito ligadas à previsões, mas muito ligadas não tô dizendo como uma paixão, tô dizendo como uma obsessão. Será que não vira uma situação, tipo a pessoa se tranca em casa... Por exemplo... Uma dependência, ela vai a tudo, tudo. Desde baralho cigano, búzios, mapa astral, quirologia, numerologia, blá blá blá, aí se tranca em casa pra esperar tudo acontecer, por exemplo. Como é que fica? Como é que a pessoa pode administrar isso?

Sônia: É, vai muito da postura de quem está executando aquilo que ela foi procurar. Por exemplo, sempre que a gente vai trabalhar nesse campo de previsão, a gente tem que deixar bem claro pra pessoa que ela tem o livre arbítrio. Que ela tem a tendência de que aquilo ocorra, mas que ela pode decidir o melhor caminho, e não adianta...

Babi: Não adianta a pessoa ficar indo, indo, indo, a vários profissionais, e ficar em casa trancada sem viver, efetivamente, não é isso?

Aparecida: É porque uma pessoa assim acaba vivendo só o externo, aquilo que chega pra ela, e nunca essa pessoa vai realizar a sua própria essência, só vai trabalhar aquilo que é seu mesmo, o que vem de dentro, não é? Ela tá sempre esperando que as coisas cheguem de fora, não é? Então... E vai sendo... E é uma pessoa extremamente influenciável, não é...

Babi: Aí tem que ter muita responsabilidade, né?

João: É, porque na prática, né, a Aparecida e a Sônia trabalham com públicos diferentes, eu sou mais popular. Eu vejo que realmente tem gente muito fanática, e por mais que a gente fale, né, eu pelo menos sempre coloco isso bem claro nas minhas revistas, que os astros influenciam mas quem decide é a pessoa, ela sempre acha que os fracassos ou as vitórias são determinadas pelos signos, né, ou pelos planetas, mas... E realmente tem gente que, muito fanática, é prejudicial, mas não adianta a gente falar porque muito já se enraizou na mente dela, que...

Babi: Já é uma característica da pessoa, nossa...

João: Lamentavelmente...

Babi: É uma responsabilidade tremenda! Bom, daqui a pouco a gente continua o nosso papo sobre destino, tendências, previsões... Eu vou querer saber dos nossos convidados qual a atitude deles quando o assunto é morte. Te espero, hein. [Beijo] Valeu!

Segundo Bloco

Babi: De volta aqui no Livre. Bom, a gente vai pegar uma menina da platéia e a gente vai fazer uma análise, não é isso Aparecida? Do ano dessa pessoa...

Aparecida: Do ano numerológico dessa pessoa baseado na data do último aniversário.

Babi: Ok! [Aponta para a platéia] Chega aí! E aí, qual o seu nome? Luana? Luana, que ano que você nasceu? Fala tudo pra Aparecida.

Aparecida escrevendo em um papelAparecida: [Escreve a data 9/5/1986 no papel] Nove do cinco de mil novecentos e oitenta e seis. Muito bem. [Rabisca o 1986] Isso aqui nós vamos tirar. Não vai valer pra gente, tá? O importante é que ela fez aniversário em nove do cinco de dois mil. [Escreve a data 9/5/2000 no papel] Foi o último aniversário dela. Então nós vamos somar nove, mais cinco e mais dois, porque a gente elimina esses zeros [Rabisca os zeros de 2000]. Então vai ser nove mais cinco, catorze, quinze, dezesseis. [Escreve 9 + 5 + 2 = 16 no papel]. Somando um mais seis vai dar sete. Então o ano numerológico da Luana é um ano sete. Então, o que acontece? Ano numerológico número sete significa um ano importante pra auto-conhecimento, pra pessoa se voltar pra dentro de si, pesquisar, fazer terapia, pesquisar suas razões, a sua essência. O ano um... [Escreve 1- no papel] Então agora eu vou dar uma passada em todos os anos.... Quem fez as contas aí, não é? O ano um é o primeiro ano do ciclo numerológico. Então é um ano pra arregaçar as mangas e é um ano pra fazer coisas diferentes, iniciativas, inovações. Um ano dois [Escreve 2- no papel]. O ano dois é um ano muito lento, porque você planta em um [Escreve um círculo ao redor do 1- no papel]. Tudo o que você planta em um você vai molhando num ano dois...

Babi: Exatamente...

Aparecida: Então é um ano mais tenso, mais lento. Um ano três [Escreve 3- no papel]. Um ano três você tá muito vivaz com novas idéias, um ano três é bom pra viajar, um ano três é bom pra encontrar amigos, um ano três é bom pra você colocar suas idéias pra fora, é um ano de expansão. Tanto comercial, no plano profissional, como no plano afetivo. Aqui você conhece muita gente, é muito interessante. Um ano quatro [Escreve 4- no papel] é um ano de trabalho, então é preciso organizar, manter uma rotina, fazer orçamento em casa. Não é um ano pra gastar dinheiro, nem é um ano pra fazer muitas coisas diferentes. É um ano até pra você andar, assim, miudinho porque é um ano que tem muitas restrições...

Babi: Ok...

Aparecida: Um ano cinco... [Escreve 5- no papel] Este é um ano de mudanças, grandes mudanças na sua vida. Todo mundo em cinco passa por mudanças profundas, porque o cinco é um número que tá no meio, entre o um e o nove. Então em cinco você olha pra trás e olha pra frente também. Então em cinco você... Se você não provoca mudanças na sua vida... E mudanças assim, você, mudanças no seu relacionamento, na sua vida profissional, mudança de casa, mudança de país, enfim, se você não provoca a natureza se encarrega de provocar essas mudanças. Num ano seis [Escreve 6- no papel] é um ano de responsabilidade familiar, então geralmente no ano seis você tá voltado pra preocupações familiares, voltado pros seus pais, voltado pros seus irmãos, voltado pro seu marido, enfim, um ano seis é um ano pra casamento, é um ano pra nascer filho. Um ano seis é um ano doméstico, é um ano de responsabilidade. Um ano sete [Escreve 7- no papel], é o ano da Luana, é um ano então da preocupação em crescer interiormente. É um ano em que você não faz muita coisa, você não inicia muita coisa, muito pelo contrário, as coisas é, são sempre resultado... [Luana fala com Aparecida] Isso mesmo, você trabalhar por dentro, e as coisas que surgem no ano sete são sempre resultado daquilo que você trabalhou aqui no ano um. Então todos os anos são resultado do que você plantou aqui no ano um. Um ano oito... [Escreve 8- no papel] E este ano sete é um ano um pouco difícil, porque você lida com seus conteúdos internos...

Babi: Auto-conhecimento sempre é difícil. Isso aí sempre é difícil...

Aparecida: É um ano pra cuidar da saúde também, [Fala com Luana] né verdade? É um ano difícil porque você estava preocupada com você. Um ano oito é um ano pra você se preocupar com negócios. Então um ano oito é pra você ir lá, batalhar, no setor profissional é importante, num ano oito você tá mais poderoso, você tá mais confiante, então é pra ir atrás dos seus negócios. É importante num setor profissional um ano oito. E num ano nove, um outro importante também, é o ano de fechamento. Então, é um ano tanto pra você encerrar coisas na sua vida, você colocar pingos nos is, como pra você...

Babi: Fazer um balanço, geral...

Aparecida: Fazer um balanço, isso é importante. E projetos seus que estão engavetados, você num ano nove, você abre a gaveta e você diz "agora eu termino isso a que eu me propus a fazer", e...

Babi: Então a pessoa pode, na verdade... Ela faz a continha dela e vê o que que todos esses... [Aponta para o papel] Vê o momento dela a partir do que tá sendo explicado aqui... Hmm...

Aparecida: Exatamente! Aí, o que acontece? Ela melhora a qualidade daquela energia, porque se a energia é esta, [Aponta para os números no papel] não é? Então ela vai trabalhar esta energia.

Babi: Então valeu! Brigadão! [Aplausos] Bom, vamos pro outro lado aqui, porque a gente vai continuando o nosso papo, porque a gente tinha falado, né? Como é que vocês profissionais das previsões encaram, né? Como é que faz quando... Tá fazendo uma previsão pra uma pessoa e tem a morte ali prevista, ou pra ela, ou perto dela, algum familiar... Vocês falam, vocês não falam, como é que se dá uma notícia dessa, como é que se prepara uma pessoa, como é que vocês lidam com isso?

João: Eu trabalho... Eu que faço assim um trabalho mais popular através de revistas, Babi, não tenho assim um contato direto. Embora na astrologia tenha a oitava casa astral que é chamada a casa da morte. Mas não é só da morte física, né? Essa morte significa você abandonar certas coisas ou certas pessoas que estão prejudicando a sua vida. Mas eu me lembro muito bem que eu fiz um mapa astral, eu faço muito pouco mapa astral porque me sobra muito pouco tempo, um trabalho específico com um amigo meu aqui de São Paulo...

Babi: Aí volta e meia alguém pede...

João: ...o Ronaldo Cortes, do Jornais de Associados, ele publica ali... "Ó, vê lá quando que eu vou morrer, etc. e tal..." E eu fiz, foi a única vez que eu...

Babi: Gente, mas dá pra saber?

João: Não, eu não vou dizer pra você que dá pra saber porque eu acho que, é... Eu não sou daqueles que acham que a astrologia pode tudo, sabe tudo, entendeu? Eu fiz um levantamento lá, olhando a oitava casa astral, o mapa astral dele, e vi um período onde a energia dele seria mais negativa, e até que tipo, né...

Babi: E deu uma avisada, né...

João: ...de acontecimento que poderia provocar, mas é um tipo de assunto que eu não gosto de penetrar.

Babi: [Vira-se para Sônia] Quando eu falei assim "e aí? dá pra ver quando é algo ruim?", você fez assim [Dá de ombros]. Dá pra saber, por exemplo, quando tá vindo um acidente por ai, quando tem probabilidade?

Sônia: Não, quirologicamente falando, dá pra você perceber o estado de saúde da pessoa. Pelas unhas, pela coloração de mão, pela... Uma pessoa muito pálida, com a mão muito branca, provavelmente ela é anêmica. Então a gente sempre encaminha essa pessoa para um profissional da saúde, que possa orientá-la com relação àquele problema que ela tá apresentando. Mas definir se vai morrer amanhã ou depois, é muito difícil. Agora, com relação aos acidentes, dá pra você também, em função do modo de vida da pessoa, se ela é uma pessoa que gosta de agitação, que gosta de se arriscar, fazer alpinismo, dá pra falar provavelmente, você tem que tomar cuidado porque você tem uma grande probabilidade de sofrer um acidente nessas tuas passeadas.

Babi: Ok, bem de uma coisa lógica. [Vira-se para Aparecida] Sabe o que eu queria saber? Por que que o treze, as pessoas "hmmm..." O treze pra algumas religiões, né, até a gente falou isso aqui de bruxaria, até no dia das bruxas, diz que o treze é ótimo, que é um número bom, tal. Mas tem gente que não curte o treze de jeito nenhum. Se for sexta feira então, "ui!" Por que?

Aparecida: Não... [Risos] Então, o treze na realidade ele é esse número da transformação que o João Bidu falou. O treze é um número... No tarô ele é a carta da morte, o treze... Isso não é transformação, não é mudança física, não é morte física, não é morrer. Não é? Pode ser uma transformação muito grande na vida.

Babi: Na verdade as pessoas não tem que ter medo do treze? Se eu ganhar uma camisa treze do seu time, não tem problema?

Aparecida: Não, sabe por que? O treze passou a ter essa conotação ruim depois da última ceia, que era Jesus e os doze apóstolos. Eram treze à mesa. E o que aconteceu no dia seguinte? Jesus morreu. Então aí, pro cristianismo, não é, então passou... O treze passou a ter uma conotação muito ruim, e depois isso se alastrou no mundo inteiro.

Babi: Agora me lembra... Tem outros números aqui que eu quero... Acho que a galera que é casada aí vai tá falando, a gente vai tá chamando um próximo convidado, mas antes eu queria só essa perguntinha. Crise dos quatro anos e crise dos sete anos de casamento, rola mesmo por uma questão numerológica? É destino? É o que? Ou as pessoas pegam esse mito e aproveitam e jogam as diferenças lá nos relacionamentos?

Aparecida: Tem muita coisa a ver. O quatro, aquele ano, o quatro, é um ano que traz muitas limitações, muitas. E o sete é o ano do auto-conhecimento. Então, o que acontece? Os sete anos de casamento é um período em que você está voltado pra dentro de si próprio, com muitas angústias, muitas perguntas. Aí o que acontece? Você acaba achando que o motivo das suas angústias tá fora de você, então tá no casamento...

Babi: Bota a culpa no outro... "Você não é o príncipe que eu achava!" Pois é! Bom, vamos falar com ele. Ele é cético, diz que muitas crenças chegam a moldar nossas vidas, vamos conversar. Daniel Sottomaior! [Daniel entra e abraça Babi] Olá! Boa noite, tudo bom? Fique à vontade. Daniel, conta pra gente, o que você faz?

Daniel: Eu sou cético.

Babi: Você é cético? É? Mas você é daqueles, por exemplo... Você é internauta? Que que você acredita?

Daniel: Eu acredito que...

Babi: É difícil perguntar pro cético em que ele acredita, né? Mas a gente faz essa pergunta...

Daniel: Eu acredito que o método científico é uma excelente maneira de você conhecer e encarar o mundo, e que o mundo é muito melhor sem superstições.

Babi: Ah, é? Você acha que acreditar no destino é muita superstição?

Daniel: É uma das mais fortes e com certeza prejudica muita gente.

Babi: É? Por que?

Daniel SottomaiorDaniel: Olha, prejudica as pessoas individualmente porque elas tomam decisões baseadas naquilo que não é verdadeiro. Se eu te digo que amanhã é provável que você tenha um acidente e na verdade não existe essa probabilidade, se eu tomar uma decisão baseada nisso, ruim pra você.

Babi: Então você não acredita no destino? Ou você acredita no destino?

Daniel: Não, não existe nada que mostre que o destino exista.

Babi: Por que? Como é que você chegou a essa conclusão?

Daniel: Pois é! É estranho como as pessoas pensam, não é? A gente pergunta pras pessoas por que elas não acreditam numa coisa. Mas o que você tem que saber é porque que você acredita em alguma coisa. Pra você acreditar em alguma coisa devem haver boas evidências.

Babi: É, mas geralmente é porque a gente se identifica, porque a gente viu ligações... Agora... Tem que perguntar por que que acredita?

Daniel: É o contrário. Você acredita em unicórnios?

Babi: Em unicórnios? Eu nunca vi...

Daniel: É, cavalos com chifres na testa.

Babi: Eu nunca vi, mas aparece aí pela história, todo mundo desenha. Será que não é uma coisa idealizada?

Daniel: Pois é. Então, pra acreditar em unicórnios deve ter um bom motivo, não é? Acho que acreditar em duendes sem ter um bom motivo não é algo saudável. Acreditar no que quer que seja sem ter motivos bons, sólidos pra isso, é uma maneira fácil, é o caminho mais curto pra você se enganar.

Babi: Boa noite.

Emanuele: Boa noite Babi, eu sou Emanuele. Eu queria falar pro Daniel o seguinte. Que antigamente eu não acreditava nada disso, achava que era totalmente besteira, coisas da cabeça dos outros. Só que a partir do momento que eu fui numa cartomante com a minha avó, e ela falou muita coisa, e praticamente tudo deu certo, eu passei a acreditar. E ele falando desse jeito tá insinuando que as pessoas que acreditam agora são pessoas idiotas e que eu sou uma idiota em estar acreditando?

Daniel: Bom, eu diria que uma crença tanto em cartomantes, como em qualquer método de divinacão, seja numerologia, astrologia, eu acho que não são crenças sensatas. Eu acho que, evidente que todas as pessoas têm a liberdade de acreditar no que quiserem. Existem muitos mecanismos psicológicos que levam as pessoas a acreditar naquilo que elas ouvem encaixando aquilo como se fosse pra elas, uma previsão que não necessariamente é pra elas...

Babi: Você não acredita nas terapias alternativas?

Daniel: Não, infelizmente.

Babi: [Vira-se para Aparecida] E aí? Queria o seu a parte, Aparecida, e aí?

Aparecida: Eu estive há duas semanas atrás em Brasília, num congresso, num fórum mundial ciência e espiritualidade. Nesse fórum mundial um dos palestrantes foi o quarto homem à pisar na lua, o outro palestrante foi um astronauta da estação espacial MIR russa, era um russo. Todos eles deram o seu depoimento da ciência, e o seu depoimento do misticismo, da espiritualidade. São homens de ciência. Eu sou formada em fonoaudiologia, eu tenho a ciência toda por trás. Eu testo, tenho hipóteses, testo de novo, chego à conclusões, isto é a ciência...

Daniel: Sinto muito...

Aparecida: Você não pode se fechar de maneira alguma à todas as outra... Tudo que existe por trás da ciência, então o nosso espírito, a nossa essência. Todas essas outras coisas, o tarô, a numerologia, são chaves do universo. A gente vai se tornar um ser muito pequenininho se a gente acreditar que todas as nossas coisas são explicadas por hipóteses que podem ser testadas.

Babi: [Vira-se para Sônia] Você acha que a ciência já foi mais fechada, Sônia? E a ciência tá acompanhando, tá mudando também? Porque antes a gente não colocaria ciência e religião no mesmo pote, não colocaria ciência e espiritualidade no mesmo pote. Você acha que a coisa tá mudando?

Sônia: É, dentro da quirologia nós temos vários trabalhos que comprovam a evidência científica de transformações biológicas e as relações com as suas linhas....

Daniel: Bom eu tenho um artigo no nosso site...

Sônia: Um momentinho só. E nós sabemos também que é bom... Faz bem pro indivíduo acreditar, porque ele acreditando, ele altera a sua fisiologia e passa a ter uma defesa celular melhor, imunológica. O que seria de um paciente terminal se ele não acreditasse que por acaso em algum lugar pudesse existir a cura dele? Ele morreria em dois, três dias. E nós temos tantos casos de sobrevidas por pessoas que acreditam numa coisa que muitas vezes não dá pra acreditar, mas que acaba ajudando a qualidade de vida deste indivíduo. Eu acho que acreditar faz bem pra saúde.

Babi: [Visa-se para Daniel] E aí?

Daniel SottomaiorDaniel: Bom, quanto à cientificidade da leitura de mãos, eu conheço bons artigos e a gente disponibiliza isso na Internet pra quem quiser ver, dizendo exatamente o contrário. Para alguma coisa ser ciência ela tem que ser reconhecida pela comunidade científica, publicada em bons jornais científicos. Não existe nada publicado de científico...

Sônia: Então, existe... Já que você é internauta, eu recomendo que você acesse o site www.pdc.co.il, é Psychodiagnostic Chirology, de uma entidade reconhecida mundialmente, em Israel, só com diagnósticos através da fisionomia das mãos com pacientes com problemas emocionais. É científico, e a partir do congresso mundial, realizado em Paris, em 1921, a quirologia deixou de ser chamada quiromancia e passou a ser reconhecida como uma ciência quirológica.

Babi: A gente vai ter que encerrar o nosso bloco e eu queria saber mesmo pra você que não acredita, né, a gente pode então mudar o nosso destino? Porque tem muita gente que fala assim "ah!", diante de uma coisa ruim, né? Fala assim "ah, é o meu destino mesmo" ou frases do tipo "hoje não é o meu dia, esse não é o meu ano, ai que vida é essa, eu tenho que nascer de novo". Sabe, essas coisas? Queria saber, a gente pode mudar o nosso destino? E aí?

Daniel: Certamente que pode, e o que eu aconselho às pessoas é que elas examinem criticamente todas as informações que elas têm, de todas as fontes, exatamente pra elas poderem tomar as melhores decisões à respeito de si mesmas. Então as afirmações que fazem a astrologia, a numerologia, elas são verdadeiras segundo eles, porque eles dizem. Se a gente for testar aquilo, não dá, não consegue um resultado positivo. Então, o que eu aconselho às pessoas é que analisem muito criticamente isso, usem o seu pensamento, usem todas as ferramentas da lógica e da ciência, pra descobrir exatamente o que é melhor pra si, é isso que a gente procura promover.

Babi: [Vira-se para Sônia] E aí Sônia?

Sônia: Eu até concordo em parte com o pensamento do Daniel, porque tem muitas pessoas que trabalham nesta área que não têm preparo pra poder estar trabalhando. Mas tem muita gente boa trabalhando, então eu acho que o discernimento tem que ter sim, eu acho que vocês tem que averiguar a informação pra poder saber com quem vocês estão lidando. Mas o destino é livre arbítrio, você é produto das escolhas que você faz, tanto é que quando você tira a cópia xerográfica das mãos, e seis meses depois observa que determinados setores a tua linha mudou, a tua fisiologia mudou, isso foi produto da escolha que você fez. Então tenho certeza de que essas ferramentas que nós fornecemos à vocês, a quirologia, astrologia, tem o intuito de fazer vocês terem uma vida, um padrão de vida melhor, muito pelo contrário de tentar destruir ou qualquer coisa nociva. Eu acho que tem que ver com quem está trabalhando, né?

Babi: [Vira-se para Aparecida] E aí?

Aparecida: Eu concordo que o discernimento é a coisa mais importante, mas Daniel, que tal você tentar acabar com esta barreira resistente e tentar pelo menos abrir e tentar entender um pouco... Ou, er... Você vai entender inclusive a sua postura autoritária, a sua postura radical em relação à essas ciências esotéricas que podem trazer tanto benefício pras pessoas.

Babi: [Vira-se para João] E aí? Podemos mudar nosso destino?

João: É, eu acho que muita coisa está escrito nas estrelas, Babi, muita coisa não está, realmente depende da pessoa, ela pode moldar o seu destino. Eu só tenho uma dúvida é com a hora final, na hora de cantar pra subir, eu acho que aí realmente já tá escrito eu acho, a pessoa realmente não tem muita escolha não.

Babi: Ok, tá certo. Bom, quero mostrar aqui os livros que eu ganhei da Aparecida e da Sônia [Risos] É isso aí, Sônia, Aparecida, Aprenda a Ler a Sua Mão, deixa eu mostrar aqui. [Levanta os livros nas mãos] Tá brilhando ou tá bom? Tá bom? Esse aqui...

Sônia: Babi, posso só dizer uma coisa? Quem estiver comprando o livro de quirologia estará contribuindo com uma instituição que trata de crianças com dupla deficiência, física e mental. Os direitos autorais foram todos doados. Muito obrigada. [Aplausos]

Babi: Olha só, e a Aparecida aqui! E esse novo, esse vem cheio de coraçãozinho! [Examina o livro]

Aparecida: São os corações que tem os aromas, os óleos essenciais que saem das plantas, eles estão dentro desses corações que na realidade são óleos de banho, porque o livro é numerologia junto com óleos essenciais da aromaterapia.

ConvidadosBabi: Ai, que beleza. Bom, muito obrigada aí a presença dos nossos convidados.

Daniel: Posso falar do nosso site?

Babi: Diga, qual que é o endereço?

Daniel: Pra quem quiser ver uma idéia concorrente, Sociedade da Terra Redonda, www.str.com.br [Aplausos]

Babi: Ok, tá dado o recado aí. Bom, até a próxima, sempre atento aos nossos astros, ao nosso destino, né gente? [Vira-se para João] Diga?

João: Só avisando que à respeito para previsões pro ano que vem, brevemente em todas as bancas, nossa revistas estarão aí falando sobre 2001, o ano de Marte. Um ano perigoso, um ano fogo, hein!

Babi: É um ano fogo, né? [Risos] Pois é, final do ano tá chegando aí, vão chegar as revistas nas bancas.

Comentários

Fabíola - fabiolamariano@bol.com.br - Manaus/AM, enviou em 07/05/2001

Foi ótimo!

Francisco Mendes - franciscofmendes@hotmail.com - Bahia Bahia, enviou em 22/01/2001

A participação do Daniel (apesar de ser reduzida) no Programa Livre, mostrou que atitudes sensatas aliadas à ciência podem provar que estas "ciências alternativas" não afetam em nada na vida das pessoas e que não existe destino. Eu particularmente acho que se estas "ciências" fossem comprovadas de que não funcionam, as pessoas não seriam mais enganadas.

Cristiano Lopes-Andrade - e37300@alunos.ufv.br - Minas Gerais Minas Gerais, enviou em 25/11/2000

Já era de se esperar que o Daniel teria pouco tempo para falar (vale lembrar o tema do programa: Destino). Mas pelo menos a experiência valeu para demonstrar que crédulos realmente não sabem argumentar. As pessoas se sentem como idiotas quando pensam que tudo aquilo em que acreditam possa ser pura ilusão (talvez esse momento seja o único em que um crédulo possa estar certo de alguma coisa). Espero que a STR tenha mais oportunidades como essa. Só um conselho, vocês poderiam entrar em contato com o programa do Jô Soares (pelo menos é um programa menos tendencioso do que o da Gabi).

Wagner Campelo - wcampelo@hotmail.com - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 27/11/2000

Assisti ao referido programa no domingo passado (26/11), uma reprise, creio. No princípio, interessei-me pelo programa exatamente pelo caráter absurdo dos "esoterismos e cia" - que sempre me fazem rir bastante. No entanto, quando o Daniel foi chamado à cena - que surpresa maravilhosa! -, fiquei mais interessado ainda, por descobrir que existem pessoas sérias, inteligentes, esclarecidas, e que tentam - contra tudo e contra todos - trazer um pouco de luz à infinidade de mentes devastadas por milênios de preconceitos e crendices estapafúrdias.
De fato, foi lamentável o tempo exíguo de que Daniel dispôs para explanar sobre um assunto tão apaixonante e abrangente, mas, assim como eu me surpreendi por ter "descoberto" a STR, creio que tenha valido à pena sua curta aparição e sua valiosa divulgação deste espaço - que visitarei com freqüência.
Fico imensamente contente em saber que existem pessoas que pensam como eu.

Ananda Vogt - anandacharya@globo.com - São Paulo São Paulo, enviou em 25/11/2000

Caros Céticos,
Concordo plenamente que a Astrologia, Numerologia, Quiromancia, etc... não têm nenhum valor, desde que façamos um esforço para transcender nossas limitações. Caso contrário, é notável o número de "coincidências" de signos com suas características num homem comum. Isso em relação à Astrologia. Quanto às várias formas de adivinhação, muito do que se confirma deve ser motivado pela credulidade da pessoa, que aceita psicologicamente a "revelação" como seu destino e age exatamente de forma a produzir aqueles resultados. É uma forma de programação mental. Na maioria das vezes a pessoa ficaria bem melhor sem dar atenção a essas coisas. Só não concordo em que vocês coloquem religião, esoterismo e misticismo, tudo no mesmo saco. Sou estudante rosacruz e teosofista, tenho certeza que se vocês se dignassem a beber nas fontes certas, muitos de seus horizontes se abririam. Desde Einstein até nossos dias, a Ciência muito se aproximou da Filosofia, Religião, Misticismo e congêneres. O concei! to da matéria como energia abriu um imenso leque de investigações e reafirmou o que há muito tempo era conhecido desde os Vedas. Tenho pena da pobreza do alcance de suas mentes. Poderiam começar pelo menos, quem sabe, com o "beabá" no livro: "O Tao da Física". Felizmente vejo que vocês não conseguem muitos correligionários e à medida que a ciência vai mais e mais corroborando os fatos "misteriosos" ou "milagrosos", vocês verão quem são os imbecis... O riso escarnecedor e zombeteiro é o melhor indício da obtusidade intelectual.
Continuem zombando daquilo que não conhecem !

Luiz Ferraz Netto - leo@barretos.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 22/11/2000

Não se poderia esperar outro desenrolar. Nas cadeiras 3 esotéricos versus 1 cético e uma mediadora tendenciosa. Na platéia a proporção é bem maior. O espaço dado pela TV deve ser aproveitado, mas as perspectivas de sucesso são baixas. O Daniel iniciou com uma tentativa válida, o método científico, mas, frente àquele tipo de 'massa', as argumentações (se houvesse tempo bem distribuído aos participantes, ou seja, uma asserção esotérica rebatida com uma razão cética) deveriam ser postas em termos de 'exemplos' dia-a-dia, e não com finalizações generalizadas. Na primeira entrada, após definir-se como cético, já deveria citar o exemplo do feto (que não é reconhecido como 'gente') para rebater a data de nascimento citada pela astróloga, e assim por diante. Rebater sempre com um fato que a platéia entenda que há contradição.
Não é fácil colocar a razão diante da 'massa' assolada pela mídia (TV, rádio, revistas etc.) e, como tal meus cumprimentos à STR pela tentativa. Se da primeira foi algo frustante, a segunda com certeza será melhor. O Vo tem que ser diferente de zero!
Saudações
Léo-Luiz Ferraz Netto

Anderson Simões Traldi - andersontraldi@ig.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 21/11/2000

Este programa é indigno de apresentar um debate ou uma matéria esclarecedora sobre qualquer assunto. O representante da STR foi claramente impedido de apresentar suas idéias devido a impertinência da apresentadora e da incapacidade dos outros participantes de exporem um único argumento lógico e claro. A Sra. "Babi" também mostrou ser inepta em qualquer atividade que exija um mínimo de atividade intelectual, sendo ela e seu programa mais uma ferramenta daqueles que propagam a ignorância e futilidade.

Jamil Orlandelli - orlandel@terra.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 18/11/2000

O que se pode comentar positivamente é apenas a participação do Daniel, que, dadas as circunstâncias, foi boa. Não foi dado tempo a ele para expor seus pensamentos como foi dado aos esotéricos. Não sei se em outras oportunidades na TV, se houver, vai ser diferente. Entretanto acho que a sua postura foi adequada: não utilizou o escárnio, menosprezo, que sempre gera antipatia e nem a argumentação contundente, que nesse ambiente pode parecer arrogante. O alvo deve ser o público e não os esotéricos. Veja, ainda assim a tal Aparecida disse que a postura dele era autoritária e radical.

Não vai ser fácil a vida de qualquer cético que se disponha a abrir espaço, a ser "boi de piranha", num meio onde a credulidade é imbecil e imbecilizante. Apesar da pequena representação, e da posição antipática que a maioria das pessoas coloca os céticos, toda oportunidade oferecida, principalmente na TV, precisa ser aproveitada.

A programação da TV aberta é frequentada todo dia por todo tipo de gente estranha que preenchem os espaços de programas, geralmente apresentados por mulheres, crédulas e acríticas como a Babi, principalmente nos horários da tarde. Até a TVE, que é pública (?) tem apelado para coisas deste tipo. É uma festa! Tudo pela audiência!

Quanto à conversa da apresentadora Babi com os esotéricos e o auditório (antes da entrada do Daniel), francamente, se eu não soubesse do que se tratava poderia concluir seguramente que foi gravada entre pacientes no pátio de um hospital para doentes mentais. Teatralização do absurdo!


Angelo Antonio Soares de Melo - angelo_melo@uol.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 18/11/2000

Eu assisti o programa e devo dizer que apesar der ter sido uma das raras oportunidades de mostrar a visão da ciência, o que por um lado é positivo, foi dado muito pouco tempo para o representante do ceticismo. Também notei certa inclinação por parte do programa em favor do misticismo já que cada um dos seus representantes teve tempo e oportunidade para expor suas idéias e até mesmo fazer análise da combinação dos signos ou da numerologia, enquanto não foi dada uma oportunidade semelhante ao sr. Daniel Sottomaior de refutar essas alegações. Pelo menos valeu pela chance de divulgar o pensamento racional, e o mais importante, lembrar as pessoas que quem tem que provar é aquele que acredita, não aquele que duvida.
  • Traduções para inglês, espanhol e sugestões para correções na gramática são bem-vindas.