Tomei conhecimento de um fato inusitado. Tonino, vulgo Antônio, Meneghetti, criador de uma pseudociência chamada Ontopsicologia, travestida de nova e revolucionária psicologia, ameaça processar o professor de Genética do Comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Renato Zamora Flores (membro da STR), após ter um artigo de sua autoria, publicado em jornal de grande circulação, severa e justamente criticado por Renato em 10 de janeiro de 1998. É uma nova forma de tentar calar a ciência e o racionalismo, processando os cientistas e críticos, para tentar se estabelecer no mercado e continuar ludibriando as pessoas, vendendo livros e dando palestras.
No artigo intitulado Na Quarta Dimensão do Eu, publicado em 20 de dezembro de 1997, no jornal Zero Hora, Meneghetti expõe o que seria essa "nova psicologia". O artigo é incompreensível, uma mistura de palavras formando frases desconexas e sem sentido. Parece que o autor pegou um punhado de polissílabas e termos técnicos científicos, jogou todas num saco e foi sorteando a esmo o que colocaria nas frases. A única coisa que consegui entender é que ele tentou dar uma de Lair Ribeiro, inventando um texto complicado (tão complicado que não faz o menor sentido) para impressionar os leitores e vender, para políticos, empresários e economistas, a falsa promessa que eles vão ter sucesso se aprenderem as baboseiras que o autor inventou.
A Ontopsicologia se parece muito mais com uma seita religiosa do que com ciência. Não há pesquisas na área, apenas um punhado de livros escritos por seu criador, Tonino Meneghetti. Não há nada sobre ela publicado em revistas científicas renomadas, ou em qualquer periódico de psicologia. Ela não é nem reconhecida pelo conselho regional de psicologia do Rio Grande do Sul, estado onde reside o professor Renato Zamora Flores. Renato possui um documento, emitido pelo CRP-RS, que afirma que esta pseudociência não é considerada válida, e o usará em sua defesa no processo que está respondendo. Na página da Associação Brasileira de Ontopsicologia na Internet, não há nada que explique cientificamente o que vem a ser a Ontopsicologia. Há apenas muitas menções de Meneghetti como líder máximo do movimento. A área de artigos está absolutamente vazia. Há, porém, um longo texto explicando o que é a "OntoArte". Será que eles pensam que a arte substitui uma explicação científica?
Ora, eu nunca ouvi falar de um cientista que tenha processado outro por ter sua teoria criticada. Isso acontece todas as vezes que alguém tenta defender uma tese de doutorado. Isso é até incentivado para que a ciência se aprimore. Já para os pseudocientistas, isto é fatal. Apontar os erros das suas teorias faz com que eles caiam em desgraça. Faz com que seus livros, de capas coloridas e preços salgados, percam o valor e a utilidade. Faz com que eles percam a galinha dos ovos de ouro que inventaram pra arrancar o dinheiro dos desavisados. Se alguém criticar a gravitação Newtoniana, apontando a discrepância da órbita do planeta Mercúrio, não será processado pelos físicos. Será agraciado pela relatividade de Einstein, que corrige este pequeno detalhe da eficiente teoria da gravitação do velho Newton. Processar os anti-Newtons não tornará a órbita de Mercúrio diferente.
Claro, essa analogia que fiz foi um tanto quanto forçada, pois não conheço ninguém que saia por ai escrevendo artigos criticando a gravitação de Newton. Só quis expressar que apenas um charlatão tomaria uma atitude acientífica como essa, processar para calar, ao invés de vir a público elucidar suas teses. Não é processando os críticos que a coisa funciona num mundo científico.
Se você quer que alguém acredite no "Em Si ôntico" e nas outras coisas esdrúxulas da Ontopsicologia, deve apresentar uma teoria concisa e plausível, seguida de excelentes evidências materiais e experimentais que a suportem. Um texto desconexo e sem sentido não é suficiente para criar uma nova ciência, como propôs o senhor Meneghetti. E nem vou perder tempo comentando a parte de seu texto que fala sobre civilizações extraterrestres deformando as nossas percepções. A panacéia criada por Meneghetti não é nada diferente da astrologia, da numerologia, da homeopatia e de tantas outras pseudociências. Promete milagres mas não os cumpre. Promete riquezas mas só engorda a conta bancária do autor de seus livros. Uma lástima.
Abaixo está o artigo de Tonino Meneghetti e a crítica do professor Renato Zamora Flores. Possuo uma cópia da notificação ameaçando o início do processo, mas por motivos óbvios e éticos, não a reproduzirei aqui. A STR deixa aberta a Área Debate para que o senhor Tonino Meneghetti exponha seus argumentos de forma civilizada, juntamente com o senhor Renato Zamora Flores. A boa ciência não é feita nos tribunais.
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Na Quarta Dimensão do Eu
A Ontopsicologia utiliza a categoria do Em Si ôntico como base de suas ações
Antônio Meneghetti *
Hegel sustentava que o Eu opõe-se ao não-Eu para confirmar o Eu. Sobre esse pressuposto articulava aquele idealismo econômico-político que deu suporte a tantas filosofias e a muitas razões de Estado.
Hoje, a globalização, em ato, revoluciona 2,5 mil anos de racionalidade e identifica estruturas precisas de funcionalidade sociopolítica com escopo de um novo humanismo com sensibilidade interplanetária.
O Eu encontra-se oposto ao não-Eu quando não é capaz de ser transparente transcendência da própria projeção de asseidade histórica.
A Ontopsicologia demonstra que o Verbo, imagem ou carne, sempre está no princípio. Os efeitos são variáveis e controláveis à discrição do inteligente se ele opera a matéria olhando sempre o projeto do escopo com o voluntarismo da causa relativa.
Se a Ontopsicologia não tem mais errado nas suas aplicações, isso é devido a essa visão elementar. O aparente emaranhado do aporético existencial, individual e coletivo, seja ideológico. político, psicológico, econômico ou cientifico, à luz da metódica ontopsicológica, exemplifica-se como arquitetura do simples: intencionalidade do ser na individuação histórica. Adequando essas premissas ao contexto da problemática empresarial e de liderança, é possível localizar uma pesquisa resolutiva para formalizar o guia à intuição exata.
Análise de mercado e de empresa, de política e de economia social, evidencia que o dado comum em todas as realizações é a ação de intervenção acertada de um líder que se constitui enquanto tal pelo quanto dá convergência à solução do contexto em estresse ou tensão.
É líder quem quer que impacte a proporção do sucesso consentido pelas intrínsecas relações de um contexto. Estudos, experiências, meios, consenso, sorte, não são suficientes para delinear garantia a uma ação semovente. Senso de oportunidade e proporção de intervenção exigem uma constante revisão de ângulo para a tomada do evento. Homem e mulher definem-se líderes de ação enquanto inteligência para mediar os meios ao fim com vontade de poder e interesse social.
Substancialmente trata-se de realizar a própria ambição através do útil para os outros. O que faz a volição ao ponto é a introspecção no contexto que consente selecionar ritmos e meios ao resultado pré-escolhido. Aqui, em conjunto com todos os fatores normais. previstos pelas teorias empresariais, é categórica a intenção eficiente ou consciência dos pontos de contato.
A intuição eficiente é a capacidade de ver dentro, encontrando o fio que coliga todos aqueles fatores que dispõem o resultado. A intuição exercita-se através da consciência operativa do Eu, que, por sua vez, é o vértice de responsabilidade de toda a ação psicológica da pessoa. Ele é vontade consciente lógico-histórica, é técnica formal de ação científica aplicada. Infelizmente, experiência e psicanálise científica revelam que o Eu do sujeito apóia-se sobre um orgânico complexo definido inconsciente, que muitas vezes antecipa e condiciona a liberdade do Eu. Por isso é humano errar.
Ao invés disso, segundo a Ontopsicologia, existe uma dimensão na qual o Eu pode operar sem erro por tudo aquilo que é atinente ao próprio utilitarismo funcional. Toda a Ontopsicologia torna racional aquela ação estupenda que a natureza usa com as próprias individuações. Essa está em condições de precisar como o ser se sinaliza na existência global e particular.
É a intuição, o carisma infalível da intervenção do empresário líder. Saber a sua exatidão e distingui-Ia das categorias opinativas de emoção, experiência, sociedade, técnica, teorética, indução estatística, ciclicidade dos fenômenos, deslocamentos políticos etc. causa a necessidade do progresso ou do sucesso.
A realidade do mundo é simples e conseqüencial
Intuição é a inteligência que formaliza a ação ao escopo do que gerencia. Inteligência significa saber ler o dentro das coisas ou eventos. Formalizar significa dar modo, direção, forma a um contexto ou potencial disponível a mais efeitos diversos e contrários entre eles. Ação significa quântico energético a fenomenologia infinita. Escopo é o fim, referência pela qual se faz a unidade ou polarização do evento ou contexto e pelo qual se efetua aquele resultado e não outros. Gerente é o sujeito ou líder interessado pelo qual se exprime a utilidade funcional do produto.
Segundo a pesquisa ontopsicológica, comprovada pontualmente pela constatação dos resultados, o ser humano tem a possibilidade de refletir e identificar a graça da intuição eficiente. Mas a consciência lógica do Eu deve experimentar-se na Quarta Dimensão.
Nessa dimensão, a reflexão do Eu colhe a intuição do Em Si ôntico: o núcleo que intercepta o real à medida e proporção do operador. Mas para essa compreensão é necessário autenticarse de três incidências que alteram a lógica-base da natureza racional. De fato, essas três incidências, juntas ou individualmente, constituem aqueles trópicos ou lugares comuns que efetuam a constante da dúvida e do erro em qualquer progress empresarial ou de liderança.
Na maioria dos casos, as lógicas do business estão baseadas em estereótipos inconscientes, mas depois aceitos e queridos conscientemente porque considerados vencedores enquanto acreditados, ou pelo sistema corrente ou por convicções radicais do sujeito. Substancialmente, esses três estereótipos ou lugares comuns impedem a intuição objetiva do real (econômico, político, intelectual, existencial).
O Eu é inconscientemente estruturado sobre complexos latentes que formalizam uma personalidade localizada sobre interesses infantis, que são projetados com deslocamentos adultos. Nesse caso, o sujeito tende a recuperar afirmações afetivas de estilo antigo, ao invés de vantagens para a empresa.
Descobriu-se nos mecanismos de defesa do inconsciente um homologador de percepções que se faz de monitor de informação, ligado a princípios de ética mecânica. Nesse caso, o sujeito é induzido a operar com coragem e obstinação, mas quase sempre está fadado a falências heróicas.
Existe depois a consciência formalizada por estereótipos sociais e racionais (regras de mercado, produção, distribuição. apoio bancário, variações monetárias, previsões políticas etc.) confirmadas por sociólogos e economistas, por universidades e escolas de masters internacionais. Nessa terceira dimensão, o Eu pode, em paridade proporcional, usufruir previsão, intuição, erro. Disso todos nós temos evidência. Do restante, diz-se, ninguém pode prever e controlar a variável humana. Porém, do momento em que eu, como homem, sou intrínseco ao real sócio-econômico que me investe, e sendo dotado de inteligência que me constitui intencional em antecipação a qualquer efeito. eu posso, tranqüilamente, co-saber aquela causalidade que dará fenomenologia ao subseguir-se do contexto sócio-histórico.
Esta é propriamente a Quarta Dimensão do Eu. Nesse estágio, através do impacto interativo que o próprio Em Si ôntico constitui ontologicamente com as partes em processo, o Eu possui a direção da intervenção e manipulação da "coisa" em vantagem própria.
Aqui não existem logísticas opinativas, ou decantados estatísticos, ou hipóteses de controle: existe simplesmente o saber no interior e a intuição concreta que coloca na mão todas as variáveis e a linha de sucesso por parte de quem olha e opera. n realidade do mundo pode parecer contraditória sob a análise das logísticas racionais operativas. Ao invés, é simples e conseqüencial.
A intuição do Em Si ôntico é a projeção especular da arquitetura do orgânico histórico-real. Basta ter um eu operativo na Quarta Dimensão, a intuição é práxis normativa. Assim estão as coisas, com base na constante aplicação ontopsicológica feita por mais empresários de economia e política, em várias partes do mundo. Naturalmente, a intuição funciona se conexa com toda a instrumentação insuprimível de experiência e preparação técnica de investimento.
* Filósofo, escritor, presidente da Associação Internacional de Ontopsicologia (AIO)
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O Vocabulário da Ontopsicologia
A Ontopsicologia é a ciéncia que estuda a atividade psiquica nos seus comportamentos globais e específicos. Trata-se da atividade em si da mente como operadora de realidade no interior deste mundo.
O último estágio da realidade, para nós, homens, é também o último estágio do nosso potencial psíquico ou intelectivo. A nossa realidade psico-intelectiva dá o critério de realidade. Por isso, a Ontopsicologia é uma contemporaneidade de psicanálise e ontologia Essa contemporaneidade é derivada da experiência direta do vivido histórico antropocêntrico: é um conhecimento prático que dá o método pata compreender qual é a situação e o que eu estou fazendo com essa situação e comigo mesmo.
É cientifica. porque se expõe com posicionamento especifico, área de pesquisa definida e objeto ]solado. e se consolida nos resultados previstos desde o inicio.
Sobretudo em dois campos, a Ontopsicologia se posiciona evidente nos resultados: desaparecimento do sintoma em psicoterapia e medicina e alcance do sucesso lideristico ou econômico em problemáticas empresariais.
São poucos ainda os profissionais ontopsicólogos no mundo. No Brasil, são somente 20, ainda que com um vasto espaço de ação.
Para tornar-se ontopsicólogo, é necessário ter uma personalidade sadia e intuitiva, formação de curso universitário, um responsável training de autenticação individual e uma formação de especialização teórica e prática de pelo menos quatro anos.
Depois das pré-estabelecidas supervisões didáticas e profissionais, nasce o onlopsicólogo com diploma pessoal e reconhecimento internacional, exatamente em todos aqueles paises onde a Ontopsicologia se afirmou.
Cada ontopsicólogo depois escolhe o próprio campo operativo: psicossomática, clinica, pesquisa, parapsicologia, economia, política, pedagogia, informática, arte, direito etc.
Uma vez aprovado e reconhecido, o ontopsicólogo é autônomo legalmente, economicamente, profissionalmente. Com a Associação Internacional ou com as Associações Nacionais de Ontopsicologia, o relacionamento é facultativo e exclusivamente de progresso cientifico e cultural.
O Em Si ôntico deve ser individualizado na variável histórica
Como ciência, a Ontopsicologia se destaca de todas as pesquisas contemporâneas porque usa instrumentos e referências ignoradas completamente pelas outras correntes. Por isso, a Ontopsicologia tua sem dúvida todas as racionalidades e os módulos adquiridos pelo nosso saber contemporâneo ocidental e oriental, cibernético e logistico. mas manipula com segurança o "campo semântico", o "monitor de deflexão", e sobretudo o Em Si ôntico.
O campo semântico é a leitura das relações que. a vida ou a natureza deste planeta usa na gestão das próprias individuações.
Monitor de deflexão é a descoberta de uni mecanismo especular que monitoriza num único sentido as múltiplas informações do mundo sensorial e psíquico. É uma espécie de imprinting codificado no interior sináptico do nosso sistema neurológico cerebral.
Isso significa que a estrutura elementar das percepções cerebrotônicas sofreram deformações standard em resposta a precisas exigências de civilizações diversas da atual, sejam estas terrestres ou extraterrestres.
Isso consente o relevo exato da atividade emotiva, psíquica e intelectiva ou consciente.
Em Si ôntico é o critério base que a natureza (no sentido de lei universal neste planeta) usa para projetar nascimento, existência e evolução de um ser humano no contexto sociológico.
Esse extraordinário critério é comparável, no aspecto orgânico, às reações normotípicas que a célula possui como dote essencial para salvaguardar a própria essência e identidade.
Substancialmente, ter isolado o critério do Em Si ôntico consente à escola ontopsicológica poder jogar cartas com qualquer adversário possuindo tini ás a mais.
Individuada a constante do Em Si ôntico na variável histórica, tem-se sempre o único ponto de solução possivel, em qualquer campo. Cada pessoa possui o próprio egoísmo específico e funcional.
Existem inúmeros cursos e seminários. Muitos textos especificos. Revistas, encontros abertos, editoras, informações via Internet etc. (Antônio Meneghetti)
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Ontopsicologia (2)
Lógico, coerente e errado o suficiente para o prejudicar. Apresentam-se como revoluções no conhecimento mas não passam de fachadas para outras intenções, direcionadas ao seu ponto mais frágil: o bolso. E o que chamamos de pseudociências: um conjunto de afirmações que parecem ter passado pelo pente fino da verdade, mas que não passaram, entretanto, por crivo nenhum, utilizando-se de truques de raciocínio e até mesmo de inverdades para iludir incautos - e alguns nem tão incautos. De modo geral, são divulgadas com alarde por indivíduos inteligentes, bem-falantes e que, por acaso, ganham muito dinheiro com elas.
O discurso das pseudociências costuma ser excelente na coerência interna, ainda que falhe, de maneira grotesca, na coerência externa. A astrologia é um exemplo. Dezenas de estudos acurados desenvolvidos por entidades respeitadas demonstraram que a eficiência dos mapas astrais como forma de previsão de eventos de vida ou características de personalidade equivale àquela de jogarmos urna moedinha para o alto: cara, você é tímido, coroa, é extrovertido. A coerência interna da astrologia impressiona. Manuais de astrologia contêm uma série de regras complexas para a interpretação de mapas, muitas delas matemáticas e/ou astronômicas.
Algumas áreas do conhecimento são mais suscetíveis ao avanço, propositado ou não, das idéias enganosas. Quanto mais estabelecida uma ciência, como a física, por exemplo, mais difícil que cometa erros. Isto não impediu, entretanto, que, em 1989, dois grupos de pesquisadores anunciassem que haviam conseguido a fusão de núcleos atômicos a frio, que poderia se tomar uma fonte de energia barata, inesgotável e não-poluente. Nos dois anos seguintes, uma série de tentativas de repetição da experiência falharam em conseguir os mesmos resultados. A humanidade ainda não havia alcançado a fusão a frio.
Este caso mostra, porém, como a ciência tenta se corrigir, por críticas e verificações independentes das descobertas anunciadas. Estas críticas são feitas na maioria das vezes, nas revistas especializadas, nas quais cientistas interessados criticam os trabalhos uns dos outros. Uma das regras de ouro da conduta dos charlatões é evitar as revistas científicas especializas.
Áreas do conhecimento que ainda estão se desenvolvendo, muitas delas recheadas de conflitos, são mais vulneráveis à ação de idéias equivocadas. Devido ao apelo popular, as ciências da mente - psicologia, psiquiatria, neurobiologia, genética do comportamento etc são as mais assediadas. Pior, somos assediados de muito perto, na porta de nossas casas, por charlatões, ingênuos bem-intencionados ou oportunistas em busca de sucesso.
Na década de 80, rima rede de clínicas de psicologia e parapsicologia, que se estendia por diversas capitais brasileiras, anunciava a cura da síndrome de Down. Esta doença é causada pela presença de um cromossomo (um pacote de genes) a mais no núcleo de todas as células de um indivíduo, que possui 47 cromossomos, em vez dos 46, que seria o número normal. Atinge cerca de um em cada 600 recém-nascidos.
Pseudociências têm intenções dirigidas a um ponto: o bolso
A filial de Porto Alegre propagandeava um método pelo qual o cromossomo extra seria eliminado por exercícios de concentração mental da mãe, realizados na clínica e potencializados pelo uso de engenhocas eletrônicas. O método fora desenvolvido por um frei franciscano que se apresentava com um currículum impressionante: professor de psicologia, sociologia, hipnologia, psicanálise, sofrologia, psicopatologia etc, além de possuir, pelo menos, sete especializações e títulos de mestrado, doutorado e livre docência. Era um engodo. A rede de clínicas nunca conseguiu demonstrar que o método tivesse qualquer efeito nas células ou no cérebro dos pacientes.
Mais recentemente, um casal de psicólogos gaúchos desenvolveu uma linha própria de pseudociência: a biopsicotipologia genética. A terminologia pomposa e uma linguagem complexa são características comuns a vários destes enganos do conhecimento. Igualmente ambos apresentam um currículum admirável. Ele tem três doutorados e foi consultor de diversas multinacionais. Ela tem apenas um doutorado, mas estudou (o quê?) na Inglaterra, Alemanha, Holanda e Suíça. Para montar sua pseudociência, trabalhou 16 anos e ressuscitou um conceito que desaparecera da psicologia e da
genética por sua inutilidade: o biótipo psicológico. Trata-se de associar características físicas - ser gordo ou magro, ter dentes para dentro ou para fora - com características da personalidade, como a extroversão, a capacidade de memória, a conduta altruísta etc. Desde então não houve nenhuma tentativa bem-sucedida de comprovar relações entre forma corporal e comportamento.
O casal presta assessoria na área de reengenharia de empresas. Nestas, a biopsicotipologia genética é asada para recrutar, remanejar funcionários e formar lideres. A principal crítica que se faz a tentativas cientificas de achar o lugar certo para as pessoas certas é seu caráter totalitário. Usualmente estas teorias são defendidas por membros de uma elite que, utilizando-se de um modelo newtoniano de sociedade, pensa poder encontrar um local para cada peça, mesmo as que apresentem algum defeito.
Agora somos assediados por uma nova pseudociência repleta de pretensões: a ontopsicologia, propagada pelo filósofo, escritor e presidente da Associação Internacional de Ontopsicologia, Antônio Meneghetti, autor de 13 livros em um período de sete anos. Em amplo artigo (Cultura, 20/12/97), Meneghetti aparece em uma foto, participando em um congresso internacional 10 anos atrás, de modo que fique claro para o leitor quais os ambientes que freqüenta. Sua estratégia parece ser esta: impor-se pela fama e pela pompa e evitar que se discuta o conteúdo, aparentemente discreto, da ontopsicologia.
A matéria "Na quarta dimensão do eu", só não é mais pretensiosa porque é mal-escrita, tão mal-escrita que não é inteligível. Vamos analisar um parágrafo do texto, dos mais simples, pois trata de descrição de um fenômeno mental, por Meneghetti: "... A reflexão do Eu colhe a intuição do Em Si aufiro: o núcleo que intercepta o real á medida e proporção do operador. Mas para esta compreensão, é necessário autenticar-se de três incidências que alteram a lógica-base da natureza nacional".
Você pode procurar no texto, mas não encontrará uma explicação ou definição de que núcleo ou operador estamos falando, nem quais são as três incidências e menos ainda sobre o que seja a tal lógica-base (com hífen). Alguns verbos sugerem ações que desconhecemos: o que é colher uma intuição? O que é autenticar-se de incidências?
Para minha surpresa, este conjunto de palavras desconexas tem a pretensão de ser "a ciência que estuda a atividade psíquica nos seus comportamentos globais e específicos". Como ciência, afirma Meneghetti, "a ontopsicologia se destaca de todas as pesquisas contemporâneas porque usa instrumentos e referências ignorados completamente pelas outras correntes". Nas duas páginas de ZH, entretanto, não há referência a um único resultado de pesquisa ou a descrição de instrumentos utilizados nelas. O texto é, simplesmente, ardiloso e enganador. O autor parece desconhecer o estado de desenvolvimento de qualquer das ciências que estudam o comportamento humano.
Mas o que a clínica, o casal e Antônio Meneghetti têm em comum? Suas teses são dirigidas aos mais abastados e são defendidas por eles mesmos, que se beneficiam financeiramente da aceitação de suas verdades. A clínica tem um vasto acervo de material a ser comercializado: livros, fitas, vídeos, consultas etc. A biopsicotipologia genética, por seu lado, faz parte de um pacote de reengenharia para ser consumido por empresas.
A ontopsicologia está interessada no "sucesso liderístico ou econômico em problemas empresariais". A pseudociência de Meneghetti pode contribuir até para as regras de mercado, produção, distribuição, variação monetária e previsões políticas, sem perder de vista suas contribuições para a medicina, informática, pedagogia arte e direito. É uma panacéia pata todos os males.
É preciso atenção cada vez maior devido á sofisticação dos discursos. Antes de investir seu dinheiro em alguma novidade cientifica ou tecnológica, verifique cuidadosamente a credibilidade não só de quem a vende como do produto em si.
Bem, como diria minha velha professora, "se os compramos pelo que valem e os vendermos pelo que eles acham que valem, ficamos ricos".
Renato Zamora Flores
Professor de Genética do Comportamento da UFRGS
Não me admira ver tanta besteira escrita por este Meneghetti, o problema é que isso deveria estar publicado em algum jornal humorístico, porque o cinismo do autor chega a ser cômico, está claro que tudo não passa de uma intencional e deslavada intenção de confundir o leitor leigo com termos científicos e palavras difíceis. O que mais me admira é o fato de alguém levar isto a sério, é simplesmente patético. O professor Renato Zamora deveria direcionar sua atenção à artigos com um mínimo de conteúdo, esse Meneghetti está abaixo da crítica.
Edson "Sky" Kunde - ekunde@hotmail.com - Santa Catarina, enviou em 03/04/2002
"A intuição do Em Si ôntico é a projeção especular da arquitetura do orgânico histórico-real."
Gostaria de me colocar a disposição para testemunhar, caso haja necessidade, do que passei "me tratando" em um consultório de ontopsicologia, da Vera Rodigere, uma "ontopsicologa" e discípula do Tonino. Simplesmente foi-me negado a continuidade do tratamento, por considerarem me um caso perdido. Mas na época não foi cômico como me é hoje. Descobri após anos que possuía PMD, ou transtorno do Humor. Uma doença que possuía Ulisses Guimarães, e ele não era um caso perdido, como disseram a mim. Poderia ter me suicidado, não fosse procurar auxílio em psiquiatria convencional.
Um certo general francês insinuou certa vez que o Brasil não é um país sério. Parece que acertou na mosca. Já vi associações de medicina denunciar e processar charlatões, sob a acusação de curandeirismo. Mas, em pleno século XXI, parece que a ordem natural e coerente das coisas foi invertida: agora são os charlatões que processam as pessoas sérias, porque essas, com um simples artigo, claro e conciso, desmontam seus disparates teóricos. Expresso a minha total solidariedade ao professor Renato Zamora Flores e espero que toda a comunidade acadêmica se posicione a seu favor.
Realmente, indefensável é a posição do Sr. Meneghetti, e fico feliz de saber que pessoas com um mínimo de conhecimento, senso e honestidade como o Sr. Zamora Flores possam alertar-nos contra certo tipo de charlatão que, infelizmente, tende a se multiplicar por aí. Aos que querem saber mais sobre charlatanismo, recomendo também o site http://www.geocities.com/quackwatch, muito elucidativo sobre as técnicas que os charlatões utilizam para nos enganar e ficarem com o nosso dinheiro (ou pior, nossa saúde).
O endereço do link l'ontopsicologia está desuatualizado. O novo é http://www.provocation.net/onto. Outro coisa, denunciem o PHS também. Não conhecem o pequeno Partido Humanista da Solidariedade?
Foi fundado pelo deputado federal Roberto Argenta, que, em uma nota do Barrionuevo, deixa explícito que é seguidor do pensador italiano fundador da ontopsicologia Antonio Meneghetti. Procurem por Manifesto PHD. Vocês vão encontrar muito mais por trás disso...
Saudações..:-)
Este site é um achado muito agradável no mar de sites religiosos e fanatizantes de Web..:-)
E este texto do Prof. Zamora é ótimo, claro, preciso e contundente. Ele deve considerar uma honra ser processado por um vendedor de "óleo de cobra" como este Tonino Meneghetti (alias, já possui um nome de ladrão famoso..:-). A impressionante quantidade de asneiras dos artigos do senhor Meneghetti parecem insuperáveis..:-)
Spero possiate comprendere il mio italiano.
Qui in Italia stiamo combattendo una battaglia molto dura contro Meneghetti, sua moglie e l'ontopsicologia.
L'ontopsicologia è una setta parareligiosa e non ha nulla di scientifico: come potrete vedere dal sito http://www.provocation.net/onto
essa ha invece al suo attivo molte morti (soprattutto suicidi).
Chiunque può aiutare anche noi a reperire informazioni vere e documentate sui traffici di questa setta nel vostro Paese, potrà contattare anche Joseph Inca.
Buon lavoro di cuore a tutti voi
Traduções para inglês, espanhol e sugestões para correções na gramática são bem-vindas.