James Randi
 
 
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Atualizado: 10/08/2000
   
                     
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JAMES RANDI E O GRANDE CARLOS
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Transcrito


Randi conta seus jogos e sua diversão com a mídia Australiana e o médium chamado o Grande Carlos.

(Paul Willis)

Em nossa quarta entrevista especial na Semana da Ciência com o brincalhão James Randi, nós damos uma olhada em suas investigações sobre mediunidade - a arte de conectar pessoas vivas com pessoas mortas, ao vivo no palco.

Randi esteve envolvido em uma famosa fraude de mediunidade aqui na Austrália. De fato ele poderia ser reconhecido como o Pai do Grande Carlos.

(James Randi)

O Canal 9 da Austrália me fez uma proposta para ver se nós poderíamos criar algo que iria provar aos Australianos que a mediunidade talvez fosse uma coisa duvidosa. Então me surgiu a idéia de criar um canalizador. Eu disse, "Eu vou criar de qualquer um que você escolha, apenas alguém da rua, um canalizador." E ele disseram, "Bem, nós iremos lhe fornecer um ator", e eu disse, "Não, não, nós não precisamos de um ator, nós só queremos mostrar que qualquer um pode fazer isso." Eles disseram, "Bem, você têm alguém em mente?" e meu amigo Jose Oliver que é um artista, estava perto na hora e eu perguntei a ele, "Você quer ir à Austrália?" Ele disse, "Sim", e eu disse, "Você terá que fazer algo estranho." Ele disse, "O que é?" Eu disse, "Você terá que ser um canalizador", e ele disse, "Um canalizador? O que é isso?" Eu disse, "Ótimo, você é perfeito." Então eu voltei para o telefone, e disse, "Sim, eu tenho o cara perfeito."

Nós o treinamos para ser um canalizador. Tudo o que ele teve que fazer foi assistir a videoteipes de outras pessoas falando com vozes estranhas, e ele pegou o jeito certo, e nós acabamos indo ao Sydney Opera House com uma considerável audiência lá, todos manuseando cristais e contas e tudo mais, e com olhares fascinados em seus rostos, atraídas e cativadas por esse homem no palco, Jose Oliver fazendo o Espírito de Carlos que tinha 35.000 anos.

Ele se sentiu um completo idiota fazendo isso, especialmente porque todo o material que nós produzimos era falso. Nas notas de imprensa nós inventamos revistas, nós inventamos cidades e estações de rádio e canais de TV e tudo mais, que não existiam. E uma única ligação da mídia para os Estados Unidos teria revelado a coisa toda como uma farsa.

(Paul Willis)

Você arranjou tudo para que Carlos jogasse um copo d'água sobre George Negus. Isso teve que ser calculado.

(James Randi)

E foi. Agora você ficaria surpreso com o que recebe manchetes em um dia fraco. E então nós tivemos a idéia de Jose jogar um copo d'água bem no rosto de George Negus. E no dia seguinte a manchete "Negus atacado na TV" e o pobre Geroge estava sentado lá, pingando na foto, e eu não sei se ele particularmente nos perdoou. Eu gostaria de saber: George, eu sinto muito, nós nos desculpamos, no caso de não já o termos feito.

Ele desceu para a praia em uma ocasião e ele os fez andar dentro da água até a cintura com todo o equipamento de TV e os microfones em estrondos quando ele recarregou seus cristais. Agora ele estava apenas com um robe branco e sandálias, ele não dava a mínima, e eles estavam andando com suas calças e suas pastas, todo o equipamento se molhando e tal; eles o seguiram até o mar.

(Paul Willis)

Qual era a intenção de todo esse truque publicitário com Carlos? Era realmente para mostrar como a mídia pode ser, ou era para mostrar quão crédulas as pessoas podem ser quando querem acreditar, ou quão facilmente as pessoas podem ser pegas por um charlatão bem calculado?

(James Randi)

Essencialmente todas essas coisas, mas particularmente mostrar que a mídia pode e irá ser manipulada. Se você der a eles o tipo certo de motivação, eles irão salivar imediatamente. Nós montamos um folheto chamado "A Sabedoria de Carlos". Ele tinha afirmações como "Gravidade não é difícil de explicar; você vê que é mais fácil para as coisas caírem para baixo do que caírem para cima." Agora nós dissemos coisas sem sentido. As frases não eram completas, a gramática era ruim, as coisas não eram continuadas na próxima página e tal, mas isso não fez nenhuma diferença para eles; eles perdoaram qualquer erro, qualquer coisa era aceita porque eram as palavras de Carlos.

(Paul Willis)

Você deve ter ficado dividido entre a consternação sob quão fácil foi enganar as pessoas e um pouco de deleite diabólico que isso foi uma boa diversão.

(James Randi)

Ah, eu tenho que admitir que foi bastante divertido, mas foi muito triste ao mesmo tempo. Essa é a história do negócio todo, eu devo dizer, o negócio de ser cético e ensinar o pensamento crítico. Você quer que pessoas mais jovens comecem a pensar criticamente. É, bem, um pouco divertido ver o que você pode revelar a elas e elas tiram boas risadas disso, mas você tem que parar suas risadas em um certo ponto e dizer, "Peraí". As pessoas levam isso a sério, elas realmente acreditam que alguém pode olhar para uma colher e fazer ela entortar. Nós somos criaturas pensantes, mas freqüentemente esquecemos que nós temos esse poder de pensar racionalmente, de chegar às nossas próprias conclusões. Nós achamos mais fácil aceitar algo que já está pré-digerido, então viramos para a mídia e aceitamos o que quer que seja atraente no momento. Esse é o jeito fácil. Se você viver toda a sua vida assim, vai descobrir que você é um otário e irão tomar vantagem de você. Você se descuida, e tiram a sua pele.

Referências:

Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.abc.net.au/science/correx/archives/randi4.htm
  • Traduzido por: Leo Vines
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