Austin Cline
 
 
Estatísticas Oficiais da STR Publicado: 14/06/2003
Atualizado: 14/06/2003
   
                     
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A ASTROLOGIA É UMA PSEUDOCIÊNCIA?EXAMINANDO OS FUNDAMENTOS E A NATUREZA DA ASTROLOGIA
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de Austin Cline


Se a astrologia não é mesmo uma ciência, então ela pode ser considerada uma pseudociência? A maior parte dos céticos concordaria prontamente com essa classificação, mas somente ao examinar a astrologia à luz de algumas características básicas da ciência podemos decidir se esse veredito é justificado. Primeiro, vamos considerar oito qualidades básicas que caracterizam as teorias científicas e cuja maior parte ou totalidade faltam à pseudociência:

  • Lógica (internamente e externamente)
  • Parcimoniosa (em entidades ou explicações propostas)
  • Útil (descreve e explica fenômenos observados)
  • Empiricamente Testável e Refutável
  • Baseada em Experimentos Controlados e Reproduzidos
  • Corrigível e Dinâmica (fazem-se modificações a medida que novos dados são descobertos)
  • Progressiva (alcança tudo que as teorias antecessoras alcançaram e mais)
  • Tentative (admits that it might not be correct rather than asserting certainty)

Quão bem a astrologia se sai quando medida por esses critérios?

A Astrologia é Lógica?

Para poder ser uma teoria científica, uma idéia precisa ser logicamente consistente, tanto internamente (todas as suas alegações devem ser consistentes entre si) e externamente (a menos da existência de bons motivos, ela deve ser consistente com teorias que já se sabe serem válidas e verdadeiras). Se uma idéia é inconsistente, é difícil ver como ela poderia explicar alguma coisa, quanto mais como poderia ser verdadeira.

Infelizmente, a astrologia não pode ser considerada consistente internamente ou externamente. Demonstrar que a astrologia não é consistente externamente com teorias sabidamente verdadeiras é fácil porque muito do que é alegado sobre astrologia contradiz o que se sabe em física. Isso não seria um problema tão grande se os astrólogos conseguissem demonstrar que suas teorias explicam a natureza melhor do que a maior parte da física moderna. Mas eles não conseguem. Como resultado, suas alegações não podem ser aceitas.

O grau de consistência interna da astrologia é mais difícil de precisar porque muito do que é alegado em astrologia pode ser bastante vago. E é certamente verdadeiro que os próprios astrólogos regularmente contradizem uns aos outros e que há diferentes tipos de astrologia mutuamente exclusivos. Nesse sentido, a astrologia não é internamente lógica.

A Astrologia é Parcimoniosa?

A palavra "parcimoniosa" significa "sparing ou frugal". Em ciência, dizer que teorias devem ser parcimoniosas significa que elas não devem postular entidades ou forças que não sejam necessárias para explicar os fenômenos em questão. Assim, a teoria de que fadinhas carregam eletricidade do interruptor à lâmpada não é parcimoniosa porque postula fadinhas que não necessárias para explicar o fato de que, quando o interruptor é ligado, a lâmpada se acende.

Da mesma maneira, a astrologia também não é parcimoniosa porque postula forças desnecessárias. Para que a astrologia seja válida e verdadeira, deve existir alguma força que estabelece conexões entre pessoas e diversos corpos no espaço. É claro que essa força não pode ser nada conhecido, como gravidade ou luz, portanto deve ser outra coisa. Mas os astrólogos não só não sabem dizer que força é essa ou como ela opera, como também ela não é necessária para explicar os resultados relatados pelos astrólogos. Esses resultados podem ser explicados muito mais simples e prontamente através de outros meios, como o efeito Barnum e a leitura a frio.

Para que a astrologia fosse parcimoniosa, os astrólogos teriam que gerar resultados e dados que não podem ser explicados por nenhum outro meio a não ser uma força nova, ainda não descoberta, que fosse capaz de criar uma conexão entre um indivíduo e corpos no espaço, de influenciar a vida de uma pessoa e que dependesse do exato instante de seu nascimento. No entanto, a despeito dos milênios que os astrólogos tiveram para trabalhar nesse problema, nada surgiu.

A Astrologia se Baseia em Evidências?

Em ciência, as alegações são verificáveis em princípio e depois, quando se fazem os experimentos, são verificáveis de fato. Em pseudociência, há alegações extraordinárias para as quais se fornece pouquíssimas evidências. Isso é importante por razões óbvias: se uma teoria não se baseia em evidências e não pode ser empiricamente verificada, não há como alegar que ela tem qualquer conexão com a realidade.

Carl Sagan é o autor da frase "alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias". Na prática, isso significa que se uma alegação não é muito inusual ou extraordinária quando comparado ao que já sabemos sobre o mundo, então não são necessárias muitas evidências para aceitar a alegação como provável ou precisa.

Da mesma maneira, quando uma alegação contradiz coisas que já sabemos sobre o mundo, então precisamos de muitas evidências para aceitá-la. Por quê? Porque se essa alegação é verdadeira, então muitas outras crenças que temos como verdadeiras na verdade não são. Se essas crenças estão bem assentadas em experimentos e observação, então as alegações novas e contraditórias são "extraordinárias" e só devem ser aceitas quando as evidências favoráveis superarem as evidências contrárias já disponíveis.

A astrologia é um exemplo perfeito de campo caracterizado por alegações extraordinárias. Se objetos distantes no espaço conseguem influenciar o caráter e as vidas de seres humanos no grau alegado pelos astrólogos, então princípios fundamentais da física, biologia e química que damos como certos não podem ser verdadeiros. Isso seria extraordinário. Portanto, são necessárias muitas evidências de alta qualidade antes de as alegações da astrologia poderem ser aceitas. A ausência dessas evidências, mesmo após milênios de pesquisas, indica que o campo não é uma ciência mas uma pseudociência.

A Astrologia é Refutável?

As teorias científicas são falseáveis. A não falseabilidade, em princípio ou de fato, é uma das características da pseudociência. Ser falseável significa que deve haver um estado de coisas que, se verdadeiro, implicaria que a teoria fosse falsa.

Os experimentos científicos são feitos exatamente para testar esse estado de coisas. Se ele acontecer, então a teoria é falsa. Se não, a possibilidade de que a teoria seja verdadeira se fortalece. De fato, é uma característica marcante da ciência genuína que seus praticantes procurem essas condições enquanto os pseudocientistas as ignoram ou evitam completamente.

Em astrologia, não parece haver tal estado de coisas, o que significaria que a astrologia não é falseável. Na prática, encontramos astrólogos que se agarram às evidências mais fracas que se pode conceber para apoiar suas alegações. No entanto, seus repetidos fracassos em encontrar evidências nunca são considerados como evidências negativas contra suas teorias.

É verdade que também pode acontecer que cientistas individuais evitem esses dados. Faz parte da natureza humana querer que uma teoria seja verdadeira e evitar informações que a neguem. No entanto, o mesmo não se pode dizer de áreas inteiras da ciência. Mesmo que uma pessoa evite dados incômodos, outro pesquisador pode se projetar procurando e publicando esses mesmos dados. É por isso que a ciência é auto-corretiva. Infelizmente, isso não acontece na astrologia e por isso os astrólogos não podem alegar que a astrologia é coerente com a realidade.

A astrologia se baseia em experimentos controlados e reprodutíveis?

As teorias científicas se baseiam e levam a experimentos controláveis e reprodutíveis, enquanto as teorias pseudocientíficas são baseadas e levam a experimentos que não são controlados e/ou não são reprodutíveis. Controles e reprodutibilidade são características importantes da ciência genuína.

Controles são necessários porque é possível, tanto em teoria como na prática, eliminar fatores que podem afetar os resultados. A medida que mais fatores são eliminados, é mais fácil afirmar que uma determinada coisa é a causa "real" daquilo que vemos. Por exemplo, se os médicos acreditam que tomar vinho deixa as pessoas mais saudáveis, eles darão aos indivíduos do teste não só vinho, mas bebidas que contenham somente alguns ingredientes do vinho. Procurando os indivíduos mais saudáveis saberemos se é o vinho o responsável.

Reprodutibilidade é a característica dos resultados que podem ser alcançados por outros. Em princípio, deve ser possível pra qualquer outro pesquisador independente executar exatamente o mesmo experimento e chegar exatamente às mesmas conclusões. Quando isso acontece, nossa teoria e nossos resultados recebem novas confirmações.

Em astrologia, no entanto, nem os controles nem a reprodutibilidade parecem ser comuns. Às vezes, simplesmente não existem. Controles, quando existem, são tipicamente muito lax. Quando eles são rigorosos o suficiente para serem aprovados pelos critérios científicos comuns, é usual que as habilidades dos astrólogos parem de se manifestar além do grau esperável pelo acaso.

Também não há reprodutibilidade porque investigadores independentes não conseguem repetir os achados dos proponentes da astrologia. Mesmo outros astrólogos não conseguem repetir os achados de seus colegas, ao menos quando se utilizam controles cuidadosos. Enquanto os achados dos astrólogos não forem reproduzidos de maneira consistente, os astrólogos não podem alegar que seus achados sejam consistentes com a realidade, que seus métodos sejam válidos ou que a astrologia seja verdadeira de algum modo.

A Astrologia é Corrigível?

Em ciência, as teorias são dinâmicas. Isso significa que elas são suscetíveis a correção causada por novas informações, sejam elas provenientes de experimentos na área ou em outros campos. Em uma pseudociência, muito pouco muda. Novas descobertas e novos dados não levam os proponentes a reconsiderar hipóteses fundamentais.

A astrologia é corrigível e dinâmica? Há poucas evidências de que os astrólogos tenham feito qualquer mudança básica suas abordagens. Eles podem incorporar alguns novos dados, como a descoberta de novos planetas, mas os princípios da sympathetic magic ainda formam a base de tudo que os astrólogos fazem. As características dos diversos signos do zodíaco são fundamentalmente constantes desde as antigas Grécia e Babilônia. Mesmo no caso de novos planetas, nenhum astrólogo já veio a público admitir que os mapas anteriores estavam errados devido aos dados insuficientes (porque os astrólogos anteriores não levavam em conta um terço dos planetas do sistema solar).

Quando os antigos astrólogos viam o planeta Marte, ele parecia vermelho - o que foi associado com sangue e guerra. Assim, o próprio planeta foi associado com traços de personalidade bélicos e agressivos, o que continua até hoje. A ciência genuína só teria atribuído características a Marte depois de estudos cuidadosos e montanhas de evidências empíricas e reprodutíveis. O texto básico de astrologia é o Tetrabiblios de Ptolomeu, escrito há cerca de mil anos. Que ciência utilizaria um texto de mil anos de idade?

A Astrologia é Tentative?

Em ciência genuína, ninguém argumenta que a falta de explicações alternativas é razão para considerar suas teorias corretas e precisas. Em pseudociências, esses argumentos são comuns. Essa diferença é importante porque, quando adequadamente praticada, a ciência sempre reconhece que o atual fracasso em encontrar alternativas não significa que uma teoria seja verdadeira. No máximo, a teoria pode ser considerada a melhor explicação disponível, algo a ser rapidamente descartado na primeira oportunidade - ou seja, quando a pesquisa fornecer uma teoria melhor.

Em astrologia, no entanto, as alegações são geralmente enquadradas de maneira incomumente negativa. O objetivo de experimentos não é encontrar dados que a teoria possa explicar; ao contrário, é encontrar dados que não possam ser explicados. Conclui-se então que, na ausência de qualquer explicação científica, os resultados devem ser atribuídos a alguma entidade sobrenatural ou espiritual.

Esses argumentos são não somente self-defeating como acientíficos. São self-defeating porque definem o reino da astrologia em termos estritos; astrologia descreve o que a ciência não consegue descrever, s ó isso. Enquanto a ciência explicar cada vez mais, a astrologia ocupará cada vez menos espaço, até que finalmente desapareça.

Esses argumentos também são acientíficos porque caminham na direção oposta de como a ciência opera. As teorias científicas são feitas para incorporar mais e mis dados. Os cientistas preferem menos teorias que descrevem mais fenômenos do que muitas teorias que descrevem pouca coisa. As teorias científicas de maior sucesso do século 20 eram fórmulas matemáticas simples que descrevem uma grande variedade de fenômenos físicos. A astrologia, no entanto, faz o oposto ao se definir em termos estritos como aquilo que não consegue ser explicado de outra maneira.

Essa característica particular não é tão forte na astrologia como em outras áreas, como a parapsicologia. Mas a astrologia não está livre disso. Por exemplo, quando se alega que se uma correlação estatística entre algum evento astronômico e personalidades humanas não pode ser explicado por nenhum caminho científico, então a astrologia deve ser verdadeira. Esse é um argumento por ignorância e uma conseqüência de que os astrólogos, a despeito de milhares de anos de trabalho, ainda não conseguiram identificar nenhum mecanismo causal para suas alegações.

Informativo:

  • O ensaio base original está disponível em http://atheism.about.com/library/FAQs/skepticism/blfaq_astro_sci_pseudo.htm?terms=n510
  • Traduzido por: Daniel Sottomaior
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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