Publicado: 11/04/2002
de Dr. Stephen Basser
A prática da acupuntura é bastante difundida na Austrália e ela é usada tanto por pessoas com e sem treinamento médico. A técnica é baseada na crença de que o corpo humano adoece quando existem desequilíbrios nos níveis de forças vitais invisíveis. O equilíbrio pode ser restabelecido usando agulhas finas ou outros meios para estimular diversos pontos do corpo. As agulhas geralmente são inseridas e giradas e podem ser deixadas por períodos curtos. Os pontos escolhidos para estímulo dependem dos sintomas dos pacientes, da estação do ano, do tempo e do resultado da tomada de pulso do paciente. A acupuntura é uma terapia baseada na filosofia chinesa antiga e foi descrita pela primeira vez em 90AC em um texto de Shih-chi. Nenhuma fonte chinesa anterior a essa data se refere à técnica da acupuntura.1 Autores modernos (e.g., Needham2) propuseram visões da acupuntura que não são consistentes com as descrições dos textos chineses antigos. Isso é claramente inadequado. Qualquer avaliação da acupuntura envolve tomar aqueles textos como os documentos históricos que são e não somente reinterpretá-los para servir algum outro fim. Quando se faz isso é claro que frequentemente existirá uma pequena conexão entre a forma ocidental moderna e o entendimento da acupuntura no passado. Somente através de referências precisas a materiais-fonte é que os interessados na acupuntura podem determinar se seus conceitos são aplicáveis de uma maneira que faça sentido nos tempos modernos. A objetividade é um princípio científico importante que dá proteção contra a influência de crenças ou idéias pré-existentes.3 História da Acupuntura Os primeiros textos médicos chineses são os descobertos nos túmulos Ma-wang-tui em 1973, datados como sendo de 168 A.C.4-6 Eles fornecem um panorama da medicina chinesa do terceiro ao segundo século A.C. A acupuntura não é mencionada nesses textos, que registram todas as formas de tratamento em uso na época.1 Os textos Ma-wang-tui descrevem onze mo ou vasos, que se acreditava conterem, além de sangue, uma força vital conhecida como chi ou pneuma.6 Não se fazia distinção entre os vasos baseada em seus conteúdos e não se fornecia nenhuma informação sobre como o sangue e o chi circulavam nos vasos, que não compunham um sistema conectado.1 No fim do primeiro século A.C. se acreditava que havia doze vasos e que eles eram conectados em uma rede. Além disso, se desenvolveu uma imagem do chi fluindo através de vasos separadamente do sangue.1,4,6 O texto mais importante desas época - o Huang-ti nei-ching - menciona doze vasos conectados com diferentes caminhos aos onze antes mencionados.7 Eles eram chamados de "condutores" (ching) ou "vasos condutores" (ching-mo). Ele também registra um grande número de buracos localizados ao longo do corpo nesses vasos. A maior parte dos autores modernos se refere a esses vasos como meridianos.8,9 Chi As doenças eram intimamente ligadas ao sistema vascular e inicialmente eram tratadas causando sangramento de um vaso com pedras afiadas ou agulhas.6 Mais tarde se desenvolveu o conceito de agente causador de doenças - o hsieh. Acreditava-se que ele poderia se armazenar nos vasos e interferir em seu fluxo. O conceito de chi veio do termo hsieh-chi, ou más influências, que por suas vez provieram de uma época anterior da história chinesa onde se pensava que os agentes causadores de doenças eram demônios (hsieh-kuei).1 O vento era inicialmente visto como um demônio e portanto causador de doenças. Mais tarde, tornou-se somente um fenômeno natural, embora fosse considerado um aviso de eventos futuros. Sendo um espírito ou demônio, acreditava-se que o vento morava em cavernas ou túneis. O termo para 'cavernas' é usado na literatura da acupuntura para designar buracos na pela pelos quais o chi pode fluir livremente para dentro ou para fora do corpo - hsueh. Acreditava-se que através da inserção de diferentes tipos de agulhas nesses buracos o fluxo de chi opderia ser aumentado ou diminuído para se atingir um estado de saúde mais normal. O chi flutuaria no ar e fluiria com o sangue. O caractere chinês usado para representar o chi é lido literalmente como vapores saindo da comida.1 Os proponentes da acupuntura gostam de usar a palavra 'energia' em associação com a palavra chi, mas é claro que: "o conceito fundamental de chi não tem nenhuma semelhança com o conceito ocidental de energia (seja ele emprestado das ciências físicas ou do significado coloquial)."4(p5)Influência Celestial Ao longo do tempo, a conexão entre dar agulhadas e o chi, que formava a base da acupuntura, foi descrita no contexto de uma emergente visão cosmológica do mundo, que não era evidente nas primeiras descrições das sangrias médicas. A medicina orgânica foi incluída nesse sistema emergente de correspondências cosmológicas.1,6 Por exemplo, as agulhas foram agrupadas em nove tipos devido ao significado cosmológico desse número. Quando o sistema de aberturas ou buracos ao longo dos vasos foi inicialmente descrito, havia 365 deles, não porque esse número havia sido identificado anatomicamente, mas porque isso correspondia ao número de dias em um ano. Os primeiros textos não fazem nenhuma referência às aberturas - eles são descritos sem aviso, e existem 365 deles. A ausência de qualquer base objetiva para as aberturas é mostrada no fato de que muitos textos descrevem números diferentes de aberturas.10 Elementos Contraditórios Os vasos, e não as aberturas, eram a característica central da acupuntura 'antiga', enquanto na prática moderna os pontos é que parecem ser de primeira importância. Com o tempo, os vasos perderam sua associação com o sistema vascular6 e no ocidente são vistos primariamente como vias funcionais ligando as aberturas. O uso do termo 'meridiano', ao invés de 'vaso', serve somente para deixar a questão menos clara. Outro problema mais profundo é uma contradição aparente no fato de que a prática moderna de acupuntura parece estar baseada nos conceitos de pré e pós-circulação. Ou seja, os vasos são espetados como se constituíssem unidades separadas, enquanto ao mesmo tempo a maior parte dos praticantes da medicina tradicional chinesa também usam a palpação do pulso, o que só faz sentido se o fluxo pelos vasos é contínuo. Se o fluxo não era contínuo (i.e., os vasos não são conectados), então cada vaso precisaria ser palpado para se sentir sua pulsação. De fato, é isso que foi originalmente descrito, e parece que esse contradição básica surgiu da uma aceitação parcial e uma rejeição parcial da história.4 Não é claro por que isso ocorreu e como se decidiu o que manter e o que descartar. Yin, Yang e os Cinco Elementos A maior parte das pessoas já ouviu falar de yin e yang, que descrevem conceitos que formam uma parte importante da história da medicina chinesa e da acupuntura. Considerava-se que uma pessoa doente estava em desequilíbrio com a natureza e essas duas forças opostas. Originalmente, os termos se referiam aos lados sombreado (yin) e ensolarado (yang) de uma montanha.1 A crença nessas forças era baseada na visão de que a maior parte do mundo consistia de eventos cíclicos, que eram portanto causados pela ascensão e queda de forças opostas mas complementares. Também havia um elemento da crença antiga em uma forma específica de mágica - que semelhante corresponde a semelhante. Em outras palavras, acreditava-se que danificar a imagem de uma pessoa resultaria em dano real à pessoa, ou que ingerir alimentos parecidos com um certo órgão seria benéfico a ele. Outra importante filosofia natural na história da medicina chinesa foi a doutrina das cinco fases ou elementos (wu-hsing), que envolvia a categorização dos fenômenos naturais em água, fogo, metal, madeira e solo, cinco linhas separadas de correspondência.11 Um sexto componente, grãos, também é descrito. A aplicação inicial dessas filosofias à medicina era caracterizada por várias escolas diferentes com diferentes teorias, muitas delas mutuamente exclusivas (e.g., os proponentes da doutrina das cinco fases rejeitavam o conceito de yin/yang).7 Num mesmo livro, virtualmente lado a lado, poderia haver diretrizes baseadas em padrões de conhecimento mutuamente exclusivos. Com o tempo, houve certa conciliação mas nenhuma padronização formal dessas visões conflitantes foi tentada. Por exemplo, os termos hsin (coração), kan (fígado) e p'i (baço) se referem a estruturas anatômicas ou sistemas funcionais abstratos? Na literatura médica chinesa existe referência a ambos e portanto nenhum é 'correto'. Esses problemas surgiram porque originalmente havia uma dependência nas percepções subjetivas e nenhum sistema para adquirir e registrar informações objetivamente. O Poder das Histórias O primeiro entendimento de saúde e doença na China provinha quase inteiramente de conclusões analógicas e não de evidências anatômicas.1,4,6 Só no século dezoito que se começou a reconhecer que a idéia de função é inútil sem compreensão da estrutura de fato. As cirurgias foram proibidas por muito tempo na China, pois era inaceitável abrir o corpo dessa maneira.1 É importante perceber que a acupuntura surgiu em uma época em que não havia conhecimento de fisiologia, bioquímica ou mecanismos de cura modernos. Se uma pessoa estava doente, era tratada com acupuntura e melhorava, assumia-se que era o tratamento que causava a melhora. Não havia estudo formal das doenças e sua história natural e nem se efetuou alguma tentativa de determinar se a pessoa teria melhorado sem o tratamento. Sem uma base científica para determinar o sucesso ou fracasso, os dois eventos - o tratamento e a melhora - eram associados causalmente e esses tratamentos específicos permaneceram não testados até hoje. O Início do Século XX No começo do século vinte, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) era vista como uma cuiriosidade histórica e seu uso estava restrito a áreas rurais.12-14 Em seus primeiros tempos, o partido comunista chinês tinha considerável antipatia contra a MTC e a ridicularizava por sua visão supersticiosa, irracional e retrógada, alegando que ela estava em conflito com a dedicação do partido à ciência como um caminho do progresso.13 A acupuntura foi incluída nessa crítica. A pessoa que se tornaria o primeiro secretário-geral do partido comunista afirmou, em 1919: "Nossos homens de conhecimento não entendem a ciência; assim, fazem uso dos sinais de yin e yang e das crenças dos cinco elementos para confundir o mundo... Nossos médicos não entendem a ciência: eles ignoram não somente completamente a anatomia humana, mas também a análise dos medicamentos; pois envenenamento por bactérias e infecções é novidade para eles... Nunca entenderemos o chi mesmo que procuremos em todo o universo. Todas essas coloridas noções e crenças irracionais podem ser corrigidas na raiz pela ciência."15(p135)Mao Tse-Tung e a Revolução Cultural Ficou a cargo de Mao Tse-Tung salvar a MTC, incluindo a acupuntura, ao lançá-la na arena política.12,14,16,17 A era de Mao viu uma ressurgência do interesse na MTC como resultado: (1) Do envolvimento pessoal de Mao;A acupuntura e outras terapias tradicionais como a medicina de ervas eram poderosas ferramentas políticas, utilizadas para apoiar a revolução cultural.1,14 Em um dado ponto, o chefe do comitê de saúde pública do noroeste foi denunciado por expressar oposição à MTC e o primeiro vice-ministro que havia sido o mentor dos serviços de saúde desde os anos 30 'confessou' no Diário Popular também ter se oposto. A razão para sua oposição era se "divórcio da liderança do partido".14(p47) Médicos e pacientes também sofreram considerável pressão para usar as técnicas tradicionais, e os críticos foram tratados duramente. Em outubro de 1966, o Jornal Chinês de Medicina foi substituído por uma publicação claramente política - Medicina Chinesa - cujo banner incluía as palavras 'órgão oficial da Associação Médica Chinesa'.17 O editorial da primeira edição proclamava: "Teremos em conta ainda mais alta a grande bandeira vermelha do pensamento de Mao Tse-Tung, estudaremos criativamente e aplicaremos os trabalhos do chefe Mao e continuamente desenvolveremos a revolucionização de nossa ideologia e trabalho para que melhor possamos servir o povo chinês e os povos revolucionários do mundo."17(p112)Depois que o Jornal Chinês de Medicina foi reiniciado em 1973, essa política de publicar material de natureza política continuou.18,19 Somente depois da queda do 'Grupo dos Quatro' em 1976 que essa ênfase foi abandonada e apareceram pela primeira vez revelações sobre o impacto do clima político na China sobre as práticas médicas. Em 1987, em um trabalho sobre a história do JCM, esse período foi descrito assim: "É triste lembrar os dias sombrios da 'Revolução Cultural', que durou 10 anos a partir de 1966. O que aconteceu ao jornal? o LCM foi substituído pelo Medicina Chinesa, que durou de 1966 a 1968, repleto de documentos políticos e com poucos trabalhos médicos... embora nosso jornal tenha recomeçado em 1975, muitos autores ainda começavam seus artigos científicos com slogans políticos supérfluos... Trabalhos de baixa qualidade também eram aceitos. Felizmente, a normalidade foi gradualmente restituída no jornal depois de 1979".20(p438-39)A Era Moderna Na China de hoje, a medicina adotou um enfoque mais científico e enquanto alguns elementos da MTC são mantidos, existe uma demanda crescente por avaliações científicas de alegações passadas.12,21 A medicina ocidental e a ciência biomédica dominam, e geralmente se admite que se a MTC mantiver algum papel, será somente através da pesquisa científica.. Isso é consistente com os ensinamentos de Mao, pois ele conclamava à modernização da MTC12 e chamava os chineses a "descobrir a casa de tesouros e elevar seus padrões".1(p252) Dos aproximadamente 46 grandes publicações médicas da Associação Médica Chinesa, nenhuma é dedicada à acupuntura ou suas variações. Em outras partes da Ásia, como o Japão, a acupuntura foi completamente rejeitada.22 No Japão, a medicina ocidental foi apresentada como alternativa à MTC pela primeira vez no século dezoito23 e no fim do século seguinte assumiu a posição dominante.24 Proclamações de 1875 e 1883 restringiam a prática da medicina do estilo Chinês e os médicos eram chamados a descartar a MTC e mudar para a medicina ocidental.24 Fatos e Ficção Temos hoje um conhecimento mais detalhado do corpo humano do que quando a acupuntura foi originalmente descrita, e desde aquela época muitas crenças foram examinadas com cuidado. Podemos agora afirmar com confiança que: (a) O conceito de chi não se baseia na fisiologia humana.As evidências favoráveis à acupuntura precisam apoiar a visão de que ela é uma entidade distinta e separada. Ou seja, devem apoiar a alegação de que a acupuntura tem efeito como resultado da introdução de agulhas em pontos específicos do corpo que correspondem aos vasos descritos historicamente. No entanto, antes que essa alegação seja testada precisamos saber qual descrição histórica está sendo usada como a 'verdadeira'. Qual descrição dos vasos está sendo usada - onze ou doze, conectados ou não conectados - e quantos pontos existem? Por que esse modelo em particular está sendo usado em detrimento das alternativas? A avaliação científica da acupuntura só pode prosseguir quando essas informações forem fornecidas e suas fontes identificadas. Nenhum trabalho em acupuntura deveria ser publicado sem essas informações vitais. Avaliando a Acupuntura: As Questões Cruciais Muitos dos aparentes benefícios da acupuntura provêm de relatos não sistematizados e ao avaliar essa técnica é importante quantificar o valor objetivo conferido. Ou seja, é importante excluir a história natural e o efeito placebo para que se possa associar com confiança qualquer benefício à terapia.25 É preciso que haja claras evidências de uma distinção entre técnicas contra-irritantes sensoriais que se sabe terem efeito analgésico - como Estimulação Nervosa Trans-Elétrica (ENTE) - e a acupuntura. O efeito analgésico ou a estimulação contra-irritante são vistos como fenômenos fisiológicos nos quais a transmissão de sinais de dor de uma área é inibida pela aplicação de outro estímulo em área separada, que pode estar distante do primeiro local.26-30 Além disso deve haver evidência de que a inserção de agulhas em pontos aleatórios no corpo não produz o mesmo efeito que agulhas introduzidas em pontos específicos. Essa questão é crucial. Os proponentes da MTC alegam que é preciso muitos anos de treinamento especializado para identificar os pontos específicos de acupuntura. Se existe efeito equivalente quando uma agulha é inserida da mesma maneira em qualquer lugar longe do local específico requerido pela teoria, então isso refuta a teoria. Aqueles que continuam a afirmar que a acupuntura tradicional chinesa é uma modalidade específica precisam enfrentar os estudos científicos existentes que refutam essa crença e não somente citar estudos ou histórias favoráveis. Acupuntura e Perda de Audição: Uma Lição Aprendida A importância de testes objetivos é muito bem ilustrada no review do uso de acupuntura em perdas auditivas sensorineurais.31 Essa publicação descreve bem quão facilmente um remédio não testado pode ser promovido sem questionamentos e como a avaliação científica geralmente acontece somente depois. Ele descreve o seuginte processo: (a) Uma visita à China de um conhecido e respeitado otorrinolaringologista.O especialista que viajou à China e escreveu sobre as notávies demonstrações que lá viu escreveu o seguinte três anos depois: "...é um erro trágico levar uma criança - ou um adulto, que seja - ao tratamento por acupuntura de surdez neurosensosial a um dos chamados centros de acupuntura. Não houve um único caso de melhora demonstrada audiometricamente, quando um paciente foi testado audiometricamente antes e depois do tratamento por um otologista de respeito. Houve somente testemunhos pouco confiáveis e talvez plantados.31(p433)Do Leste ao Oeste No começo dos anos 70 houve um período durante o qual as visitas à China eram populares e geralmente incluíam demonstrações da eficácia quase miraculosa da acupuntura. Essas visitas eram então descritas em publicações médicas mais como textos jornalísticos do que como reviews científicos críticos.32-34 O rápido ganho de popularidade da acupuntura no Oeste se seguiu aos relatos dessas visitas e capturou a imaginação do público bem antes dos estudos científicos começarem a questionar a validade dos relatos. Pesquisas em Acupuntura Estudos científicos cuidadosamente planejados e conduzidos mostraram que a acupuntura tradicional chinesa é tão eficaz no alívio da dor quanto placebo ou estímulos contra-irritantes como ENTE.35-58 Muitos desses estudos compararam a acupuntura 'real' (agulhas inseridas de acordo com a teoria tradicional) com a acupuntura 'falsa' [sham] (agulhas inseridas em outros lugares, que, em alguns casos, eram aqueles que a teoria tradicional indicava como os menos prováveis a reduzir a dor) - e não se encontraram diferenças na eficácia.36,39,40-42,44 Uma vez que muitos estudos foram conduzidos com a cooperação e participação de profissionais treinados na acupuntura tradicional, não é suficiente desacreditar esses estudos como parte de alguma conspiração anti-alternativa imaginária. Aceita-se que existem teorias modernas que cobrem parte da explicação da ação analgésica das técnicas contra-irritantes como ENTE27-29,59-65, embora deva se notar que nem todos os estudos confirmam que eles tenham um efeito acima do placebo.66-68 Presentemente não existem evidências para apoiar a visão de que a acupuntura tem uma ação ou efeito além dessas técnicas. Alguns proponentes modernos, em face dessas evidências, abandonaram as teorias antigas, incluindo vasos/meridianos e mesmo pontos de acupuntura. O acupunturista inglês Felix Mann já acusou ironicamente que, a se acreditar nos textos modernos, "não há nenhum ponto da pele que não seja ponto de acupuntura".69 A dor é um sintoma subjetivo e sua percepção é afetada por outros fatores, incluindo estado psicológico.70 Há evidências de considerável efeito placebo em testes de muitas condições dolorosas71 e qualquer avaliação científica da acupuntura deve incluir uma tentativa de descobrir se ela pode aliviar a dor ou outros sintomas melhor do que o placebo. Como afirmado no relatório de 1989 do Conselho de Pesquisa Médica e Saúde Nacional (NHMRC, na sigla inglesa): "...pode muito bem ser que a eficácia clínica da acupuntura na redução da dor seja devida mais a fatores psicológicos do que físicos".65(p46)Certamente não existem evidências apoiando a visão de que a acupuntura deve ser usada em diversas patologias sistêmicas (e.g. asma49,58 e artrite38,40,55) e é praticamente fraudulento sugerir isso. Efeitos Colaterais A acupuntura tem seus riscos72-76 e se técnicas disponíveis igualmente efetivas não envolvem a perfuração da pele então é difícil justificar esse procedimento invasivo. "Vista dessa maneira, a acupuntura é um meio elaborado mas desnecessariamente complicado de alcançar analgesia quando um método clinicamente mais seguro e mais simples está disponível."65(p15)Acupuntura Animal Proponentes da acupuntura às vezes apontam estudos em animais afirmando que eles claramente demonstram efeito analgésico e que como animais não são sugestionáveis, o efeito placebo fica excluído. Animais precisam ser imobilizados para receber acupuntura e está bem descrito que nessas condições eles podem desenvolver anestesia devido ao medo e catalepsia, -- a chamada 'reação parada'.5,77 Além disso, os estudos não comparam a acupuntura 'real' e a 'falsa' e não fornecem detalhes sobre a fonte dos pontos de acupuntura utilizados. Onde está a descrição da acupuntura em animais na literatura chinesa histórica? Um Desejo de Diálogo? Deve-se expressar preocupação a respeito das visões de alguns proponentes da acupuntura sobre a necessidade de cooperação mais próxima com a medicina científica. Por exemplo, conselhos dados a acupunturistas por um proeminente autor incluíam uma recomendação de minar a fé pública na medicina e ciência modernas e de educar a sociedade quanto à necessidade de medicina alternativa.78 Tentativas de obter comentários de diversas organizações de acupuntura sobre os originais deste trabalho da ACSH receberam silêncio ou sarcasmo. Nenhuma das organizações procuradas forneceu sequer um único comentário específico a qualquer parte deste trabalho. Isso é particularmente curioso dado que o relatório de 1989 do NHMRC foi condenado por acupunturistas por: "...não convidar acupunturistas tradicionais a um debate aberto em que tivessem oportunidade de escutar e desafiar os argumentos postados contra eles."79(p51)Conclusões O Conselho Australiano de Ciência e Saúde (ACSH, na sigla inglesa) [e a Sociedade da Terra Redonda] afirma[m] que: (1) Deve-se divulgar ao público o corrente status científico da acupuntura. Existe uma diferença patente entre as alegações dos acupunturistas e os resultados das pesquisas com ensaios clínicos.A necessidade de mais pesquisas e de padrões mais altos foi enfatizada por autores de reviews de acupuntura anteriores.54-58,80-82 Referências 1. Unschuld PU. Medicine in China. A history of ideas. University of California Press. Berkeley. 1985 Voltar 2. Lu DG, Needham J. Celestial lancets. A history and rationale of acupuncture and moxibustion. Cambridge University Press. Cambridge. 1980 Voltar 3. West R. 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