Quando os astrônomos falam sobre o universo, eles querem dizer tudo o que é acessível às nossas observações. O universo inclui tudo para o qual podemos fazer levantamentos ou experimentos, desde a lua que órbita nosso próprio planeta até as mais distantes ilhas de estrelas na vastidão do espaço. Uma vez que não podemos visitar a maior parte do universo, usamos a informação que ela pode nos mandar. Felizmente, recebemos uma enorme quantidade de informação cósmica todo o tempo, codificado nas ondas de luz e outras formas de energia que chegam até nós de objetos a diversas distâncias. A missão principal da astronomia é decodificar esta informação e construir um quadro coerente do cosmos.
Localmente, nosso planeta é um dentre nove que orbitam a agradavelmente energética estrela que chamamos o Sol. O sistema solar também inclui dúzias de luas e incontáveis fragmentos de rocha e gelo, remanescentes da época em que o sistema se formou. Os astrônomos agora têm muitas amostrar destes outros mundos para analisar, incluindo as rochas que os astronautas trouxeram da Lua, os meteoritos (pedaços de rocha) que caem do espaço, incluindo uns poucos que foram ejetados de Marte há muito tempo atrás, e a poeira cósmica que podemos apanhar a grandes altitudes na atmosfera.
A natureza do universo, sua idade, seu nascimento e história de vida, têm sido deduzidos através do processo científico. Este processo tem muitos aspectos e estágios. No caso da astronomia, ele começa usualmente fazendo-se observações e medidas cuidadosas - algo que seus alunos podem começar a fazer através da inspeção de imagens astronômicas e da observação direta do céu. Junto com nosso conhecimento das leis da física, desenvolvidas em laboratórios aqui na Terra, estas observações fornecem a base de nossa compreensão do universo. De observações contínuas, os astrônomos desenvolvem modelos e teorias para explicar como as coisas funcionam no reino dos planetas, estrelas e galáxias.
Na ciência, testamos nossas idéias fazendo mais observações e experimentos. Todas as sugestões (hipóteses) devem ao final ser confirmadas testando-se estas contra as evidências do mundo real. Tanto quanto for possível, devemos deixar nossas predileções e preferências do lado de fora do laboratório ou da porta do observatório. Quando os experimentos e as observações tiverem falado, devemos aceitar seus resultados.
Quando os cientistas mediram a idade do universo (como iremos descrever em breve), eles não torcem ou nutrem esperanças para que este tenha uma certa idade particular, nem tentam fazer os resultados serem um reflexo destes desejos. Em vez disso, eles fizeram o melhor que puderam para compreender a natureza e então divulgaram o que suas observações indicaram.
O Sol e outras estrelas brilham convertendo hidrogênio superaquecido do núcleo em hélio, em um processo chamado fusão termonuclear. Sob o calor e a pressão intensos no núcleo da estrela, os átomos de hidrogênio se fundem e produzem núcleos de hélio - e energia. Este é o mesmo processo que ocorre na bomba de hidrogênio na Terra. Podemos determinar quanto tempo uma estrela pode brilhar por este processo da seguinte forma: sabemos quanta energia provém da fusão de cada átomo de hidrogênio, a quantidade de hidrogênio no centro da estrela, e o quão rápido a estrela usa esta energia. Podemos assim calcular quanto tempo ela vai durar até ficar sem combustível. A resposta para o Sol é de cerca de 10 bilhões de anos para seu tempo total de vida. Sabemos a partir de medidas da idade do sistema solar - veja abaixo - que o Sol possui agora cerca de 4,5 bilhões de anos. Portanto nossa estrela está na metade de seu tempo de vida.
Outras estrelas podem ser diferentes tempos de vida. Estrelas menores (menos massivas) que o Sol têm vidas mais longas porque fundem seu hidrogênio de forma bem mais lenta. De forma similar, um carro compacto pode ter um tanque de combustível menor do que um carro de grande porte, mas pode ser capaz de rodar muito mais com um tanque cheio, porque usa seu combustível mais lentamente.
Quando uma estrela esgota todo o hidrogênio disponível em seu centro, se expande e se torna uma "gigante vermelha". Quando encontramos tais estrelas gigantes, sabemos que já esgotaram todo seu hidrogênio. Se pudermos estimar sua massa inicial, e com isso sua potência inicial, podemos estimar seu tempo de vida, e sabemos assim sua idade. Isso é equivalente a dizer que, se vemos um carro que acabou de ficar sem combustível, e se sabemos sua potência, seu gasto de combustível e sua capacidade de armazenamento, podemos descobrir quanto tempo ele esteve rodando desde o último abastecimento de combustível antes de ficar sem combustível.
Desta forma, podemos medir as idades de certas estrelas. Quando aplicamos este método para as estrelas mais velhas que podemos encontrar, obtemos idades de 10 - 15 bilhões de anos.
As galáxias, entretanto, são tão distantes que sua luz pode levar bilhões de anos para nos alcançar. Então quando olhamos profundamente no espaço estamos olhando para o passado, através de vastos abismos de tempo. Quando estudamos galáxias distantes, encontramos que suas estrelas ainda estão nascendo do gás disperso a partir do qual as galáxias se formaram. Quando estudamos galáxias ainda mais distantes, as vemos como elas eram há 10 bilhões de anos ou mais. Nestas galáxias de muito tempo atrás, vemos que as estrelas estão somente começando a se formar.
O "Hubble Deep Field" [Campo Profundo Hubble] é uma exposição de 10 dias feita pelo Telescópio Espacial Hubble. Quase todo objeto nesta imagem é uma galáxia distante, vista como era no passado - em épocas até 10 bilhões de anos atrás. É a partir de imagens como essa que podemos discernir a história do universo e determinar sua idade.
Logo após o Big Bang, o universo era feito quase inteiramente dos elementos mais simples: hidrogênio e hélio. Confirmamos isso olhando para as galáxias realmente muito distantes - e assim para muito tempo atrás. E, de fato, elas têm maiores proporções de hidrogênio e hélio. Os outros elementos químicos foram formados mais tarde - alguns em reações nucleares nos núcleos das estrelas, outros quando as estrelas mais massivas terminaram suas vidas em explosões fortíssimas que os astrônomos chamam uma supernova. (Uma supernova espetacular foi observada em 1987 em uma galáxia muito próxima de nós. Astrônomos observaram realmente alguns elementos recém-formados emergindo desta explosão).
Alguns isótopos (formas do elemento com diferentes números de neutros no núcleo) destes elementos são radioativos: eles se transformam em outros isótopos a uma taxa que pode ser medida com precisão no laboratório. Conforme o tempo passa, uma quantidade menor e menor do isótopo original ou "pai" se mantém, e mais e mais do isótopo produto ou "filho" pode ser encontrado na amostra. Comparando-se a quantidade de isótopo pai com a quantidade de isótopo filho, os astrônomos podem determinar quanto tempo se passou desde que o isótopo pai se formou. Desta forma, os astrônomos determinaram que, apesar de alguns isótopos radiativos (tais como os produzidos na supernova 1987) terem sido formados recentemente, os isótopos radiativos mais velhos no universo têm de 10 a 20 bilhões de anos.
A mesma técnica de datação radioativa nos permite medir as idades das rochas mais velhas na Terra, na Lua, e em meteoritos, pedaços de rocha do espaço que caem na Terra. Tais experimentos de datação mostraram que a idade do sistema solar (o Sol e seus planetas) é de cerca de 4.5 bilhões de anos, como mencionamos acima. O universo é bem mais velho do que nossa pequena vizinhança. Mais recentemente, a mesma técnica foi usada até mesmo para confirmar as idades das estrelas.
O ponto chave a ser notado é que todas as estimativas independentes da idade do universo estão em concordância considerável - nossa melhor estimativa sendo cerca de 14 bilhões de anos, com uma incerteza de medida de 10 por cento. Isso fortalece a visão dos astrônomos de que o universo, as galáxias e as estrelas são realmente velhos, e não criações recentes. Existem outras formas menos diretas de estimar as idades destes objetos, e a idade do sistema solar, e elas também estão em concordância.
Se você e seus alunos derem uma boa olhada em um mapa-múndi, vocês podem ver que os continentes "se ajustam" um ao outro como peças de um quebra-cabeça. A linha costeira da África, por exemplo, se ajusta bem à linha costeira da América do Sul. Isso ocorre porque estes continentes estavam conectados, mas foram separados. Há muito tempo no passado, a própria face de nosso mundo era diferente. Hoje em dia, os cientistas podem realmente medir a taxa com a qual os continentes estão se movendo - uns poucos centímetros por ano - e estimar quanto tempo levou para que eles se deslocassem até suas posições atuais.
Similarmente, os astrônomos (capazes de contemplar qualquer estrela por somente um "momento" de sua longa existência) devem examinar muitas estrelas e desejar encontrar uma parcela em cada estágio de vida. E temos sido capazes de fazer exatamente isso - encontramos estrelas jovens próximas a "maternidades" de gás e poeira onde nasceram. Podemos observar estrelas como nosso próprio Sol, que estão no estágio "adulto" de suas vidas. (Um bom número destas estrelas como o Sol próximas são circundadas por um ou mais planetas, exatamente como o Sol.) Podemos ver estrelas gigantes vermelhas em "crises de meia-idade", infladas por mudanças em seu interior. E estudando cadáveres estelares chamados anãs brancas e estrelas de nêutrons, observamos os efeitos posteriores da morte estelar.
Os processos lentos de vida e morte estelar podem ser deduzidos por agrupamentos de estrelas chamados aglomerados estelares, grupos de estrelas que nascem juntas e vivem suas vidas como um grupo. Um bom exemplo de tal grupo é o belo aglomerado das Plêiades, que pode ser visto nos céus de outono a inverno [o autor se refere ao hemisfério Norte; no hemisfério Sul, este aglomerado é visível na primavera e no verão]. Em um aglomerado desse tipo, diferentes estrelas vivem suas vidas em diferentes passos, e podemos encontrar estrelas que começaram juntas, mas estão agora em estágios muito diferentes de suas vidas.
Mudanças em como as estrelas vivem suas vidas podem ser observadas diretamente em uma classe especial de estrelas chamadas "estrelas variáveis pulsantes"; a Estrela do Norte - Polaris - é um exemplo. Esta estrela se expande e contrai em um ritmo específico, a cada 4 dias. Mas como ela cresce lentamente com a idade, o ritmo se altera, e a expansão e contração regular leva mensuravelmente mais tempo.
O que aprendemos do estudo das estrelas em diferentes estágios (e da simulação de seu comportamento e sua física em computadores de alta velocidade)? Encontramos que as estrelas evoluem de uma forma a outra - de jovens energéticas, a adultas estáveis, a gigantes infladas, até a morte, tornando-se um cadáver. Notamos (já que algumas estrelas explodem) que novas gerações de estrelas incluem alguns dos materiais produzidos por gerações anteriores e que o número de átomos mais complexos no universo está crescendo lentamente. Temos boas evidências de que nosso Sol (com seus planetas) não estava entre as primeiras estrelas que o universo produziu, mas se formou mais tarde a partir de materiais enriquecidos pelas mortes das gerações prévias.
Essa é uma idéia-chave em astronomia - que a evolução das estrelas gradualmente muda a constituição do cosmos. As estrelas não são meros enfeites para nossa existência na Terra - criaturas tão complexas como nós não poderiam ser formadas sem os materiais que as gerações anteriores de estrelas deixaram para o "poço de elementos" cósmico. Como o próprio Sol não irá durar para sempre, mas irá morrer um dia. Neste processo, ele vai eventualmente expandir e tornar a vida na Terra impossível, independentemente do que nós, humanos, façamos.
Talvez a descoberta mais espetacular de todas foi um pequeno silvo de sinais de rádio vindo igualmente de todas as direções do universo. Este silvo de fundo tem um espectro (uma faixa de ondas) que somente podem ser produzidas por matéria comprimida a altas densidades e aquecida a enormes temperaturas. O que poderia ter enchido todo o universo com tal radiação? Nossas evidências mostram que ela é o fraco remanescente do inferno fulminante do Big Bang, agora resfriado pela expansão do universo. Esta descoberta fornece evidência direta de que, há muito tempo no passado, o universo era ultra-denso e ultra-quente, muito diferente do frio e bem mais espalhado universo que vemos hoje em dia. Muitas outras linhas de evidência também apontam um princípio quente para o cosmos.
Hoje em dia, os astrônomos estão mapeando esta "radiação rádio de fundo" em detalhes para aprender tudo o que pudermos sobre como o universo evoluiu nestes dias primordiais. Recentemente, estas mapas começaram a revelar as "sementes" da estrutura que vemos agora no universo - regiões mais densas de gás que subseqüentemente deram luz aos grandes grupos de galáxias que observamos em torno de nós.
Novamente, é claro que o universo mudou profundamente desde seus primeiros dias.
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Articles
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Magazines that Follow the Controversy
Reports of the National Center for Science Education, P.O. Box 9477, Berkeley, CA 94709. The center works to oppose the efforts of creationists and to assist educators who want to present the evolutionary perspective.
Skeptical Inquirer Magazine, CSICOP, P.O. Box 703, Amherst, NY 14226. The official magazine of the Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal, the leading skeptical group in the world; it seeks to educate teachers and the public about fantastic claims and how to test them.
A Few Helpful Websites:
National Center for Science Education [www.ncseweb.org] is the key organization working to oppose the efforts of creationists and to assist educators who want to present the evolutionary perspective. The site is full of excellent information and links.
Science and Creationism [bob.nap.edu/html/creationism] is a short booklet from the National Academy of Sciences, with a fine summary of the scientific perspective on evolution.
Talk.Origins Archive [www.talkorigins.org] contains articles, essays, and discussion about all aspects of the creation/evolution controversy.
Questions and Answers about Creationism/Evolution: [www2.uic.edu/~vuletic/cefec.html] A nicely organized summary of creationist arguments and scientific responses.
Voyages through Time [www.seti.org/education/vtt-bg.html] is a curriculum for a one-year high school integrated science course centered on the unifying theme of evolution, being developed by the SETI Institute and others.
A Few Resources on Science and Religion:
The American Scientific Affiliation (http://www.asa3.org) is an organization of professional scientists who are Christians. This group has written a handbook for teachers: "Teaching Science in a Climate of Controversy" (http://www.asa3.org/ASA/resources.html), which includes activities for students, and teaching strategies. It emphasizes the remaining open questions in biological and cosmic evolution, as well as the solid evidence for the parts that we do understand.
There is also a web site and email list of professional astronomers who are Christians: http://www.calvin.edu/~dhaarsma/chr-astro.html. Many religions other than Christian, of course, may be represented among your students. The web site www.geocities.com/fourtyres contains a thoughtful article, by science teacher Dr. Douglas Hayhoe, about some possible relationships between science and religion.
* Toilet Paper Geologic Time Scale: www.nthelp.com/eer/HOAtimetp.html
This activity uses a roll of toilet paper to measure out the 4.6-billion year time span since the Earth formed to scale. Includes a list of major events in biology and geology over that span.
* Exploring Mars: Old, Relatively: cass.jsc.nasa.gov/expmars/activities/oldrel.html
Students examine an image of part of the Mariner Valley complex on Mars with craters and landslides, to see which features formed in what order. (A similar activity using an image with outflow channels and craters is found at: cass.jsc.nasa.gov/expmars/channels.html)
* Hubble Deep Field Academy: amazing-space.stsci.edu/hdf-top-level.html
Students work with real images from the "Hubble Deep Field" - a long exposure view of the most distant galaxies - as they learn about galaxy classification and estimating galaxy distances. (Good use of real data!) Some of the "too-cute" web features may discourage older students, but hard-copy versions are available and can be down-loaded.
* The Expanding Universe: btc.montana.edu/ceres/html/uni1.html
An activity on Hubble's Law, which describes the expansion of the universe. Students measure the separation of dots on an expanding balloon and derive the relationship. Involves learning about cepheid variable stars and cosmic distance measurement.