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de Richard P. Feynman
Quando eu estava em Princeton nos anos 40 pude ver o que aconteceu às grandes mentes, no Instituto para Estudos Avançados, que tinham sido especialmente selecionadas por seus cérebros tremendos e a quem agora davam esta oportunidade de sentar nesta casa adorável perto do bosque, sem aulas para ministrar, sem qualquer tipo de obrigações. Esses pobres infelizes poderiam agora se sentar e pensar claramente por si mesmos, certo? Então eles não têm qualquer idéia por um tempo. Eles têm toda a oportunidade para fazer alguma coisa e não estão tendo nenhuma idéia. Acredito que numa situação como esta um tipo de culpa ou depressão percorre suas entranhas e você começa a se preocupar por não ter nenhuma idéia. E nada acontece. As idéias ainda não aparecem. Nada acontece porque não há atividades e desafios reais suficientes: Você não está em contato com o pessoal do laboratório. Não tem que pensar sobre como responder as perguntas dos estudantes. Nada! Em qualquer processo mental há momentos quando tudo vai bem e você tem idéias maravilhosas. Ensinar é uma interrupção, e sendo assim é a maior dor de cabeça do mundo. Então existem os períodos de tempo mais longos quando nada está vindo de você. Não há nenhuma idéia e se não estiver fazendo absolutamente nada, isso deixa você maluco! Não se pode nem dizer "Estou dando aula." Se você está dando aula, pode-se pensar sobre as coisas elementares que sabe tão bem. Essas coisas são um tanto divertidas e deliciosas. Não faz mal algum pensar sobre elas de novo. Há uma maneira melhor de apresentá-las? As coisas elementares são fáceis de serem pensadas; se não pôde pensar de outra forma, nenhum mal foi causado; o que você pensava sobre elas antes é suficientemente bom para a aula. Mas se você de fato conseguir pensar algo novo, você fica bastante satisfeito de ter uma nova maneira de vê-las. As questões dos estudantes são com freqüência a origem de novas pesquisas. Geralmente perguntam questões profundas sobre as quais eu havia pensado às vezes e então deixado de lado, assim dizendo, por um tempo. Não me faria mal algum pensar sobre elas de novo e ver se posso ir mais longe agora. Os estudantes podem não ser capazes de visualizar aquilo que quero responder ou as sutilezas sobre as quais quero pensar, mas eles me lembram de um problema perguntando questões na vizinhança desse problema. Não é tão fácil lembrar a si próprio dessas coisas. Então acho que o ato de ensinar e os alunos permitem a vida continuar e eu nunca aceitaria nenhum cargo no qual alguém tivesse inventado para mim uma situação feliz onde não tenha que ensinar. Nunca.
Excerto de 'Deve Ser Brincadeira, Sr. Feynman!', Aventuras de um Personagem Curioso de Richard Feynman, Bantam Books: Nova York, 1986.
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