Leo Vines Publicado: 03/09/2001
Atualizado: 02/10/2001
| Atividade | Descrição | Dados Para Contato | Crítica da STR | Referências | Comentários |
FANTÁSTICO
Justiça Seja Feita

   No ano de 2002 o Programa Fantástico exibiu uma série de matérias sobre o desafio paranormal de James Randi. O programa então redimiu-se ao testar várias pseudociências, inclusive a astrologia, pedindo que fizessem previsões sobre quem ganharia a Copa do Mundo de 2002. Ninguém disse que o Brasil ganharia. Espero que outras matérias sobre os temas discutidos na STR que porventura sejam veiculadas no Fantástico também não contenham erros e sejam imparciais como as da série Desafio Paranormal. Se a mídia proferir falácias será criticada na Área Os Perigosos. Se a mídia corrigir seus erros e proferir dados corretos será parabenizada.

Parabéns ao Fantástico por ter desmascarado as pseudociências e os charlatães.
Atividade: Programa de variedades dominical da Rede Globo de Televisão
Fantástico

Descrição: O programa de variedades Fantástico, da Rede Globo de Televisão, exibiu uma série de reportagens sobre a astrologia. Com o título de "Desafio ao Esoterismo", o apresentador e repórter Pedro Bial, mediava um teste para saber se a astrologia funciona. Um astrólogo (Pedro Tornaghi) fazia o mapa astral de três convidados, sem saber seus nomes, profissões, etc. Apenas a data de nascimento lhe era revelada. Na primeira reportagem, exibida em 12/08/2001, 3 pessoas que acreditam em astrologia foram testadas. Na segunda, exibida em 19/08/2001, foi a vez de três pessoas que não acreditam. Abaixo a transcrição das duas reportagens, retirada do website do Fantástico:

Religião e Esoterismo
O Desafio do Esoterismo - Parte 1

Você pode até não acreditar, mas, reconheça: ao menos uma vez na vida, você já deu uma espiada no horóscopo dos jornais, não?

Convidados para o primeiro teste da astrologia
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Astrologia, vidência, cartas ciganas... Será que essas coisas funcionam mesmo? O Fantástico resolveu fazer o teste: convidamos pessoas que acreditam e que não acreditam nessas artes de adivinhação para ouvir, para comentar: o que dizem sobre suas vidas os astros, as cartas, os oráculos?

Você vai ver o primeiro desafio, o teste da astrologia - uma arte que existe há mais de cinco mil anos...

No exato instante em que você nasce, dizem os astrólogos, o céu começa a influir em sua vida. Você ganha um signo, determinado pela constelação por onde o sol está passando nesse momento. Áries, touro, gêmeos... Esses signos determinam a maneira como você vê o mundo.

Há também o signo ascendente, a constelação que estava no horizonte quando você nasceu. O ascendente influi na maneira de agir na vida. A posição da Lua é muito importante para os astrólogos: ela, que influencia as marés, mexe também com nosso temperamento.

O mapa astral é a representação gráfica do céu no momento em que uma pessoa nasce. A partir dele, os astrólogos fazem suas previsões e desvendam os traços da personalidade.

Convidamos um astrólogo famoso, Pedro Tornaghi, para fazer o mapa astral de pessoas que ele não sabe quem são. Ele só recebeu três informações: o dia, a hora, e o local de nascimento de cada uma delas.

Para este primeiro desafio, convidamos três pessoas que acreditam em astrologia: a atriz Arlete Salles, Leila - musa do vôlei brasileiro - e Orlando Zaccone, um delegado de polícia que foi monge hare krishna.

O astrólogo vai ficar isolado e, por um microfone, poderá ouvir apenas a voz de Pedro Bial.

Em um sala separada vai ficar o astrólogo Pedro Tornaghi. Lá ele vai ler e interpretar o mapa astral de cada um dos nossos convidados, que ele não conhece, não sabe quem são. Os convidados vão ver tudo através de um telão. Temos uma libriana, uma geminiana e um ariano.

Tornaghi - Bom, nossa primeira convidada é geminiana com Lua em aquário e ascendente touro.O ascendente touro dá uma natureza afetiva muito forte, proteção, e faz com que ela goste de agir tornando as coisas agradáveis. Ela tem câncer na terciera casa

Casas são as 12 divisões do zodíaco. Cada uma das casas influi sobre uma área da vida: família, trabalho, relacionamentos...

Tornaghi - Câncer na terceira casa: a pessoa aprende pelo cheiro, pelo faro, faz com que seja popular pela delicadeza da apresentação dela. Ela tem um aspecto muito interessante no mapa dela que é Urano em trígono com Netuno.

Trígono é um dos chamados aspectos do zodíaco, e se refere a talentos e méritos.

Tornaghi - Urano em trígono com Netuno faz com que ela se torne exageradamente intuitiva. Percebe as coisas antes dos outros. Áries na décima segunda casa: tendência da pessoa ficar ativa dentro de estúdios fechados, ter muita energia dentro de estúdios fechados.

Arlete Salles - Ele falou coisas maravilhosas. Eu gosto muito da parte em que ele fala sobre intuição. Eu me acho realmente uma pessoa intuitiva.

Bial - Será que você podia arriscar algumas informações sobre a biografia dessa pessoa?

Tornaghi - Por exemplo, ela aos 17 anos teve Plutão em quadratura com Urano.

Quadratura é outro aspecto do zodíaco, e se refere a crises.

Tornaghi - Plutão e Urano são os dois planetas mais transformadores que existem. Então muitas vezes, nessa época a pessoa tem que tomar decisões de transformar coisas por força maior.

Bial - Aos 17 anos, o que aconteceu em sua vida?

Arlete Salles - Eu casei aos 16 anos, aos 17 já era mãe. Então realmente houve uma grande transformação na minha vida.

Bial - Vamos continuar com possíveis lances biográficos.

Tornaghi - Aos 20 anos estou vendo que ela teve uma Lua em conjunção com Júpiter.

Conjunção é união de planetas. Pode indicar qualidades ou defeitos.

É um período de otimismo, de expansão. A gente pode encontrar reconhecimento também, porque a Lua está ligada à popularidade e Júpiter é o planeta da boa sorte.

Arlete Salles - Aos 20 anos talvez eu estivesse voltando a trabalhar, reiniciando a minha carreira, porque eu parei tudo para casar, para ter um filho, achava até que jamais voltaria a trabalhar. e eu estava retomando o meu trabalho.

Tornaghi - Bom, tem um ano aqui que pode ser interessante no mapa dela que é aos 39 anos. Urano é um planeta de inquietude e liberdade... Ano de buscar novos horizontes. Ano de se livrar de limitações que tenham feito a vida menos frutífera até então.

Arlete Salles - Realmente foi um momento crítico em minha vida, crucial, já falei isso em algumas entrevistas. É o momento em que me conscientizei que eu precisava promover uma revolução, uma mudança em minha vida, principalmente no aspecto profissional. Eu estava insatisfeita, achava que estava fazendo um percurso medíocre profissionalmente, eu sabia que tinha que mudar minhas coisas. Depois de muitas dificuldades, de muitas buscas, eu me harmonizei.

Bial - Então, até agora...

Arlete Salles - Ele acertou.

Bial - Vamos ao nosso ariano?

Tornaghi - Ele tem ascendente em câncer e Lua em libra. Na intimidade, ele é amável e tolerante, mas profissionalmente, ele é uma pessoa que tem capacidade de liderança, impositivo, e que só vai respeitar a autoridade de alguém que está acima se perceber que aquela pessoa realmente sabe o que está fazendo.

Orlando Zaccone - É verdade, Essa liderança eu tenho, mas não só na questão profissional, como delegado: estou fazendo um curso de mestrado e eu tinha que escolher um representante da turma e as pessoas me apontaram, parece que eu exerço isso, essa liderança, um pouco disso naturalmente.

Tornaghi - Câncer na primeira casa dele pode fazer com que tenha dificuldades de ser pontual. Quando ele chega num lugar, fica difícil de tirá-lo.

Orlando - Eu era mais pontual, hoje eu estou melhorando, pelo menos na chegada... Mas como ele falou na saída (ri)... Na saída realmente bate o que ele disse, porque eu acabo gostando muito de estar ali naquele momento e acabo esquecendo a hora de sair.

Bial - Vamos falar sobre possíveis momentos marcantes na biografia do nosso ariano.

Tornaghi - Nosso ariano tem capacidade de dirigir outras pessoas, por saber colocar cada qual no seu lugar, e aos 15 anos ele teve o Sol em conjunção com Mercúrio — É um ano de curiosidade aumentada, de interesse por estudos, inquietude... É um ano de capacidade de conversação, de abrir novos contatos, de descobrir múltiplas possibilidades em sua vida. É um ano em que a gente é capaz de falar mais do que escutar.

Orlando - Quinze anos foi interessante porque estudei em colégio Marista, colégio de padre, que tem disciplina rígida. Eu seguia aquela disciplina, sem questionar, e aos 15 anos foi a primeira vez que fui suspenso do colégio, porque eu já começava a questionar na sala de aula determinados posicionamentos.

Tornaghi - Estou vendo aqui que aos 17 anos o Sol em conjunção com Júpiter. Essa é uma idade em que temos todas as possibilidades abertas, é uma fase de exuberância, de otimismo extremo... Aquilo que ele quer nesse ano ele tem a força, quase uma fé interna, que faz com que ele consiga.

Orlando - Aos 17 anos eu estava no curso pré-vestibular, decidindo qual a carreira que eu ia seguir. Fiz jornalismo para a PUC e vestibular para o curso de direito. Consegui passar nas duas opções: para direito na Faculdade Nacional e Jornalismo na PUC. E eu sempre tive certeza de que era isso que eu queria e que iria conseguir.

Bial - Algum outro ano marcante na biografia que você ressaltaria, além dos 17 anos?

Tornaghi - Aos 24 anos! Vinte e quatro anos, Sol em trígono com Urano: ano de descobertas, criatividade, de você encontrar soluções criativas, quando você pode entrar em novas atividades, quando você tem um progresso muito grande, pode se desenvolver tecnicamente naquilo que quer, quando você pode encontrar caminhos independentes para si próprio.

Orlando - Aos 24 anos, tomei uma decisão importante: eu optei por morar em um templo. Fui morar aos 24 anos num templo hare krishna, que é o templo de minha religião, como monge. E lá fiquei um ano.

Tornaghi - A nossa libriana tem ascendente sagitário e a Lua em aquário. Essa é uma pessoa para quem o sucesso é mais fácil que o comum dos mortais. Apesar de só depender dela a chegada ao sucesso, ela ainda assim tem a cooperação dos outros, tem a cooperação dos mais experientes, tem a ajuda da família para o crescimento dela, ela tem todas essas facilidades. Aquário na terceira casa representa uma inclinação a uma atividade intelectual muito grande. O leão na nona casa faz com que ela seja protegida no estrangeiro. Peixes na quarta casa pode fazer às vezes com que a casa onde ela mora, o lar dela, seja mais caótico que a profissão. Virgem na décima casa: se ela tiver superiores, a tendência é que quando o superior diz uma coisa, ela quer que seja cumprida à risca. Áries na quinta casa, a da paixão: tende a se apaixonar pela energia da outra pessoa. Pode ser a pessoa mais bonita do mundo, mas se não tiver aquele tchan, aquela energia na hora em que chega, não acontece a química nela.

Leila - Impressionante. Bateu muita coisa...

Bial - O que me chamou a atenção foi que não houve nenhum comentário sobre aptidões físicas ou atléticas. Ele falou de aptidões intelectuais.

Leila - Mas eu acho que o que sempre fez com que eu me destacasse mesmo no que eu faço foi realmente isso aqui (aponta para a cabeça). Com 1,78m , para você atacar num bloqueio de uma cubana, uma russa, você tem que se sobressair em outras aptidões. E uma coisa que me chamou muito a atenção foi a respeito de liderança: eu sigo à risca o que o meu líder passa e almejo que isso dê certo.

Bial - Disciplinada...

Leila - Exatamente. Eu sou extremamente disciplinada.

Bial - E muito interessante o que ele falou sobre momentos de felicidade no exterior...

Leila - É impressionante: nas Filipinas, no Japão... Em Sidney também, eu recebi muitas manifestações de carinho do povo australiano. Em termos de organização, realmente, eu sou muito mais organizada em minha profissão do que dentro do meu lar (ri). É uma questão muito engraçada, ele falou que por mais que eu possa andar com minhas próprias pernas, eu sempre vou ter ajuda de pessoas mais velhas, mais experientes, e é incrível, porque desde o começo, quando quis ser jogadora, até hoje, sempre aparece um anjinho pra me ajudar, pra me orientar. Isso realmente me chamou a atenção.

Tornaghi - Entre os 21 e 30 anos ela teve uma quantidade muito grande de quadraturas, ou seja, de momentos de crise. Foi um período de crescimento forçado. Em seguida vem a síntese, que é a maturidade, capacidade de lidar com dificuldades. Ela é o famoso bom partido... Ela chega e diz assim: todos diziam que era impossível, aí eu fui lá e fiz.

Leila - Esse final dele diz tudo o que passei dos 21 aos 31 anos.

Bial - Você teve problemas de contusão...

Leila - Contusões, doença na família, um ano em que não fui convocada, em que pensei em desistir do vôlei, porque me rotularam que era baixa, não tinha condições... Eu tenho condições, posso mostrar, mesmo que digam não. Eu tenho capacidade, só depende de mim.

O astrólogo Pedro Tornaghi seria capaz de descobrir a profissão de nossos convidados?

Tornaghi - Eu não posso arriscar o que a pessoa decidiu fazer, eu posso dizer o que eu faria se fosse cada um deles. A nossa geminiana tem uma habilidade de se adaptar a qualquer papel. Tanto pode querer ser atriz como ser no teatro da vida qualquer dos papéis, porque vai ser dar bem em qualquer um deles. Então talvez querendo ser atriz ela consiga se satisfazer vivendo essa pluralidade de seres que carrega dentro dela.

Arlete Salles. Atriz. Essa foi em cheio.

Bial - Vamos para o ariano agora...

Tornaghi - Eu se tivesse o mapa dele seria guru, porque ele tem uma capacidade muito grande de orientar os outros.

Orlando é delegado, não é guru. Mas foi monge num templo hare krishna.

Bial - E agora, então, vamos falar da nossa libriana.

Tornaghi - Eu, se tivesse o mapa dela, podia trabalhar com moda, ter uma confecção. Mas seria minha opção com o mapa dela.

Leila gosta muito de moda, mas preferiu o vôlei.

O que você achou desse teste? O astrólogo mostrou mais acertos que erros? Você gostaria de pensar mais um pouco sobre o assunto antes de tirar uma conclusão? Então o Fantástico mantém o desafio! Domingo que vem [19/08/2001], você vai ver o que acontece quando o astrólogo Pedro Tornaghi interpreta o mapa astral de pessoas que não acreditam em astrologia. Nossos próximos convidados: uma astrônoma, uma menina de rua que virou escritora, e o humorista Bussunda.

Religião e Esoterismo
O Desafio do Esoterismo - Parte 2

Domingo passado, você viu a primeira etapa do desafio: o astrólogo Pedro Tornaghi interpretou o mapa astral de três convidados, sem saber quem eram eles: Leila, do vôlei, o delegado Orlando Zaccone - que foi monge hare krishna - e a atriz Arlete Salles.

Convidados para o segundo teste da astrologia
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Os três convidados, que acreditam no zodíaco, disseram que o astrólogo acertou muito mais do que errou.

Agora, começa a segunda etapa do nosso desafio. De um lado, o astrólogo. Do outro, três convidados que não acreditam em astrologia.

Esmeralda Ortiz é uma ex-menina de rua que virou escritora e trabalha com crianças. Ela não faz a menor idéia do que seja astrologia.

Elizabeth Jucoloto é astrônoma, especializada em meteoritos. Astrônomos não acreditam que os planetas tenham qualquer influência em nossas vidas.

Bussunda, humorista do Casseta e Planeta: para ele, astrologia é apenas um negócio engraçado.

Informamos a Pedro Tornaghi o dia, a hora, e o local de nascimento dos nossos convidados. Ele fez os mapas astrológicos, e vai falar sobre a vida de cada um deles, sem saber quem são.

Atenção! O astrólogo não poderá ver nem ouvir os convidados durante este desafio. Chegou a hora da verdade!

Bial - Em um estúdio, fica Pedro Tornaghi, nosso astrólogo, que vai interpretar as características pessoais, a personalidade de nossos convidados, que ficam em outro estúdio. São o canceriano Bussunda, a leonina Esmeralda Ortiz e a pisciana Maria Elizabeth Juculoto. Podemos começar? Pedro, gostaria de sugerir que você começasse com nosso canceriano, de 25 de junho. Eu já entreguei o gênero, é canceriano.

Tornaghi - Bom, nosso canceriano e câncer com ascendente virgem e Lua em áries. A Lua em áries traz a necessidade de acerto e o ascendente virgem é a dúvida do êxito. Isso inclina a pessoa a desenvolver certa ansiedade.Tem libra na segunda casa, casa do dinheiro. Isso faz com que ele tenha o sentido do trabalho em conjunto. Às vezes procura trabalhar em conjunto para evitar a possibilidade de erro, que o ascendente virgem não quer. Escorpião na terceira casa costuma pressionar o meio em que vive e pode ser autoritário com aqueles que estão a seu alcance. Dentro de casa, a tendência de sagitário na quarta casa não é conversar, é decretar. E gêmeos na décima casa costuma trabalhar com coisas que não estudou. Ele pode estudar filosofia e acabar como publicitário, pode estudar medicina e acabar jornalista, acabar ator. Pode estudar psicologia e acabar trabalhando com a palavra, com propaganda.

Bussunda - A primeira impressão dá uns 50 ou 60% de acerto. Algumas coisas não têm nada a ver: ansiedade e autoritarismo não fazem parte da minha vida. Agora, trabalhar em equipe é verdade. Esse índice de acerto que ele teve, para mim é o índice de acerto de uma pessoa treinada em falar coisas com que muita gente se identifica, entendeu?

Bial - Agora vamos ver se quanto à biografia se bate alguma observação.

Tornaghi - Na passagem dos 19 para os 20 anos, ele estava com Mercúrio em conjunção Sol. Como gêmeos rege a casa da profissão dele, Mercúrio ajuda muito aí. É um ano em que a capacidade de articulação está maior, há interesse por novos estudos, novos conhecimentos. Mercúrio dá também uma clareza mental, um intelecto afiado. Como falei, tem gêmeos no meio do céu e a tendência é muitas vezes durante a vida ficar dividido entre um caminho e outro e não saber se vai trabalhar por caminhos totalmente opostos.

Bial - Aconteceu alguma coisa nessa virada de 19 para 20?

Bussunda - Acho que toda pessoa de 19 anos tem uma curiosidade aguçada e realmente eu entrei para a faculdade com 18 e com 19 eu estava querendo saber da vida e tentando me encontrar. Agora, essa parte da divisão não bate de maneira nenhuma, nunca tive nenhuma idéia de trabalhar numa coisa oposta ao que faço. Pelo contrário, com 19 anos eu estava na faculdade de jornalismo, vendo que não era isso que eu queria, e escrevendo humor, então essa divisão não aconteceu.

Bial - Tem mais algum ano que você destacaria?

Tornaghi - Aos 30 ele está com outro aspecto, complementar a ele, que é um aspecto mais sonhador. É um ano em que a gente pode alcançar maior popularidade e pode ajudar os outros a alcançar popularidade. É um ano em que o sonho da pessoa está em harmonia com a coletividade, com os que estão ao redor. A gente sabe captar aquilo que a alma do povo está precisando e levar para eles.

Bussunda - Teve uma coisa que ele falou de popularidade... Estreei na Globo em 90, fiz 30 anos em 92. A popularidade pode ter começado em 90, 92, é por aí. Teve algum sentido.

Bial - Dá uma indicação para gente sobre em que ramo profissional este canceriano poderia atuar?

Tornaghi - Não é adivinhação. Posso dizer o que eu seria se tivesse o mapa dele: tem essa possibilidade de estudar um coisa mais profunda, no fundo ser um filósofo, e no lado de fora acabar trabalhando com coisas mais superficiais. O gêmeos na décima casa dá a capacidade de ele se adaptar a qualquer papel na profissão. Ele seria um excelente fotógrafo, seria ótimo trabalhando em publicidade, e tem capacidade de escrita grande também.

Bussunda - Alguns acertos e alguns erros...

Bial - De fato você trabalha com escrita...

Bussunda - Com escrita sim, quanto a ser um excelente fotógrafo acho que o testemunho da minha família não confirmaria isso (ri).

Bial - Cabeças cortadas...

Bussunda - Eu estudei filosofia, gosto, leio muito. Agora, se ele fosse eu, optaria por ser filósofo, ia ganhar dinheiro aonde, vai abrir um escritório de filosofia?

Bial - A questão da publicidade de certa maneira está se remetendo ao seu trabalho com comunicação...

Bussunda - Tem a ver com a criatividade, já escrevi publicidade.

Bial - Está certo.

O que dizem os astros sobre Esmeralda, ex-menina de rua?

Tornaghi - Bom, nossa pessoa de leão tem ascendente aquário e Lua em sagitário. Isso dá muita eletricidade, muito magnetismo. Esse excesso de eletricidade pode inclusive deixar o cabelo dela revolto, rebelde, porque o ascendente é a cabeça. O ascendente aquário tem leão na sétima casa, a casa do relacionamento: tendência de colocar uma expectativa muito grande nas pessoas com quem se associa. Ela tem o Sol e tem Júpiter nessa casa, que podem fazer com que ela se case em algum momento com o deus de alguma área, com o guru ou com o papa de alguma área. Pode ser o deus do esporte, o deus da poesia, da literatura, da filosofia, mas o deus de alguma coisa. Touro na quarta casa é a casa do lar da gente, é como a gente se relaciona quando está na casa da gente. Touro é hospitaleiro e vai proteger a família e aqueles que entram no espaço íntimo dela. O escorpião na 10ª casa: nunca pode dizer "nunca vou beber dessa água" profissionalmente. Ela pode ter quedas bruscas, mas quando você pensar que ela sumiu, ela aparece com o dobro da força.

Bial - O que você achou do que ouviu até agora?

Esmeralda - Muitas coisas são concretas e muitas não são.

Bial- Você está que nem o Bussunda, meio a meio?

Esmeralda - Não. Eu subo um pouco mais.

Bial - O que bateu, calou fundo?

Esmeralda - Na parte profissional, quando eu estou lá embaixo eu consigo levantar. Mas quanto à família, não me identifico com nada.

Bial - Por quê?

Esmeralda - Porque eu não tenho relacionamento familiar. Também não penso em casar.

Bial - Apesar de muito jovem, o que você vê na biografia dessa leonina?

Tornaghi - Aos 13 anos, ela teve Mercúrio em conjunção Júpiter. A tendência desse aspecto é ampliar a compreensão de qualquer assunto em que ela esteja interessada. A gente fica disponível para incorporar novas informações e mais tolerante para outros pontos de vista. Mas ao mesmo tempo, ela estava tendo Saturno em quadratura Lua, que foi dos 13 aos 14 anos: muitas vezes a pessoa pode se sentir isolada. Ao mesmo tempo que Mercúrio dava a capacidade de se comunicar, tem uma coisa dentro dela que faz com que ela possa se sentir isolada, não merecedora da atenção, do amor, do afeto. Esse isolamento pode trazer um resfriamento do sentimento em relação aos outros.

Esmeralda - Com sete anos eu fugi de casa. Minha mãe bebia. Eu sofri muitos abusos sexuais quando era pequena e fui morar na rua. Fiquei na rua, comecei a roubar, a traficar, a usar drogas. Só não me prostituí, mas isso não é vantagem nenhuma para quem se destruiu quase a vida toda. Tive quase 50 passagens na Febem, alguma na cadeia, e tive muitas oportunidades de freqüentar projetos, mas não me adaptei.

Bial - E aos 18 anos o que é que deu certo, que fez você sair?

Esmeralda - Com 18 anos apareceu um projeto chamado “Travessia”, que trabalhava com menores de rua e vi que era o último trem. Já estava no fundo do poço. Consegui sair, hoje eu trabalho...

Bial - Você escreveu seu livro com que idade?

Esmeralda- Com 20 anos.

Bial - Pedro, sou eu de novo... Muito jovem ainda, mas se você tivesse esse mapa, para que lado profissional você se encaminharia?

Tornaghi - Sinceramente, não sei, não arriscaria. Urano no meio do céu é extremamente criativo, tem uma capacidade de fascínio dentro da profissão que exerce. A astrologia tradicional poderia dizer que ela tem capacidades curativas de medicina, podia dizer que ela sairia bem aí, mas sinceramente...

Bial - Tá bom.

Agora, o astrólogo Pedro Tornaghi diante da astrônoma Elizabeth Jucoloto.

Tornaghi - Pisciana, com ascendente câncer e Lua em Touro. São três signos de extrema sensibilidade e delicadeza. A segunda casa é a casa do dinheiro. O leão na segunda casa não é ligado em mesquinharias, em ninharias, em falar em pequenas quantias. São as melhores pessoas para a gente pegar um empréstimo, porque não se preocupam com o lado pequeno do material. O leão na segunda casa quer o fruto do seu trabalho bem feito. E quer ser valorizado por ele, quer receber o quanto vale. Libra na quarta casa é o lar da gente. Isso vai fazer que quando a gente entre na intimidade dela, ela tenha uma atitude diplomática, de camaradagem.

Bial - Alguma coisa chamou sua atenção?

Elizabeth - Há uma porcentagem de acertos, assim, média. Mas muita coisa mesmo no meu estava menos certo no meu que no deles.

Bial – Curioso. Por exemplo, ele disse que você é meio generosa, quase perdulária com grana...

Elizabeth - Eu não empresto dinheiro, não empresto porque perde o amigo e perde o dinheiro. Por outro lado ele falou que no meu trabalho gosto de ser bem paga e isso não e verdade, tanto é que eu sou professora (ri).

Tornaghi - É muito envolvente na sua sensibilidade, tem uma capacidade de sonhar grande, tem um lado romântico...

Bial - Você é muito romântica, sonhadora?

Elizabeth - Sonhadora, sim. Romântica... (ri) Bem, sou casada há 23 anos, não tem tanto romantismo mais.

Bial - Vamos pensar numa área profissional para essa pisciana?

Tornaghi - O ascendente câncer gosta da arte, mas às vezes acaba trabalhando com a ciência. No fundo ele é um artista, mas acaba procurando uma profissão que esteja estabelecida, institucionalizada. Então muitas vezes ele acaba virando o pintor amador e o médico profissional.

Bial - Você tinha dito que fez veterinária e astronomia ao mesmo tempo. Ele falou de vocação medica...

Elizabeth - Médica, não. Eu teria para a veterinária, mas, medicina... Não tenho muita habilidade de lidar com pessoas. Minha mãe sempre quis que eu fosse médica, mas eu nunca quis.

Neste segundo desafio, os nossos convidados acharam que o astrólogo acertou pouco. Disse coisas muito vagas. Os acertos não passariam de coincidências. Você concorda? Talvez toda essa historia de mapa astral, conjunções, casas zodiacais, faça algum sentido apenas para quem acredita em astrologia.

Domingo que vem: o desafio da cartomante! Uma cigana fica frente a frente com a escritora Márcia Frazão, que pesquisa bruxaria, e com o astrônomo Rogério Mourão, um cientista absolutamente cético.

As cartas estão na mesa!

Assista ao vídeo deste desafio!

Dados Para Contato: http://www.globo.com/fantastico, http://www.redeglobo.com.br e Vídeos 1 e 2 do Teste da Astrologia no formato Real (requer o Real Player)
Crítica da STR

Primeiramente, vamos explicar o que é a astrologia. Ela é uma forma de adivinhação, que começou como calendário de fazendeiros da Mesopotâmia há 6.000 anos e também na primeira metade da dinastia Hammurabi, na Babilônia, há 3.500 anos atrás. Em sua forma moderna, a Astrologia Solar afirma que as posições dos planetas do sistema solar, no momento que o indivíduo nasce, de alguma forma, estão relacionadas com sua personalidade, atividades, preferências e até com eventos pessoais maiores (como acidentes, casamentos, divórcios, etc.). É usada como terapia psicológica, para análise pessoal e autoconhecimento, estando entre a religião e a psicoterapia. Os astrólogos fazem horóscopos, ou mapas astrais, que são uma espécie de relatório de previsões astrológicas. Não há um consenso geral entre os astrólogos de como a astrologia funciona, nem quais configurações planetárias específicas produzem determinados resultados. É quase certo que nunca dois astrólogos diferentes irão fazer o horóscopo de uma mesma pessoa com os mesmos resultados. As previsões que têm algum resultado são tão vagas que a verificação é praticamente impossível.

O céu é dividido em doze zonas, conhecidas como casas zodiacais. A astrologia começou seu declínio por volta do ano 1.600, com a ascensão da cultura científica, mas teve seu brilho renovado depois da Primeira Guerra Mundial, quando o astrólogo britânico R. H. Naylor inventou a coluna diária de astrologia no jornal. Alguns astrólogos apontam as marés oceânicas como provas que a Lua pode influenciar as pessoas. Porém, esta é uma grande falácia. A causalidade aparente não procede, pois como qualquer pessoa pode testar em casa, não se vê uma maré num prato de sopa quando a Lua está por perto. Sofremos atração gravitacional muito mais forte da Terra, e os astrólogos não dizem nada sobre isso. Isso acontece pois, quando a astrologia foi inventada, não se considerava a Terra como planeta (eram conhecidos Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Lua e Sol; estes últimos eram considerados planetas). Como sabemos, a astrologia foi inventada antes de descobrirmos a existência de outros planetas, como Netuno, Urano e Plutão, luas como Io, Phobos e Europa, e asteróides grandes, como Ceres. Até hoje eles não são usados nos horóscopos, nem as galáxias, quasares, anãs brancas e outros corpos celestes do Universo. Ela foi inventada quando o entendimento do mundo pelas culturas antigas era dominado pela superstição e pelo pensamento mágico, uma época onde os objetos no céu eram pensados serem deuses, espíritos importantes, ou na pior das hipóteses, símbolos ou representações de personagens divinos que passavam o tempo bisbilhotando os afazeres diários dos humanos. Uma época onde a ciência ainda não era nascida.

Hoje, com a ciência, sabemos que Vênus é um mundo deserto, coberto por espessas nuvens, quente como um forno; não um objeto útil para saber com quem se casar. Conhecemos os métodos da Leitura Fria. Esta é a técnica usada pelos astrólogos para fazer suas previsões parecerem certeiras e específicas. Basta fazer uma afirmação generalizada e de caráter agradável, explorando a tendência do ouvinte crédulo em tentar fazer sentido de tudo o que lhe é dito. O ouvinte tende a se lembrar dos acertos e esquecer dos erros. Eles se valem de aproximações e de afirmações em forma de pergunta, como "Sinto que pensa em alguém que está ausente. Estou certo?", mas as respostas são criadas na mente do ouvinte. A Leitura Fria é muito utilizada também por charlatões como ciganas, tarólogas, quiromantes, etc. Eles falam o que a pessoa gosta de ouvir, conquistando, assim, sua empatia, e assim convencem o ouvinte que eles possuem poderes ou sabedorias especiais.

Há vários problemas com a astrologia. Pessoas que nascem exatamente no mesmo dia, com os mesmos astros no céu, possuem personalidades e vidas absolutamente diferentes. Os horóscopos feitos antes de 1930, que não contavam com a existência de Plutão, estão todos errados se seguirmos os preceitos astrológicos. E o signo do Ofíuco, onde o Sol passa nas primeiras duas semanas de Dezembro, nunca é considerado nos mapas astrais. Porém é tudo muito simplório, diria um apaziguador. Pra que importunar e se preocupar tanto com os astrólogos e seus seguidores?

Porque a astrologia é um modo de evitar a responsabilidade pelos erros. Ela nos dá conselhos aleatórios que, para a maioria de nós, são satisfatórios, mas lembre-se que líderes mundiais consultam os horóscopos (um dos casos mais famosos foi com o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan). Sabe-se que companhias recusaram contratar empregados pelos seus horóscopos, e que pessoas deixam de se relacionar com outras por causa de seus signos. Isto é claramente um preconceito. Ela contribuiu para desencorajar o pensamento crítico e o entendimento da astronomia, uma ciência verdadeira. Ela custa milhões em dinheiro, que são literalmente roubados de pessoas, em troca de conselhos vazios e generalizados.

Por que criticar, então, o Fantástico, que se propôs a "testar" a astrologia? Pela forma como tudo foi apresentado, deixando margens para o público pensar que a astrologia é algo que pode, talvez, quem sabe, ser correta. No começo da reportagem, é dito que será feito o teste. Porém, o que foi feito foi puramente uma pesquisa da opinião pessoal de seis pessoas. Isto não é um teste científico ou estatístico. Independentemente se as seis pessoas disserem que acreditam ou não, a astrologia não foi corretamente testada. Houve uma pretensa aparência de escrutínio científico ao não informar ao astrólogo que estava sendo "testado" os dados sobre os consultados. Porém, isto não é o equivalente a um exame duplo-cego. O repórter Pedro Bial também contribuiu bastante, tecendo comentários tendenciosos (por exemplo, quando comentou com Leila sobre suas viagens ao exterior). O Fantástico também ajudou as "previsões" várias vezes, como quando o astrólogo diz que o sujeito é guru, e a produção sugeriu que isso é sinônimo de monge. Com Bussunda, Pedro Bial continuou tentando fazer sentido das afirmações do astrólogo, escurecendo os comentários céticos do humorista. A impressão que fica é que o astrólogo acertou indiretamente, e que a astrologia funciona. Com a astrônoma, Bial tenta equiparar veterinária com medicina convencional, para tentar fazer o astrólogo acertar.

O correto (ou, pelo menos, o mais honesto), seria dizer que o teste não foi científico, que foi apenas uma pesquisa de opinião. Que nada comprova que a astrologia funcione, nem há qualquer base lógica para sustentá-la. O Fantástico não fez isso. Ele apenas botou a astrologia numa vitrine de alcance nacional, para um público despreparado para pensar criticamente. Público que lê colunas de previsões no jornal, ao invés de ler uma revista de astronomia. Público que paga caro por consultas e mapas astrais, ao invés de ir ao psiquiatra e ao hospital. Público que é ludibriado por charlatões ao invés de raciocinar. A televisão pode educar e pode criar rebanhos de ignorantes. Podemos trocar de canal ou podemos protestar. Podemos deixar os astrólogos proferindo suas mentiras ou podemos pedir mais ciência e mais pensamento crítico na mídia. A astrologia deve ser constantemente combatida, sem trégua, pois ela sempre será uma praga presente. Uma vez ouvi uma analogia, que dizia que as pseudociências são como um pato de borracha numa banheira. Você o empurra até o fundo da banheira, mas se soltar, ele volta à tona e bóia. Afoguem a astrologia; calem a mídia que apresenta essa pseudociência nociva como uma arte divinatória milenar. O signo de quem acredita em astrologia é o pato.

Leo Vines

Referências:

 
Comentários

Alexssandro Duarte - alexssandro_duar@uol.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 30/09/2001

O artigo deixa claro o que é a astrologia e a falácia que foi o Fantastico naqueles quadros. O mais grave é que eu por exemplo ouvi muitos comentarios favoraveis a astrologia depois dos programas, alguns conhecidos defendiam a "veracidade" do mapa astral já que o astrologo do programa acertou tando. Citei umas duas frases ambiguas que ele falou, mas mesmo assim meus conhecidos não desanimaram.

Luiz Estima - luizestima@ig.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 16/09/2001

O Fantastico deixou claro sua vontade de que quer que o povo acredite em astrologia.
Qualquer teste que o Fantástico faça é duvidoso.
Gostaria que o Fantástico fizesse reportagem com James Randi
Parabéns Leo Vines

José Maria Filardo Bassalo - bassalo@amazon.com.br - Pará Belém/Pará, enviou em 03/09/2001

O comentário está muito bem feito, com um estudo histórico da melhor qualidade. Parabéns.