Libertas Publicado: 19/02/2000
Atualizado: 13/01/2002
A PÁGINA NEGRA DO CRISTIANISMO - 2000 ANOS DE CRIMES, TERROR E REPRESSÃO

de Enrico Riboni


"Acreditar num deus cruel, faz um homem cruel."
Thomas Paine

Prefácio

Há cerca de 2000 anos, nascia na Galiléia um fundador de seita, que acabaria crucificado uns trinta anos mais tarde. Algumas de suas últimas palavras na cruz foram "Dêem-me de beber". E só. A seita que ele tinha fundado tornar-se-ia, com o passar dos anos, a maior de todos os tempos. Ela tomará o poder político dentro do Império Romano, abolirá a liberdade de religião, depois ajuntará montanhas de cadáveres: os seus membros massacrarão milhões de "infiéis", "hereges", "feiticeiras" e outros, depois se matarão entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que ela conheceu. Um passado destes poderia incitar à modéstia, mas os cristãos reivindicam, pelo contrário, o monopólio da ética. Proclamam que adoram o Deus único, que Deus é "amor", e se consideram melhores que o resto da humanidade.

Única ideologia capaz de dividir com o comunismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humana, o cristianismo mantém-se uma ideologia dominante em muitos países ocidentais, como o "gendarme do mundo", os EUA. Chegou a hora de abrir o "Livro Negro do Cristianismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão", que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa ideologia que pretende promover o amor ao próximo.

Ano um

"Os deuses não estavam mais, e Deus não estava ainda."
O Império Romano garantia a liberdade de culto. O ateísmo e a razão dominavam. É nessa época que nasce um sujeito que, segundo dizem certos judeus, perdeu o juízo porque leu o Tora demasiadamente jovem. Ele funda uma seita que visa proibir o culto dos outros deuses, exceto o seu. O sujeito é finalmente morto, mas a seita se expande com o êxito que se conhece.

O culto da personalidade do fundador da seita atinge, nos cristãos, um nível que mesmo o estalinismo não conseguirá igualar: o fundador é proclamado "verdadeiro homem e verdadeiro Deus" ("Deus-Homem", em linguagem comum). Os que duvidam disso são proclamados imediatamente hereges, e sofrerão mais tarde os raios da Inquisição. A partir do século IV da nossa era, começará o assassinato dos não-crentes pelos cristãos.

Anos 50-70

A seita cristã se desenvolve. Textos gregos, escritos por membros da seita fora da Palestina ("Os evangelhos") relatam a vida do fundador: nascido de uma virgem, que se manterá virgem mesmo tendo vários outros filhos, ele terá sarado doentes, mas também amaldiçoa uma figueira que fica instantaneamente seca, e fará precipitar num lago centenas de porcos que lhe não pertenciam.1 Este personagem, que defende os pobres mas também afirma que "aqueles que têm tudo serão louvados, e àqueles que nada têm, o pouco que têm ser-lhe-á retirado", um pouco patético quando amaldiçoa uma figueira ou se deixa crucificar, é declarado a encarnação do "Deus único". O fato de, segundo os evangelhos "canônicos", as suas últimas palavras sobre a cruz terem sido "Dai-me de beber" não parece perturbar os adeptos da seita, que se expande por todo o Império.

A intolerância religiosa dos cristãos, que visam abertamente, desde o início, impor uma interdição aos cultos de deuses que não o seu, o qual eles insistem ser o "único Deus", começa logo a atrair a atenção da justiça romana, que defende a liberdade de culto, a qual é um dos pilares dessa sociedade complexa e multicultural que é o Império Romano dos primeiros séculos da nossa era. A propaganda cristã inverte habilmente a situação. Os condenados pela justiça romana são declarados "mártires" e os seus restos são venerados nas igrejas, inventando-se a lenda de eles terem sido executados por terem "recusado a renegar a fé", desculpa essa bem melhor do que a verdade nua, que mostra que foram condenados por desordem e imposição da intolerância religiosa na sociedade multicultural.

Ano 312

Tomada do poder pelos cristãos. No fim de uma guerra civil, Constantino toma o poder. Pouco depois, ele se converte oficialmente ao Cristianismo, e "autoriza", num primeiro tempo, o culto do deus único cristão, pelo Édito de Milão: é o início da perseguição religiosa na Europa. Pouco a pouco, o culto dos outros deuses, exceto o deus cristão, vai sendo proibido. Os santuários clássicos serão destruídos ou transformados em igrejas cristãs. Ao fim do século IV, não haverá mais nenhum templo pagão em toda a bacia do Mediterrâneo.

Ano de 380

O imperador Teodósio proclama oficialmente o Cristianismo a única "Religião do Estado". Mas ainda será necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos sejam definitivamente proibidos.

Ano de 389

Teófilo, hoje São Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã.

Em seguida e para demonstrar que ele é capaz de perseguir também cristãos (na medida em que eles não sejam 100% ortodoxos), Teófilo comanda pessoalmente as tropas que atacam e destroem os mosteiros que aderiram às idéias de Orígeno, um teólogo cristão que foi declarado herege porque afirmava que Deus era puramente imaterial.

Ano de 389

Pela primeira vez, um chefe cristão dita a um imperador a política a ser seguida: Santo Ambrósio de Milão levanta-se em plena catedral e, com o sentido de caridade tão particular aos cristãos, impõe que o imperador anule a ordem que dera ao bispo de Calinicum, sobre o Eufrates, para que reconstruísse uma sinagoga que ele e a sua congregação tinham destruído. A Igreja toma partido assim, desde o princípio, dos incendiários de sinagogas, posição que continuará a manter até o ano de 1940.

Início dos anos 390

O piedoso imperador cristão Teodósio interdita progressivamente todos os cultos não cristãos. Pouco a pouco, os templos não cristãos são fechados ao culto, as procissões "pagãs" são proibidas. Esta supressão da liberdade de religião, em proveito exclusivo do Cristianismo, causa por vezes revoltas, como a de 408, em Calama, na Numídia. É nessa época que acontecem na Germânia as primeiras execuções de hereges, uma bela tradição que a Igreja desenvolverá com a Inquisição e perpetuará até 1826.

Ano de 391

Uma multidão de cristãos, guiados por Santo Atanásio e São Teófilo, deitam abaixo o templo e a enorme estátua de Serapis, em Alexandria, duas obras-primas da Antigüidade. A coleção de literatura do templo também é igualmente destruída.

Ano de 412

Cirilo, hoje São Cirilo, doutor da Igreja, é nomeado bispo de Alexandria e sucede a seu tio Teófilo. Excita os sentimentos anti-semitas difundidos entre os cristãos da cidade e, à frente de uma multidão de cristãos, incendeia as sinagogas da cidade e faz fugir os judeus. Em seguida, encoraja os cristãos a tomar os bens dos fugitivos, deixados para trás.

Ano de 415

Hepatia, a última grande matemática da Escola de Alexandria, filha de Theon de Alexandria, é assassinada por uma multidão de monges cristãos, incitados por Cirilo, patriarca de Alexandria, que será depois canonizado pela Igreja. O motivo dessa ação foi que a brilhante professora de Matemática, representava uma ameaça para a difusão do cristianismo, pela sua defesa da Ciência e do Neoplatonismo. O fato dela ser mulher, muito bela e carismática, fazia a sua existência ainda mais intolerável aos olhos dos cristãos. A sua morte marcou uma reviravolta: após o seu assassinato, numerosos pesquisadores e filósofos trocaram Alexandria pela Índia e pela Pérsia, e Alexandria deixou de ser o grande centro de ensino das ciências do mundo antigo. Além do mais, a ciência retrocederá no Ocidente e não atingirá de novo um nível comparável ao da Alexandria antiga senão no início da Revolução Industrial. Os trabalhos da Escola de Alexandria sobre Matemática, Física e Astronomia serão preservados, em parte, pelos árabes, persas, indianos e também chineses. O Ocidente, pelo seu lado, mergulha no obscurantismo, do qual começará a sair mais de um milênio depois. Em reconhecimento aos seus méritos de perseguidor da comunidade científica e dos judeus de Alexandria, Cirilo será canonizado e promovido a "Doutor da Igreja", em 1882.

Séculos V a XV

A "Idade Média Cristã". Aproveitando o desaparecimento das grandes bibliotecas romanas e na ausência quase total da atividade editorial na Europa, a igreja obtém, de fato, um monopólio sobre o conjunto da escrita e da informação. O povo é deixado propositadamente na ignorância, a leitura da Bíblia é desencorajada mesmo no caso de se ter acesso a um exemplar. Pouco a pouco, a igreja impõe o seu domínio sobre a sociedade. A Inquisição, o celibato dos padres2, o caráter obrigatório de casamento antes de qualquer relação sexual são todas instituições que datam dessa época. É também nessa época que se desenvolve o que se tornará uma das mais ricas tradições cristãs: queimar pessoas vivas. Cerca de um milhão de "bruxos" serão torrados durante a Idade Média. As cidades concorrerão para tentar bater recordes de quantidade de bruxos queimados por ano. Um recorde imbatido foi estabelecido pela cidade de Bamberg, sede do episcopado, que conseguiu assar 600 feiticeiros num só ano.

Um grande número de membros da Igreja atual ainda lamenta o fim dessa época, quando a Igreja dominava totalmente a vida social. Religiosos (e outros) cristãos lembram com saudade a "espiritualidade" da época, a arte que deu grande ênfase à morte - assunto que sempre apaixonou os cristãos - , e a música envolvente.

Ano de 804

O imperador cristão Carlos Magno converte grande número de saxões, propondo-lhes a seguinte escolha: converterem-se ao catolicismo ou serem decapitados. Vários milhares de cabeças caem, com a bênção da Igreja: os sacerdotes presentes participam da jogada do imperador.

Século IX

Cisma do Oriente. O patriarca de Constantinopla pretende que se utilize o pão com levedura para a Eucaristia. O papa, bispo de Roma, afirma que se deve usar pão sem levedura. Com base neste problema de capital importância, a cristandade se divide, e os dois patriarcas, de Roma e de Constantinopla, excomungam-se mutuamente. O Cisma vai provocar mortes até os anos 90 (guerras nos Bálcãs, ex-Iugoslávia, de católicos contra ortodoxos).

Ano de 1182

Os "pogroms" latinos de Constantinopla. Na cidade do piedoso patriarca que come pão levedado, estabeleceu-se, desde o início de século XII, uma colônia de mercadores "latinos", essencialmente originários de Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi. Mas essas pessoas têm tudo para desagradar aos prelados ortodoxos: além de utilizarem o pão sem levedura para a Eucaristia, fazem o sinal da cruz no sentido errado, da esquerda para a direita e não da direita para a esquerda! Os popes excitam a populaça e enfim, nos dias radiosos de maio de 1182, a multidão guiada pelos popes pegam os latinos: vários milhares deles, homens, mulheres e crianças são trucidados.

Séculos XI e XII

Em face do crescimento da população da Europa, a Igreja propõe um método de controle populacional "natural": as Cruzadas. O apelo às Cruzadas foi lançado em 1095. Em 1099, Jerusalém é "libertada": logo que as tropas cruzadas entraram na cidade, o governador muçulmano rendeu-se sob a promessa da população civil ser poupada. Claro, a totalidade da população (que compreende essencialmente judeus e muçulmanos) é passada pelas armas nas horas seguintes, mas com o cuidado de antes violentar todas as mulheres e decapitar as crianças. Estima-se em 70.000 o número de civis massacrados. A última fase do massacre passa-se nas sinagogas e mesquitas da cidade, onde os habitantes aterrorizados se refugiaram: pensam que o caráter religioso dos locais possam inspirar os piedosos cruzados à clemência. Nada disso acontece: os cruzados entram e transformam os locais de culto em vastas carnificinas. O massacre de milhares de civis amontoados na grande mesquita da esplanada do templo dura várias horas. "Tudo o que respira" na cidade foi morto, informam com orgulho os comandantes dos cruzados.

Ano de 1204

A 4a Cruzada fez uma parada em Constantinopla, na época a maior cidade cristã. Mas os cristãos sabem fazer entre eles o que fazem aos outros: durante três dias, Constantinopla foi posta a saque, com uma orgia de violências indescritíveis.

Anos de 1208 a 1244

Cruzada dos Albigenses: por iniciativa do Papa Inocêncio III, uma Cruzada é preparada.
Em 1209, como alguns "hereges" se haviam misturado com a população de Beziers, o duque Simon de Monfort deu uma ordem que lhe assegurou a posteridade: "Matem-nos todos, Deus reconhecerá os seus". Toda a população, homens, mulheres e crianças são passados pelas armas. A Provence e a região de Toulouse ficam muito despovoadas após essa guerra, que é dirigida contra a população civil com uma ferocidade sem precedentes desde as invasões bárbaras.

Anos de 1226 a 1270

Luís IX, rei da França. Finalmente um católico, de reputação piedosa e íntegra, acede à coroa da França. A Igreja o canoniza em 1290, em reconhecimento a seus méritos que ninguém duvida serem excepcionais. De fato, durante o seu reinado, São Luís lança duas Cruzadas, que terminam ambas de modo catastrófico: pouco importa, é a intenção (de matar e de pilhar) que conta, aos olhos da misericordiosa Igreja Católica! No plano interno, São Luís3 faz com que a justiça puna de modo sistemático os blasfemadores: são postos nos pelourinhos e têm as suas línguas atravessadas por ferros em brasa.

Ano de 1231

Fundação da Inquisição. O Santo Ofício, durante toda a sua história, queimou mais de um milhão de pessoas, essencialmente hereges, judeus e muçulmanos convertidos e também os "bruxos". A última feiticeira será queimada em 1788. O último "herege" chegará à sua vez em 1826. A Inquisição e os seus imitadores protestantes queimam também médicos e cientistas, desde que haja uma oportunidade.

A Igreja nunca se arrependeu dos atos da Inquisição e até garantiu a continuidade histórica da instituição até os nossos dias, limitando-se apenas a mudar-lhe o nome: será necessário esperar que Pio X, em 1906, faça com que o "Santo Ofício da Inquisição" seja renomeado como "Santo Ofício", e, em 1965, seja rebatizado como "Congregação para a doutrina da fé". Enfim, em 1997, o papa abre os arquivos do Santo Ofício, e historiadores escolhidos a dedo, são autorizados a fazer pesquisas. As estimativas do número total de vítimas da Inquisição são então revistas, havendo um consenso que roda hoje em torno de um milhão de pessoas executadas, ao qual é necessário acrescentar as inúmeras pessoas torturadas e com todos os seus bens apreendidos.

Ano de 1251

O Papa Inocêncio IV autoriza, enfim, a Inquisição a praticar a tortura. A obtenção das confissões de culpa é grandemente facilitada. A Inquisição pode aplicar, com base em confissões arrancadas através de tortura, penas indo de uma simples oração ou dum jejum até à confiscação dos bens e mesmo prisão perpétua. Mas ela não pode condenar à morte. Com a sutileza característica da Igreja Católica, a Inquisição podia "passar" um herege para a justiça comum, que o levará à morte na fogueira, com base na confissão obtida pela Igreja, mesmo com tortura. Essa sutilidade permitirá à Igreja afirmar que ela nunca matou ninguém...

Anos 1347 a 1354

Em toda a Europa reina a Morte Negra, a primeira grande epidemia de peste no continente. Os prelados católicos logo descobriram os culpados: os judeus teriam envenenado os poços de água. Esse boato espalha-se por toda a Europa e inúmeros "pogroms" acontecem. Na Alemanha, contam-se 350 comunidades judias totalmente destruídas pelos "pogroms", nesse período. Na Itália, em Milão, as autoridades civis e eclesiásticas, depois de terem executado no braseiro os "untori" judeus, inauguraram uma coluna comemorativa para lembrar o seu feito. Essa coluna passou à História com o nome de "Coluna Infame", quando, no século XIX , o romancista Manzoni teve, em primeira mão, a coragem de denunciar esse monumento à perversão religiosa.

Ano de 1483

Tomás de Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela. Esse monge dominicano4 faz uma ampla utilização da tortura e da confiscação dos bens das vítimas. Estima-se em 20.000 o número de pessoas queimadas durante o seu mandato.

Ano de 1487

Dois monges dominicanos alemães, James Sprenger e Heinrich Kramer publicam o "Malleus Maleficarum": trata-se dum espesso volume de 400 páginas que é um guia (claro que aprovado pela hierarquia católica) de caça às bruxas. Lá pode-se aprender a identificá-las (por exemplo, se uma mulher acariciar um gato preto e a centenas de metros alguém se sentir mal, etc.), a torturá-las para fazê-las confessar, e como os inquisidores podem absolver-se mutuamente, depois de uma sessão de tortura. A obra afirma também que negar a existência da feitiçaria é uma heresia muito grave, passível de morte na fogueira. Durante dois séculos e meio, na Alemanha, depois da publicação do Malleus Maleficarum, negar a bruxaria podia levar ao braseiro. O manual foi um "best-seller"...

Ano de 1492

O rei "muito católico" e a rainha "muito católica" (títulos dados pelo papa em pessoa!) da Espanha expulsam os judeus. Eles podem escolher a conversão, para então poderem ser justiçados pela Inquisição (que queimará grande número deles) ou partir. Mais de 160.000 judeus saíram da Espanha. A hierarquia católica não fica indiferente a essa medida, de uma crueldade assustadora: ela aprova a medida, e o papa encoraja os outros soberanos europeus a se inspirarem no exemplo espanhol. Em toda a Europa, os padres católicos se mobilizam para obrigar os governos a proibir a entrada dos judeus expulsos.

Os judeus que escolheram a conversão são perseguidos pela Inquisição com uma impressionante determinação: até o século XVIII, far-se-á o "teste da banha de porco" com os judeus convertidos e seus descendentes: uma salada com pedaços de carne e banha de porco é apresentada ao "convertido". Se for notado que ele não comeu a carne suína, será queimado como "falso convertido". Esse método será também aplicado aos muçulmanos e seus descendentes.

Se a expulsão dos judeus da Espanha foi a maior do gênero registrada na História, não foi a primeira. Na França, os prelados católicos tinham já conseguido a expulsão dos judeus em 1306, e que foi logo revogada, antes de ser confirmada em 1394. A Inglaterra já tinha procedido à expulsão em 1290. Em 1496, Portugal imita o seu poderoso vizinho, expulsando também os judeus.

Ano de 1493

O primeiro índio da América no paraíso. Quando Cristóvão Colombo, que teve o cuidado de levar um monge nas bagagens, chega à América, ele encontra os índios que ele descreverá como gente amigável e solícita. Prende 12 deles e os leva para a Espanha. À chegada, um deles fica doente: antes da sua morte, é batizado rapidamente, o que permite a corte dos muito católicos reis exultar, porque um indígena do Novo Mundo acabava de entrar no paraíso cristão. Esta triste história marcará o início da trágica cristianização dos índios americanos, onde os episódios dos redutos do Paraguai e as perseguições aos índios Pueblo serão alguns dos mais trágicos.

Ano de 1499

Acontece neste ano o maior "auto da fé" que a História registra. Em um só auto de fé, o inquisidor Diego Rodrigues Lucero queima vivos nada menos que 107 judeus convertidos ao cristianismo, em Córdova.

Século XVI

O drama dos castrados. A Igreja, que tinha proibido que mulheres cantassem no coral das igrejas, enfrenta um problema trágico: como não torturar os ouvidos dos piedosos prelados de Cristo, privando-os das vozes sopranas, tão importantes nos coros para louvar o amor a Deus? Uma solução bárbara é encontrada: castrar jovens meninos cuja voz tenha sido considerada bela. Nos corais da Santa Igreja Católica não faltarão assim nunca os sopranos e contraltos...

Esta prática bárbara só terminará em 1878, por ordem do Papa Leão XIII. Mas é mantida ainda durante o século XIX, ao ponto de Rossini, quando ele compôs a "Pequena Missa Solene", escrever, com naturalidade, que serão suficientes, para executá-la, "um piano e uma dúzia de cantores dos três sexos, homens, mulheres e castrados".

Ano de 1506

"Pogrom" de Lisboa: 3000 judeus são trucidados pelos piedosos católicos, incitados pelos prelados.

Século XVI

Júlio II della Rovere, papa. Hábil chefe militar, ele veste uma armadura durante a missa, quando um monge insolente lhe diz que o traje não é conveniente. "Quando se trata de conquistar terras, Deus não faz questão do traje, mas da fé do seu servidor", responde-lhe, passando assim à História. Deus lhe permitiu, de fato, conquistar a cidade de Bolonha, que foi, como deveria, posta a saque.

Ano de 1521

Inspirado pelo Espírito Santo, que aparentemente não tinha o que fazer, um monge alemão, Martin Luther, traduz do latim o "Novo Testamento", em algumas semanas. O Diabo acaba de o tentar: Lutero não encontra coisa melhor a fazer do que lançar sobre ele um tinteiro, que suja a parede. Essa mancha está religiosamente preservada para os turistas do castelo de Wartburg.

O acontecimento pareceria insignificante. Mas não é, pois ele inaugura o maior cisma da cristandade: durante os séculos seguintes, os cristãos vão-se massacrar mutuamente ainda com mais entusiasmo do que quando eles matavam e queimavam os não-cristãos, os hereges, as bruxas, os judeus e muçulmanos convertidos etc.

Lutero escreverá e dirá diversas vezes que era necessário queimar as sinagogas e escorraçar os judeus das cidades: ele se situa assim dentro da tradição dos pais da Igreja Católica, e que será mantida até o século XIX pela Inquisição e depois, no século XX, pelos camisas castanhas (seguidores de Mussolini).

Ano de 1527

Saque de Roma. Os soldados protestantes massacram a totalidade da população de Roma, umas 40.000 almas, e pilham a cidade. O papa é salvo pelos guardas suíços. Ele se fecha com eles no Castelo de Santo Ângelo, enquanto a população é massacrada. Ele passou um grande medo. Os suíços ganham assim uma fama profissional no estrangeiro, o que se perpetua até hoje.

Ano de 1553

Calvino, que condena os excessos da Igreja Católica, faz decapitar o livre-pensador e médico Michel Servet, que havia descoberto a circulação sanguínea. Esse é somente um dos 15 hereges que o reformador fez executar durante a sua ditadura sobre Genebra.

Calvino tem um papel muito ativo na prisão e depois na condenação à morte de Michel Servet. Primeiro, ele troca correspondência com ele, e depois que o médico, fugindo da Inquisição, chega a Genebra, manda-o prender. Calvino havia dito a seu amigo, o reformador Farel, que, se Servet entrasse em Genebra, de lá não sairia vivo. Ele manteve a sua promessa e interveio pessoalmente no julgamento pedindo a sua execução. A única clemência dada a Servet foi a de decapitá-lo em vez de queimá-lo vivo.

Ano de 1571

A invenção da imprensa permite que um número crescente de pessoas se informe. A Igreja reage criando o Index (Index Additus Librorum Prohibitorum): essa instituição editava regularmente a lista dos livros proibidos. A última edição do Index foi publicada em 1961.

Anos de 1566 a 1572

Pio V, papa. Este santo da igreja católica vangloria-se publicamente diversas vezes de ter, durante a sua carreira de inquisidor, colocado fogo com suas próprias mãos em mais de 100 fogueiras de hereges que ele mesmo acusara, confundira e condenara.

Publica também uma nova edição do catecismo oficial da igreja, no qual o amor ao próximo e a misericórdia ocupam um lugar importante.

Anos de 1547 a 1593

Guerras de religião na França. As sub-seitas cristãs entregam-se a uma guerra civil sem perdão, interrompida por diversas pazes e tréguas temporárias. Durante uma delas, ocorreu o massacre de 20.000 protestantes, homens, mulheres e crianças, em uma só noite, a tristemente célebre Noite de São Bartolomeu (1572).

Fim do século XVI até ao início do século XVIII

Conversão forçada dos índios Pueblo. Subindo pela costa do golfo do México, os exploradores espanhóis, sempre acompanhados de monges e padres, entram em contato com a tribo dos Pueblo, no território que hoje pertence ao estado americano do Novo México: diferentes dos índios nômades das planícies do Norte e de outros indígenas mais combativos que os espanhóis encontraram no México e na América do Sul, os índios Pueblo vivem em aldeias (los pueblos) de casas de tijolos com 2 ou 3 andares, são pacíficos e praticam a agricultura. Seguem uma religião na qual se venera o "Pai do Céu" e a "Terra Mãe", temem os demônios (os Skinnwalkers) que andam pela crista das montanhas ao pôr do sol, veneram os corvos como reencarnação dos seus antepassados. Eles têm também um rico templo de deuses semelhantes aos dos gregos, sendo o seu deus principal a mulher-aranha. As cerimônias são celebradas em pequenas igrejas familiares, as Kivas. Estes pacíficos agricultores logo se tornam o objeto das atenções dos padres espanhóis, impacientes por substituir o culto ao Pai Céu e à Mãe Terra por aquele de cujo deus se bebe o sangue durante as cerimônias: os pajés índios são acusados de bruxaria e executados. As Kivas são destruídas pelos militares hispânicos. Os cultos religiosos tradicionais são proibidos, sob pena de mutilação. Índios surpreendidos a celebrar uma cerimônia tradicional terão um braço ou um pé cortados. Apesar disso tudo, alguns índios continuarão a fazer os seus cultos, em segredo e à noite. Os padres católicos usarão esse fato nos seus sermões e que os índios ainda hoje citam com amargura: os padres diziam que a religião dos índios era a das trevas, pois era sempre à noite, enquanto que o cristianismo era a religião da luz, pois se come a carne e se bebe o sangue do deus cristão em pleno dia... Diversas revoltas sangrentas pontuam a cristianização dos Pueblo. Essa perseguição religiosa só cessará depois da anexação do território pelos EUA, em 1847.

Ano de 1600

Giordano Bruno é queimado vivo em Roma, condenado por heresia. Ele havia ousado definir o Universo como infinito e admitido a hipótese da existência de formas de vida fora da Terra. Era demais para a Igreja. Depois de 8 anos de processo, durante o qual lhe são arrancadas confissões, sob tortura, ele é condenado à morte como "herege obstinado e ímpio". Ele se defende tentando mostrar que as suas idéias não estão em contradição com as doutrinas cristãs, mas em vão. Ele foi queimado vivo, em público, em Roma, no Campo dei Fiori. Tiveram o cuidado de lhe cortar a língua antes de o enviar ao local da execução, para evitar todo o risco de que as suas palavras não emocionassem a multidão que veio assistir ao espetáculo. O seu principal acusador, o cardeal Bellarmino, será mais tarde canonizado e, em 1930, proclamado "Doutor da Igreja".

É interessante notar que, se, no caso de Galileu, a Igreja Católica expressou o seu arrependimento no fim do século XX, com a sua reabilitação em 1992, nunca se arrependerá da execução de Bruno. Pelo contrário, ela se opôs com veemência à instalação de uma estátua de Giordano Bruno, em 1889. Em 1929, o papa pediu a Mussolini que destruísse essa estátua, antes de canonizar e depois nomear "Doutor da igreja" o cardeal Roberto Bellarmino, acusador de Giordano Bruno.

Ano de 1609

Expulsão dos mouros da Espanha. Depois da expulsão dos judeus da Espanha, a Inquisição se aborrecia um pouco nesse belo país. Lança então a caça aos "morescos", os árabes convertidos ao cristianismo. Há a suspeita de serem falsos convertidos e são executados todos os que se recusam a beber vinho ou comer carne de porco, ou que sejam limpos demais. Com efeito, o Islamismo, contrariamente ao Cristianismo, prescreve lavagens periódicas. A higiene nunca foi tão perigosa como no século XVI na Espanha! Enfim, em 1609, temendo talvez ter deixado passar alguns falsos convertidos, a Inquisição consegue do rei a expulsão dos "morescos" para o Norte da África. O número dos expulsos é mal conhecido: as estimativas variam entre 300.000 e 3.000.000. Os expulsos chegam a terras islâmicas, onde o Corão prevê a pena de morte para os que renegaram Maomé...

Ano de 1633

Processo de Galileu. Por ter duvidado da teoria geocêntrica de Ptolomeu (que diga-se de passagem não era cristão), Galileo Galilei é obrigado a se retratar: são-lhe mostrados os instrumentos de tortura que seriam usados se ele insistisse. O processo de Galileu só foi reaberto para revisão pelo Papa João Paulo II, e Galileu é reabilitado em 1992.

As suas obras já tinham sido colocadas no Index em 1616. Passará o resto da sua vida confinado na sua casa (prisão domiciliar). Foi a sua reputação internacional de cientista que lhe evitou consequências mais graves.

Anos de 1618 a 1648

Guerra dos 30 anos. Os muito católicos reis de Habsbourg forçam a conversão dos seus súditos protestantes da Boêmia, iniciando a maior guerra que o continente europeu conheceu. A população da Alemanha é reduzida à metade. Numerosas cidades são devastadas. Epidemias de peste assolam toda a Europa Central, desde a Lombardia até a Prússia.

Trata-se realmente de uma guerra religiosa, embora as igrejas tenham tentado fazer crer que se tratava de um conflito político: a guerra iniciou-se por conflitos religiosos e pela ação de reis estrangeiros, como Gustavo II da Suécia, que intervieram por razões de convicção religiosa. O caso de Gustavo II é particularmente significativo, pois obrigava os seus soldados a cantar canções religiosas todas as noites, embora eles fossem uns terríveis saqueadores. O exército sueco ganhou o título de "Schrecken des Krieges", pela população alemã, que teme a pilhagem dos suecos ainda mais do que as feitas pelos exércitos dos Habsbourg.

Segunda metade do séc. XVIII

O assunto das reduções do Paraguai. Este caso é particularmente interessante, pois aqui os católicos se massacram e se excomungam entre eles. Os jesuítas haviam estabelecido no Paraguai um pequeno império particular feito de reduções (redutos), ou seja, pequenas aldeias fortificadas na floresta, onde viviam os índios convertidos ao Cristianismo, mas uma correção das fronteiras coloca alguns desses redutos em território português. Ora, Portugal, país católico e cristão, mantém na época a tradição da escravatura: os portugueses pensam então roubar aos jesuítas os índios para depois vendê-los como escravos.

O papa intervém, excomunga os jesuítas das reduções. Depois, um exército, com os canhões e espadas benzidas pelos padres de serviço, ataca as reduções, massacra os jesuítas e toma os índios como escravos. Um "Te Deum" solene celebra a vitória, como deve.

Pouco depois, o papa interdita a Ordem dos Jesuítas, culpada de ser muito inteligente e racional, e sobretudo de não ter servido com lealdade à família de Bourbon, reis da França e da Espanha, monarcas absolutos e grandes amigos da Igreja Católica.

Ano de 1766

Em pleno século das luzes, um jovem de 19 anos, o Cavaleiro de la Barre, passa "a vinte passos de uma procissão, sem tirar o chapéu". É preso e torturado. Finalmente é decapitado depois de lhe terem cortado a língua. O seu corpo é depois colocado sobre uma fogueira e queimado junto com um exemplar do Dicionário Filosófico de Voltaire, diante de uma multidão entusiasmada.

Ano de 1788

No Cantão de Glaris, na Suíça, a última bruxa foi queimada.

Esta execução da Inquisição não foi a última, e continuará queimando hereges até 1826.

Ano de 1793

Kant, professor de Filosofia em Königsberg e estrela internacional da filosofia moderna, depois da publicação da "Crítica da Razão Pura", publica "A Religião nos Limites da Razão", onde ele coloca as doutrinas cristãs à prova do raciocínio e do "imperativo categórico". É demais para os piedosos reis da Prússia, que, empurrados pelos prelados protestantes, intervêm, e Kant é forçado a retratar-se publicamente, sob pena de perder imediatamente o seu posto na Universidade de Königsberg. Todos os professores universitários são obrigados a assinar, sob pena de dispensa imediata, um documento onde prometem não citar os ensinamentos de Kant com relação à religião. Como no caso de Galileu, a fama internacional de Kant o salva de consequências mais severas. Kant ainda pensa em se exilar, mas, neste fim de século, há poucos céus clementes para pensadores que ousaram criticar aspectos da ideologia cristã. Assim acabará os seus dias em Königsberg.

Ano de 1826

O último herege é queimado vivo, pela Inquisição espanhola. Uma rica tradição cristã termina. Daí para a frente, a Igreja recorrerá a meios mais sutis para matar, como proibir a assistência a mulheres que devem abortar, sabotando o planejamento familiar nos países pobres, proibindo os preservativos como modo de lutar contra a AIDS etc.

Ano de 1847

Guerra do Sonderbund. A Suíça é dilacerada por uma guerra religiosa. Os cantões católicos, cujos governos estão muito influenciados pelos conselheiros jesuítas, fundam uma aliança militar - o Sonderbund -, que exige a anexação aos cantões católicos de regiões majoritariamente protestantes. Chamam os monarcas católicos da Áustria em seu auxílio, depois iniciam as hostilidades. Somente uma vitória rápida das tropas federais/protestantes permitiu evitar uma intervenção austríaca, que levaria a um conflito de extensão européia.

Os protestantes, por seu lado, encetam uma feroz "caça aos católicos", nos campos de Genebra.

Os jesuítas, considerados responsáveis pela guerra, são expulsos da Suíça, e essa expulsão valerá até 1970.

Ano de 1848

A população de Roma revolta-se contra a ditadura papal. O papa é expulso. Volta ao poder em 1849, devido à ação das tropas francesas enviadas por Luís Napoleão Bonaparte, presidente da república francesa. Os opositores são fuzilados. O Estado da Igreja volta a ser uma monarquia absoluta, cujo soberano é o papa.

Ano de 1871

O papa excomunga todo aquele que participar de qualquer eleição do Estado italiano, que é classificado como "diabólico", porque retirou aos papas o seu poder temporal. Essa sentença de excomunhão automática não impedirá o papa de abençoar, alguns anos depois, a fundação do "Partito Popolare", de inspiração católica e fundado por um padre.

Ano de 1881

Os "pogroms" russos começam. Incitados pelos prelados ortodoxos, que difundiram um boato que o czar Alexandre II teria sido assassinado por um judeu, multidões se juntam em mais de 200 cidades russas e destroem os bens dos judeus. Os "pogroms" tornar-se-ão comuns na piedosa Rússia czarista, sobretudo entre 1908 e 1917. O mais violento deles ocorreu em Kishinev, em 1913: as autoridades civis e religiosas da cidade incitam a multidão, que ataca violentamente os judeus. Durante dois dias, a multidão mata 45 judeus, fere 600 e pilha 1500 casas. Claro que os responsáveis (popes e políticos) nunca serão incomodados pela justiça.

Ano de 1889

Em uma Roma livre do jugo papal, no dia 9 de junho, é inaugurada a estátua de Giordano Bruno, no Campo das Flores. O Papa Leão XIII, sofredor, passará o dia todo de jejum aos pés da estátua de São Pedro. A imprensa católica dispara: fala de "orgia satânica", descrevendo a manifestação da inauguração, o "triunfo da sinagoga, dos arquibandidos da Maçonaria, dos chefes do liberalismo demagógico", "o máximo da ignorância e da malignidade anticlerical".

Anos de 1918 a 1945

Os anos do compromisso. A Igreja Católica apóia ativamente o crescimento dos totalitarismos na Europa. Na Áustria, o seu apoio ao austro-fascismo é total. Na Itália, ela assina com o regime fascista uma concordata que faz do catolicismo a religião do Estado: os italianos podem de novo votar sem serem excomungados. Pena que isso de pouco sirva em período de ditadura. A Igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações: todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini fazer com que a AC não se deixe tentar por ações antifascistas.

Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita "Patti Lateranensi", é qualificado pelo papa como "o homem da Providência". Em 1932, o ditador recebe, das mãos do papa, a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano.

Essa bela harmonia vai resistir mesmo ao momento de tensão causado pela estátua de Giordano Bruno. O papa aproveita a concordata para pedir ao seu amigo ditador que destrua a estátua erigida em 1889. O ditador, que tem um filho com o nome de Bruno, toma a defesa do livre-pensador e declara à Câmara de Deputados: "A estátua de Giordano Bruno, melancólica como o destino desse monge, ficará onde ela está. Tenho a impressão que seria se encarniçar contra esse filósofo que, se equivocado, persistiu no erro, no entanto já pagou". Para mostrar que não se arrepende de nada, a Igreja canoniza então Roberto Bellarmino, o acusador de Giordano Bruno, nomeando-o "Doutor da Igreja".

Na Alemanha, em janeiro de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (Pralat Kaas), vota plenos poderes para Hitler: este último pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o bom prelado aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão dos deputados comunistas antes da votação. Depois a Igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha: nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade, ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação da hierarquia católica, deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único.

Hitler declara-se católico no "Mein Kampf", o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um "instrumento de Deus". A Igreja Católica nunca colocou no seu Index o "Mein Kampf", mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que o programa anti-semita do futuro chanceler não desagradava à Igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs, e reintroduzindo a frase "Gott mit uns" (Deus está conosco) nos uniformes do Exército alemão.

Em 1938, as SS e SA organizam a "Noite de Cristal": com trajes civis, os milicianos nazistas atacam sinagogas e lojas pertencentes a judeus. A população alemã está horrorizada e aterrorizada. O bispo de Freiburg, monsenhor Gröber, declara então, em resposta às perguntas sobre as leis racistas e os "pogroms" da Noite de Cristal: "Não podemos recusar a ninguém o direito de salvaguardar a pureza da sua raça e de elaborar medidas necessárias a esse fim".

Na Espanha, um general tenta um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A Igreja o apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa "Te Deum" pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo. A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica.

Na França, a Igreja declara, desde 1940, que "Petain é a França": ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do Estado francês às Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Vaticano estava ciente do extermínio dos judeus pelos nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público, mas que finalmente se absteve, essencialmente pela sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria "pior". No entanto, ele chorou em 1942, junto às ruínas de Roma, bombardeada pelos Aliados. Também ele se esquece de mencionar que o seu aliado político Mussolini tinha solicitado a Hitler para ter "a honra de participar dos bombardeamentos sobre Londres". É verdade que o papa não habitava em Londres...

Ano de 1948

O papa declara que todo aquele que votar nos comunistas ou que ajudar esse partido de qualquer maneira será automaticamente excomungado. Essa medida divide as famílias, provoca exclusões socialmente intoleráveis para muitos e obriga à clandestinidade de numerosos comunistas nas zonas rurais.

Os curas italianos apressaram-se a traduzir essa decisão em fatos, e pedem que as suas ovelhas votem no grande partido anticomunista (DC - Democrazia Cristiana). O partido DC vai-se afundar logo em seguida na corrupção generalizada nos anos 90.

Ano de 1961

Última edição do Index (Index Additus Librorum Prohibitorum), que cita, como autores cujas obras são proibidas de leitura pelos católicos, dentre outros: Jean-Paul Sartre, Alberto Moravia, André Gide.

Anos 80

Depois de um período de aparente liberalização, o Papa João Paulo II chega à cabeça da maior seita do mundo e rende-se às mais terríveis tradições da Igreja.

A sua condenação do preservativo, como modo de luta contra a AIDS, provoca um grande número de mortos, difícil de estimar. Pratica uma política ativa de sabotagem às medidas de controle da natalidade no Terceiro Mundo. As consequências são difíceis de contabilizar, mas podem-se medir em termos de fome, miséria, criminalidade e falta de assistência médica nos continentes mais pobres - América do Sul e África.
Na sua caça aos hereges, o papa suspende "A divinis", dois teólogos alemães que tinham ousado duvidar, um, da infalibilidade papal e, outro, da imaculada concepção de Maria.5

Anos 90: guerras de religião na Iugoslávia

A Iugoslávia era, nos anos 80, uma das terras favoritas para férias balneares dos europeus. A publicidade iugoslava da época vendia o caráter multi-religioso do país como um argumento turístico, pois se podia ver, em Mostar e em outras belas cidades, as mesquitas e as igrejas lado a lado. Mas o país se afundou em uma série de guerras civis que se querem descrever como guerras "étnicas", quando, na verdade, se trata de guerras religiosas. O caso da guerra da Croácia é o mais flagrante. Sérvios e croatas têm a mesma origem étnica e até a mesma língua, o croata-servo. O mais irônico é que o croata-servo (servo-croata, escrito em caracteres latinos) é hoje a língua oficial dos soldados do exército iugoslavo que combateu em Kosovo contra a OTAN, depois de ter lutado contra os croatas no início dos anos 90. Mas a religião separa os croatas dos sérvios: os croatas foram cristianizados por Roma e são católicos. Os sérvios foram cristianizados pelos bizantinos e são ortodoxos. Quando Milosevitch começa a agitar o espectro da "Grande Sérvia", a Croácia declara a independência. Imediatamente o Vaticano e a R. F. da Alemanha, cujo chanceler se declarava um católico convicto, reconhecem a Croácia católica como estado independente. O Vaticano mandou para todo o mundo anúncios para que os países reconhecessem o novo Estado católico. O papa multiplica os apelos, as preces e as missas pela independência da Croácia. Durante esse tempo, o ditador croata, antigo oficial superior do regime comunista e também católico praticante, deu férias para todos os seus funcionários ortodoxos, isto é, sérvios. Depois escolheu como bandeira nacional a antiga insígnia dos Oustachis, que, entre 1940 e 44, tinham praticado um genocídio de cerca de 600.000 sérvios. A guerra civil iniciou-se.

Finalmente termina essa guerra, e o papa beatifica o cardeal Stepinac, que havia qualificado Ante Palevitc, o ditador Oustachi durante a ocupação de 1940/44, de "dom de Deus" para a Croácia e o havia apoiado ativamente.

A guerra da Iugoslávia continuou depois na Bósnia, onde os membros dos três grupos religiosos (ortodoxos, muçulmanos e católicos) se enfrentaram em uma série de combates triangulares, tendo a população civil como a principal vítima. Depois a guerra passou para o Kosovo, província agrícola sem interesse estratégico, e todos sabemos o que se passou.

As guerras da Iugoslávia são um caso emblemático da catastrófica intolerância que é típica das religiões "reveladas": as comunidades religiosas se enfrentam, neste final de século, em nome de religiões que elas receberam dos acasos da expansão dos diversos impérios (Romano, Bizantino e Otomano) desde a Idade Média.

Notas do Tradutor

1 - Que falta de conhecimentos sanitários! Voltar

2 - Para evitar problemas de herança, dos bens da Igreja. Voltar

3 - ...do Maranhão, é esse mesmo! Voltar

4 - Dominicanos e franciscanos dominavam a Inquisição. Voltar

5 - No Brasil também interditou e puniu diversos padres mais ousados, como Leonardo Boff. Voltar

Comentários

Nilton Santos de Paiva - niltonsantoshp@bol.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 10/06/2001

Como colocar o comunismo (que nuca chegou a existir) no mesmo patamar do nazismo. A extrema esquerda com a extrema direita. O sistema que pretende a igualdade de todos, que o trabalhador seja igual o patrao, esta sendo comparado ao sistema que mata os que nao sao da raca ariana...
So essa frase, coloca todo este texto como contraditorio, burro e mentiroso. Nao posso aceitar coisas como essa, como um site desta qualidade tem um texto assim???

Julio Cesar Carrasco - jcccarrasco@ig.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 11/05/2001

Um comentário à extensa carta de Assis Carvalho:
Acredito que a vida de Jesus não é importante para a existência da religião cristã pois se ele não tivesse existido, outro apareceria pois os povos da época estavam famintos por um messias.
Da mesma forma se Hitler não tivesse nascido, o holocausto surgiria do mesmo jeito, fruto do contexto histórico da Alemanha daquela época.

Assis Carvalho - assiscarvalho@uol.com.br - Natal/RN, enviou em 01/05/2001

Uma fonte de pesquisa excelente.

Seguem algumas evidencias pelas quais muitos acreditam que Jesus não morreu crucificado.

“Jesus estava consciente do descrito na Lei, por isso orou fervorosamente para Deus, pedindo sua salvação.

Era necessário que ele escapasse da morte na cruz, pois estava declarado no Livro Sagrado que qualquer um que fosse pendurado na madeira estava amaldiçoado. É uma crueldade e injusta blasfêmia atribuir uma maldição a uma pessoa eminente como Jesus, o Messias, pois de acordo com a visão assentida de todos que conhecem a língua, a maldição ou “lanat” refere-se ao estado do coração do indivíduo. Podemos dizer que o coração de Jesus estava realmente muito distante de Deus? Então, como podemos dizer que ele foi esquecido por Deus, amaldiçoado? Conforme a Bíblia, Jesus afirma ser o amado Filho de Deus. Então, como, apesar desta relação sagrada, pode ser atribuída uma maldição a Jesus? Consequentemente, não há dúvidas de que Jesus não morreu crucificado, pois sua personalidade não merece as conseqüências subjacentes da morte na cruz (Mirza Ghulam Ahmad - Tratado Sobre os Anjos Perdidos).

Enquanto isso, Nicodemos saiu à procura de José de Arimatéia e outros amigos essênios para informá-los sobre o perigo que Jesus corria. Enquanto os fariseus queriam matar Jesus o quanto antes, os essênios decidiram salvá-lo da maldição.

Tudo foi devidamente preparado pelos essênios para que Jesus não morresse crucificado. Ele foi pendurado numa cruz especialmente construída, com uma proteção nos pés para que Ele pudesse descansar enquanto estava sendo amarrado; ele tomou a Toska, bebida feita de vinho azedo e verme de madeira, e ficou inconsciente. Como havia sido previamente combinado que Jesus seria poupado da clava, objeto que lhe quebrariam as pernas (o mesmo não aconteceu com os ladrões, que morreram por insuficiência de circulação sanguínea), no entanto, o Mestre teve sua costela perfurada por uma lança de um soldado. Naquele momento, quando sangue e água jorraram do ferimento, uma névoa avermelhada cobriu o Mar Morto, os picos das montanhas tremeram violentamente, e a Terra foi tomada por uma grande escuridão. A natureza comemorava a vida de Jesus, não a morte; pois, se ele estivesse morto, o sangue não teria jorrado de seu corpo (Livro de Heresias - autor desconhecido).

Eis o que escreveu Kurt Berna - Jesus nicht am Krueuz Gestorben - Jesus não Morreu na Cruz).

Do ponto de vista médico, foi provado que o corpo envolvido com o Sudário não estava morto, pois o coração estava batendo. Os traços dos fluidos sanguíneos, sua posição e natureza são a prova científica de que a tão falada execução não estava legalmente completa.

Evangelho de João, 19, 38:

“E depois disto José de Arimatéia (pois que era um discípulo de Jesus, ainda que oculto por medo dos judeus) rogou a Pilatos que o deixasse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu”.

Como só havia decorrido três horas após a crucificação, Pilatos quis saber se Jesus estava realmente morto. Ele chamou um de seus guardas que o informou que Jesus já tinha falecido. Pilatos então ordenou que o corpo fosse entregue a José de Arimatéia.

Eis a versão dos essênios:

Dois dos nossos irmãos, influentes e experientes, usaram todo seu prestígio com Pilatos e com o Conselho dos Judeus em nome de Jesus, mas seus esforços foram frustrados, pois o próprio Jesus afirmou que deveria ser permitido a ele sofrer a morte por sua fé e deste modo cumprir a Lei; porque, como você sabe, morrer pela verdade e virtude é o maior sacrifício. Então, agora aconteceu que, depois do terremoto, quando muitas pessoas tinham partido, José e Nicodemos chegaram ao local onde estava a cruz. Lamentaram ruidosamente o destino de Jesus, embora parecesse estranho que ele tivesse morrido estando pendurado menos de sete horas. Eles não podiam acreditar e foram ansiosamente até o local. José e Nicodemos examinaram o corpo de Jesus... e Nicodemos, bastante comovido, chamou José de lado e disse-lhe: “Tão certo como é meu conhecimento sobre a vida e natureza, certamente é possível salvá-lo”.
Depois disso, de acordo com as prescrições da arte médica, eles vagarosamente desfizeram os nós, tiraram os pregos e, cuidadosamente, o deitaram no chão. Logo depois, Nicodemos espalhou especiarias e ungüentos em longos pedaços de pano que ele tinha trazido e com eles envolveu o corpo de Jesus. Essas especiarias e ungüentos tinham bastante poder de cura e eram usados pelos nossos irmãos essênios. José e Nicodemos estavam inclinados sobre a face de Jesus e suas lágrimas caiam sobre ele. Eles sopraram o próprio ar em Jesus (respiração artificial) e aqueceram suas têmporas.
Nicodemos espalhou o bálsamo em ambas as mãos feridas pelos pregos, mas acreditava que era melhor não fechar a ferida existente em um dos lados de Jesus, pois ele considerava que o fluxo de sangue e água seria útil para a respiração e benéfico para renovação da vida. O corpo foi posto no sepulcro de pedra pertencente a José de Arimatéia. Então, eles defumaram a gruta com aloé e outras ervas e colocaram uma pedra grande na frente da entrada para que os vapores ficassem na gruta.
Passaram-se trinta horas desde a assumida morte de Jesus. Nosso irmão ouviu um pequeno ruído na gruta e foi ver o que tinha acontecido. Ele observou com alegria inexprimível que os lábios moviam-se e que o corpo respirava. Ele imediatamente acelerou o processo para ajudá-lo. Vinte quatro irmãos de nossa Ordem chegaram na gruta com José e Nicodemos, mas Jesus não estava suficientemente forte para caminhar, por isso foi conduzido para a casa que pertence à Ordem, perto do Calvário do Jardim (A Search For The Historical) - prof. Fida Hassnain (Jesus, a Verdade e a Vida).

A sobrevivência de Jesus também foi comprovada através do “Santo Sudário”, quando o fotógrafo italiano Secondo Pia, em 1898, constatou que a face de uma pessoa impressa era parecida com as imagens de Jesus. A fotografia mostrou o corpo de Jesus com as marcas de feridas feitas pela coroa de espinhos, a marca da lança do lado direito e as manchas de sangue nas mãos e nos pulsos causada pelo pregos. (É bom lembrar que, no ritual judaico, o corpo do morto é lavado antes do enterro; o que não aconteceu com Jesus. Se ele estivesse morto, Nicodemos e José de Arimatéia teriam lavado o cadáver). Em 1973, o Vaticano encomendou um exame secreto das amostras das manchas se sangue, ficando constatado que não havia presença de sangue no Sudário. A igreja declarou que o Sudário era uma farsa. No entanto, o Vaticano não se pronunciou sobre quais eram os componentes químicos das manchas vermelhas. Ademais, se o Sudário era falso, por que então a Igreja preservava a peça com uma relíquia sagrada?

No caso de Cristo, a vitalidade foi reduzida atingindo níveis muito baixos no qual mesmo a respiração ativa não eram as trocas metabólicas predominantes após o colapso. A respiração não estava realmente falhando, como parece óbvio a partir da ausência de movimento respiratório à medida que a respiração suficiente era afetada pela batida do coração contra os pulmões em grande parte ao redor dele. Sobre este assunto, temos experiência prática na anestesia. A bolsa respiratória de aparato convencional irá, em tais situações, apresentar movimento, e o tórax e diafragma permanecerão em repouso. No caso de Cristo, combinada com essa fraca respiração, está a concentração de sangue circulante em razão da perda de muito fluido dentro da cavidade abdominal hemorrágica. Como não houve hemorragia severa e, portanto, pouco oxigênio foi usado para manutenção do metabolismo muito baixo, não foi fisiologicamente requisitada respiração mais ativa. Assim, inteiramente devido à fisiologia bastante reduzida, não houve sinal de respiração evidente para os que o retiraram da cruz com relação ao fato de que havia em Nosso Senhor, mesmo duas horas após de colapso. (Dr. W. B. Primrose, prof da Sociedade Real de Edinburgh, Escócia - Sunday Express, Londres, jan/1970 - Christ did not Perish on the Cross).

Em março de 1977, a Nasa teve permissão para examinar o Sudário. Eis algumas conclusões:
1- O Sudário é de linho, um tipo comum usado na época.
2- A imagem do Sudário é tridimensional, não plana e não foi realizada por mãos humanas.
3- O pólen é do tipo encontrado na Palestina no primeiro século d.C.
4- Manchas demonstram a presença de ungüento usado nas feridas de Jesus.
5- A lança foi golpeada entre a segunda e terceira costelas, cerca de 15 centímetros da linha média, em ângulo virado para cima desde o coração.
6- Fotos positivas das características faciais indicam tratarse de uma pessoa de origem judaica com 1,62m de altura, nariz comprido, cabelos longos e barba.

A NASA não estava autorizada a se reportar sobre a presença de sangue no Sudário.

O último exame feito no Sudário aconteceu no ano de 1988, anunciado pelo arcebispo de Turim, Anastasio Cardinal Ballestrero, supervisionado pelo professor Luigi Gonella, conselheiro científico da Igreja Católica Apostólica Romana, concluindo que o linho não tinha mais de 728 anos; portanto, e mais uma vez, a Igreja declarava que o Santo Sudário era realmente uma farsa, contrariando inclusive o parecer da Nasa que afirmara anteriormente que o tecido era do século 1 d.C. O exame realizado pelo Vaticano foi contestado veementemente por estudiosos sobre o assunto, tendo em vista que seria impossível de se obter a data do sangue existente no linho pelo rádio-carbono, pois os coágulos sangüíneos secos não absorvem carbono; somente organismos vivos absorvem isótopos C12 de rádio-carbono radiante e não-radiante. Diante disso, ficou constatado que a data do linho anunciado pelo Vaticano era, na verdade, uma farsa.
Em relação ao local em que, segundo a Bíblia, Jesus tinha sido enterrado, onde, em 326 o imperador Constantino tinha erguido uma basílica em honra a Jesus, os arqueólogos foram até lá e não encontraram nenhuma relíquia de Jesus; encontraram sim, uma inscrição numa laje indicando que Jesus não havia morrido na cruz, que ficara crucificado por apenas algumas horas, mas depois foi salvo, cuidado e protegido pelos essênios. Esta pedra gravada pertence a Freemasonry Society of Germany e está fora do alcance da Igreja católica (A Search For The Historical) - prof. Fida Hassnain (Jesus, a Verdade e a Vida).
Os essênios mantiveram Jesus escondido visando sua segurança e para que ele se recuperasse dos ferimentos. Vestiram-lhe com o traje de trabalho dos essênios para parecer-se com um jardineiro e cortaram-lhe a barba. O ungüento usado em Jesus é conhecido como Marham-i-Havarin, o ungüento dos apóstolos, ou Marham-i-Rusul, o ungüento dos profetas. Esse ungüento, segundo Avicena, filósofo pérsico e médico, considerado uma figura importante no campo da medicina, tem poderes miraculosos para curar feridas, elimina pústula, restaura o tecido danificado, ajuda na circulação do sangue, propicia a formação de novo tecido, além de recuperar o entorpecimento. Dias depois de curado, Jesus foi levado pelos essênios para uma vila chamada Emaús. Até então seus discípulos, que continuavam escondidos com medo de serem presos, pensavam que Jesus havia morrido.
Os essênios então providenciaram o encontro de Jesus com os apóstolos, pois, até então, eles não acreditavam que Jesus estivesse vivo. Eram doze apóstolos:
Pedro e André (filhos do profeta Jonas), João e Tiago (filhos de Zebedeu), Tiago (filho de Alfeu), Felipe, Natanael, Bartolomeu, Tomé Mateus, Simão (o Zelote), Tadeu ou Lebeu e Judas de Cariote. A Bíblia descreve este encontro da seguinte maneira (Lucas, 24, 36,40):

Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco!” Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: “Por que estais perturbados e por que essas dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho”.

Naquele momento, Jesus bebeu vinho e comeu peixe com eles. Jesus olhou para o incrédulo Tomé, que ainda achava que Jesus era um espírito, e tentando de todas as maneiras provar que estava vivo, que era humano de carne e osso, disse:

Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.

Como os judeus detestavam os apóstolos, eles foram obrigados a se dispersarem por muitas terras, dentre elas, Arábia, Síria, Roma, Egito, Pérsia e Armênia. Tiago, irmão de Jesus, que foi escolhido para ser líder da Comunidade Cristã em Jerusalém, foi executado a mando de Herodes. Simão Pedro também foi preso. A informação que Jesus estava vivo, de repente chegou aos ouvidos dos fariseus. Como sempre acontecia, Jesus foi informado por Nicodemos, um essênio fiel ao Mestre, um verdadeiro pai (quem sabe?), pois ninguém, em toda história, orou e ajudou tanto a Jesus quanto Nicodemos, que, naquele momento, estava muito apreensivo com a prisão de José de Arimatéia que estava sendo acusado de ter protegido Jesus. Mas, como nada foi provado, José de Arimatéia foi liberado.

Dezoito meses depois, os judeus enviaram uma comissão a Damasco para prender Jesus; ele seria crucificado novamente. Jesus fugiu para a Babilônia e apontou Tiago como seu sucessor. Jesus buscava esconder sua identidade em cada cidade que passava. Em Nisibis (Nusaybin) ficou conhecido por Hazrat Issa (A Search For The Historical) - prof. Fida Hassnain (Jesus, a Verdade e a Vida).

Hazrat Issa era chamado de Messias por ser um grande viajante. Usava um cachecol de lã enrolado na cabeça e um manto também de lã. Segurava um bastão em uma das mãos e seguia de um país a outro disfarçado. Durante as viagens, alimentava-se de frutas e vegetais. Viajou a pé até que seus companheiros lhe trouxeram um cavalo.
Chegou a Nisibis que era conhecida como Nasibain naqueles dias. Espalharam-se pela cidade informações misteriosas sobre ele e sua mãe. Por este motivo, ele foi chamado à presença do governador, que o recebeu com honras e reverência. Todos tornaram-se seus discípulos (A Search For The Historical) - prof. Fida Hassnain (Jesus, a Verdade e a Vida).

O Gospel of Philip (Evangelho de Filipi) descreve a viagem de Jesus:

Três pessoas sempre caminhavam com o Senhor: Maria, sua mãe, sua irmã e Madalena, a que era chamada de sua companheira. Sua irmã, sua mãe e sua companheira, cada qual se chamava Maria.

Depois de pregar em várias cidades, finalmente Jesus chega a Índia, na cidade de Caxemira:

Meu alimento é o jejum, minha condição natural é o medo, minha roupa é um saco feito de lã. Meu coração é o sol no inverno, minha luz à noite é a lua, meu transporte são os meus pés, meu alimento são os frutos da floresta. Quando durmo, não tenho nada comigo e quando acordo, acordo de mãos vazias. Ninguém é mais rico do que eu na Terra.
Concentrem os pensamentos em Deus e levem uma vida desinteressada. Se aspiram encontrar a Deus, concentrem-se nele.
Eu lhes digo: evitem os desejos mundanos, acabem com a raiva e mantenham o coração puro. Se empregarem toda energia para atingir o objetivo com pensamentos claros, até mesmo um espinho transformar-se-á em uma guirlanda de flores (A Search For The Historical) - prof. Fida Hassnain (Jesus, a Verdade e a Vida).

Com mais de 100 anos de idade, ao aproximar-se da morte, Yuzu Asaph (Jesus) chamou seu discípulo Babaad e deu-lhe as últimas explicações sobre a continuidade da pregação da palavra de Deus. Depois de orar, deitou-se, esticou as pernas na direção oeste, virou a cabeça na direção leste e faleceu (A Search For The Historical) - prof. Fida Hassnain (Jesus, a Verdade e a Vida).

Muitos livros, considerados polêmicos, foram escritos sobre a vida de Jesus. O livro Sayings of Jesus (Londres) do historiador F.F. Bruce, diz: “Jesus estava muito longe de ser uma pessoa inofensiva, pois ofendeu à esquerda e à direita. No livro The Black Missiah (New York), Albert B. Cliage afirmava que Jesus era “um líder negro revolucionário”, procurando conduzir uma nação negra à liberdade. No livro In Fragments: The Alphorisms of Jesus (New York), Domenic Crossan faz um estudo sobre ditos autênticos e inautênticos de Jesus. Ele procura dirimir dúvidas sobre o que realmente Jesus disse, e, ainda, o que os evangelistas “pensaram” que Jesus dissera. No livro Jesus of Nazareth, Herbert Braun enfatiza alguns pontos polêmicos, entre eles, que o evangelho de João não tem qualquer utilidade para a pesquisa sobre Jesus. Em relação aos outros Evangelhos, Lucas, Marcos e Mateus (os sinóticos), o historiador afirma que nenhum deles contêm uma narrativa fidedigna da vida e do ministério de Jesus.


Victor Haistwolf - golden@zipmail.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 26/04/2001

Ótimo texto... Parabéns ao autor e à Sociedade da Terra Redonda. Quanto aos comentários de Wandon Alves, gostaria de observar na sociedade romana, assim como na maioria dos aspectos de sua cultura, houve muita influencia da cultura grega. Os romanos tinham seus deuses inspirados nos deuses gregos, porém Roma era uma sociedade racional que pouco se importava com esses deuses e dava muito valor (cultuavam) à seus antepassados. Ao contrario do que foi dito, os romanos não perseguiam outros povos por motivos religiosos. Eles respeitavam a cultura e as instituicoes locais (por esse motivo uma única cidade conseguiu conquistar todo o mundo conhecido na época). Essa perseguição em relação aos cristãos aconteceu por diversos motivos, entre eles:
a) O cristianismo era uma religião subversiva, pois se recusava a aceitar a autoridade do imperador.
b) Os cristãos simplesmente se recusavam a pagar impostos. Alem disso os cristaos eram detestaveis pela excessiva superstição e crendice, herdadas de seus primos judeus, que deram muito trabalho aos romanos. Jesus, se existiu, era lider de uma seita contraria a dominacao romana na Palestina, e foi um entre outros que foram crucificados por esse motivo.
Gostaria de salientar também que o cristianismo conseguiu se infiltrar na sociedade romana (mais precisamente entre os pobres, mulheres e escravos) graças a falta de religiosidade desse povo e graças a decadencia economica (falta de mao de obra escrava) e ao desespero causado pelas invasões estrangeiras.

Waldon Alves - waldon@zipmail.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 19/04/2001

Ótimo texto, mas achei o começo meio desastroso. O ateísmo nao prevalecia em Roma muito pelo contrário, era a crença nos deuses que prevaleica e os cristaos foram perseguidos poque tinham religiao diferente (perseguiçao religiosa). Senti falta de uma analise sobre o papel do cristianismo na escravidao negra.

Sonia Maria Xavier de Araujo-Ulrich - sonia_ulrich@yahoo.com.br - Bélgica/Gent, enviou em 14/11/2000

Sou bibliotecária brasileira mas sou casada com Belga e moro na Bélgica há 3 (três) anos.

Acho, sinceramente, que faltou aqui uma passagem importante da História da Europa, no período do sec.XVI, de 1500-1558, o reinado do Grande Imperador Carlos V, nascido em Gent, neto dos reis "católicos" Fernando e Isabel da Espanha e que se tornou Imperador dos Alemães, Duque de Borgonha, reinado na Itália, patrocinador a descoberta do México, extendeu seus domínios à Tunísia etc...
Atenciosamente, Sonia Ulrich


Antonio Carlos - MACBIS@ZAZ.COM.BR - Mato Grosso Mato Grosso, enviou em 02/08/2000

NO FILME A ULTIMA TENTACAO DE CRISTO, BARRADO PELO IGREJA CATOLICA, PODEMOS OBSERVAR NUM DIALOGO INTERESSANTE ENTRE PAULO DE TARSO " O APOSTOLO " E JESUS CRISTO ( NA HISTORIA COM MULHER E FILHOS ) - EH PRECISO QUE O HOMEM ACREDITE EM ALGO PARA SUSTENTAR SUA CRENCA, EH PRECISO QUE HOMEM ESTEJA ALCADO DE FEH PARA SUA PERMANENCIA NA VIDA.
DEUS NAO EH SECTARISTA, JESUS NAO FOI SECTARISTA, QUANDO ESSE HOMEM VEIO A ESTE MUNDO, ELE REALMENTE VEIO COM UMA MISSAO MAIOR, SEUS FEITOS MUITO EMBORA NAO TINHAM NA EPOCA OS MODERNOS MEIOS DE COMUNICACAO DE HOJE, FOI O BASTANTE PARA CRUZAR CONTINENTES, E TEMPOS. AS PESSOAS SE APEGAM A DETALHES E NAO A ESSENCIA. SUA MENSAGEM FOI DE AMOR AOS SEUS SEMELHANTES COMO PONTO PRINCIPAL. TENHO ATEH MESMO UM PENSAMENTO PROPRIO SOBRE ESSE ASSUNTO:
-PROCUREI AMOR EM MIM... NAO ACHEI
-PROCUREI AMOR EM DEUS... NAO ENCONTREI
-PROCUREI AMOR NO MEU SEMELHANTE ACHEI OS 03 ( AMOR EM MIM, EM DEUS, E MEU SEMELHANTE )
OBSERVA-SE QUE NAO EXISTE AMOR EM MIM OU EM DEUS ISOLADAMENTE SE NAO FOR ACOMPANHADO DE MEU PROXIMO. ESTA EH A ESSENCIA DO ENSINAMENTO DE JESUS. PORTANTO, O QUE OS HOMENS FIZERAM NO DECORRER DOS TEMPOS EM SEU NOME, INFELISMENTE NAO CORRESPONDEU COM SEUS PENSAMENTOS E CONCEPCAO DE VIDA. ASSIM SENDO, PREFIRO ACREDITAR NAO NO QUE OS HOOMENS FIZERAM COM SEUS ENSINAMENTOS, MAS NO QUE DE FATO HA DE FUNDAMENTO EM SEUS ENSINAMENTOS.
  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.esc-ch.com/private/christianisme.htm
  • Traduções para inglês, espanhol, e sugestões para correções na gramática são bem-vindas.