Publicado: 04/05/2001
de Huáscar Terra do Valle
Impressionante! Segundo o pastor, cientistas americanos e russos exploravam um vulcão na Sibéria, quando ouviram ruídos vindos do fundo da cratera. Curiosos, desceram um microfone na ponta de um cabo e, horrorizados, ouviram uivos e gritos lancinantes de uma multidão de pessoas submetidas ao mais terrível suplício. Era o inferno! Que horror! Emocionado, o pastor transmitiu para a platéia e para os telespectadores os gritos pungentes e aflitivos dos pobres coitados que estavam sofrendo o suplício do fogo do inferno. A platéia, boquiaberta, enfiava a mão no bolso para aumentar o dízimo. Com a maior cara de pau o pastor exibia jornais com a notícia da descoberta do inferno e a fotografia dos cientistas. No dia seguinte, a reportagem foi repetida, no mesmo canal. A picaretagem religiosa está atingindo níveis insuportáveis. Existem dezenas de templos, com os nomes mais bizarros. Talvez seja um reflexo da onda de desemprego. Indivíduos sem profissão definida arranjam uma bíblia, alugam uma garagem e fundam uma religião, com as baboseiras de sempre. Não precisam nem de alvará. Em pouco tempo, rodam por aí com o carro do ano e moram em belas mansões. Em momentos de insônia, ligo a televisão, altas horas da noite, e me deparo com a cara conhecida de mais um insaciável coletor de espórtulas. O assunto principal de suas pregações é o dízimo. No entanto, não se satisfaz apenas com o dízimo. Quer mais! Exige dez por cento de todo o dinheiro do crente. Se ele vender um carro, os PRIMEIROS dez por cento pertencem ao Senhor! Quem não paga o dízimo está roubando de Deus, diz ele, sem se enrubescer. Certa denominação, que até possui guichês nos templos, para receber as comissões divinas, visita agências de automóveis para conferir por quanto o crente vendeu seu carro, a fim de certificar-se de que o candidato ao céu realmente doou os dez por cento. O céu está custando cada vez mais caro! Supõe-se que os religiosos são pessoas de bom coração, transbordando de amor pela humanidade. No entanto, através dos séculos, milhares de guerras foram deflagradas por movimentos religiosos. Bilhões de pessoas foram mortas por fanáticos e ainda hoje temos guerras religiosas, na Irlanda, no Oriente Médio, no Paquistão, na Índia, na Indonésia. Não existem leis para coibir a exploração da boa-fé de pessoas inocentes e os cobradores de dízimo se apóiam em versículos da Bíblia para justificar suas picaretagens. O pior é que ninguém tem coragem de contestar a Bíblia, um livro antiquado, incoerente, cheio de barbaridades e completamente em desacordo com a vida moderna. Além de desafiar muitas descobertas científicas, a Bíblia é um livro que transpira sangue. Mulheres adúlteras devem ser apedrejadas até a morte, bem assim como filhos rebeldes. O Antigo Testamento transpira ódio e o Novo Testamento, que inspirou a Igreja Católica, inspirou também as cruzadas, a inquisição, a noite de São Bartolomeu, a chacina dos albigenses e, no Brasil, a subversão comunista. Hoje, especialmente entre os evangélicos, transformou-se na indústria do dízimo. Comentários
Marcus Valerio XR - mv@xr.pro.br - Esclarecendo ao colega José Abrantes.
José Abrantes - abran@uol.com.br - O inferno, moralmente, não tem base,vamos ver um exemplo: uma mãe é religiosa,vai na igreja todo domingo etc..., tem um filho, que no entanto, é ateu.Segundo os que creem no inferno esta mãe vai para o paraíso e o filho para o inferno, chegando no céu a mãe terá paz, agora aí vem o erro do inferno, como aquela mãe terá paz, sabendo que seu filho estará queimando eternamente? como qualquer um que goste de alguem que é "pecador"terá paz? Por aí vai o absurdo do inferno. Peterson Leal - peterlsm@terra.com.br - Cuiabá/MT, enviou em 15/05/2001 O texto foi pouco profundo. Tudo pareceu uma excelente introdução para fatos que deveriam ser mais explorados. Quando pensei que a coisa ia "pegar fogo", terminou.
Marcus Valerio XR - mv@xr.pro.br - O STR que me desculpe mas achei esse texto simplesmente fútil! Ele dispara uma série de argumentos triviais que quase já se tornaram chavões como qualquer opinião anti-religiosa popular.
Waldon Volpiceli - waldon@zipmail.com.br - As pessoas se deixam enganar e dão o dízimo porque acham que estão dando dinheiro para deus. Não conseguem ver a diferença entre o líder religioso e deus, acham que ele o representa na Terra. Isto aumenta seu poder na sociedade, vide Marcelo Rossi que, apesar de não cobrar dízimo, primeiro ponto para ele, chega na televisão e diz que quem usa camisinha é pecador. Ele é pior que os pastores, pois ao não cobrar o dízimo ele tem uma aura de honestidade o que faz com que se torne mais convincente, e, portanto, com maior poder sobre as massas. |