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de F. L. Puckett


Outro dia aquele cara apareceu lá em casa. Não entendi bulhufas do que ele falou.

Ele disse que tem uma coisa que é parte de mim. É invisível, e meio que está no meu corpo. Perguntei onde no meu corpo que estava, e ele falou que não era bem no meu corpo que estava. Mas falou que estava em perigo, meio que doente ou sei lá o quê. Perguntei como ele sabia que estava doente, e ele disse que a de todo mundo está doente. A gente nasce assim. Perguntei se era que nem o apêndice e se eu devia tirar, mas acho que ele não gostou muito.

Ele disse que não dá pra tirar, você tem que viver com aquilo. Perguntei o que aquilo fazia no meu corpo para ser tão importante que eu não podia tirar. Aí ele falou de novo que não estava no meu corpo e eu me senti burro de perguntar. Perguntei o que aquilo fazia fora do meu corpo. Acho que ele não sabia a resposta porque ele começou a piscar um monte de vezes.

Ele falou que tem um cara com quem eu podia falar que consertava o negócio de graça. Aí eu achei legal. Perguntei onde estava esse cara. Ele falou que o cara morreu faz um tempão. Quando ele falou que o cara tinha morrido eu fiquei puto, porque achei que ia ter que pagar a maior grana pra outra pessoa consertar aquele meu negócio invisível. Ele falou que tudo bem, e que esse cara que conserta de graça ressucitou três dias depois de morrer. Eu pedi para ele repetir essa parte um monte de vezes, porque aquilo tava muito estranho. Mas foi isso que ele disse.

Perguntei se o cara que consertava então era morto-vivo que nem nos filmes de zumbi, e ele não gostou nada, nada. Parece que ele não gosta de filme de zumbi, mas tudo bem, porque tem gente que fica com nojo, que nem a minha irmã.

Aí ele falou que o zumbi que conserta o negócio saiu andando um tempo pra todo mundo saber que ele era morto-vivo. Nisso eu acredito, porque é exatamente isso que eu faria se eu fosse morto-vivo. Eu ia andar por aí e assustar todo mundo. Essa é a melhor parte de ser morto-vivo. Isso e aquela história que as balas não te matam. Mas o cara disse que depois de um tempinho o zumbi ficou invisível e tipo em todo lugar e em lugar nenhum ao mesmo tempo. A gente conversou um tempão sobre isso, e eu fiquei todo confuso, e dava pra ver as veias no pescoço do cara.

Aí a gente pulou essa parte e ele disse que se eu quisesse que o zumbi me consertasse era só pedir, porque ele escuta tudo que eu falo mesmo que eu fale bem baixinho. Eu ia perguntar como é que o zumbi me ouvia, mas acho que não entendi direito, e me senti burro por perguntar tanta coisa.

Bom, aí ele me deu um cartão com umas palavras escritas para eu ler em voz alta. Eu não entendi nada, mas li, e o cara ficou super feliz que eu li, então eu achei legal ter lido. Ele falou que agora eu estava consertado pra sempre, que o zumbi tinha me consertado quando eu disse as palavras. Aí ele me deu outro cartão com um endereço, e falou que eu tinha que acordar cedo no domingo, ir lá com um monte de outros fãs do zumbi e pedir mais uns troços pro zumbi tipo dinheiro e outros lances. Aí eu falei que eu achava que ia, e ele adorou.

É bem cedo, mas acho que eu vou mesmo. Talvez o cara zumbi invisível lá me dê um carro. Tô precisando mesmo de um carro.

***

Apresentedo em Novembro de 1997, Sunday Service da North Texas Church of Freethought

Informativo:

  • O ensaio base original está disponível em http://church.freethought.org/9711.my-visitor.html
  • Traduzido por: Daniel Sottomaior
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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