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Atualizado: 05/08/2001
   
                     
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ENTREVISTA COM NOSTRADAMUS
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NostradamusMichel de Nostre-Dame, médico francês nascido em 1503 numa cidadezinha chamada Saint-Rémy-de-Provence, famosa sobretudo por ser a cidade natal de Michel de Nostre-Dame, foi um homem muito além de seu tempo. Fã do zodíaco, logo percebeu o potencial de mercado das publicações esotéricas e lançou, em 1555, as Centúrias Astrológicas. Era, à época da caligrafia gótica, de letras grandes e cheias de frescura, um catatau de 4.772 versos, dispostos em 967 quadras e 58 sextilhas, contendo nada menos que 141 presságios. Tudo escrito em francês arcaico, fora da ordem cronológica, em linguagem figurada — o que fez dele o primeiro comunicador a anunciar que não vinha para explicar, mas para confundir. Ainda assim, ou vai ver que por isso mesmo, tornou-se um best-seller. Cópias do manuscrito venderam feito baguete quente. E, desde então, o mundo nunca mais foi o mesmo.

Na verdade, por ele o mundo nem existiria mais. Afinal, lá pelas tantas Nostradamus — nome artístico que revela, no mínimo, o inegável toque de marketing obscurantista do escritor — previu nada menos que a destruição da Terra. Como aparentemente tudo o que ele escrevera vinha se confirmando, catástrofe após catástrofe, divórcio após divórcio, unha encravada após unha encravada, quase ninguém duvidou. Enquanto gozava de credibilidade, Nostradamus foi reverenciado como o maior adivinhão de todos os tempos e um pioneiro do segmento da, literalmente, auto-ajuda: angariou fama, fortuna e mordomias, chegando mesmo a ser tratado pelo informal e descontraído título de "bidu" pelos nobres das cortes européis, sempre com um tapinha nas costas.

Seu dom para a futurologia ultrapassou gerações. Séculos depois, seus seguidores enxergaram nas profecias das Centúrias a ascensão e queda do nazismo, o assassinato de John Kennedy, as experiências com a bomba atômica e — na interpretação da corrente feminina mais realista — a hegemonia da celulite no final do segundo milênio. Até o momento em que se encerrava esta edição, porém, o carro-chefe das tragédias de Nostradamus, a aniquilação total do planeta e um abraço, ainda não havia se confirmado.

Foi o que bastou para jogar por terra quase 500 anos de reputação. Desde o último eclipse solar do milênio, quando tudo o que aconteceu foi a entrada de um troquinho a mais nas lojas de cristais, incensos e patuás, Nostradamus vem sendo duramente questionado. Seria o visionário um farsante? Estariam as Centúrias realmente equivocadas ou tudo não passava de um erro de cálculo, num momento de distração do autor, pressionado pelo prazo da editora? Será que o mundo vai mesmo acabar ou podemos todos ir ver tranqüilamente os fogos lá na praia? Visando sempre o interesse jornalístico, já que a época tem tudo a ver e, afinal de contas, nunca se sabe, a STR enviou em 1999 uma equipe de jornalistas para esta entrevista exclusiva com o visionário.

STR: O senhor acredita mesmo em previsões?

NOSTRADAMUS: Claro! Mas sempre saio com o meu guarda-chuva.

STR: Então, como explica que o mundo ainda não tenha acabado?

NOSTRADAMUS: Estão com pressa? [Risos, mas só da parte do entrevistado.] Falando sério, é evidente que o mundo vai acabar. Ou vocês acham que alguém agüenta mais uma campanha do Collor pela televisão? O que aconteceu foi que, por questões profissionais, fui obrigado a adiar o fim do mundo. Mudei a data, só isso. Só não posso estragar o suspense. Seria quebra de contrato.

STR: O senhor vendeu os direitos de adaptação das Centúrias?

NOSTRADAMUS: Vendi. Sabe que por essa nem eu esperava? Estava negociando com a Record e o SBT, mas a Marluce chegou com uma proposta irrecusável, de um horário só meu e com direito a botar no bolso o merchandising. Ironicamente, a estréia ainda não está prevista, mas esse é o tipo de trabalho que eu deixo para os executivos. No mais, podem ficar tranqüilos que remarcarei o grande dia assim que tiver a grade de programação e os índices de audiência.

STR: Já que o senhor está enturmado com a TV, como vai acabar a próxima novela das 8?

NOSTRADAMUS: Com aquela italianada toda? Óbvio: vai acabar em pizza.

STR: O que acha de Paco Rabanne ter dito que Paris seria destruída por um fragmento da estação espacial Mir?

NOSTRADAMUS: [Com desprezo.] E Paris foi destruída? É o que eu digo: esse Paco não passa de um amador. Só sabe inventar moda.

STR: O senhor também previu a destruição completa de Nova York em 1997, o que não ocorreu.

NOSTRADAMUS: Mas foi por pouco, hein! Na época, tudo estava caminhando para o caos. Milhares de brasileiros de sacola na mão em Times Square, falando alto, lotando os restaurantes, os táxis, um inferno. Meu erro foi apostar na âncora cambial do Plano Real. Se a cotação do dólar permanecesse a mesma, não sei se Nova York sobreviveria a mais uma excursão.

STR: Falando em Estados Unidos, o senhor, como o presidente Bill Clinton, também lê os livros de Paulo Coelho?

NOSTRADAMUS: [Pausa, fica sério.] Aquele alquimista, não é? Soube que ele se sentou à margem de um rio e chorou. Quer saber? Bem feito! Não é que eu não saiba enfrentar a concorrência com elegância, mas não suporto quando copiam a minha barba e o meu olhar de peixe morto... Quando for para o castelo de CARAS, vou ter uma conversinha com esse sujeito. Agora, já que você mencionou o Clinton, uma coisa eu posso adiantar: [aproxima-se, abaixa a voz, dá um meio sorriso e levanta uma sobrancelha] esse aí não se elege mais, não.

STR: Essa o senhor já acertou. Clinton não pode mesmo se candidatar a um terceiro mandato. Isso nos leva a outra questão: quem vai suceder FHC?

NOSTRADAMUS: Olha... Com tanta esculhambação em Brasília, tem um pessoal aí me pedindo que o mundo acabe logo, e em barranco. Mas tô desconfiado de que é lobby lá da Bahia, se é que vocês me entendem... Nessa questão, prefiro não me envolver.

STR: Falemos de sexo, então. Como foi a sua primeira transa?

NOSTRADAMUS: Pior do que eu previa. [Risos, só da parte da reportagem.] Mas não gosto de falar sobre a minha vida pessoal. Sei que sou uma pessoa pública e que os fãs têm curiosidade, mas tenho o direito de preservar minha privacidade. Como diz a Pamela Anderson, estou aqui para falar do meu trabalho, de coisas sérias, da minha expressão, do meu eu. Por que vocês não me perguntam sobre maremotos, hecatombes, pragas, reforma tributária?

STR: O tal bug do milênio vai mesmo acontecer?

NOSTRADAMUS: [Irônico.] Esses técnicos em informática não pensam no futuro e, depois, dizem que eu é que não sei fazer previsões... É claro que o bug vem aí! Não tenha a menor dúvida. A ameaça é certa, concreta, gravíssima! Inclusive andei desenvolvendo um programa de proteção [dá um cartãozinho], aqui está o meu 0800, liga pra lá que eu te dou um desconto.

STR: Isso significa que o senhor pensa no dia de amanhã?

NOSTRADAMUS: Não exatamente. Tenho uma secretária justamente pra isso, além de um personal stylist, claro. Exigências da Marluce.

STR: Acredita nas previsões dos economistas?

NOSTRADAMUS: Sabe qual o defeito deles? Excesso de otimismo. Falam em inflação projetada, problemas nas bolsas de mercado futuro e falência dos fundos de pensão das estatais como se tivessem toda uma vida pela frente... [Exaltado, dá um murro na mesa.] Pois se estou dizendo que o mundo vai acabar, ora!

STR: Enquanto isso, para quando o senhor prevê a cura definitiva da calvície?

NOSTRADAMUS: Notou o meu chapéu? Também estou esperando, meu filho.

STR: Quem será a capa da edição de 50 anos da Playboy, em 2026?

NOSTRADAMUS: Esqueçam a Luana Piovani, a Malu Mader e a Ana Paula Arósio: a essa altura, elas estarão concorrendo ao Oscar pela continuação de Central do Brasil, partes 23, 24 e 25, e vão querer ser reconhecidas apenas pelo talento. Por outro lado, como a ciência fará mulheres de 50 parecerem bonecas de 20, graças às pesquisas desenvolvidas no rancho de Michael Jackson e acessível apenas às amigas do peito, periga a disputa ficar entre a Diana Ross e o Walter Mercado.

STR: E o que o filho de Mick Jagger com a Luciana Gimenez vai ser quando crescer?

NOSTRADAMUS: Ele vai ter a beleza dela e o talento dele. Ou será o contrário, coitado? Sei lá, melhor perguntar para a Marluce, que já está em negociações com o empresário do moleque.

STR: Será que finalmente Rubinho Barrichello vai ser campeão da Fórmula 1?

NOSTRADAMUS: Epa! Não vamos colocar a Ferrari na frente dos bois. Uma das vantagens de o mundo acabar é essa: já imaginou a gritaria do Galvão Bueno?

STR: Como vai terminar a Copa do Mundo de 2002?

NOSTRADAMUS: O juiz vai apitar, erguer o braço e pedir a bola para que um dos times comemore levantando a taça. Posso garantir, no entanto, que os brasileiros não ficarão decepcionados. Enquanto a cerveja permanecer gelada, bem entendido!

STR: Afinal, o Brasil vai sair da crise?

NOSTRADAMUS: Que crise?

STR: Hum... Pelo jeito, o senhor também acredita em duende.

NOSTRADAMUS: Não. Mas a idéia é boa, hein! Preciso falar com a Marluce.

STR: Para terminar: o senhor acredita em Deus?

NOSTRADAMUS: Claro! Com quem vocês pensam que estão falando?

Comentários

reginaldo Faidi - reginaldofaidi@yahoo.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 05/08/2001

Olá : Estou lendo uma biografia de Nostradamus,acho interessante,gosto de ler sobre teologia acredito sim em muitas coisasdo que Nostradamus disse, outra pessoa interessante foi o americano Edgar Cayce que também fez previsões,só não foi famoso como Nostradamus.Agora quanto a esse texto que eu acabei de ler,a mim não me ofende é uma satira e devo dizer bem inteligente porque você sabe bem a respeito do profeta Nostradamus,eu sou ator e trabalho com comedias dei algumas risadas com oque eu li mas eu prefiro levar á sério o profeta NOSTRADAMUS tudo bem!!! abraços.
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  • Enviado por: A. Carlos
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