Actualizado: 16/04/2003
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Leo Vines Vines@strbrasil.com Presidente 25 anos, carioca, técnico em Eletrônica e bacharel em Ciência da Computação. | ||||||
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2001 Uma Odisséia no Espaço de Arthur C. Clarke Duna de Frank Herbert O Enigma de Rama de Arthur C. Clarke Física em 6 Lições de Richard P. Feynman O Gene Egoísta de Richard Dawkins A Máquina Meme de Susan Blackmore O Mundo Assombrado Pelos Demônios de Carl Sagan Nos Bastidores do Reino: A Vida Secreta na IURD de Mario Justino A Origem das Espécies de Charles Darwin Um Dois Três... Infinito de George Gamow | |||||||
Filho de pais crédulos, fui criado num ambiente rodeado por religiões. Confesso que já acreditei na existência de Deus. Mas também já acreditei na existência do Papai Noel. O conhecimento científico me permitiu entender que ambos são apenas personagens de histórias que nos contam quando somos crianças. Nada mais além disso. Uso o método científico para entender como o Universo funciona, como os fenômenos ocorrem, distinguir o real do inexistente, o falso do verdadeiro.
Fiz curso técnico em Eletrônica e bacharelado em Ciência da Computação. Atualmente me dedico apenas ao gerenciamento da STR. Pretendo fazer Física, virar professor e se tiver tempo escrever alguns livros de divulgação científica.
Durante a infância li a imensa maioria dos livros de Isaac Asimov, e outros livros com tópicos básicos de ciência. Fui um leitor precoce também e grande parte do meu tempo era dedicada a essas leituras.

Desde criancinha lembro-me que a primeira coisa que fiz quando me disseram que deus criou o mundo foi perguntar "tá, mas quem criou deus?". Nunca engoli direito essa história, a leitura de algumas enciclopédias durante a infância me deixaram racional demais para emburrecer numa catequese. Meus pais católicos não gostaram nem um pouco, mas acabaram aceitando ter um ateu na família. Felizmente, durante a infância fui forçado a fazer algo produtivo nas horas que passava todos os dias dentro de ônibus: ler boa parte da área de "ciências" da Biblioteca Pública, desde a origem do universo, até as obras mais estapafúridas, como a teoria sobre a existência do continente perdido de Mu. Ao ver tamanha variedade de livros e autores, e por sempre ler todos os livros sobre um assunto em seguida, acabei rapidamente descobrindo como o conhecimento evolui, como é difícil achar dois livros que digam a mesma coisa e, principalmente, adquiri noções básicas de como notar quando alguém está escrevendo besteiras. Paralelamente aos estudos, passei da infância aos 19 anos estudando em uma escola de música, sendo quase formado em violino. Isto foi uma contribuição cultural muito significativa para aguçar os sentidos e o senso crítico. Aos 18 anos fui dar umas voltas num centro de criação de crentes, para ouvir com MUITA atenção as explicações sobre o amontoado de baboseiras contido na Bíblia. Ouvi com paciência as explicações dos teólogos do local, fiz minhas perguntas e recebi respostas bem esclarecedoras. Se antes de entrar lá tinha dúvidas sobre a existência de deus, quando saí tinha uma certeza: não deixaria mais ninguém fazer meu ouvido de penico. Bom, chegou um certo dia em que cansei de ficar parado enquanto via o mundo se estragar cada vez mais, pois concluí que ele não ia se consertar sozinho. Comecei a tomar atitudes para mudar o rumo das coisas, em direção a um futuro mais... humano. Tornar reais os objetivos da STR é apenas o começo.

Era dos Extremos de Eric Hobsbawm
Incidente em Antares de Erico Verissimo
Guerra e Paz de Leon Tolstoi
Os Grandes Escritos Anarquistas de George Woodcock
O Mundo Assombrado Pelos Demônios de Carl Sagan
Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída... Autobiográfico
Encontro com Rama de Arthur C. Clarke
Dom Casmurro de Machado de Assis
Imposturas Intelectuais de Alan Sokal & Jean Bricmont
O Despertar na Via-Láctea de Timothy Ferris
No início de minha adolescência, ao me envolver com religiões - até mesmo com práticas divinatórias - praticamente perdi o contato com a ciência. Durante esta época, meu desejo de uma proteção infantil e minha vontade de acreditar naquilo que, embora sem fundamento, pudesse me confortar, me levaram a uma visão de mundo limitada, supersticiosa e estéril. Um ato bastante simples - embora penoso para aqueles que se acostumam com suas divindades - me garantiu o retorno à sanidade: o ato de refletir, ato este que passa pela coragem de nos questionarmos, honestamente, sobre a validade de nossos credos, sempre moldados em algum grau por meras conveniências sociais. Uma vez livre do domínio religioso, pude enxergar que a prática da bondade não está, de nenhuma maneira, vinculada ao teísmo ou à religiosidade. A humanidade, sob as igrejas, sempre se vê subjugada por supostas ordens de amor e de paz, como se devêssemos matar-nos uns aos outros se assim nos fosse ordenado por algum deus. Não posso imaginar razão maior para buscar a paz, por exemplo, do que o fato de que a paz faz bem a qualquer ser humano.
De volta, finalmente, ao contato com as ciências, ingressei na universidade, e em 1999 obtive o grau de Bacharel em Física, título do qual me orgulho tanto quanto de meu ateísmo.



O Animal Moral de Robert Wright
Os Dragões do Eden de Carl Sagan
Educação Emocional de Claude Steiner
Os Jogos da Vida de Eric Berne
O Mundo Assombrado Pelos Demônios de Carl Sagan
Os Papéis que Vivemos na Vida de Claude Steiner
Os Pilares da Terra de Ken Follett
A Queda da Mulher de Elaine Morgan
Ser Livre de Flávio Gikovate
Toxina de Robin Cook
Poderia parecer que perdi tempo com todas essas pesquisas que fiz, mas não é assim. Aprendi muito, e acho que compartilhar a minha experiência com outras pessoas pode ajudá-las a chegar mais rápido às conclusões a que cheguei. Muitas pessoas associam a não-crença com uma sensação de solidão e de se estar "perdido", sem rumo (de fato, é um pouco assustador encarar o fato de que estamos mesmo sozinhos), mas para mim foi o contrário. A sensação foi de alívio, pois se não existe nada, então não há nada com que se preocupar. Talvez essa seja a verdadeira liberdade. Comportar-se bem e fazer o que é certo simplesmente porque nos sentimos bem assim e gostamos das pessoas, não para "ganhar o céu" ou por medo do "inferno", para mim representa a verdadeira moral e ética.


Percebi que havia um interesse genuíno em muita gente, logo abafado por outras pessoas (às vezes até dirigindo escolas) que preferiam manter esse conhecimento dentro dos livros. às vezes isso nos causa uma revolta (que é justa), mas hoje compreendo melhor estas atitudes e as entendo como últimos movimentos involuntários de um gigante ferido de morte.
Também sempre valorizei ensinamentos das religiões, o que me vale algumas discussões com pessoas que me catalogam como gnóstico. Na verdade o estudo das religiões é um tema importante para todos nós, desde que corretamente interpretado, e considerando as lendas um meio de transmissão de conceitos ao longo da história. Se partimos do pressuposto que, cuando lemos um livro religioso, não estamos lendo sobre o mundo físico, senão sobre os conceitos por nós inseridos, temos como aproveitar este conhecimento sem cair na confusão de achar tudo real, e ao mesmo tempo, encontraremos em todos eles as mesmas ansiedades, os mesmos conflitos e problemas.
A divulgação científica é muito relevante neste assunto, pois foi assim que nossa sociedade erradicou doenças, conquistou o planeta e o compreendeu melhor. A ciência é uma conquista da humanidade e serve a todos nós, portanto, não divulgá-la e compará-la a nossos preconceitos e conclusões meramente imaginárias é uma falta grave para o destino da humanidade. Foi com este sentimento que entrei na Sociedade, e por ele que continúo nela, nem que seja ao menos traduzindo de vez em quando algum texto para o espanhol, ou respondendo a várias mensagens que nos chegam por dia.

O Aleph de Jorge Luis Borges
Narrações Extraordinárias de Edgard Allan Poe
Cosmos de Carl Sagan
Assim Falava Zaratustra de Friedrich Nietzsche
Darwin e os Grandes Enigmas da Humanidade de Stephen J. Gould
Meu Último Suspiro de Luis Buñuel
Contos de Amor, de Loucura e de Morte de Horacio Quiroga
A Ilha Misteriosa de Jules Verne
Eu de Augusto dos Anjos
O Homem e Seus Símbolos de Carl J. Jung
Durante a adolescência, através de muitos questionamentos e da progressiva eliminação de preconceitos cheguei ao agnosticismo, e mais tarde ao ateísmo. Penso que existe uma tendência natural do ser humano a render culto àqueles fenômenos na natureza que ele não compreende, uma tendência a qualificar como "mágico" ou "milagroso" aquilo que não entende, em lugar de simplesmente concluir que não é capaz de entendê-lo. Não sei se é possível compreender tudo no universo, porém todos os dias a ciência explica algo. Todos os dias um milagre deixa de ser milagre. Penso também que muitos dos que acreditam em deus(es) não são sinceros consigo mesmos, e que a sua crença em seres sobrenaturais é mais um fruto do próprio desejo (ou seja, um autoengano) do que uma conclusão racional. Parece que o saber que somos seres mortais incomoda a muitos (com certa razão, admito) e os leva a gastar energia em se convencer de que viverão eternamente em algum outro lugar.
Na minha opinião, o conhecimento de que somos mortais é o melhor motivo para aproveitar ao máximo as nossas vidas, conhecer o nosso mundo, fazer tudo da melhor maneira possível e lutar pelos nossos nossos direitos, em soma, viver e não deixar nada para outra existência duvidosa.

Hoje estudo Medicina na Universidade Federal da Bahia, atualmente no 6o. ano. A minha formatura está prevista para outubro/2002. Desenvolvo também atividades paralelas. Até a metade de 2001, trabalhava com projeto de iniciação científica em laboratório de Imunologia da FIOCRUZ. Dou aulas de Química em curso pré-vestibular. Tenho um grupo de teatro/música, chamado Donzelos Anônimos (onde sou mais conhecido como Chester e toco violão). E atuo como editor de Português da STR.
Gosto de mulher, cinema, leitura, animais, Filosofia, Física, Biologia, Química, comprar livros, CDs, Legião Urbana, Chopin, Toquinho, Vinícius, The Cranberries, dinheiro, amigos legais e pensantes, escrever, malhar, internet. Odeio praia (sol, areia e sal), crente, barulho (que não seja o meu próprio), Windows, gente chata (mais que eu), bebida alcoólica, cigarro, solidão.
Meus projetos para o futuro incluem tornar-me médico, fazer especialização (provavelmente em Ginecologia e Obstetrícia), casar, ter filhos. Devo seguir carreira acadêmica (Mestrado, Doutorado, ser professor da Universidade). Quero morar em um lugar melhor, ter um carro importado e dinheiro para ir ao exterior. Talvez faça outras faculdades: Química, Filosofia. Quero escrever um livro, mas ainda não sei sobre o quê. Gostaria que os Donzelos fizessem sucesso. Pretendo criar filhos livres-pensadores. Pretendo divulgar o pensamento científico tanto quanto seja possível, ajudar cada vez mais pessoas a pensarem por si próprias, a enxergarem a realidade como ela é. A se afastarem de Deus ou de qualquer outra coisa que possa ser nociva a elas. Acredito que a STR seja um pontapé inicial para isso.

O Acaso e a Necessidade de Jacques Monod
Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley
Em Que Crêem Os Que Não Crêem? de Umberto Eco e Carlo Maria Martini
Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago
O Estrangeiro de Albert Camus
A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera
A Lógica da Pesquisa Científica de Karl Popper
O Mundo Assombrado Pelos Demônios de Carl Sagan
O Sítio da Mente de Henrique Schützer del Nero
Sonhos de Robô de Isaac Asimov
Tenho a opinião de que o ateísmo é a hipótese mais provável diante dos dados que temos à disposição. As crenças religiosas não passam de fugas, alimentadas pelo medo da morte e pela necessidade de sentir-se especial; são antropocêntricas, destinam-se a aliviar a angústia com respostas fáceis e confortadoras. E como se não bastasse, para isto fazem uso da idéia mais autoritária que conheço, a idéia de deus, baseada em onipresença/onisciência e no maniqueísmo castigo/recompensa. Mas a ciência já desfez toda e qualquer ilusão antropocentrista, sabemos que nossa existência é efêmera e frágil. Talvez seja isto o que a torne especial.
Além de considerar que seja a posição mais coerente, penso que o ateísmo seria a base mais sólida para a construção de uma sociedade libertária, verdadeiramente humanista, em que seríamos ao mesmo tempo livres e responsáveis. A escolha cabe unicamente ao próprio homem. Nas palavras de Monod, "Não mais do que seu destino, seu dever não está escrito em lugar algum".
Penso que nossos maiores desafios atualmente são a divulgação do método científico a todos os setores sociais e a definição formal de uma ética secular, além de defender o cumprimento da separação entre Igreja e Estado.
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