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Estatísticas Oficiais da STR Publicado: 29/11/2001
Atualizado: 29/11/2001
   
                     
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VIDA APÓS MORTE: CONCLUSÃO
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de Ronaldo Cordeiro


"E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos...
O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro"

A Bíblia - Josué 10:13 - autor desconhecido

"declaramos solenemente que um anjo de Deus desceu dos céus, trouxe-as [as placas de ouro com os textos] e colocou-as diante de nossos olhos, de maneira que vimos as placas e as gravações nelas feitas e sabemos que é pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo que vimos e testificamos que estas coisas são verdadeiras"
O Livro de Mórmon - Depoimento de Três Testemunhas - Assinado por Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris (1830).

"Numa ocasião em 1927...[segue-se uma história absurda]. É mentira, Terta?"
Pantaleão - personagem de Chico Anysio

"Verdade."
Terta - personagem de Chico Anysio

Após as várias rodadas do debate, agora que este está se encerrando confesso-me um tanto decepcionado. Imaginei que iríamos discutir o que existe de mais atual no conjunto do conhecimento humano atual a respeito do tema "vida após a morte". Defendendo o lado do ceticismo, apresentei exemplos vindos principalmente da área da neurociência, que estão entre os melhores argumentos a favor da interdependência consciência-cérebro e contra a possibilidade de haver alguma consciência extracerebral. Imaginei que o debatedor que se propôs a defender a hipótese da vida após a morte iria também recorrer aos recursos mais atuais possíveis, até porque, por defender a existência de espíritos, caberia a ele o ônus da prova, e a uma hipótese desse porte seriam adequadas provas extraordinárias. Eu esperava encontrar referências a pesquisas mais recentes, talvez algo de Elizabeth Kübler-Ross ou Raymond Moody na área de experiências de quase-morte, ou de experiências extra-corpóreas, ou de alegações de reencarnação como as estudadas por Ian Stevenson, H. N. Banerjee ou Stanislav Grof, ou alguma teoria de espíritas brasileiros como a "Teoria Corpuscular do Espírito", de Hernani Guimarães. Ou até mesmo os apelos à filosofia da ciência, ao estilo de Sílvio Chibeni, que os defensores de teorias estranhas costumam apresentar na falta de provas científicas.

No entanto, só foram apresentadas histórias dos primórdios do espiritualismo, envoltas em acusações de fraude, ou testemunhos de casos, no melhor estilo dos relatos dos abduzidos por ETs, dos paranormais, dos vendedores de bugigangas milagrosas ou dos urinoterapeutas. Até mesmo os céticos mais desinteressados pelo assunto sabem que os defensores da hipótese espiritual têm coisas mais convincentes que isso para apresentar.

É uma pena. Se tivéssemos tido a oportunidade de discutir casos como os de Stevenson, por exemplo, que Paul Edwards trata como "O Galileu da Reencarnação"1, poderíamos ter aproveitado a oportunidade para mostrar os vários tipos de falhas que costumam surgir nesse tipo de estudo. Coisas como a tendenciosidade por parte do experimentador, escolha dos alvos, falta de controles, erros na avaliação dos resultados e apelo a falácias lógicas, etc. Tenho certeza de que teria sido bastante educativo.

Infelizmente, o debatedor Marcos se prendeu demais às histórias do passado e aos casos testemunhais, sem apresentar maiores referências. A história da humanidade está repleta de relatos de casos dos mais fantásticos, alguns feitos com a mais absoluta convicção. Curiosamente, pode-se notar que os relatos mais extraordinários são encontrados nos textos mais antigos, e que quanto mais recente é a história, mais razoável tende a ser seu conteúdo. Isso não é por acaso. Embora ninguém mais tenha a ousadia de criar uma história como a de Josué, em que o sol pára no céu, ainda hoje existem pessoas que se dedicam a fazer os mesmos truques que os falsos médiuns faziam nos primórdios do espiritualismo. No entanto, a comunidade científica séria já não se interessa mais por isso como chegou a se interessar na época de Thomas Edison e William Crookes. O tempo dos espiritualistas passou e eles não conseguiram apresentar provas convincentes. Hoje em dia teriam que apresentar provas mais convincentes ainda. É pouco producente tentarmos hoje analisar experiências de cientistas do passado, que atualmente não mais são reproduzidas. Ainda que não encontrássemos nelas nenhuma falha experimental aparente, o máximo que provaríamos seria, talvez, que os espíritos existiam, e agora não existem mais. Bem, talvez os grandes milagres também só acontecessem no passado.

Quanto ao pouco de científico que foi discutido, não há muito mais o que se comentar. A dependência consciência-cérebro está hoje muito bem fundamentada na ciência, e esta ligação se torna cada vez mais evidente à medida em que as neurociências avançam. Sempre que os defensores dos espíritos, ou "fantasmas dentro da máquina", tentam justificar por que uma pessoa tem a personalidade alterada por lesões no cérebro, doenças, drogas ou cirurgias, as explicações criam mais problemas do que resolvem, e acabam provando ainda mais que a consciência é o resultado de processos cerebrais, e nada mais que isso. O debate talvez tenha ao menos conseguido despertar os leitores para o fato de que a hipótese dos espíritos é, rigorosamente, absurda. A única coisa que justifica o fato de que tantas pessoas ainda acreditem nela é o profundo apoio que as religiões dão a esse tipo de idéia. E, como mencionei na abertura do debate, é pouco provável que elas venham a abrir mão disso.

O debatedor Marcos, no início da discussão, afirmou que o espiritismo tem, além dos aspectos religioso e filosófico, o aspecto científico. Eu faço questão de lembrar que a história da ciência, como a define Robert T. Carroll, é "entre outras coisas, a história da teorização, testes, discussões, refinamentos, rejeições, substituições, novas teorizações, novos testes, etc."2. O monge austríaco Gregor Mendel, considerado o pai da genética, publicou seu famoso trabalho com ervilhas em 1865. Em 1882, foram descobertos os cromossomos. A associação do DNA com a hereditariedade em 1944, e a estrutura do DNA em 1953. Em 1972, foi produzida a primeira molécula de DNA recombinante. A técnica do PCR veio em 1985. Recentemente, em 2000 e 2001 vimos a publicação dos primeiros resultados do projeto genoma. História semelhante aconteceu e acontece ainda com a neurologia e ciência cognitiva. A teoria espiritual, por outro lado, parece ter parado no tempo. Não se descobriu nada sobre a estrutura, composição ou sobre a forma como os espíritos interagiriam com o cérebro. Não se descobriu como detectá-los, não se aperfeiçoaram procedimentos experimentais, não foi criado nenhum "espiritômetro", "espiritoscópio", ou coisa semelhante. Seus defensores continuam a se apoiar em relatos do fim do século 19, repletos de suspeitas de fraudes, e a se associar com o misticismo e a superstição. A genética, felizmente, não parou em Mendel. Recentemente levantaram-se suspeitas de que ele teria falsificado seus resultados, já que os números que apresentou eram exatos demais para serem verdadeiros3. Mas as descobertas e avanços que ocorreram na área desde Mendel foram tão grandes que a genética não sofreu sequer um arranhão. Isso é ciência. Será que poderíamos dizer o mesmo sobre o espiritismo?

Referências

1 - Paul Edwards - Reincarnation, a Critical Examination
Prometheus Books - 1996
Voltar

2 - Dicionário do Cético - Ciência

  • http://www.cetico.hpg.ig.com.br/ciência.html Voltar

    3 - "Evidence that Mendel's reported data are too good to be true"

  • http://www.nih.gov/about/director/ebiomed/mendel.htm Voltar

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    Veja como foi o debate:

    Etapa
    Data
    Introdução do debatedor A 03/11/2001
    Introdução do debatedor B 03/11/2001
    1a Resposta do debatedor A para a Introdução do debatedor B 07/11/2001
    1a Resposta do debatedor B para a 1a Resposta do debatedor A 12/11/2001
    2a Resposta do debatedor A para a 1a Resposta do debatedor B 17/11/2001
    2a Resposta do debatedor B para a 2a Resposta do debatedor A 22/11/2001
    Conclusão do debatedor A 29/11/2001
    Conclusão do debatedor B 29/11/2001
    Comentários do Presidente, dos Editores e dos leitores 02/12/2001


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