Publicado: 29/11/2001
de Marcos Arduin
Margarida Fox retratou-se de sua confissão no New York Herald de 16 de novembro de 1889, um ano depois de confessar fraude. Normalmente os críticos "esquecem" essa retratação e quando se "lembram", vem à baila a questão de dinheiro, que o Sr Ronaldo não esqueceu. Margarida ter-se-ia retratado para poder ganhar dinheiro com sessões novamente. Vejamos, entretanto, alguns fatos: se Margarida estava na miséria, a ponto de aceitar suborno para confessar fraude, qual foi a situação vantajosa que ela teria perdido ao fazer a confissão? E se morreu na miséria, qual foi a situação vantajosa que recuperou? Sem contar ainda outro detalhe: na sua retratação, ela disse que não faria mais sessões. Estranho para alguém que queria ganhar dinheiro... O caso do cadáver encontrado foi relatado no Boston Journal de 23 de novembro de 1904. O esqueleto quase completo estava enterrado entre a parede da adega e o chão e junto com ele foi encontrado um baú de mascate. Quanto ao inocente Sr Bell, quando a notícia de um crime ocorrido na casa era só um caso de pancadas fantasmagóricas, a antiga criada dele, Lucretia Pulver, declarou realmente ter visto o mascate, um homem de aproximadamente 30 anos. Como o mascate ia passar aquela noite na casa dos Bells, Lucretia teve de ir dormir na casa de parentes. Ela mesma desejava comprar umas coisas do mascate, mas na ocasião estava sem dinheiro. Ele se comprometeu procurá-la na casa dela, no dia seguinte, mas nunca mais foi visto. No dia seguinte, quando voltou à casa dos patrões, eles disseram que o mascate já teria ido embora. A uma certa altura, o patrão mandou-a fechar a porta externa da adega, no porão. Foi então que Lucretia pisou num buraco e caiu, ela notou que o chão parecia estar desnivelado e remexido. Disseram que eram ratos que estavam fazendo buracos no lugar. Alguns dias depois ela viu o patrão levando entulho para o porão, à noite, e a patroa disse que ele estava tapando os buracos dos ratos. Esse episódio ocorrera em 1844. Foi assim que se chegou a esse inocente Sr Bell e não como resultado de "uma busca em todo o país por algum antigo morador daquela casa". Sucessivos moradores daquela casa, até a vinda da família Fox, também declararam ter ouvido barulhos estranhos, que não conseguiam descobrir de onde vinham, nem quem os causava. Bem, o debate é considerado encerrado com a Conclusão, e talvez não seja justo fazer colocações que o Sr Ronaldo não poderá responder, uma vez que as conclusões serão divulgadas conjuntamente, mas infelizmente não dá. Sr Ronaldo, pedi-lhe que contestasse as três comissões que examinaram as Fox, explicando como elas teriam enganado aqueles "comissários"... e o senhor tem a petulância de dizer que naquele artigo imbecil do The World está explicado isso? Sr Leo, eu pensei que essa tal "távola redonda" (brincadeirinha) fosse formada por pessoas céticas, mas pelo visto é engano: é permitido ser crédulo, e muito até, quando se trata de validar certos temas aprovados pela Sociedade. Pelo menos é o que estou vendo aqui com o Sr Ronaldo. Para que os leitores tenham uma idéia da qualidade da confissão de fraude de Margarida, vejam só o que ela diz naquele artigo: "Minha irmã Kate e eu mesma éramos crianças muito jovens quando esta maldição horrível começou. Eu tinha oito anos e era só um ano e meio mais velha que ela (...) mas (Léa) veio logo depois para Hydesville, a pequena aldeia em Nova Iorque central que era onde NASCEMOS E VIVEMOS." Acontece que a família Fox era canadense e emigrou para os Estados Unidos, indo viver naquele vilarejo em 1847. E os fenômenos de sons de pancadas tiveram o seu ápice em 1848. Então Margarida nasceu e envelheceu oito anos em apenas um? Nem mentir direito ela soube, nem os ouvintes ligaram a mínima. Agora olhem só como faziam os truques: prendiam maçãs com barbantes e as suspendiam e deixavam cair sucessivamente contra o chão, para assustar a mãe. IMPORTANTE: na noite de 31 de março de 1848, quando os sons das pancadas eram ouvidos na casa inteira, a Sra Fox e as duas meninas SAÍRAM e foram dormir na casa de Léa Fox Fish, em Rochester; os vizinhos permaneceram na casa e os sons CONTINUARAM sendo ouvidos. Se as meninas, longe da casa agora, ainda estavam movimentando as maçãs, deviam estar usando barbantes com 32 km de comprimento... e invisíveis, pois nem a mãe, nem os vizinhos conseguiam vê-los. Depois, com muitos curiosos querendo ouvir a barulheira, o truque das maçãs ficou impraticável e o jeito foi... bater na guarda da cama; e finalmente aprenderam a estalar dedos com a ajuda da irmã Léa. Como é mesmo aquela sua frase, Sr Ronaldo? Afirmações fantásticas exigem provas fantásticas? Então agora é a minha vez. Considero fantástica demais essa afirmação de que, apenas com o estalar de dedos, as Fox puderam enganar comissões investigadoras, bem como William Crookes e outros que as estudaram e, de quebra, atuarem como médiuns pagas durante 40 anos. Agora sou eu quem quer provas. Façamos os seguintes testes, Sr Ronaldo: o senhor arranja pessoas capazes de estalar artelhos e vamos ver se reproduzimos as condições observadas por aquelas três comissões. Experiência 1: Os "médiuns" estalarão os artelhos livremente, cujo som será gravado. Nas experiências seguintes também. Lembro que estalo de articulação é um som muito característico e facilmente reconhecível. Experiência 2: Os membros das comissões declararam ouvir sons nas portas, janelas, teto e chão. Pois bem, os artelhos devem ser estalados, mas NENHUM SOM DEVE SAIR DELES: os sons devem partir dos locais indicados (teto, chão, portas, janelas, etc.). Um detalhe: ninguém pode estar junto nem das portas, nem janelas e o recinto não pode ter andar inferior, nem superior. Ninguém poderá ficar sobre o teto. As Fox confessaram que faziam os truques estalando artelhos, mas nada disseram sobre alguma equipe de cúmplices para auxiliá-las. Quero ver demonstrações de que, apenas com estalos de artelhos, é possível produzir esse efeito e, principalmente, COMO é produzido. Experiência 3: Declarou a 3ª comissão que os sons eram variados, indo desde pancadas fortes até sons fracos, semelhantes ao tique-taque de relógio. Pois bem, esses estalos de artelhos devem reproduzir exatamente sons desse tipo. Experiência 4: Declarou a 1ª comissão que os sons produziam vibrações à distância. Vou então pegar uma cadeira de madeira, apoiá-la sobre uma almofada e exigir que, sem contato com ela, os "médiuns" estalem os artelhos e eu ouça o som vindo da cadeira e a sinta vibrar quando eu estiver com a mão sobre ela. Um fiscalizador da STR é claro, também deve segurar a cadeira junto comigo e, se possível, ela deve também estar acoplada algum instrumento capaz de registrar as vibrações. Experiência 5: A 3ª comissão declarou que perguntas mentais foram corretamente respondidas. Assim então, eu vou me sentar à frente do "médium" e imediatamente entrego um envelope lacrado ao fiscal, contendo perguntas simples, em determinada seqüência. Num pequeno papel, oculto às outras pessoas, vou ler em silêncio as mesmas perguntas, na mesma ordem, e, com estalos de artelhos, o "médium" terá de respondê-las corretamente. Serão perguntas simples, do tipo: qual a cor da camisa que está usando? Qual o primeiro nome de sua mãe? Qual é o seu RG? Coisas enfim que o "médium" certamente saberia responder. As perguntas são antecipadamente registradas no papel dentro do envelope, para que nada seja mudado durante a leitura em silêncio. Experiência 6: serão trazidas pessoas que desejam contatar parentes falecidos. O fiscal da STR receberá envelopes lacrados com os nomes dos tais parentes, as perguntas que serão feitas e as respostas certas esperadas. Uma vez que as Fox atuaram como médiuns pagas e ninguém até agora me apresentou as listas de reclamações e os processos judiciais movidos contra elas por fraude ou estelionato, então devo presumir que acertaram na maioria dos casos. A freguesia parece ter ficado satisfeita. E assim então, vejamos se os "médiuns", servindo-se apenas do recurso de estalar artelhos, conseguirão uma boa média de acertos. Bem, se por acaso os fabulosos fenômenos paranormais do passado hoje têm vergonha de aparecer diante dos modernos equipamentos como vocês céticos alegam, presumo que o mesmo não deve acontecer com os estalos de articulações. E assim então as pessoas comuns, não médiuns, que têm essa capacidade, poderão tranqüilamente reproduzir os fenômenos das Fox nas condições acima exigidas. Se de fato puderem fazê-lo, Sr Ronaldo, então só me resta dizer: _ OK! Você venceu! Estou convencido de que apenas com o recurso de estalar articulações, todos os fenômenos atribuído às Fox são possíveis. Mas se não puderem, então favor ser mais incrédulo um pouco com certas confissões, Sr Ronaldo, senão vai acabar sendo expulso da STR. Agora só uns últimos respingos. Vou ficar devendo os estudos mais recentes em periódicos confiáveis, pois o senhor mesmo já declarou que os tais periódicos não aceitam tais coisas. E quanto ao Cruzeiro, foram 80 páginas de reportagens demolidoras, acusando de fraude a médium Otília Diogo, em conspiração com Chico Xavier e Waldo Vieira e mais 19 médicos que estudavam o fenômenos de materialização. Contavam os repórteres até com a ajuda do perito Carlos Éboli (que hoje é nome de instituto) para mostrar que tudo era fraude. Contavam ainda com a cobertura dos Diários Associados, que tinha até pacto de não-agressão com outros meios de comunicação. Isso significava que se o Cruzeiro difamasse uma pessoa, os outros meios de comunicação não abririam espaço para que essa pessoa fizesse a sua defesa. Só não contavam aqueles repórteres com a persistência de Jorge Rizzini e Luciano dos Anjos, que, em programas de televisão, desmoralizaram os repórteres, pois ficou provado que foram eles que fizeram reportagens fraudulentas contra Chico, Waldo e a médium. Aliás, o Cruzeiro, sob a liderança de David Nasser, era marcadamente anti-espírita. Não é necessário que saibamos sobre Genética para perceber que a hipótese de espíritos atuando dentro da máquina é absurda. Lamento, mas em minha infinita burrice eu realmente não percebo nada mesmo. Lá vem o Sr Ronaldo com o cérebro outra vez, imaginando que um espírito deveria fazer isso ou aquilo, para cada função que há no cérebro. Quer mais uma outra hipótese para se divertir? Então aí vai: quando o espírito está encerrado no corpo e este está em estado consciente, o espírito só consegue perceber o que vai pelos órgãos do sentido deste corpo. Assim, portanto, se o espírito recebe uma informação verbal via hemisfério direito, sua forma de interpretá-la estará vinculada às limitações deste hemisfério. Assim então, o espírito não saberia como se expressar ao hemisfério esquerdo para que a informação fosse traduzida em palavras. Mas isso tudo é especulação, e fica o Sr Ronaldo dizendo que não se pode provar a hipótese, mas que também não se pode refutá-la e ficamos assim esgrimindo no ar e comparando a coisa com as vacas sagradas nórdicas. Falou-se também do jeito mais difícil... Bem, Sr Ronaldo, citei aqui um dos caso de Leonore Piper, que onde o espírito Robert Hyslop foi interrogado sobre um certo Sr Cooper, que o pesquisador sabia ser um vizinho desafeto dele em vida. Em vez deste, o espírito falou de um outro Cooper, o filósofo, desconhecido do pesquisador e o filho James Hyslop. E ficou confirmado que o segundo Cooper existiu e fora amigo do Robert Hyslop em vida. Coisa que ninguém ali sabia. De certo dirão os citados Penn & Teller que se Piper recorreu de fato ao espírito do falecido para saber dessas coisas, então o fez do jeito mais difícil, certo? Qual teria sido o jeito mais fácil? Seria cercar-se de uma equipe de assessores, ter disponíveis microfones micros mesmo, a la 007 (que suponho deviam ser muito comuns, baratos e de fácil aquisição no início do século XX), com os quais pudesse grampear os pesquisadores e assim saber antecipadamente o que iam perguntar. No caso do Cooper dos cachorros, chegaram ao requinte de, ao invés deste, os assessores de Piper saíram a correr pelo país à procura de um outro Cooper diferente, que nem o filho do Robert Hyslop conhecia, para tornar a farsa ainda mais convincente. E o fizeram em tempo recorde, passando a informação à médium antes da reunião com o pesquisador. Também não tiveram esses assessores dificuldades de se esconder dos detetives que seguiam Piper, nem os pesquisadores nunca encontraram os microfones durante os 15 anos de investigação, nem nada. Facílimo, não? Só mesmo os espíritas fanáticos e babacas preferem acreditar que um fantasma de verdade poderia explicar o fenômeno, quando aqueles processos técnicos todos explicariam de um modo muito mais convincente e preciso... Um incrédulo aceitaria tal raciocínio, Sr Ronaldo? E agora sim, finalmente, a conclusão Antes de mais nada, agradeço à Sociedade Terra Redonda por essa oportunidade e ao Sr Ronaldo por concordar em debater comigo. Ficou uma questão de alma x cérebro. De acordo com o Sr Ronaldo só há cérebro e não alma. E falou-se também dos modernos equipamentos. Se o cérebro é tudo e não há alma, então eu salientei que as diferenças entre cérebros de santos e cérebros de celerados deveriam ser marcantes, ou pelo menos detectáveis e, de certa forma, padronizadas. Os modernos equipamentos já não as descobriram? Idem para os gênios e para os parvos. Infelizmente essas coisas importantes ficaram faltando explicar. E acho-as muito relevantes para a defesa da ausência de alma, pois, à primeira vista, os cérebros sadios são essencialmente iguais. Meu interesse nesta participação, de que não fiz segredo, era ver contestados - de forma firme e consistente - os trabalhos científicos sobre fenômenos mediúnicos (ou paranormais se preferirem) desenvolvidos entre 1850 e 1930. Nesse sentido, saí de mãos abanando, mas não foi surpresa. Lembra-me a análise de revisores de um texto de trabalho científico que redigi há tempos. O texto falava de uma galha (tumor vegetal) que podia iniciar-se de duas maneiras diferentes. Mas só de uma forma de início eu tinha boas lâminas histológicas, razão pela qual enviei fotos dessas apenas. Os revisores disseram que era preciso também fotos do outro tipo, pois era uma coisa muito interessante que uma mesma galha tivesse duas formas diferentes de se iniciar o desenvolvimento. Mas tinha que haver fotos do material, POIS ELES NÃO PODIAM ACEITAR AFIRMAÇÕES EM FÉ APENAS. É isso aí! Na profana Botânica, exige-se, e com muita razão, preto no branco. Não se pode falar de coisas que não se pode mostrar ou provar. Aprendi essa lição. Mas estou vendo que em se tratando de mediunismo, fenômenos paranormais, etc., a coisa dá um giro de 180°. Inverte-se tudo e mudam-se todos os critérios. Lembro aqui que Robert Hare decidiu investigar o Espiritualismo, com o propósito de expor toda a sua fraudulência. Foi aclamado pela imprensa da época, pois breve estaria exposta toda a mistificação. Mas deu azar: ele acabou descobrindo que a coisa não era tão falsa assim. Redigiu um memorial pedindo para ser apreciado pelos mestres da Universidade de Harvard e eles simplesmente RECUSARAM-SE a fazê-lo, lamentando a adesão de Hare àquela gigantesca mistificação. Disse o Sr Ronaldo que haveria um rebuliço no meio da comunidade científica com experiências como as de William Crookes. Interessante que, tal como Hare, a imprensa aclamou o fato, dizendo que se um homem como Crookes estudava o assunto, em breve todos saberiam no que deveriam crer. Bem, enquanto estava trabalhando com Florence Cook, ele convidou colegas da Royal Society para a ver as coisas. Eles RECUSARAM o convite. Crookes submeteu o relatório de suas pesquisas em 15 de junho de 1871, mas este foi REJEITADO, POIS NÃO DEMONSTRAVA A FALSIDADE DO ESPIRITISMO. Gabriel Stokes, secretário da Royal Society, PROIBIU a publicação de artigos de Crookes sobre os fatos presenciados no periódico editado pela Royal Society. Crookes só conseguiu publicar em julho de 1871 no Quartely J. Science e a Society expressou o seu pesar por tal publicação, pois a seu ver o relatório era INCORRETO e representava uma brecha no regulamento da mesa. Os grifos são meus; e notem que esses críticos nunca verificaram porque o relatório estaria incorreto. Acho que o Crookes não era tão dono do "Quartely" como o Sr Ronaldo pensa... Pois bem, ele publicou seus trabalhos confirmando a validade dos fenômenos e a comunidade científica o execrou por isso. Crookes teve até que se retrair e desistir de tentar convencer os seus colegas para preservar sua reputação. Contudo, ele jamais se retratou do que escreveu. Como último realce, incluo aqui um artigo de Richet, o qual tirei do livro Espiritismo à Luz dos Fatos, de Carlos Imbassahy, FEB, 4ª ed. Esse artigo é uma refutação ao colega de Richet, o Dr Achilles Delmas, que se meteu a falar contra a Metapsíquica. "Seus argumentos (os de Delmas) são de tal mediocridade que chegam desarmar a crítica. Nada lhes digo das experiências. Ele não as apresenta nenhumas. Nem grandes nem pequenas. A experimentação do Sr. Delmas é o vazio em toda a sua sinistra profundidade Demonstrei pela experiência, e só pela experiência, que realidade chega por vezes ao conhecimento por vias outras que não as sensoriais comuns. Pois bem. Veja-se o característico do estado d'alma de Sr. Delmas, ele se contentou com uma meia página, para refutar "tudo" o que foi dito sobre o assunto. Que disse ele dos Fantasmas dos Vivos? Nada. Que disse ele de J. Hyslop? Nada. Que disse ele de F. Myers? Nada. Que disse ele de R. Hodgson? Nada. Que disse de Aksakof? Nada. Que disse de Stainton Moses? Nada. Que disse ele de Sra Thompson? Nada. Que disse de Sra Leonard? Nada. Que disse de Oliver Lodge? Nada. Que diz ele Sra Sledwick? Nada. Que disse de M. Huysmans? Nada. Que disse de William James? Nada. Que disse de Osty? Nada. Entretanto, existe uma vintena de obras consideráveis, escritas por homens leais e sábios, que estudaram paciente, laboriosamente esse belo e difícil problema e executaram experiências perfeitas. É verdade que Delmas consente em consagrar cinco linhas a Ossowietzki. Em sua ingenuidade - é a palavra mais benévola que posso adotar - eis tudo o que ele disse ali: - "Um de meus amigos, e de grande autoridade, - e aqui a autoridade, posto que anônima, intervém magistralmente - foi especialmente. convidado a uma sessão: houve três tentativas que foram três desastres."
Pensamos sonhar. Eis tudo que o Sr Delmas pôde objetar às quarenta experiências, de precisão incomparável, que fizemos, uns e outros, com Ossowietzki. Já é verdadeiramente abusar da bonomia dos seus leitores acreditar que três experiências negativas, ainda que a autoridade do anônimo seja quase divina, podem arruinar, demolir, modificar completamente, aniquilar, lançar no abismo das ilusões e dos erros, quarenta experiências, positivas, irreprocháveis." Enfim! Eis-nos, enfim, em presença de alguma coisa de sólido. O Dr. Berillon - que não é William James, nem Sir Oliver Lodge, nem Frederico Myers -, o Dr. Berillon - que nada viu, aliás -, faz expressas reservas. Quais? E isto basta para que o Sr Delmas possa concluir que toda a história de Sra Piper é uma prolongada mistificação. Berillon duvida; é quanto basta para Sr Delmas negar. Não se pode ser mais acomodatício. Aí, ainda, o Sr. Delmas abusa da credulidade dos seus leitores. E abusa mais, citando Jules Bois, que achou um erro em Sra Piper. Um erro em cinco grossos volumes de respostas. É bem grave! Em uma palavra, e com todo o respeito que devo a um confrade, doutor em Medicina como eu, toda essa critica à metapsíquica subjetiva me parece, não ouso dizer um gracejo, mas um nada. Deixemos vários outros lances, que o espaço não nos permite delongas e passemos à metapsíquica objetiva." (...) "Em realidade, toda a argumentação de Sr. Delmas onde não há o menor traço de experimentação, repousa na afirmativa seguinte: os médiuns declaram haver enganado. É tudo. Absolutamente tudo. A declaração dos médiuns explica tudo. Para responder a todas as provas acumuladas, a todas as precauções, rigorosamente tomadas, a todas as impossibilidades mecânicas, materiais de fraude, de que se rodearam as experiências múltiplas de Home, de Eusápia, de Eglinton, de Moses, da Sra. d'Espérance, da Sra. Marryat; e com Aksakof, Lombroso, Maxwell, Botazzi, Morselli, e muitos outros, cujos nomes encheriam toda esta página, o Sr Delmas contenta-se em dizer: - "eles fraudaram". Poder-se-á supor que Delmas desvendou truques notáveis, inéditos, prestidigitações hábeis, artifícios delicados, invenções abracadabrantes e suntuosas, as quais teriam enganado os pobres sábios ingênuos. Nenhumamente! O Sr Delmas não nos indica nada de novo. Ele ignora, mesmo, que fui eu o primeiro que desvendou o truque simplíssimo de Eusápia, substituição de uma mão por outra. Ele ignora, ainda, que os médiuns trapaceiros, cujos nomes cita - Cradock, Eldred, Milner, Sambor - foram desmascarados pelos espíritas e pelos metapsiquistas. Assim, nada indica que os médiuns, além dos escroques, tenham enganado, senão com as suas declarações. E depois de haver, prudentemente, passado em silêncio a metapsíquica subjetiva, em face da objetiva, O Sr Delmas contenta-se com uma frase, que é como a torta de creme de Molière: - a declaração dos médiuns." Charles Richet. 1934. La Défese de la Métapsychique. Rev. Met., pág. 5 Acho que os exemplos acima são suficientes para mostrar uma coisa: a Comunidade Científica desconsidera os trabalhos dos pesquisadores que endossaram a validade dos fenômenos mediúnicos UNICAMENTE POR PRECONCEITO. É óbvio, pois praticamente nenhum dos negativistas desceu de suas cátedras para provar a fraude. Têm-se aí o que? O Michael Faraday, que desqualificou o fenômenos das mesas girantes; os médicos de Buffalo, que examinaram as Fox; quem dá mais? Esses poucos gatos pingados, que trabalharam no máximo alguns dias, para se oporem às dezenas de pesquisadores que trabalharam anos, durante o período de 1850 até 1930, sob condições rigorosas, antes de admitirem a realidade dos fenômenos. Desculpem-me caros céticos, mas está fraco. Se a comunidade científica houvesse também investigado, tirado a limpo as fraudes, mostrassem onde os pesquisadores metapsíquicos haviam se enganado, então beleza! Mas sem ter feito isso, aceitar a palavra de quem nunca viu, nem investigou, em detrimento dos que pesquisaram e investigaram, não me parece muito inteligente, mas céticos parecem me dizer que nestes casos eu posso sim aceitar afirmações em fé. Digam-me, senhores céticos: por que devo ter fé nos negativistas, que nada viram simplesmente porque NÃO QUISERAM VER? Talvez tenha sido só uma impressão minha, mas senti no ar um segundo convite: _ Deixe de lado os que trabalharam e pesquisaram, pois esses eram só um bando de babacas ignorantes que se deixaram enganar por espertalhões. Fique com os sábios, que nunca viram um médium sequer em sua frente, que nunca fizeram um experimento, que tiraram castanhas com a mão do gato citando os Houdinis da vida, mas que tiveram a esperteza de desconsiderar esse assunto, por saberem ser fantástico demais. Como infelizmente não sou um sábio _ quem acompanhou o debate deve ter percebido isso _ vou insistir na minha burrice de continuar validando os antigos pesquisadores que se pronunciaram a favor dos fenômenos. Isso até o dia em que me provem que eles foram de fato muito bem enganados. Mas duvido que isso venha a acontecer, pois nem o Harry Houdini, nem nenhum outro mágico apareceu no Instituto de Metapsíquica para mostrar como todos ali eram facilmente ludibriados. Coisa essa que dois aprendizes de mágico fizeram com um moderno instituto... Certo, mágicos desmascararam farsantes, mas provaram esses mágicos que os médiuns estudados pelos vários pesquisadores eram também farsantes? Para quem nunca viu, nem pesquisou, uma demonstração de fraude feita por um Harry Houdini tem um efeito devastador... e comprovador. Mas para quem se deu ao trabalho de investigar e de se cercar de garantias contra a fraude (e quando encontrou os farsantes, os desmascarou) os Houdinis não são nada muito especial. Realmente é muito difícil para mim admitir que 80 anos de pesquisa e dezenas de pesquisadores, vários deles incrédulos e anti-espíritas, possam ser mais um caso de Raios N. Ainda mais quando os que desacreditavam deles, nem se deram ao trabalho de fazer como o cientista da publicação científica, que foi tirar a limpo a questão dos Raios N. Lembro aqui o outro argumento de que não se pode apenas ficar com os experimentos antigos, mas que haja novos, com novos e mais avançados métodos. Concordo, mas voltam os mesmos problemas de antigamente: Quem vai fazer esses experimentos? Os pseudocientistas já foram descartados; os céticos por acaso se habilitam? Que órgão de fomento irá financiá-los? Alguém pode me dizer quanto custa o aluguel de um equipamento de ultrasonografia, ou um de tomografia computadorizada ou um de ressonância magnética? Na hipótese de os pesquisadores terem verificado os fatos fantásticos _ e pior ainda: terem a audácia de confirmá-los _ que trágico destino os aguarda na comunidade científica? Lembre-me de que a História tem mostrado de que, se os fatos estiverem em desacordo com as teorias, os desejos e os anseios da dita comunidade científica, a sabedoria manda que se rejeite os fatos, senão... Terão esses novos pesquisadores a mesma coragem de Robert Hare, William Crookes & Cia Bela para encarar essa? E, finalmente, o que os médiuns que produzem os tais fatos têm a ganhar com isso? A Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres sempre foi hostil aos médiuns. Tanto assim que Conan Doyle diz que no prédio dela havia uma excelente sala de sessões, mas difícil era convencer um médium entrar ali. Posso dizer que nos anos 1930 o interesse científico declinou, pois tudo se repetia _ os fenômenos e a hostilidade da comunidade científica _ e daí encerrou-se a fase científica do Espiritismo. Ficou a Parapsicologia, que adotou esse nome pois considerava que a Metapsíquica estava muito contaminada pelo Espiritismo, e disseram os autores cristãos que li, que ela foi reconhecida como ciência. Pode ser erro meu, mas a minha impressão é que a Parapsicologia é uma ciência que até agora não disse a que veio. Os médiuns então saíram de vez dos laboratórios e decidiram ficar junto às mesas de centros espíritas. Pelo menos lá eles são bem vindos. Mais uma vez agradeço a oportunidade de participação, mas realmente não posso deixar de lado os pesquisadores que pesquisaram o assunto, enfrentando a tudo e a todos, para ficar com essa comunidade científica, que reza pela cartilha que diz: _ Não provei e não gostei. Apesar do tema, só apresentei uns poucos casos que sugerem a comunicação de espíritos e que, no final podem ser a prova de nossa sobrevivência. Não quis incluir outros, pois a maioria são testemunhos não verificados e quanto aos trabalhos científicos feitos, imaginava que fossem do conhecimento do pessoal aqui da STR, mas parece que a coisa não foi bem assim. A quem deseja saber mais sobre o assunto, listo os seguintes livros: Aksakof, Alexandre. 1987. Animismo e Espiritismo. Vol. I e II. Federação Espírita Brasileira, 5ª ed. Amorim, Deolindo. 1993. O Espiritismo à Luz da Crítica. Edições CELD. Conan-Doyle, Arthur. S/d. História do Espiritismo. Editora Pensamento. Crookes, William. 1971. Fatos Espíritas. Federação Espírita Brasileira, 8ª ed. Imbassahy, Carlos. 1935. Espiritismo à Luz dos Fatos. Federação Espírita Brasileira, 4ª ed. Imbassahy, Carlos. 1951. À Margem do Espiritismo. Federação Espírita Brasileira, 3ª ed. Imbassahy, Carlos. 1988. A Missão de Allan Kardec. Federação Espírita do Paraná, 2ª ed. Miranda, Hermínio Correa. 1975. Reencarnação e Imortalidade. Federação Espírita Brasileira, 3ª ed. Miranda, Hermínio Correa. 1975. Sobrevivência e Comunicabilidade dos Espíritos. Federação Espírita Brasileira, 3ª ed Rizzini, Jorge. 1997. Materializações de Uberaba. Livro Fácil-Nova Luz Editora, 2ª ed. Rodrigues, Wallace Leal V. 1980. Katie King. Editora O Clarim. Tourinho, Nazareno. 1993. O Trabalho dos Mortos e a Tolice dos Vivos. Federação Espírita do Estado de São Paulo. Wantuil, Zêus. 1958. As Mesas Girantes e o Espiritismo. Federação Espírita Brasileira, 2ª ed. Você acredita que exista vida após a morte?
Sim
Não
Nenhum dos dois / Outro |