Publicado: 17/11/2001
de Marcos Arduin
Que o público é facilmente enganado, e quanto mais desesperado, mas propenso a ser enganado o é, nem se discute. Esta aí o Fritz, que o senhor citou, no âmbito sacro-salafrário, e eu aqui cito o Plano Cruzado no âmbito profano. É claro que não estou dando aos cientistas que estudaram os fenômenos psíquicos o atestado de infabilidade, mas eles ainda continuam me intrigando. Se todos eles tivessem sido espíritas e sempre tivessem passado um atestado de idoneidade a qualquer médium que se apresentasse, é bem provável que nem estaríamos tendo essa conversa, pois eu mesmo não duvidaria que tudo foi uma pilha de bobagens. Mas o fato é que vários farsantes foram desmascarados, não apenas por mágicos, mas também por espíritas e metapsiquistas. Eu o lembro do caso de Dickson, que não quis levantar os 10.000 francos e mostrar a falência dos métodos anti-fraude do Instituto de Metapsíquica. E até onde sei, poucos eram os pesquisadores que se simpatizavam com o Espiritismo antes de atuarem neste campo. A maioria, até pelo contrário, dispôs-se a investigar inclusive para provar que os fenômenos eram fraudulentos. Daí então fica difícil encaixar uma hipótese do tipo Raios N, uma vez que eles desejavam era exatamente o contrário: que não houvesse fenômenos. Confesso jamais ter visto algum tipo de levantamento estatístico que pudesse confirmar-me que alguma vez o Espiritismo foi moda. Por moda eu entendo algo como a mini-saia de Mary Quant, que a maioria das jovens ocidentais adotaram numa década de rebeldia ou a música dos Beatles. Até onde sei, o Espiritismo ou o Neo-espiritualismo era coisa de "meia dúzia de gatos pingados" em comparação aos outros credos religiosos (ou supersticiosos). O Brasil tem mais ou menos 7.000.000 de espíritas, mas isso é coisa dos anos 80 para cá. Nos anos 20 e 30 eram coisa muito miúda. Tudo bem que hoje tenhamos câmaras infravermelhas e outros recursos dos bons, mas será que os recursos de antigamente de fato nenhuma garantia ofereciam para impedir fraudes? Seriam os mágicos de antigamente tão bons assim que apesar de todas as fiscalizações eles faziam muito bem as fraudes? Ronaldo: "Pesquisas científicas são dinâmicas e precisam evoluir e trazer novos conhecimentos. Se não podem mais ser reproduzidas hoje em dia, ou é porque os pesquisadores do passado se deixaram enganar, ou os supostos fenômenos que ocorriam antigamente são tímidos diante das câmeras e hoje em dia não acontecem mais."Sabe, Sr Ronaldo, quais são os meios de pesquisa hoje? O senhor mesmo citou casos onde pesquisadores "ajeitam" os experimentos. Pelos seus exemplos, esses pesquisadores estavam muito interessados em se chegar a um tal e qual resultado, pois a Parapsicologia era o seu campo de trabalho. Deve ser muito constrangedor para um pesquisador receber consideráveis verbas e no final ter de preencher um relatório para os órgãos de fomento ou à direção da universidade, dizendo que sua pesquisa chegou a resultado nenhum... Mas lembro-lhe que os pesquisadores de antigamente não eram assim no caso que tratamos. Eles tinham outro campo de trabalho e a pesquisa psíquica era algo "paralelo" (Crookes e Varley eram físicos; Lombroso era antropologista; Flamarion era astrônomo). Parece que por enquanto a ênfase está sendo dada aos fenômenos objetivos _ os que são observados fisicamente. O senhor fala num suposto desaparecimento desses fenômenos. Talvez não tenham desaparecido, mas os seus "produtores" têm objetivos mais religiosos do que científicos. Aqui no Brasil, houve médiuns capazes de fenômenos de materialização, comparáveis aos produzidos por Florence Cook, e cujos médiuns foram Ana Prado (1920), Francisco Lins Peixoto _ conhecido como Peixotinho (1950) e Otília Diogo (1960). No caso desta última, houve até um rumoroso caso envolvendo a revista O Cruzeiro em 1964. Não sei se realmente os fenômenos objetivos já não são tão freqüentes; talvez sejam menos divulgados uma vez que para os espíritas não constituem mistério, para comunidade científica eles não existem e talvez para o público, hoje em dia, os médiuns não passariam de um bando de Copperfields amadores). Da minha pare sei que os fenômenos ainda existem. Quando possível, lerei o livro recomendado (The Sorcerer of Kings - The Case of Daniel Dunglas Home and William Crookes", de Victor Stenger), mas por enquanto vou ter de tratar do assunto com os recursos que tenho. Crookes publicou os resultados de suas pesquisas; e ele já era um cientista bem conceituado. Será que ele iria por o seu prestígio em jogo compactuando com uma fraude, que poderia ser descoberta com algumas replicações experimentais. Vamos tentar entender melhor o caso de Crookes. Antes de mais nada, Crookes não estava interessado em investigar esses fenômenos. O que aconteceu é que Florence Cook foi vítima de um complô armado por uma médium rival, a Sra Guppy, onde um parceiro desta acusou Florence de fraude, dizendo que a forma fantasmagória era a própria médium e teria descoberto isso ao segurá-la. A médium ficou gravemente doente por causa disso. As outras testemunhas do episódio falaram a favor dela, uma vez que viram a forma fantasmagórica dissolver-se e Cook ainda estava amarrada na cadeira do gabinete, tal como foram colocada antes da sessão. Não querendo passar por impostora, Cook procurou a Sra Crookes, pedindo-lhe que intercedesse a seu favor. Fica aqui uma pergunta: se ela era de fato uma farsante, por que pediu para ser investigada por aquele que era considerado um dos maiores cientistas da Inglaterra? Teria ela tanta certeza de que enganaria Crookes, se nem imaginava o que ele faria para investigá-la? E não só ele: outros colegas de Crookes, como o Dr Gully e Cronwell Varley também estudaram a médium e os fenômenos. Disse o Sr Ronaldo que "Um caso extraordinário como esse deveria ter tumultuado a comunidade científica e gerado inúmeras replicações independentes dos experimentos". Como eu disse, Crookes publicou seus trabalhos (Quarterly Journal of Science, janeiro de 1874) e informava os seus pares de seus estudos, mas só uns poucos colegas se interessaram pelo caso. Eu tenho um palpite para essa sua colocação, Sr Ronaldo, mas vou deixá-lo para a conclusão. Ronaldo: "O mágico James Randi e os repetidos casos de pesquisadores ludibriados por falsos paranormais..."Como disse, não lembro o nome, mas se for quem estou pensando que é, acho que foi ele mesmo quem treinou os dois rapazes que fizeram de trouxas os parapsicólogos daquele instituto que falei. Concordo que os cientistas "puros", ou seja, sem alguma especialização nas artes mágicas podem ser presas fáceis de farsantes. Aliás naqueles tempos em que os fenômenos aconteciam, alguns dos pesquisadores ou também eram mágicos ou contavam com a acessoria deles. Ronaldo: "É por esse motivo que Geller costuma se apresentar sem problemas para platéias de cientistas"Apresentar-se a uma platéia é uma coisa; submeter-se a um estudo científico bem controlado já é bem outra... pelo menos eu acho. Ronaldo: "mas se recusa a se apresentar a platéias de mágicos"Fácil contornar esse problema: é só convidar o Uri a se apresentar a uma platéia de cientistas que também sejam peritos em artes mágicas, esquecendo-se, é claro de mencionar a ele esse último detalhe. Quanto ao Houdini/Houdin vi umas poucas informações em livro de um apologista espírita, Carlos Imbassahy, e umas outras reportagens isoladas. Como em geral só vi citado o sobrenome e nem sempre o nome, acreditava que falavam da mesma pessoa. Não atinei para o "sem o 'i' no final", pois já vi muitos nomes alterados por erros tipográficos, inclusive não vi o nome Robert Houdini sem "i" no final uma única vez. Ronaldo: "O rei das fugas impossíveis e desmascarador de médiuns, é mesmo Harry Houdini. Ele dificilmente poderia ser espírita como você afirma, já que se dedicava exatamente a desmascarar supostos paranormais e combater o "Espiritualismo". " Ofereceu 10.000 dólares"...Antes de mais nada, eu não afirmei que o Harry Houdini fosse espírita, mas que o Robert era e que eu não sabia se ele tinha alguma coisa a ver com o Harry. E quanto aos 10.000 dólares, que pena que este último não quis levantar os 10.000 francos do Instituto de Metapsíquica... E quanto ao Conan Doyle, estou citando-o apenas como historiador (ele escreveu o livro História do Espiritismo, disponível em português pela Editora Pensamento), não como pesquisador e talvez leia o livro Borboletas, do Veríssimo, mas não preciso ser convencido de que ele não era muito sabido para lidar com certas coisas. Ronaldo " ...mas o fato de você ter citado as irmãs Fox me espanta. Achei que seria conhecimento básico saber que elas próprias, em 1888, confessaram a fraude e explicaram como produziam os "estalos" com as juntas dos dedos dos pés".Parece-me que entre os céticos também ocorre o problema do vício do cachimbo, que entorta a boca. Então quer dizer que as Fox confessaram fraude e tudo ficou resolvido? E vocês céticos aceitam isso rapidinho, sem nem perguntar porque confessaram fraude? Interessante essa posição. Sabe, Sr Ronaldo, quando as Fox começam com esse negócio de produzir sons estranhos, foi uma celeuma. Era, não era; existia, não existia; era verdade, era tudo brincadeira delas... Para tanto então em 14 de novembro de 1849 foi instituída uma comissão de 5 membros distintos que examinou o assunto e no dia seguinte divulgaria o relatório. O editor do Rochester Democrat até já havia preparado um artigo intitulado: "Exposição Completa da Mistificação das Batidas". Perdeu o artigo, pois a comissão declarou que as respostas nem eram todas verdadeiras, nem todas falsas, mas não se descobriu por qual processo elas produziam os sons. Declararam ainda que, a certa distância das meninas, OUVIAM BATIDAS NAS PAREDES E NAS PORTAS, PRODUZINDO VIBRAÇÃO. Estalos de dedos causam isso? Naturalmente tal relatório não agradou nem um pouco os que queriam ver a fraude e daí veio uma segunda comissão, que trabalhou só com Margarida e Léa Fox Fish, pois o investigador achou que Catarina era uma notória farsista. O Dr. Langworthy achava que os sons eram produzidos por ventriloquia. De novo deu azar: concluiu-se que os sons não eram produzidos nem por máquina, nem pela ventriloquia. E não soube dizer por que meios os sons eram produzidos. Agora chega! Constitui-se uma terceira comissão, que despiu as meninas, examinou-as, colocou-as sentadas e amarradas em cadeiras e com os pés descalços apoiados sobre almofadas. E lá vieram os sons. Sons variados, desde fortes pancadas até um simples tique-taque de relógio, ouvidos nas mesas, janelas, teto, chão, perto ou longe das meninas. Até perguntas mentais foram respondidas... e desta vez declarou-se que as respostas eram verdadeiras. E finalmente, a conclusão: não sabemos como elas produzem os sons (A. Conan Doyle, História do Espiritismo, Editora Pensamento). Como é que essas três comissões não conseguiram escutar um estalar de dedos, que é um som PERFEITAMENTE RECONHECÍVEL? Mais uma coisa: as Fox atuaram durante 40 anos como médiuns pagas. Quem paga, quer ver resultado, e acho muito estranho que pagassem só para ouvir dedos estalando, quando se anunciavam que eram defuntos se manifestando. Eu penso que é impossível, apenas com esse recurso, acertar coisas sobre defuntos que só os parentes sabem. Se era só isso _ dedos sabidos _ então suponho que elas devam ter enfrentado numerosas acusações de fraude e talvez até processos judiciais por vigarice. Está informado a respeito disso, Sr. Ronaldo? Espero que sim, pois até agora a única coisa que vi sobre elas foi um estudo na Universidade de Buffalo em fevereiro de 1851, onde os doutores Austin Flint, Charles A. Lee e C. B. Coventry teriam concluído que tudo não passava de estalos das juntas. Elas desafiaram a que se fosse feita uma investigação mais rigorosa, para que se descobrisse a causa real dos fenômenos, pois não queriam passar por impostoras. Foi feito um estudo, mas o resultado foi negativo. E finalmente a famosa confissão. Sabe a história dela, Sr Ronaldo? Foi assim: Em 1888, por causa do alcoolismo de Margarida, Léa Fox tentou tirar a guarda dos filhos dela enquanto elas estavam na Inglaterra, o que deixou Margarida bem furiosa. Ela voltou aos Estados Unidos com um enorme desejo de se vingar da irmã. Sabendo que Léa via no Espiritualismo uma missão sagrada e estando muito necessitada de dinheiro, ela foi subornada por autoridades católicas e então fez a tal confissão. Fez até essa demonstração de estalos de artelhos. Um ano depois, entretanto, ela voltou atrás e admitiu o suborno. Portanto a confissão foi desmentida por ela própria. Catarina, que também estava revoltada contra Léa, quando lhe perguntaram sobre o cadáver na adega, disse que tudo não passava de fraude sem exceção. Para quem não sabe, quando começou esse lance dos estalos, a linguagem que montaram de número de pancadas x letras, revelou que a casa era assombrada pelo fantasma de um mascate que teria sido assassinado naquele chalé por um antigo morador, o Sr Bell. Seu corpo teria sido enterrado na adega. Foram feitas escavações no chão, mas só encontraram alguns fios de cabelo e um osso humano apenas. Nada de cadáver, portanto. Em 1904, quando as Fox já haviam falecido e o caso caíra no esquecimento, ruiu uma parede da adega e entre o chão e a parede foram encontrados um esqueleto humano quase completo e uma lata de mascate. Acho que isso basta para mostrar que a confissão de fraude das Fox é que era a verdadeira fraude. Ronaldo: "As semelhanças entre gêmeos idênticos são ainda mais um forte indício da dependência mente-cérebro, e colocam mais uma dificuldade para os que defendem a hipótese de que a personalidade é definida por alguma entidade imaterial. Os estudos com os gêmeos sugerem que uma boa parte da personalidade (Pinker fala em 50%) é definida pelos genes. O restante deve ser definido pelas experiências vividas, mas suponhamos que esse restante fosse inteiramente definido pelo espírito. Com a morte do cérebro, o espírito que sobreviveu teria apenas os 50% restantes da pessoa?"Sinceramente não sei o que impediria o tal espírito de copiar e guardar para si os 50% escritos nos genes, se é que é lá mesmo que estão, para se completar... Mas me diga uma coisa: alguém já verificou e mapeou os genes comportamentais? Sabemos agora com certeza quais são eles, em que cromossomos estão e como funcionam? Ronaldo: "Por isso, fico curioso a respeito do caso que você relata, de 1938 (será que não acontecem mais? que pena!), afinal só notaram a falta do cérebro no momento da autópsia. Como saber se ele não estava lá enquanto o sujeito ainda estava vivo? E como saber se afinal a coisa não foi bem assim?"Bem, eu só citei o caso. Acho apenas estranho que o médico dissesse isso e não fosse verdade... a menos que estivesse seguro da cobertura de seus pares. Mas será que um cérebro desaparece assim tão depressa depois da morte? Ronaldo: "Pena que hoje em dia isso não aconteça mais, não é mesmo? Talvez esses fenômenos também sejam tímidos diante de tomógrafos."Se não acontecem mais, eu não sei, mas lembra-me um caso que vi no Fantástico há algum tempo, de um homem na Inglaterra, eu acho, que só tem 1/3 do cérebro. E ele vive muito bem, ou seja, os 2/3 faltantes não estão fazendo falta. Sabe mais a respeito, Sr Ronaldo? Ronaldo: "aquilo que as pessoas comumente associam ao espírito é a própria personalidade..."Sr Ronaldo, o que somos realmente? Quantas pessoas conhecem a si mesmas? Nem precisamos de tumores ou de mal de Alzheimer. Em 1977 os estudantes faziam passeatas e se confrontavam com o secretário de segurança, Antônio Erasmo Dias. Numa daquelas ocasiões, um homem foi fotografado erguendo uma escada e batendo-a contra as vidraças de um banco. Na legenda da foto até se dizia: "Este homem pode ser o líder dos subversivos". Eu trabalhava numa cooperativa de laticínios na época e coincidentemente um colega de trabalho conhecia o homem fotografado. Ele me falou que ele sempre fora uma pessoa pacífica e quando foi preso, nem sabia explicar porque fizera aquilo. Sabe como é, no ambiente de bagunça, ele se liberou e resolveu bagunçar também. É como o nosso FHC, que quando era sociólogo e parlamentar também era democrata, mas como mandou que esquecessem o que escreveu e não pensa muito para agir como tirano. É, meu caro, as pessoas são de um jeito numa situação e mudam (e muito até) quando se muda a situação... Fazendo uma comparação mais grosseira, talvez a relação corpo x espírito, seria a mesma entre hardware e software quando pensamos em computador. Para que essa máquina funcione, temos que ter os dois. Se há alguma corrupção de hardware, os softwares, mesmo em perfeitas condições, não bastarão para que a máquina funcione direito. E se o corpo _ o cérebro _ está capenga teoricamente só espírito não bastaria para compensar a falha. Ronaldo: "Se a alma existe e sofre conseqüências do que sofre o cérebro..."É aqui que temos um problema: por que o senhor está insistindo que a alma estaria sofrendo as conseqüências? Não poderia ela apenas estar impedida ou prejudicada na forma de veicular o que faria se o cérebro estivesse sadio? Ronaldo: "Se sofre, deveria também morrer. Se não sofre, não deveria mudar em virtude de lesões no cérebro."Veja o exemplo do computador. Mas aproveitando o gancho: se as coisas - personalidade, inteligência, capacidade, etc, e tal - são funções do cérebro então Sr Ronaldo me explique: já se descobriu quais são as diferenças que existem no cérebro que fazem um camarada ser um gênio e um outro ser um panaca? Ou aquelas que fazem um fulano ser um Francisco de Assis e aquelas que fazem um outro ser um Átila? Há um bom tempo li que um pesquisador do século XIX comparou cérebros de intelectuais com os de pessoas normais e retardadas e concluiu que eram muito semelhantes em formato, tamanho, peso e histologicamente. Para a sua decepção, não havia diferenças significativas entre eles. Mas agora com ressonâncias magnéticas, tomografias computadorizadas, ultrasonografias, microscópios eletrônicos, etc, talvez já se saiba quais sejam as diferenças que determinem a intelectualidade e moralidade de uma pessoa. Poderia me dizer quais são elas, Sr Ronaldo? Ronaldo: "Um exemplo ainda mais radical é o do que acontece com a personalidade de uma pessoa quando se secciona o Corpus Callosum, que une os dois hemisférios cerebrais."Sr Ronaldo, li o livro de Betty Edwards, Desenhando com o lado direito do cérebro, EDIOURO" e também fiz um curso de desenho com o lado direito do cérebro e por isso acho que posso falar um pouco mais desse lance de cortar o corpo caloso, mas se estiver falando besteira, favor me corrigir. O corte do corpo caloso era o recurso usado para se salvar um cérebro da destruição completa pelos ataques de epilepsia. Apesar da extensa destruição de neurônios causada por essa cirurgia, os pacientes permaneciam perfeitamente normais, sem nenhuma alteração significativa de comportamento. Então fazendo-se experiências com esses pacientes, foi possível descobrir uma coisa importante sobre o funcionamento do cérebro: cada hemisfério cerebral tem funções específicas. Através de imagens refletidas em espelhos, os pesquisadores conseguiam que certos objetos fossem vistos por um hemisfério cerebral ou por outro, mas não por ambos ao mesmo tempo. Se a imagem de uma faca fosse vista pelo hemisfério esquerdo e o pesquisador perguntasse o que tinha visto, a pessoa responderia: "_ Uma faca." Fazendo com que a imagem de uma colher fosse vista pelo hemisfério direito e repetindo a pergunta, o paciente de novo dizia: "_ Uma faca." E em geral, ele balançava negativamente a cabeça quando isso acontecia. O motivo é muito simples. O hemisfério cerebral esquerdo detém a memória da palavra falada e escrita no lobo temporal, mas não há um equivalente no hemisfério cerebral direito. Ao ver a faca, o hemisfério esquerdo verbalizava a resposta - uma faca. O direito, ao ver a colher, NÃO PODIA VERBALIZAR A RESPOSTA, pois não usa palavras para se expressar e quando o pesquisador fazia a pergunta, simplesmente o hemisfério esquerdo repetia a última coisa que disse. O direito, sabendo que a resposta estava errada, fazia a pessoa balançar a cabeça, numa tentativa de avisar o esquerdo que havia um erro. O avanço das pesquisas mostrou que:
Daí então pode-se até explicar porque um lado do cérebro quer ser piloto de corridas e o outro desenhista. Eu só não sei como o direito respondeu isso, uma vez que não sabe ler, nem escrever. Portanto, Sr Ronaldo, não se trata de divisão de uma alma em duas, mas em divisão de seus modos de expressão. Agora uma brincadeirinha: Será que os céticos, ao invés de um hemisfério direito, eles teria dois esquerdos em suas santas cabeças...? E gente como eu teriam dois direitos...? Ronaldo: "Pena que, quando você leu as 48 obras anti-espíritas, tenha lido apenas as escritas por cristãos... Se tivesse lido obras escritas por céticos seculares certamente teria tido esclarecimentos de muito melhor qualidade."Este, Sr Ronaldo, é o meu primeiro contato com os céticos e, talvez por ser a primeira vez, a qualidade dos esclarecimentos não está muito melhor. Sinto muito. Mas uma vez que falta pouco para esse debate terminar, melhor voltarmos ao assunto. Deixemos de lado os fenômenos objetivos, Sr. Ronaldo, pois, a exemplo de Crookes e o fantasma Kate King, por incrível que pareça, NÃO É UMA PROVA DE VIDA APÓS A MORTE. Motivo: Kate King, a forma fantasmagórica, relatou que seu verdadeiro nome era Annie Morgan, filha ilegítima de Henry Owen Morgan, governador pirata da Jamaica e se fez cavaleiro por questões de Estado durante o reinado de Charles II. Até onde sei, a existência de Annie Morgan nunca foi confirmada e daí ficamos só com a palavra dela. A minha intenção ao apresentar o caso investigado por Crookes era mostrar a realidade do fenômeno. O que interessa mais são os fenômenos subjetivos. Quanto a estes, os pesquisadores não precisam de sala escura, nem amarrar ninguém, nem segurar mãos ou pés. Só precisam que uma suposta entidade se manifeste através do médium e fale e/ou escreva sobre si. Citei aquele caso de Leonore Piper. Essa médium foi investigada pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas, de Londres. Havia alguns espíritas como fundadores dessa Sociedade, mas a maioria dos membros não o eram e tinham o propósito de descobrir a verdade sobre o Espiritualismo. Mas não faziam segredo de que desejavam ansiosamente que a verdade era que o Espiritualismo era uma fraude. Foi essa mesma sociedade que resolveu investigar Piper. Ela foi seguida por detetives para se saber se não conseguia informações pelos métodos usuais, fingindo recebê-las de defuntos... e nada descobriram. Citei o exemplo onde o pesquisador procurava saber de um Samuel Cooper e o espírito falou em um outro Cooper que ninguém conhecia, mas que realmente existiu e que o espírito, quando encarnado (vivo), conviveu com ele de fato. Como eu disse, não se tratou de um depoimento vago que um bando de espíritas dizem ter ouvido o lance em tal e qual centro, mas era um trabalho científico que estava em andamento. É preciso deixar claro que o fato de um médium obter informações além de sua capacidade não necessariamente é prova de que há vida após a morte. Não são informações quaisquer, mas sim aquelas que são pertinentes ao espírito em questão que está se manifestando. É como o exemplo acima envolvendo Piper. Eu agora gostaria que o senhor se pronunciasse sobre isso. Grato por sua atenção, Sr Ronaldo Você acredita que exista vida após a morte?
Sim
Não
Nenhum dos dois / Outro |