Ward Sobre a Seleção Natural
Ward acredita que o principal problema que a biologia evolutiva enfrenta é explicar a complexidade crescente. Ele afirma corretamente que a seleção natural não é tendenciosa a favor da complexidade crescente. Portanto, a seleção natural é uma explicação inadequada.
A dificuldade é que o problema que os biólogos evolutivos enfrentam é explicar por que os animais têm um design para fazer as coisas que fazem, não é explicar a complexidade crescente. Há muitos casos em que o melhor design envolve reduzir a complexidade, não aumentá-la. Muitos parasitas tornam-se mais simples, não mais complexos. A seleção natural seria de fato inadequada para explicar um aumento contínuo de complexidade, mas aumentos contínuos de complexidade não são o que a seleção natural tem de explicar.
Ward nunca mostra que houve um aumento contínuo de complexidade, exceto nos termos mais gerais. Ele afirma que "agentes morais sensíveis e racionais" emergiram de "células semelhantes a vírus". (Como um aparte, vírus não são unicelulares, mas ignoremos isso.)
Ward acredita que o único propósito da evolução é produzir seres humanos, que é o que ele quer dizer com "agentes morais sensíveis e racionais". A teologia dele é completamente egocêntrica e especiosa. É um ponto de vista rejeitado pela maioria dos biólogos evolutivos. A "Grande Cadeia do Ser", que classificava os seres numa escala desde a ameba e o peixe numa extremidade até aos cães, macaco e finalmente o homem na outra extremidade, foi totalmente abandonada pelos biólogos.
Se Deus realmente preparou todo o cenário para produzir seres humanos, por que permitiu que o homem de Neandertal se extinguisse? Será que eles não eram suficientemente "sensíveis, racionais e morais"? Será que eram Untermenschen [sub-humanos] geneticamente inferiores (literalmente) que tinham de ser eliminados para abrir caminho para o Homo sapiens moralmente superior?
Stephen Jay Gould escreveu que as formas de vida dominantes nesta terra têm sido, são e serão sempre as bactérias. Alguém certa vez perguntou a J. B. S. Haldane que podia ele dizer sobre Deus, através da observação do mundo natural. Haldane respondeu que Deus parecia ter uma afeição desmesurada por escaravelhos.2
No livro O Rio Que Saía do Éden (página 105), Richard Dawkins explica o que acha que o mundo natural diz acerca de [um alegado] Deus:
"Os dentes, garras, olhos, nariz, músculos das pernas, espinha dorsal e cérebro de uma chita são todos eles precisamente o que esperaríamos se o propósito de Deus ao conceber as chitas fosse maximizar a morte entre os antílopes [...] É como se as chitas tivessem sido concebidas por uma deidade e os antílopes por uma deidade rival. Alternativamente, se só existe um criador que fez o tigre e o cordeiro, a chita e a gazela, a que está Ele a brincar? É Ele um sádico que gosta de assistir a desportos sangrentos?"