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de Douglas A. F. de Campos
Posteriormente, alguns sinais, denominados pontos vogais, foram introduzidos naquela escrita, afetando as consoantes apenas quando isso fosse julgado conveniente. Na época em que o texto bíblico recebeu essa pontuação vocálica, o nome do deus dos hebreus já não era pronunciado há muito tempo (dezenas de gerações), por mero escrúpulo religioso. Os antigos hebreus, muito supersticiosos, deixaram de pronunciar o nome do seu deus temendo que o estivessem tomando em vão e, assim, cometendo grave pecado. Por conseguinte, quando estavam lendo os antigos textos sagrados e chegavam às consoantes YHWH pronunciavam, em seu lugar, a palavra ELOHIM, designação genérica de divindades, e menos freqüentemente a palavra ADONAI, que significa “o Senhor” ou “meu Senhor”. As Sagradas Escrituras, escritas muito antes da era cristã, foram registradas em hebraico e algumas em aramaico. Nas escrituras hebraicas o tetragrama YHWH, nome original do deus, ocorre 6.823 vezes no texto; ELOHIM, que pode significar “deuses” (também traduzido por “As Vênus do Céu” ou por “Os Celestes” em algumas bíblias), aparece 2.500 vezes e ADONAI, com o significado de “o Senhor”, aparece apenas 17 vezes. Ocorrem ainda designações divinas como: ELOAH (singular de ELOHIM), EL (deus, um deus), SADDAI (o onipotente), ELION (o altíssimo), dentre outras que aparecem esporadicamente e nenhuma com significado de nome próprio. A pronúncia JEHOVAH (Jeová), para o tetragrama YHWH, utilizada pelos cristãos a partir do século XVI, é considerada incorreta pela Igreja Católica, a qual reconhece: “O nome próprio que Deus tomou em suas relações especiais com o povo hebreu é Javé (Jeová é pronúncia errônea...)” (Êx 3,14-15n, Ed. Paulinas). Os eruditos , entretanto, consideram mais acertada a pronúncia YAHWEH (Iavé) ou então YAHWO (Iavô). Dentre as muitas interpretações sobre a origem e o significado do tetragrama, realizadas por pesquisadores ecléticos, uma se relaciona ao nome de uma montanha, situada à leste do Egito e ao sul da Palestina, denominada na época YAHWO: “Da designação dessa montanha, o deus de Israel teria, de modo bastante concebível, tirado o seu nome” (“concebível”: porque na época muitos deuses tinham nomes consagrados a montanhas). As consoantes sagradas YHWH, as quais constam nos textos originais hebraicos como sendo o nome do deus Javé, aparecem nas bíblias atuais, particularmente nas católicas, surpreendentemente substituídas pelo termo “o Senhor” (ADONAI). E representantes da Igreja Católica justificam da seguinte maneira tal substituição: “...a palavra ‘o Senhor’ envia ao coração humano um som bem conhecido e comovente, ao passo que ‘Javé’ nada lhe diz, ...” (Pentateuco – pg. 20n, Ed. Paulinas). Com essa infeliz justificativa, de adulteração do texto sagrado, a própria Igreja desmerece o nome pelo qual o seu original deus se apresentou a Moisés dizendo: “Javé... esse é o meu nome para a eternidade, e essa é a minha denominação para todos os séculos” (Êx 3, 15); “Eu sou Javé. Eu me mostrei a Abraão, a Isaac e a Jacó como o Deus Onipotente: com o meu nome de Javé, ...” (Ex 6,2). Assim, ao mesmo tempo em que a Igreja é obrigada a reconhecer o deus Javé; comprometida que está em aceitar a palavra verdadeira e imutável do texto das Sagradas Escrituras; contraditoriamente procura evitar o nome da primitiva divindade e, em vez de grafá-la pelo seu verdadeiro nome Javé , utiliza o derivativo “o Senhor”. Adulteração equivalente foi a substituição de ELOHIM, nome que constava nas Antigas Escrituras, pelo nome Deus, com inicial maiúscula, e proclamá-lo como o único e verdadeiro deus do universo: todas as 2.500 vezes em que nos textos sagrados originais aparecia o coletivo ELOHIM, o qual designa um conjunto de divindades ou de deuses, ele foi substituído pela palavra Deus. Com essa artimanha; transformando o antigo coletivo ELOHIM (deuses, divindades...) no substantivo concreto Deus; quem mencionasse qualquer deus estaria, sub-repticiamente, referindo-se ao Deus dos cristãos. Sobre essas adulterações tentam justificar-se os purpurados da Igreja: “... nem sempre esteve ao arbítrio do escritor usar Javé ou Elohim; o matiz sutil de sentido e a associação diferente de idéias contidas nos dois nomes, levam, em dadas circunstâncias, a usar um com exclusão do outro, e em certas construções o uso, sem razão aparente, ligou-se exclusivamente a um ou ao outro. O critério dos nomes divinos portanto, está sujeito a cautela. Além disso, será que estamos certos de que os nomes divinos, como figuram no texto atual, são originais, isto é, remontam ao próprio autor?” (Pentateuco – pg. 21n, Ed. Paulinas). Por que fazer tanta confusão em torno do nome daquele que se anunciou claramente e repetidamente como Javé (YHWH)? E não parece estranho falar em “nomes divinos” numa religião que prega a existência de uma única divindade? O nome próprio que aparece nas antigas e Sagradas Escrituras é Javé (YHWH). Os outros “nomes divinos” eram apenas substantivos comuns ou adjetivos, como por exemplo: ELOHIM = deuses, divindades; ELOAH (singular de ELOHIM) = um deus, uma divindade; ADONAI = meu senhor; ELION = o altíssimo; EL = deus; etc. Portanto, nas bíblias atuais, onde atualmente estiver grafado: - o Senhor: provavelmente deveria constar “Javé” (YHWH) que aparece 6.823 vezes no texto original e não “o Senhor” (ADONAI) que aparece apenas 17 vezes. - Deus: provavelmente deveria constar “deuses” (ELOHIM) que aparece 2.500 vezes no texto original, ou "deus" (EL) que aparece apenas 46 vezes, ou ainda "um deus" (ELOAH) que aparece somente 2 vezes. - o Senhor Deus: provavelmente deveria constar “o Senhor dos Deuses” que seria, pelos motivos acima, o equivalente a “o ADONAI dos ELOHIM”. Como exemplo, na primeira frase da Bíblia atual, onde se lê: “No princípio Deus criou o céu e a terra.”, deveria ser lido: “No princípio os deuses criaram os céus e a terra”... com maior possibilidade de acerto. (Nota: "os céus", porque eram 7 céus). Aumenta mais a confusão, sobre o nome do deus dos cristãos, a introdução do conceito do deus Trindade. Já não é apenas um deus, são pelo menos três pessoas ou três deuses: o deus Pai (Javé?), o deus Filho (Jesus) e o deus Espírito Santo (Paracleto), os quais se integram para constituírem uma quarta deidade denominada Santíssima Trindade. E o corpo que Jesus levou para os céus após usá-lo aqui na terra? Esse corpo não é o deus Pai, não é o deus Filho, não é o deus Paracleto; é uma divindade à parte, mas tão sagrada quanto as outras; é o Corpo-de-Deus (Corpus Christi), cuja festa religiosa foi instituída em 1.264 pelo papa Urbano IV e comemorada na segunda quinta-feira que se segue a Pentecostes (festa em memória da descida do deus Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, sobre os apóstolos). A Igreja adotou, alterou e aceitou muitos nomes e muitas definições para a sua principal deidade: Javé, Deus, o Senhor, o Pai, o Salvador, a Trindade, etc.; os quais encabeçam a lista hierárquica de outras divindades como Jesus, o Cristo, o Paracleto, o Corpo-de-Deus, a Mãe-de-Deus, etc., seguidas ainda de centenas de santos, anjos, beatos, demônios, etc. O resultado é que hoje em dia ninguém sabe qual é o nome do "deus único" dos cristãos. Ou você sabe? Bibliografia BÍBLIA SAGRADA (1969) Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Edições Paulinas: São Paulo. 1695 pg. GARELLI, P. e NIKIPROWETZKY, V. O Oriente Próximo Asiático: impérios mesopotâmicos e Israel (1982) São Paulo: Pioneira: Ed. da Universidade de São Paulo. 338 pg. TELLES, I. S. …Que estás nos Céus...(1987) São Paulo: Ed. Palas Athena. 53 pg. "Seja Deus Verdadeiro", Watchtower Bible and Tract Society, Inc.; International Bible Students Association; Brooklyn (1955) N.Y., U.S.A.. 315 pg.
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