Dan Barker
 
 
Estatísticas Oficiais da STR Publicado: 28/11/2002
Atualizado: 28/11/2002
   
                     
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de Dan Barker


Depois da publicação da bem escrita história de Bill Lueders sobre a minha pessoa no Milwaukee Journal (Revista "Wisconsin", 28 de julho, 1991), eu recebi uma grande quantidade de correspondência. Foi bom ouvir de alguns livres pensadores, alguns dos quais já se juntaram à Fundação.

Recebi também muitas cartas de cristãos tentando me levar de volta à congregação. Suas críticas mais comuns eram a respeito de um comentário que eu fiz sobre os fundamentalistas e que a eles não eram permitidos questionamentos. "Você deve ter sido criado em uma igreja estranha," me escreveu uma mulher, "porque o questionamento é incentivado na minha congregação fundamentalista. Ele faz nossa fé mais forte."

Certo.

Não tive o tempo ou a inclinação para responder a cada crente pessoalmente, mas tenho mandado uma carta modelo que mostra que os crentes na bíblia não têm outra opção que não seja suspender os questionamentos críticos. I Coríntios 10:5 diz: "trazendo ao cativeiro cada pensamento para a obediência de Cristo." Isso não soa como uma atitude que incentiva questionamentos abertos.

Provérbios 14:12 diz: "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte." Em outras palavras, não ouse pensar por você mesmo.

Provérbios 3:5-7 diz: "não te estribes no teu próprio conhecimento... não sejas sábio a teus próprios olhos.". Em Mateus 6: 25-34, Jesus diz: "Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida,... Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo." Parece insincero dos Cristãos afirmar que não há restrição contra o pensamento independente na bíblia.

Pois, não é cada denominação e seita comprometida a uma teologia particular? Eles não têm uma "linha em comum" que define os verdadeiros crentes? (E todos eles não discordam sobre qual deve ser esta "linha em comum?")

Como conseqüência da história de Bill, fui chamado para ser um convidado nos programas "Milwaukee`s Talking", junto ao membro da Fundação Nancy Harris, uma ex-católica. No programa, ela apontou que quando criança, foi ensinada o Catequismo de Baltimore, no qual você tem ambas as perguntas e as respostas, tudo organizado claramente - e você memoriza ambos, e para por aí. Os cristãos podem dizer o que quiserem sobre a "liberdade em Cristo", mas aqueles de nós que foram criados na igreja estão além disso. Os crentes verdadeiros morrem de medo de perguntas. A maioria deles tem medo, admitido ou não, que suas crianças retornem às suas casas para as férias de Natal depois do primeiro semestre na faculdade, tendo abandonado a doutrina que foi tão ardentemente infundida durante a infância.

Outra reclamação comum nas cartas foi a respeito do comentário feito por minha mãe, citado por Bill no artigo, que após ter se tornado uma livre-pensadora, "ela se surpreendeu com a alegre concretização de que, pela primeira vez em sua vida, ela poderia amar a todos - até homossexuais e prostitutas e pessoas de outras religiões a quem 'cristãos não devem amar'." Muitos cristãos adotaram exceção a isso, clamando que "Deus odeia o pecado, mas ama o pecador."

Novamente, eu tenho que questionar a sua sinceridade. Um verdadeiro crente quer que sua criança se case com um homossexual, um muçulmano ou um ateísta? Eles votariam em um ateísta para um cargo político? Os convidariam a seu círculo fechado de camaradagem em suas igrejas? Prefeririam fazer negócios com eles? Eles falam muito de amor, mas suas ações demonstram algo menor. O que realmente querem dizer com "amor" é "preocupação de que pecadores mudarão seus caminhos do mal para se tornar algo justamente como eu." Isto dificilmente é amor.

Além do mais, a bíblia não apóia a idéia "ame o pecador, odeie o pecado". II Crônicas 19:2 diz: "Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que ao Senhor aborrecem? Por isso virá sobre ti grande ira diante do senhor." Salmo 5:5-6 diz que Deus "odeia a todos os que praticam a maldade... e odiará o homem sanguinário e fraudulento."

O Rei Davi escreveu em Salmos 139:21-22: "Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?... Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos". O profeta Oséias (9:15) cita Deus: "... daí eu os odeio: pela iniqüidade de seus feitos eu os expulsarei de minha casa, não os amarei mais."

Em Lucas 14:26, o Jesus apaixonado previne: "Se alguém vier a mim, e não odiar a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo." (Um pastor batista no programa afirmou que eu estava tirando isso do contexto, mas a palavra grega aqui é miseo, que significa simplesmente ódio, e não "amar menos que eu" como alguns sugerem.)

Sei que é possível encontrar alguns versos que dizem que "Deus é amor", mas isso só prova a bíblia como sendo contraditória.

Em Levítico 24:16, a bíblia diz que livres pensadores assim como eu devem ser executados. "E aquele que blasfemar o nome do Senhor, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará." Levítico 20:13 comanda a um mesmo destino os homossexuais: "Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação, certamente morrerão; o seu sangue é sobre eles." Nada disso soa muito como amor, soa?

Minha mãe está certa. Ateístas e agnósticos não são obrigados a irradiar "ódio perfeito". Não é bom ser bom?

***

Da Freethought Today, outubro de 1991. Esta versão para a Internet foi ampliada um pouco em relação à original na Freethought Today.

Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.ffrf.org/fttoday/back/hatred.html
  • Traduzido por: Paulo César Amorim Alves
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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