Publicado: 10/06/2001
de César Medeiros
Como fui citado nominalmente em seu artigo, resolvi utilizar o meu direito de resposta e comentar seu plano bíblico para a diminuição da criminalidade. Primeiramente quero lhe garantir que nem Deus nem o Diabo existem. Mas vou fazer de conta que existem, para tentar demonstrar como a crença nos dois é inconsistente. Iniciarei minhas considerações lembrando algumas notícias divulgadas semana passada na TV. Uma bomba colocada por um terrorista católico irlandês matou um protestante e feriu vários outros. Israel bombardeou um campo de refugiados palestinos, matando uma criança de quatro meses. Muçulmanos apedrejaram e esfaquearam até a morte dois adolescentes judeus de 14 anos. Novo bombardeio israelense mandou para o hospital, gravemente ferido, outro bebê palestino de três meses de idade. Todos os que foram mortos, foram mortos em nome de Deus, e tudo que aconteceu foi ocasionado por motivações religiosas. É sempre assim. Enquanto a tragédia se desenrolava, Deus estava no Brasil, super ocupado, convertendo bandidos no Carandiru, "para proporcionar-lhes tranqüilidade em sua vida interior". O que Ele fez para evitar tanto terror? Nada. Pela sua onisciência, tinha conhecimento do fato, mesmo antes dele acontecer. Mas se omitiu, preferindo fazer propaganda da Bíblia, o livro mais contraditório que jamais foi escrito. Se, de acordo com o que o senhor falou, o poder de Deus originou todas as coisas, então esse mesmo poder bem que poderia ter eliminado todo o mal que existe no universo. Mas como o mal continua triunfando, podemos concluir que, ou Deus é impotente e não pode acabar com ele, ou pode, mas simplesmente não quer vê-lo exterminado. O Cristianismo, que o senhor pensa ser capaz de acabar com a criminalidade, tem um passado e um presente sombrios: crimes hediondos, mortes violentas, assassinatos em massa, intolerância extrema, torturas refinadas, conspirações, roubo... e a omissão de Deus. Eu até entendo essa omissão, pois foi o próprio Deus quem criou o mal, assumindo sua paternidade na Bíblia: "Eu formo a luz, e crio as trevas, eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas" (Is 45:7). Portanto, está provado que Deus quer que o mal continue existindo. Afinal, um ser de infinito poder e sabedoria não vai criar algo contra a sua vontade. Agora, se 50% da população brasileira seguisse a Bíblia, pode ter certeza que voltaríamos à barbárie. Felizmente ninguém, mas ninguém mesmo, consegue ser um cristão autêntico. Se conseguisse, odiaria a própria família (Lc 14:26; Mt 10:34-37), espancaria os filhos com uma vara, para livrar suas almas do inferno (Pv 23:13-14); envenenaria a esposa, se apenas desconfiasse que ela o traía (Nm 5:11-31), apedrejaria até a morte filho, esposa, irmão ou amigo que adorasse outros deuses (Dt 13:6-10), como também todos aqueles que trabalhassem no Sábado (Nm 15:32-36). O verdadeiro cristão tem a obrigação de aplaudir um deus de infinita misericórdia que foi capaz de afogar toda a população do planeta - inclusive mulheres grávidas, fetos, bebês recém-nascidos, crianças, animais e plantas (Gn 7:17-24). Também tem que amar, acima de todas as coisas, aquele que deu existência à criatura mais perversa e poderosa de que se tem notícia - Satã - cuja única missão é lançar na perdição zilhões de almas destinadas ao sofrimento eterno. E, como se tudo isso não bastasse, ainda é obrigado a apoiar a discriminação à mulher (1Tm 2:11-14; 1Co 11:3-10), a poligamia (Gn 29:23-35; Gn 30:1-13) e a escravidão (1Tm 6:1-2; Lc 12:42-48). São estas, pois, as minhas considerações. Caso queira conhecer mais sobre a outra face do seu Deus invisível, por favor vá até minha homepage: http://www.geocities.com/free_thinker_br. Terei o maior prazer em recebê-lo por lá. Felicidades. César Medeiros é jornalista. O artigo acima é a resposta a outro que foi publicado no Jornal de Hoje do dia 03 de maio de 2001 atacando o autor. Foi escrito por um advogado e pastor protestante e a réplica foi publicada também no mesmo jornal. Comentários
Francisco Bandeira - f_bandeira@hotmail.com - O que tenho a dizer é único. A religião, é o ópio do povo.
Patriota - patriota@bigfoot.com - Quem defende a poligamia deve defender também o direito da mulher ter vários homens.
Tarcisio Borges - tbs97@fisica.ufpr.br - Realmente o texto é muito bom, mas...
Marretta - marretta@zipmail.com.br - Brilhante texto, César! |