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Atualizado: 20/05/2003
   
                     
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BEM MAIS QUE ATEÍSMO
O humanismo secular é não-religioso, mas é muito
diferente tanto do ateísmo como do humanismo religioso.
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de Paul Kurtz


O humanismo secular e o ateísmo não são idênticos. Uma pessoa pode serateísta e nao ser humanista secular ou humanista. De fato, alguns pensadores e ativistas que se denominam ateístas rejeitam explicitamente os valores éticos humanistas (por exemplo, Stalin, Lenin, Nietzsche e outros). O humanismo secular também não é a mesma coisa que o humanismo e é muito diferente do humanismo religioso.

[O] humanismo secular não é antireligioso; é somente não-religioso. Há uma diferença. Os humanistas seculares são não-teístas; podem ser ateístas, agnósticos ou céticos a respeito de Deus e/ou da imortalidade da alma. Dizer que somos não-religiosos quer dizer que não somos religiosos; nosso life stance é científico, ético e filosófico. Eu uso o termo eupraxsofia para denominar nossas crenças e valores como um todo. Isso quer dizer que, enunto humanistas seculares, oferecemos boa practical wisdom baseada em ética, ciência e filosofia.

O termo secular deveria deixar claro que os humanistas seculares não são religiosos. Em contraste, a expressão "humanismo religioso" é infeliz. Ela foi usada por alguns humanistas para denotar um tipo de compromisso estético e moral com um conjunto de ideais e práticas; mas isso é muito confuso. Frequentemente isso serve para acresentar sorrateiramente algum aspecto quase-espiritual e/ou transcendental da experiência e da prática, imitando a religião.

É curioso que a religiosidade seja tão forte hoje nos Estados Unidos e que mesmo os humanistas tenham medo de negar que sejam não-religiosos. Em minha opinião, a covardia é um importante motivo para muitos humanistas religiosos que se envergonham quando alguém descobre que eles não acreditam em Deus ou na salvação. Então eles distorcem, escondem, mascaram e obfuscate suas verdadeiras convicções para serem socialmente aceitos. Eles teme principalmente serem vistos criticando a religião ou se tornarem conhecidos como ateístas. O ecumenismo ensina que deveríamos aceitar virtualmente todas as religiões. Nesse espírito de tolerância, os humanistas religiosos não querem ser vistos como críticos de qualquer religião, seja o catolicismo romano, o islã, o judaísmo ou alguma entre as numerosas denominações protestantes.

O humanismo secular é não-religioso. Mas isso não significa que ele não critica as alegações da religião; na verdade, temos uma obrigação moral de falar a verdade contar toda a verdade. No entanto, existe uma diferença entre ser anti-religioso -- atacar a religião ou dismiss it cavalierly -- e estar disposto a analisar as alegações religiosas e fazê-las responder por sua falta de fundações empíricas confiáveis. As críticas bíblica e corânica são essenciais para a clareza e honestidade intelectuais. Assim, os humanistas seculares têm a capacidade e o desejo de submeter as crenças da religião -- em especial quando elas são relevantes in the open public square -- à análise crítica. Esquivar-se disso seria desonesto. Por isso, humanistas seculares são críticos nao-rel;igiosos das alegações religiosas, particularmente quando elas se intrometem nas políticas e crenças públicas. As religiões teístas de hoje certamente atacam os humanistas seculares e naturalistas sem compunction. Em contraste, humanistas seculares tem responsabilidade para com a verdade, para responder e apresentar a visão dos secularistas e da ética do humanismo em linguagem clara e distinta.

O humanismo secular tem portanto um comprometimento com a ciência e a razão como método de avaliação de todas alegações de veracidade, surjam elas de crenças populares, teorias científicas ou alegações morais, políticas ou religiosas. Similarmente, humanistas seculares são simpáticos à análise cética -- ou seja, a aplicação de métodos racionais e testes empíricos/experimentais a todas as alegações de veracidade. Por isso, também, humanistas seculares não entendem por que humanistas religiosos têm tanto medo de melindrar seus irmãos religiosos. Similarmente, humanistas seculares criticam os céticos contemporâneos que não se sentem confortáveis ao entrar nas águas da religião. E epistemologia cética aponta que there is open season on any and all claims to truth. Todas estão sujeitas a análise empírica e racional. O pensamento crítico não deveria ficar restrito somente às alegações paranormais, que é muito seguro criticar. Em princípio, o pensamento crítico também deveria ser aplicado à religião, à política, à economia e à moral.

Na minha visão, o que é central ao humanismo é o componente ético. A saber, os humanistas crêem que:

  • A ética é um campo autônomo de análise, independente de alegaçoes teológicas, disponível ao escrutínio racional, testando julgamentos de valor por suas consequências. Valores éticos e julgamentos são relativos a interesses, necessidades, desejos, fins e valores humanos. Eles estão abertos à crítica e avaliação objetivas;

  • Plenitude, realização e maximização e maximização da liberdade e da felicidade humana é o que os humanistas buscam, tanto para o indivíduo como para a comunidade.
Desta maneira, há responsabilidades éticas que os humanistas têm com relação a outros na comunidade, no nível interpessoal, no nível da sociedade democrática e da comunidade planetária também.

O humanismo secular definitivamente não é equivalente ao ateísmo: é muito mais do que isso. Da mesma maneira, o humanismo secular finds itself at odds com o humanismo religioso, uma vez que sua visão é claramente nao religiosa. Ele vai além de qualquer análise cética negativa uma vez que busca oferecer uma alternativa positiva e afirmativa às práticas morais e religiosas usuais. Defendemos mais do que o ateísmo, uma vez que oferecemos uma ethical life stance e uma eupraxsofia alternativas que são partes inerentes de nossa posição. É essa dimensão ética que define nosso humanismo.

***

Reproduzido da revista Free Inquiry, com a permissão do Council for Secular Humanism.

Paul Kurtz, fundador do Council for Secular Humanism, é editor-chefe da Free Inquiry e professor emérito de filosofia na Universidade do Estado de Nova Iorque em Buffalo.

Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo editor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.beliefnet.org/frameset.asp?pageLoc=/story/114/story_11459_1.html&boardID=46490
  • Traduzido por: Daniel Sottomaior
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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