Amanda Johnson Publicado: 07/03/2000
Atualizado: 23/11/2000
CIÊNCIA VS. FÉ?

de Amanda Johnson


De acordo com o Dicionário Americano Heritage, fé é definida como "uma crença confiante em uma verdade, valor ou dignidade de confiança de uma pessoa, idéia ou coisa que não se apoia em prova lógica ou evidência material." Por essa definição, é fácil ver que o Cristianismo, ou qualquer outra crença teística, contradiz a epistemologia da ciência. Falando do ponto de vista não-religioso, é fácil dizer que a fé em Deus requer que se siga doutrinas que não são passíveis de serem provadas. Para um cientista poder chamar sua teoria de lei, ou fato, ele deve ser capaz de validá-la com evidência. A ciência, no sentido mais simples do mundo, é meramente fazer observações sobre o mundo, e testá-las por causa e efeito para estabelecer um fato. Todo mundo é um cientista em certo grau, porém eu acredito que no fundo, talvez até em um nível subconsciente, você deve escolher confiar ou na ciência ou na religião. Na minha experiência, as duas epistemologias são baseadas em algo tão radicalmente diferente em suas naturezas que elas não podem coexistir pacificamente.

O conflito entre o racionalidade da ciência e a irracionalidade da fé tem sido discutido por séculos. O método da ciência de usar o naturalismo, o racionalismo e o empiricismo para colher e provar informação não está apenas em conflito fundamental com os métodos da Igreja, mas também refuta muitas coisas em que os teístas acreditam. Na minha opinião, a religião existe para dar às pessoas um senso de ordem social e completude, e para explicar as questões postas pelo cosmos infinito. Quando essas idéias são desafiadas, alguns podem se sentir deslocados e incompletos, porque a teologia é supostamente uma fonte divina de informação. Conforme nós evoluímos, nossa tecnologia evoluiu, e os cientistas tem sido capazes de refutar algumas das teorias que eram previamente postas pela igreja. Entretanto, através da história, fatos científicos muitas vezes foram negados violentamente pelo mundo exterior. Quando Galileu desafiou as teorias de geocentrismo do velho mundo ao revelar evidências que provaram que a Terra orbita em torno do sol, a Igreja, que suportava a visão geocêntrica, proibiu Galileu de fazer mais pesquisas, e o condenou como um herético. Até mesmo hoje, a teoria da evolução das espécies de Darwin ainda é muito controversa, e freqüentemente mal interpretada. Ambos Galileu, que revelou a verdade sobre a física e o universo, e Darwin, que desafiou o Criacionismo, foram enfrentados com muita oposição da sociedade.

Entretanto, essas idéias realmente desbancam a teologia Cristã? A descoberta da evolução repentinamente prova que a não-existência de Deus? Eu acho que não, nem deveria a ciência preceder sobre a teologia, ou vice versa. Porém, afirmações científicas fazem muitos teístas se enervarem porque elas provam que algumas de suas fés são baseadas em torno de afirmações imprecisas. A coisa natural a fazer quando se está sobre ataque é proteger suas crenças, e desta maneira, o mais devoto dos Cristãos não suportam as afirmações de Darwin. Algo que eu acho que todos precisam perceber, teísta ou ateísta, é que nós temos fé em nossa própria percepção. No fundo, nossa teologia e dados científicos não devem ser tomados como algo mais do que eles são - especulações sobre o que nós acreditamos ser mais provavelmente verdade. Dados científicos podem ser datados; o que Ptolomeu acreditou 200 anos atrás, e que foi aceito como dado científico válido, foi refutado adiante por pessoas que tinham ferramentas mais avançadas para trabalhar. É pretensioso afirmar compreensão completa do Universo - nós estamos constantemente descobrindo coisas novas. Com isso em mente, quem sabe o que é possível? O desconhecido está presente, e ninguém pode prever o que nós iremos conhecer no futuro. Reconhecer o desconhecido é uma afirmação na fé do que nós não compreendemos ou é meramente apreciação pelo Universo em que vivemos? Eu torço para que todos tenham isso em mente quando forem estabelecer suas crenças, e escolher um lado para acreditar ser verdadeiro. Estranho o suficiente, os agnósticos são freqüentemente estereotipados como pessoas que não podem tomar uma decisão, quando de fato, eu acho que eles meramente reconheceram o que os outros deixaram passar - que por enquanto, nem a ciência nem a teologia, quão válido possa parecer, podem provar qualquer coisa sobre a natureza de Deus. Eu também posso acrescentar dizendo que, não importa quantos livros ou teorias que supostamente refutam ou suportam a existência de Deus, qualquer ponto de vista é baseado em fé, porque nós não podemos fazer nenhuma afirmação com absoluta certeza da sua validade. Os teístas tem fé na existência de Deus, freqüentemente baseada na Bíblia, Alcorão, ou Torah. Os Ateístas irão freqüentemente basear sua falta de crença em Deus através de teoria científica disponível, afirmando que não acreditam em Deus até que lhes seja dada evidência verificável independente. Entretanto, é um desentendimento comum que todos os ateus negam até a possibilidade de Deus! Existem pessoas que acreditam nisso, entretanto, a maioria dos ateístas sabem que sua falta de crença em Deus não é absoluta, e estão abertos à evidência que provaria que eles estão errados, assim como a ciência está aberta para qualquer evidência que refute suas teorias. Eu acredito que o ateísmo forte, que nega a possibilidade de Deus, requer tanta fé quanto o Cristianismo. Para mim, ambos os extremos, que afirmam evidência pura e infalível são pulos de fé; ter tal confiança em suas habilidades perceptivas parece pretensioso.

Eu penso que nós todos precisamos dar um passo para trás da instituição de religião por um momento e examinar a nossa sociedade. Nós precisamos perceber que no final, nada pode objetivamente assegurar a validade de nenhuma crença. A fé é uma coisa estritamente pessoal, e não deve ser imposta sobre ninguém. Além disso, eu penso que nós devemos perceber que os valores de cada pessoa são coisas diferentes em suas vidas; algumas valorizam a experiência pessoal, outras valorizam a pureza do conhecimento. Quando a fé vai além da preferência pessoal de alguém e começa a afetar os outros, questões sobre a Primeira Emenda começam a ser levantadas. Nós vivemos em uma sociedade onde as crenças pessoais governam muitas das nossas leis e ações, para melhor ou para pior. A integração sutil da religião na política e outros aspectos de nossas vidas ocorre, mas não deveria ser assim. Nós dizemos que temos uma separação entre Igreja e Estado, entretanto, atualmente, existem esforços militantes para incutir a religião nas escolas. Os religionistas afirmam que existem muitas razões para isso: uma poderia ser um esforço para aumentar a moralidade na luz da pesada violência escolar. É compreensível que muitos queiram considerar a religião como a fonte de moralidade, entretanto, não deveria ser assim. Eu sei que eu me encontro em um difícil dilema moral com meus amigos teístas, e apenas tomei decisões sozinha, sem depender de escrituras para me ajudar. O fato é que a religião [ou a ausência dela] não vai fazer de você alguém com moral. Na minha opinião, a moralidade não deve ser baseada em "O Que Jesus Faria?" mas sim no que você acredita que irá causar o melhor. Na luz disso, o recente conflito de ensinar evolução nas escolas públicas de Kansas parece absurdo. Chegou ao ponto onde as crianças não podem nem mesmo ser ensinadas sobre o quais são as diferentes teologias, como se aprendendo sobre elas em um sentido literal ou histórico fosse uma tentativa de conversão. Eu sou uma crente em escolas públicas não-religiosas - evitar o ensino da evolução porque ela entra em conflito com o criacionismo parece estranho, e também parece bobo evitar aprender sobre os pilares básicos da fé que a maioria das religiões compartilham. Se educar sobre os vários sistemas de crença do mundo é importante, e mesmo que você não concorde com eles, é importante entender como eles afetaram a história e a literatura.

Idealmente, eu acredito que a teologia e a ciência devem ser reconhecidas e respeitadas como duas entidades separadas, cada uma com técnicas contrastantes de colher o mesmo tipo de informação. Historicamente, tem sido visto que as melhores teorias científicas de nosso tempo ainda estão controversas dentro das fés religiosas. Pessoalmente, eu não penso que a ciência e a teologia são compatíveis em suas proposições, porque as bases dos dois sistemas são imensamente diferentes. Além disso, eu penso que é importante perceber que a moralidade não requer fé. Se os teístas desejam ensinar seus filhos sobre fé, é direito deles, mas eles não devem esperar fazer isso no sistema escolar público. Sob a mesma luz, eu acredito que as escolas públicas devem respeitar tanto a religião quanto a ciência, ensinando ambas de um ponto de vista objetivo, sem ser parcial com um sistema de crença ou o outro. Parece fácil associar fé com moralidade, e a ausência de fé com imoralidade, entretanto, na verdade, não existe tal correlação. Melhor dizendo, isso tende a ser uma associação manifestada pela intolerância de crenças que conflitam ou talvez até ameaçam a sua própria. De várias maneiras, a religião é uma coisa grande para muitas pessoas: ela oferece a elas um senso de comunidade e um sistema de crença compartilhado. Isso é bom. Entretanto, nós devemos nos esforçar para distinguir cada teoria separadamente, e manter uma coexistência pacífica não apenas entre a ciência e a teologia, mas teologia e moralidade, porque todas as três são conceitos com objetivos inteiramente diferentes, e não são interdependentes entre si para funcionar.

Comentários

Francisco Bandeira - f_bandeira@hotmail.com - Manaus/Amazonas, enviou em 22/11/2000

Nós não podemos em hipotese alguma impor sobre quem quer que seja nossa vontade. Ninguém, absolutamente ninguém é obrigado a nada. Lembram do filme Coração Valente (Mel Gibson) até o último instante ele foi livre, seus algozes não o OBRIGARAM a pedir piedade, ele arcou com as conseqüencias de sua decisão, porem, mesmo sendo ele OBRIGADO a dizer, ele não disse. Sendo assim acho que nós agnósticos, ateus e afins deveriamos ser menos impositores, deveriamos ser mais superficial com esses tolos que fazem questão de viverem numa falsa ilusão hipócrita. Insistem em acreditar num deus que pouco ou nada faz por seus "filhos", se eles não querem abrir os olhos, danen-se (com o perdão da palavra. Acho que devemos alertar os menos desavisados, os nossos filhos, os amiguinhos de nossos filhos, devemos sempre que possível reunir grupos de jovens adolescentes que estão começando formar suas opiniões e ai então devemos "sugestionar" o que nós pensamos a cerca disso, devemos "abrir!-lhes os olhos" para o que realmente é a "religião".
Como podem aceitar tanta baboseira sem um alicerce para tais afirmações. Dizem que cada um tem sua interpretação de qualquer fato que presencie, prova é que se num acidente forem entrevistados 4 testemunhas, todas as 4 darão um testemunha com um certo grau de diferença uns dos outros. Então como é possível crêr numa cobra que fala? Então como é possível que um homem possa restaurar as células putrefadas de um corpo depois de 4 dias de morto? Como pode se acreditar que um homem possa passar 3 dias vivo dentro de um peixe ou então que possa separar o mar a atravessar a pé enxuto? Na consciência de uma pessoa sensata que busca por provas, por fatos onde que os cristãos vão encontrar provas inrrefutaves para tais "afirmações". Acho que ser cristão é abrir mão de sua lógica, de seu senso crítico, querer que eu acredite em tais coisas é um insulto a minha inteligência.
  • A publicação foi autorizada pela autora do ensaio original.
  • Traduzido por: Leo Vines
  • As partes em itálico não devem estar corretamente traduzidas.
  • Traduções para espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.