Frank Zindler
 
 
Estatísticas Oficiais da STR Publicado: 21/11/2000
Atualizado: 01/01/2002
   
                     
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POR QUE A RELIGIOSIDADE É TÃO DIFÍCIL DE SER CURADA?
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de Frank R. Zindler


Enquanto nos reunimos aqui hoje na busca pela razão e pela compreensão racional do mundo, nosso mundo mais uma vez está no meio da atividade mais irracional - a guerra. Pois tão antigos quanto são nossos registros, nossa espécie tem feito uso de violência em larga escala com uma regularidade tão alarmante que pode-se até pensar que a guerra é uma característica específica da espécie Homo sapiens. Como no caso de praticamente todas as guerras, nossa espécie lutou no passado, a Guerra dos Balkans com a qual nós estamos preocupados no momento está profundamente enredada em disputas religiosas. Enquanto não muitas guerras do passado estiveram envolvidas com o ódio teológico trilateral visto na guerra atual - com os Muçulmanos Sunni, Católicos Ortodoxos e os Católicos Romanos mutuamente se execrando e se matando uns aos outros - não é exagero dizer que a imensa maioria das guerras do passado foram justificadas e validadas pela religião, quando não literalmente provocadas por ela. É quase impossível empreender uma guerra sem a aprovação dos deuses gentis e dos beligerantes.

Se a religião é tão central para o empreendimento bem sucedido da guerra - isso dificilmente seria um ponto debatível - parece óbvio que se nós eliminarmos a religião iríamos remover o ímpeto emocional e a "moral" da guerra. Embora seja irrealista supor que isso eliminaria a guerra completamente, iria com certeza fazer da guerra algo muito mais difícil de se iniciar e de se manter. A paz iria se tornar a regra da existência humana, não a exceção. Sem o talismânico Gott mit uns nas fivelas de nossos cintos, nós iriamos ter que pensar duas vezes antes de marchar para a luta contra os infiéis pervertidos. (Na verdade, o 'duas vezes' não é a parte importante: o fato de termos que pensar é que é a novidade.)

Pouco tempo depois de eu ter me tornado Ateísta, com maduros dezoito anos, descobri as raízes religiosas da guerra e pensei que poderia fazer algo sobre isso. Me tornaria o sucessor de Mahatma Gandhi. Iria ter sucesso trazendo a paz para o mundo - erradicando a religião. Sem dúvida eu ganharia o Prêmio Nobel da Paz.

Visando a esse fim nobre/Nobel, comecei a me preparar. Estudei tudo que parecia relevante à tarefa de matar o dragão da superstição. Estudei as linguagens mortas na qual as escrituras foram escritas, estudei toda a ciência, da astronomia até a zoologia alfabeticamente e da física de partículas até a psicologia conceitualmente. Estava indo pegar a religião. Eu iria aprender a detectar toda mentira, engano e fraude perpetuadas pela religião. Iria aprender como as escrituras do mundo foram tramadas. Iria identificar os erros na lógica religiosa (ou o que quer que seja isso), e iria dominar todas as "provas" da existência dos deuses e refutá-las. Eu procurei demolir as fundações lógicas e evidenciarias da religião. Com certeza, após ter feito isso, a religião deve ruir e desaparecer.

Após muitos anos completei a maior parte dos meus estudos e fui salvar o mundo ao converter todos ao Ateísmo. Enquanto tive um considerável sucesso e converti muitos, eu tive problemas. Encontrei cientistas que aceitavam a evolução e a maior parte do resto da ciência, mas estavam profundamente impressionados pela "evidência" da profecia bíblica. Encontrei bibliólatras que não abrigavam nenhuma ilusão sobre a Bíblia sendo "inspirada", mas estavam impressionados com os argumentos de certos criacionistas e sentiam que um deus era necessário para criar o arco-íris, as rosas e o amor materno.

Até certo ponto, tais problemas foram sanados de forma bem sucedida com os procedimentos óbvios: ensinando um pouco de biologia evolucionária básica aos bibliólatras e explicando a história evolucionária das escrituras e as dimensões completamente humanas da "profecia" para os cientistas. Mesmo assim muitas pessoas continuaram não convencidas com os meus melhores esforços. Não havia nada que eu pudesse explicar ou demonstrar que os fizessem abandonar suas ilusões religiosas.

Por que eles não desistem?

Por que é que todo mundo não desiste da religião quando você apresenta toda a lógica e evidência - evidência absolutamente conclusiva- contra ela? Por que tantas pessoas ainda permanecem convictas após toda as suas ICBMs argumentacionais explodirem cada cidadela de mito?

Alguém pode naturalmente supor que a baixa inteligência é a principal causa da religiosidade. Afinal de contas, pensar é muito mais difícil do que crer - daí a grande preponderância de crentes sobre os pensadores em todas as eras e culturas. Mas o que se pode dizer quando os membros desse pequeno círculo seleto, que identificamos como pensadores, são crentes também? A baixa inteligência não é necessariamente o problema.

Considere a recente experiência que tive na Internet. Uma manhã recebi um e-mail extremamente insultante de um criacionista que havia lido algo que eu escrevi sobre criacionismo na Web-page dos American Atheists. Uma troca de mensagens durante meses resultou numa argumentação entre nós sobre criação versus evolução em todos os níveis de evidência imagináveis. No final, o sujeito permaneceu firme com sua crença de que o universo tem apenas alguns milhares de anos e que eu era um enganador profissional.

Acabei sabendo que meu antagonista anônimo possui um Ph.D. em bioquímica da Boston University e está engajado em uma pesquisa bioquímica muito sofisticada de grande relevância aos estudos do câncer e outras áreas da medicina. Por que não se pode fazer uma pessoa obviamente inteligente ver algo tão óbvio quanto a imensa antigüidade da Terra? Havia uma pista.

No começo de nossa disputa, o criacionista afirmou que não haviam erros ou contradições na Bíblia. Imediatamente, revidei com duas passagens que eram tão obviamente contraditórias que pensei que não pudesse haver argumentação posterior.

II Reis 23:8 'E Jehoiachin tinha dezoito anos quando começou a reinar, e ele reinou em Jerusalem por três meses.' II Crôn 36:9 'Jehoiachin tinha oito anos quando começou a reinar, e ele reinou por três meses e dez dias em Jerusalem.'

Imagine a minha consternação quando recebi uma resposta inventivamente recheada que negou completamente o meu argumento que o Reis e o Crônicas não poderiam ambos serem verdadeiros. Para tornar minha consternação ainda maior ele não teve a dignidade de tentar explicar "a aparência de contradição" (como a maioria dos apologistas da Bíblia expressariam) nas duas passagens. Não havia contradição entre essas duas passagens! Ponto final. Claramente, ele não era capaz de ver o que era óbvio pra mim. Claro também era o fato que havia um problema de percepção envolvido.

Ele estava mentalmente doente? Para ser exato, os pensamento e o comportamento religiosos de quaisquer tipos podem ser considerados formas de doença mental. Mas se não há nenhum impedimento em se atender as necessidades diárias ou as funções corporais de alguém, se o pensamento religioso não interfere com a habilidade de se sustentar - se a distorção do raciocínio religioso não se sobrepõe sobre o domínio prático da vida - parece um pouco exagerado escrever que demonstrações ocasionais de ilusão religiosa são doença mental. Tanto quanto pude determinar, meu antagonista se sai bem num laboratório e sabe quando é apropriado usar roupa de banho.

Certamente a condição dele não era tão séria quanto a de pessoas que me dizem "eu sei que Deus é real porque Ele fala comigo." E até mesmo as pessoas que afirmam tal absurdo não são doentes mentais no sentido sério da expressão. Sobre interrogatório, a maioria delas irá admitir que não estão realmente ouvindo vozes. Ao invés disso, são pensamentos que surgem do nada em suas mentes que parecem tão diferentes dos pensamentos normais que elas acham que os pensamentos vem de fora de si mesmas. No criacionista e nas pessoas que não conseguem reconhecer seus próprios pensamentos quando os pensam, encaramos o problema das experiências subjetivas e sensações distorcidas tão convincentes que eles são capazes de sobrepujar todas as evidências sensoriais externas que possam se opor a eles.

Por que o cérebro humano escorrega tão facilmente em tal função desordenada? Como a seleção natural permitiu que tal deficiência disseminada sobrevivesse - de fato, prosperasse - numa espécie? Devemos tentar aprender a resposta.

Religião como comportamento específico de uma espécie

Há muito tempo atrás, Charles Darwin escreveu um livro chamado A Expressão das Emoções no Homem e Nos Animais, na qual ele explorou as raízes evolucionárias da psicologia. Rir, chorar, sorrir e muitos outros comportamentos humanos foram encontrados em todas as raças e culturas. Além disso, as raízes desses comportamentos poderiam ser rastreadas nos macacos e em outros "animais menores." Como o corpo humano, viu-se que o comportamento humano evoluiu de uma condição pré-humana. Atributos comportamentais, tal como os anatômicos, podem ser específicos da espécie e poderiam ser usados para definir uma espécie biológica. Sendo este o caso, parece óbvio que esses comportamentos devem ser geneticamente condicionados: os comportamentos resultam da "conexão" e do funcionamento psicológico do cérebro, e esses por sua vez resultam da expressão - ao ponto que o ambiente permite - das mensagens instrucionais integradas no genoma humano.

Se a religiosidade é uma característica específica da espécie Homo sapiens como um todo (e não apenas uma característica sexual secundária da fêmea humana, como G. B. Shaw uma vez disse espirituosamente), deve haver uma base anatômica e psicológica para tal no cérebro humano.

Evidências para uma base neural para a religião estiveram disponíveis por um longo tempo. Sabemos há muito tempo que drogas enteogênicas podem fazer as pessoas terem experiências religiosas, alucinações sacras, e outras sensações "maravilhosas". O cacto peiote (que contém mescalina1) é usado por Nativos Americanos em seus ritos religiosos para induzir uma psicose sacra, e as drogas fungais psilocibina e amanitina podem ter sido usadas como enteogenes no Oriente Médio. O estudioso dos Atheist Dead Sea Scrolls, John Allegro, uma vez escreveu um livro chamado O Cogumelo Sacro e A Cruz. Neste livro, ele rastreou as experiências do Oriente Médio com o cogumelo venenoso e alucinógeno Amanita muscaria até os antigos Sumérios e lançou o sensato argumento que ressonâncias de experiências com o "cogumelo mágico" poderiam até ser detectadas no Novo Testamento.

As implicações disso são óbvias. Se moléculas de certas drogas são capazes de nos fazer ter experiências religiosas, deve haver um circuito em nossos cérebros que está sendo ativado ou habitado por essas moléculas - e esse circuito é pelo menos indiretamente um produto da genética.

Posteriores suportes para uma base neural da religião vieram do fato que existem drogas ateogênicas tal como enteogênicas. Em pelo menos algumas das psicoses caracterizadas por ilusões extremamente religiosas, drogas antipsicóticas podem dispersar o delírio religioso. Alguém duvida que, ao exorcizar os deuses de tais pacientes, as drogas estão agindo em receptores neurais em particular e afetando o ativamento neural? Seria demais esperar que algum dia uma cura por drogas estará disponível pro vício religioso? Esse mundo não será grandioso quando um médico puder dizer "Tome duas Torazinas e me ligue em um mês se você ainda sentir um impulso de pagar dízimo"?

Devemos nos lembrar também que a epilepsia do lobo temporal (ELT) é freqüentemente acompanhada de uma hiper-religiosidade, e é provável que São Paulo - o criador do Cristianismo, conforme pode ser demonstrado com argumentação - sofreu de epilepsia do mesmo tipo. O Dr. Vilayanur Ramachandran, diretor do Centro de Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, estudou pacientes com ELT e descobriu que suas Respostas Galvânicas de Pele são desproporcionalmente despertadas pela apresentação de palavras religiosas. A palavra Jesus fará suas palmas suarem tanto quanto as de pessoas normais suam quando elas são apresentadas a termos sexuais. Mais uma vez parece que os processos do cérebro (e os patológicos a essa altura!) são a causa das experiências religiosas. Para encerrar o assunto, o argumento parece que fica esclarecido pelos recentes experimentos que demonstram que "experiências religiosas", "sensações de divindades" e afins, podem ser disparadas por estimulação elétrica de certas partes do cérebro.

Antes de tentar discernir qual seria a função "normal" do "circuito de deus" do cérebro, devemos notar uma dica final. As experiências religiosas desde as épocas remotas freqüentemente foram associadas com transe induzido por fenômenos hipnóticos tais como dançar, cantar e outros fatores que aumentam a sugestibilidade.

Se, conforme parece agora indiscutível, existem partes do cérebro que mediam as experiências religiosas e são a causa de nossas ilusões de comunhão divina, devemos perguntar por que elas existem. Qual é a função normal delas? Por que um processo pragmático tal como a seleção natural iria produzir tais estruturas? Eu creio que as respostas para essas perguntas serão encontradas na solução de um quebra-cabeças ainda maior: por que, se a religião é veridicamente falsa, a seleção natural iria permitir que elas, não apenas sobrevivam, mas prosperem?

O Passado Evolucionário

Para descobrir o funcionamento "normal" do "módulo de deus" do cérebro, iremos ter que investigar as dimensões evolucionárias de três fenômenos intimamente interrelacionados: religião, hipnose e música.

Enquanto os detalhes particulares da religião são transmitidos verbalmente pela cultura - nosso substituto para o instinto - eu suponho que a religiosidade do Homo sapiens pode ser considerada até certo ponto instintiva. Se torna plausível o fato de que pode haver algo como um instinto religioso, penso eu, quando consideramos as implicações do fato que evoluímos como uma espécie social, não como uma espécie solitária. Evoluímos como animais sociais - animais de rebanho. Evoluímos como lobos, não como raposas.

Na evolução das espécies sociais de cérebro grande deve surgir um conflito entre o desejo de autonomia - auto-gratificação - e a necessidade do grupo por integração e subserviência. Em muitas espécies sociais, a autonomia e a separação do grupo produz ansiedade. Uma ovelha perdida não é um animal feliz, e muitos Cristãos separados de suas congregações, padres e pastores experimentam uma angústia profunda. (É por causa disso que a excomunhão e o banimento podem ser tão devastadores para certas pessoas.) Parece que é uma das funções da religião permitir as pessoas "escaparem da liberdade", como o psiquiatra Erich Fromm uma vez disse. Quando fazemos o que nossos padres nos mandam fazer, evitamos a ansiedade que vem ao tomarmos nossas próprias decisões - ansiedade que surge da consciência dolorosa de nossa própria incompetência e propensão a cometer erros. A religião serve como um veículo para descarregar a ansiedade ao conectar indivíduos isolados ao grupo e faze-los se sentirem como se de alguma forma o poder do grupo inteiro fluísse através deles. Ao fazer isso, devo argumentar, a religião usa o circuito neural evoluído nos animais sociais pré-humanos para uma comunicação não-verbal dentro do grupo.

Seleção de Grupo

Na evolução das espécies sociais, a seleção natural pode agir no nível de grupo tanto quanto no nível do indivíduo. Isso significa na prática que os grupos podem competir uns com os outros e pools gênicos inteiros podem ser selecionados (preservados) ou extintos, dependendo da "adaptação" geral dos grupos competindo. A exterminação da oposição genética é o objeto desse processo evolucionário. O genocidio tem uma longa história - ou talvez devêssemos dizer pré-história. Os conceitos sociobiológicos do in-group e out-group são úteis para entender a dinâmica desse tipo de evolução social.

Para um in-group particular prevalecer sobre os vários out-groups com o qual ele compete por recursos, uma são necessárias cooperação e coordenação intragrupo de maior nível. Há uma necessidade de coesão dos indivíduos que constam no grupo, daí eles podem se comportar como um superorganismo integrado. Para uma eficiência máxima na guerra é necessário que um grupo inteiro de soldados estejam aptos para agir e funcionem como se fossem um único indivíduo bem coordenado.

A comunicação é fundamental para a cooperação e a coordenação bem sucedida. Mas como a comunicação é afetada antes da origem da linguagem? Como, por exemplo, os gnus sabem quando é hora de fugir em debandada? A não ser que o rebanho inteiro debande em uníssono, o rebanho ficará vulnerável - e uma "debandada de um" seria quase certamente fatal para o indivíduo correndo entre um grupo de leões. O que é que traz a necessária dissolução e fusão de ego de cada indivíduo com o "espírito do rebanho"?

Hipnose

Enquanto a sinalização química tal como a liberação de feromônios, sinais físicos tais como levantar o rabo ou outras demonstrações, e os sinais auditivos tal tomo bufar, mugir, chorar, e afins pode ser empregadas para listar a cooperação, para ter sucesso todos eles requerem que os animais que os percebam sejam "suscetíveis" - i.e., capazes de interiorizar o sinal recebido, ponderarem e tomarem sua "decisão", e a passarem adiante. A comunicação nesse nível é na maior parte a transferência de emoções através dos membros de um grupo. As emoções devem ser tão contagiosas quanto bocejar ou se coçar.

É normalmente aceito que a sugestão e a sugestibilidade são as raízes da hipnose. A hipnose e a hipnosibilidade, eu suponho, são relíquias do sistema de comunicação que funcionou no rebanho humano pré-verbal. Não conheço nada que possa se igualar à hipnose na facilidade que ela tem para comover - envolva a mudança rir, chorar, excitar, ou falta de sensibilidade à dor. Em todas essa mudanças, as sensações são de necessidade alterada. Limões azedos são percebidos como laranjas doces, cigarros acesos são percebidos como aplicadores de loção, e a fumaça de incenso é percebida como espíritos de anjos pairando no ar.

A hipnose também é capaz de induzir experiências religiosas desde a simples sensação de solidão com o universo até alucinações fulminantes de vozes divinas emitindo mandamentos. Adicione o fato de que o transe (na forma de encantamento e de meditação e prece condicionada, a consciência alterada de pessoas que pensam que um curandeiro as curou, etc.) é um componente importante de muitas religiões, e temos uma pista do por quê a religião evoluiu. A religião evoluiu como um meio de induzir e conduzir a hipnose - e exterminar a competição genética. A religião surgiu como um catalisador efetivo de guerra eficiente ao ser um conduite para o fluxo de sugestões agressivas. Por ser capaz de funcionar em um nível pre-verbal, a hipnose pode fugir do radar da mente racional. Ela pode produzir guerreiros que não sentem medo ao encarar as circunstâncias mais ameaçadoras. Ela pode criar uma ilusão clara de um mundo melhor em outro plano - uma ilusão tão poderosa que guerreiros não hesitarão em lutar por ela, não importa quão assustador seja o mundo real.

Não deve haver nenhuma sensação de paradoxo no fato da religião e da guerra estarem juntas tão freqüentemente. A facilitação da guerra foi a razão de ser da religião pra começo de conversa!

Para voltar ao assunto principal dessa conversa, vamos perguntar novamente por que a religiosidade é tão difícil de ser curada. Por que as sensações religiosas são tão difíceis de serem modificadas? Uma pista pode ser encontrada na associação íntima da hipnose com a religião e a tenacidade com a qual as sensações implantadas pela hipnose podem ser mantidas apesar da evidência externa. As sensações religiosas são, creio eu, implantadas hipnoticamente.

Pode ser visto em um experimento que fiz há muitos anos atrás o quão pertinentes podem ser as crenças hipnóticas, quando pesquisei ativamente na área da hipnose experimental. Em um dos meus experimentos hipnotizei um homem que usava botas de couro. Ele era um bom sujeito, então decidi explorar o quebra-cabeças das sugestões pós-hipnóticas. Dei a ele a sugestão pós-hipnótica de que muitos minutos após acordar ele iria "descobrir" que havia posto suas botas no pé errado. O acordei e conversei por alguns minutos. De repente, ele olhou contorcido para seu pé, como se estivesse sentindo um desconforto, quase uma grande dor. Com jovialidade, ele fitou suas botas e então as recolocou: a bota direita no pé esquerdo, a bota esquerda no pé direito.

Por dez ou quinze minutos ele conversou comigo, sem perceber a sua condição absurda. Apenas quando ele se levantou para andar - e quase quebrou o pescoço tentando andar no tapete - ele de repente percebeu que suas botas estavam no pé errado. Esse experimento foi claramente análogo com o caso da hipnose do encontro da tenda que testemunhei uma vez. Nesse caso, uma mulher com artrite foi hipnotizada por um curandeiro para acreditar que sua artrite havia sido curada. Embora ela tenha vindo à tenda com muletas, após receber o raio divino ela começou a correr pela tenda à todo vapor - juntas rangendo, rachando e reclamando, mas nenhuma dor foi sentida pela pobre criatura sendo explorada pelos pastores presidindo o show. Diferentemente do colega de botas, ela teve que ser carregada para casa após o encontro. Eu aposto que na manhã seguinte ela pensou que o Satã trouxe de volta sua doença.

A tenacidade com a qual as sensações implantadas pela hipnose são mantidas apesar da evidência dos sentidos físicos nos dá uma compreensão do por quê as sensações religiosas são tão difíceis de serem modificadas. A mentalização religiosa, como a sugestão pós-hipnótica, navega abaixo do radar da realidade. Ela é pré-verbal em um grau muito alto, e portanto imune àquele processo verbal essencial que chamamos de lógica.

Reunindo Tudo Isso

Conforme já notamos, ao lidar com as experiências religiosas encaramos o problema das experiências subjetivas tão convincentes que são capazes de sobrepor todas as experiências sensoriais externas. Tanto os experimentos com estímulo elétrico quanto os relatos pessoais, freqüentemente indicam que durante as experiências religiosas há um colapso do ego e dos limites do 'eu', criando uma sensação de singularidade. O sujeito se sente unificado com o cosmos, unificado com a raça humana. Os sujeitos relatam a sensação de receber uma sabedoria ou conhecimento indescritível, conhecimento que não pode ser expresso em palavras.

Enquanto é possível que as partes de processamento de fala do cérebro estejam envolvidas nas experiências religiosas, eu suspeito que o núcleo das funções cerebrais envolvidas são aqueles associados com a comunicação não-verbal - os elementos do cérebro que permitem rebanhos de animais se comunicarem e perceberem as intenções do rebanho. Emoções são contagiosas, e o circuito neural por trás desse fato está provavelmente envolvido nas experiências religiosas também.

Conforme já sugeri, a função evolucionária da religião foi de aumentar a coesão dentro do grupo para assim aumentar a competição com os grupos de fora: Israelitas vs. Jebusitas vs. Hivitas, ou Croatas Católicos vs. Sérvios Ortodoxos vs. Bósnios Muçulmanos. Isso proporciona um meio de redução de ansiedade causada pela autonomia, ao permitir a dissolução do 'eu' e absorção na consciência coletiva - a coleção de mensagens preverbais e verbais ativas no ambiente no qual a atividade religiosa está sendo conduzida.

A função primária da religião é mais efetiva quando efetuada hipnoticamente. Por proporcionar um meio focalizado de indução de transe, a religião facilita a imposição da vontade de um grupo (ou seus líderes!) sobre seus membros individuais. Ela o faz por meios de prece hipnótica, canto ritmado, dança, bater de palmas, cântico monótono, ou percussão - e nos dá uma pista do "propósito" evolucionário da música. Quase certamente, o ritmo antecede a melodia. Começamos como galos roucos e batucadores e evoluímos para rouxinóis apenas no final da história. Por que? Porque os ritmos persistentes são úteis para induzir o transe. Os ritmos elétricos do cérebro mudam conforme os estados de consciência. Isso parece explicar o uso da percussão e da dança entre muitos índios americanos antes de irem para a guerra. A música foi o portal através do qual os guerreiros entraram em um mundo que não conhecia medo, um mundo sem ansiedade. Portanto, a música evoluiu como uma forma de induzir ao transe hipnótico.

A susceptibilidade hipnótica, embora seja mais velha que a própria espécie humana, foi elaborada pela seleção natural como um meio de aumentar a coesão dentro do grupo e como um meio de produzir um comportamento competitivo altamente ordenado e eficiente no nível entre-grupos. Conforme a transmissão cultural de comportamentos aprendidos substituiu a transmissão genética de comportamentos instintivos, a religião emergiu como o sistema decidindo os objetivos pelos quais a hipnose seria aplicada. O conteúdo mítico real das religiões individuais provavelmente não fez muita diferença. Zeus, Yahweh e Baal são todos imaginários, e não há razão óbvia para recomendar um e não os outros. Entretanto, a estrutura das organizações culturais por trás das várias divindades foi de grande importância. É óbvio que os magos que puxavam as cordas no templo de Yahweh tiveram uma maneira muito mais efetiva de controlar a terra de Oz do que aqueles que se esconderam por detrás das cortinas nos templos de Zeus e Baal!

Pela Última Vez - Por Que A Religiosidade É Tão Difícil de Ser Curada?

Análoga à hipnose, a religião distorce as percepções, as tornando resistentes à correção. Freqüentemente, emoções fortes devem ser evocadas antes do encanto poder ser quebrado: é como usar água gelada para acordar uma pessoa hipnotizada. O circuito neural da religião está intimamente entrelaçado com aquele que nos distingue como animais de bando, como uma espécie social. Tentativas cirúrgicas de remover os componentes religiosos prejudiciais deste circuito são naturalmente resistidas - como se fossem tentativas de privar as pessoas de sua identidade grupal. A perda da religião produz mais autonomia, mas novamente isso pode aumentar os níveis de ansiedade. As ilusões que reduzem a ansiedade não serão abandonadas facilmente. Sem se opor a tudo o que eu disse hoje, o medo continua sendo o solo no qual as raízes da religião se alimentam. A não ser que meios melhores de reduzir o medo se tornem disponíveis, a religião continuará a se alimentar do nosso neuroplasma.

O Significado para os Ateístas

Por que é tão difícil para os Ateístas se organizarem? Se 8-12% da população é de fato Ateísta, onde eles estão? Por que eles não estão se juntando a nós? Ao mesmo tempo, muitos dos Ateístas que se juntam a nós querem mais eventos sociais, mais oportunidades de interação interpessoal. Existem dois tipos de Ateístas? Sugiro que existam: Ateístas Inerentes e Ateístas Convertidos.

Ateístas Inerentes (Tipo A) são aqueles no qual a indoutrinação religiosa nunca funcionou muito bem em primeiro lugar. Estas pessoas são Ateístas no qual as bases genéticas e neurológicas dos animais sociais esvaneceram de alguma forma? Essas pessoas são por natureza menos gregárias, mais reservadas e menos sujeitas ao contágio emocional? São eles os mais puros introvertidos?

Ateístas convertidos (Tipo B) são aqueles que já foram muito religiosos, mas devido (talvez) a alguma experiência de caráter profundamente emocional conseguiram permitir que o peso dos indícios contra a religião finalmente lhes penetrasse a razão. São eles os ateístas que sentem prazer ao estarem com outros ateístas, os que querem mais almoços, convenções, etc.? Eles ainda têm as bases regulares dos animais sociais? São eles os mais puros extrovertidos?

Se estou correto nesta hipótese, as organizações ateístas precisarão usar aproximações diferentes para recrutar esses dois tipos diferentes de ateístas.

Ateístas Tipo-A nos devem ser atraídos com argumentos que eles podem relacionar ao seu próprio bem-estar. Eles devem ser ajudados a ver que embora não há deus algum, existem muitos demônios aí que, se não houver oposição, irão tomar a sua liberdade e terão impacto em seus livros de bolso e no conforto pessoal. O impacto emocional tanto quanto o lógico de tal recrutamento deve ser suficiente para sobrepor a reticência normal deles a entrar em grupos de qualquer tipo. Eles devem enxergar 'se juntar a nós' como um ato de auto-defesa.

Ateístas Tipo-B - ou seja, aqueles que já se tornaram ateístas - irão normalmente querer muito se juntar a nós. Entretanto, precisam saber que existimos e como entrar em contato conosco. Publicidade bem gerenciada e distribuir nossas revistas e newsletters em bibliotecas públicas e escolares pode trazê-los.

Indivíduos Tipo-B que ainda estão em igrejas precisarão ser expostos aos argumentos que não são apenas lógicos e científicos, mas também devem receber uma surra emocional. Deve haver um componente que possa ultrapassar a barreira perceptiva normal que protege os centros religiosos dos cérebros deles. O equivalente argumentacional dos baldes de água gelada - ou o aperto nos dedos de botas que finalmente são vistas estando no pé errado - deve ser criado. O feitiço precisa ser quebrado. Isso pode requerer estratagemas extravagantes ou até mesmo exorbitantes, tais como quando (na televisão) eu desafiei o secretário nacional da dita Maioria Moral a demonstrar sua fé ao comer amendoins envenenados que ofereci à ele (Marco 16:18) ou se castrando (Math. 19:12) com a rústica faca de escoteiro que eu queria providenciar.

A necessidade de encontrar uma cura para a religiosidade está pressionando. O mundo não pode sobreviver muito se as mentes dos que resolvem problemas forem enevoadas pelo ópio da religião. Devemos perceber a realidade da forma mais precisa que o princípio da incerteza de Heinsenberg permite. Não podemos tolerar ilusões. Os jogos que nossa espécie está jogando conosco e com o nosso ambiente são de vida ou morte.

Nós Ateístas devemos fazer tudo ao nosso alcance para destilar a poção despertadora que irá limpar as mentes dos nossos amigos homens e mulheres. Devemos revogar o curso evolucionário que a natureza colocou sobre nós quando criou a religião como uma agência mediadora para a forma mais complicada de vida social que o nosso planeta conheceu. Devemos quebrar o feitiço mal que a religião jogou sobre os castelos das nossas mentes e sobre as torres do nosso pensamento. Devemos fazer tudo ao nosso alcance para libertar os prisioneiros do pensamento do nosso planeta.

Não é apenas uma necessidade ética, é uma necessidade prática também. Nós que, qualquer que seja o motivo, libertamos nossas próprias mentes, não podemos permanecer para sempre livres quando tudo sobre nós não está apenas preso mas ocupado forjando - em seus calabouços eclesiásticos - correntes que novamente eles podem usar para confinar nossas mentes.

É um trabalho muito difícil para o Batman e Robin - demais até para o Super-Homem. Mas é o trabalho que a STR e os American Atheists assumiram. Foi feita a solene promessa que devem trabalhar incessantemente e com toda as suas fontes de energia para trazer a liberdade da mente humana, para libertar os prisioneiros religiosos, e para encontrar curas para todas as variedades da doença mais mortal, a religiosidade.

***

Ex-professor de biologia e geologia, Frank R. Zindler é agora um escritor sobre ciência. É membro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Academia de Ciências de Nova York, A Sociedade de Literatura Bíblica e as Escolas Americanas de Pesquisa Oriental. É editor da American Atheist.

Comentários

Fernando Cambiaghi De Carli - webbin666@hotmail.com - São Paulo São Paulo, enviou em 13/12/2001

Antes de mais nada, quero dizer que não sou atheu, e também não sou religioso. Gostei muito do artigo, é muito bem escrito e muito bem fundamentado. Mas achei um erro crítico usar uma data como uma contradição da bíblia, pois pelo que sei a bíblia, não é um livro escrito normalmente, mas sim a junção, de vários manuscritos, de épocas, culturas e linguas diferentes, sendo assim, os "8 anos" mencionados, numa (época,cultura e linguagem) poderiam, ser iguais a "18 anos" noutra (época,cultura e linguagem). Além disso, varios outros equivocos podem ocorrer, como por exemplo, as escrituras foram de épocas muito distantes, poderia ter tido perda ou modificações na pasagem dos relatos históricos de geracão a geração. Os textos podem ter sofrido erros de tradução, ou até mesmo de interpletação, pois varias palavras de outras liguas, quanto mais liguas ancestrais não tem tradução exata, alem de outras coisas que podem ter acontecido. Como não tenho ascesso aos manuscritos antigos, e mesmo se tivesse, não os saberia interpletar, não me arrisco a dizer se estas passagens citadas são uma prova de contradição ou não. Como um bom agnóstico, proponho-me apenas a ter dado um comentario, sobre a possivel causa desta possivel contradição. Ah esse comentario não tem base em nada, apenas na lógica, a qual não me refiro como uma teoria cientifica comprovada.

Gilberto Gianini - gilbertogianini@hotmail.com - Paraná Paraná, enviou em 21/10/2001

Excelente o texto.

Mas devo lembrar que os principais motivos que levam as pessoas a se entregar cegamente as crenças são:

1 - A promessa de uma existência confortável em vida;
2 - Uma vida enterna e feliz após a morte;

A primeira é a mais praticada pelos evangélicos, pois costumam atrair com mais facilidade pessoas pobres e emocionalmente carentes, prometendo uma vida confortável com uma certeza de "salvação" após a morte. Para funcionar usa-se o método dos "irmãos em Cristo", que na maioria dos casos preenche o vazio emocional, provocado pelas istabilidades de relacionamento familiar ou em uma menor escala na dificuldade de relacionamento social. Quanto aos pobres, a coisa é mais simples pois usa-se a ganância natural das pessoas. Ao entrar para uma igreja evangélica qualquer, o sujeito é instigado a, primeiramente, abandonar os antigos habitos, vícios e costumes que comprometiam parte da sua renda mensal, o que causa imediatemente um aparente crescimento dos ganhos mensais quando, na verdade, o crente apenas está economizando. Na mesma hora já começa o condicionamento ao pagamento do dízimo, com a ilusão de que este dizimo funciona como investimento. Para convencer usam os famosos testemunhos das pessoas que antes da conversão estavam falidas e, após se converterem e pagarem o dizimo, ficaram ricas. É como o estelionato, definido por muitos juristas como "crime do esperto contra o ganancioso". A promessa de riquezas seduz a maioria, é como vender o bilhete premiado da loteria, o dizimo é cobrado como uma pequena parcela em troca dos rendimentos posteriores.

O segundo motivo e o mais importante, praticado por todas as outras religiões. A morte é ao mesmo tempo a maior crteza do homem e também a maior dúvida, todos sabem que vão morrer, mas ninguém sabe o que acontece depois da morte. O que a religião como um todo oferece é justamente a "resposta" para o que acontece após a morte que pode ser o castigo caso não obedeça aos dogmas religiosos ou a recompensa se o crente seguir cegmente estes dogmas. A promessa de uma vida eterna e feliz após a morte convence a maioria.


Cesar Casé - ccase@tvglobo.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 01/08/2001

Achei o texto de Frank R. zindler muito interessante. Concordo que a religião foi um estorvo ao rápido desenvolvimento social e político em determinadas épocas; que a maioria das guerras do passado foram justificadas, validadas e até em alguns casos provocadas por ela; e que há um fator hipnótico que molda e oblitera a visão de algumas pessoas. Onde houve a dessacralização houve progresso. O Zaratrusta nietzschiano anunciou a morte de Deus para reformular a moral alicerçada pela religião. Entretanto a questão não é essa. A religião e crença são coisas diferentes. A religião teve na história um papel negativo, quando passou a explorar a fé alheia para seu próprio enriquecimento e quando utilizou-se de sua influêcia para coibir pensamentos de vanguarda em favor da manutenção do “status quo”. Porém, posso ter fé em Deus, acreditar Nele sem me envolver em nenhum culto comunitário, no qual haja infuêcia hipnótica. A existência de Deus está acima de tudo isso, é transcedental. O filósofo da ciência Karl Popper demonstrou que a ciência não possui qualquer fundamento lógico ou empírico para negar a existência de Deus, nem para afirmá-la, devendo portanto, silenciar a respeito. Na grecia antiga, pensadores como Pitágoras, Sócrates, Platão e Aristóteles sempre consideraram a dimensão mística do universo como uma realidade. No século I d.c, surgiu a Gnose, um movimento filosófico cujos os componentes visavam adquirir um conhecimento direto de Deus, apoiando suas doutrianas, não apenas sobre a fé, mas sobre os dados lógicos e “científicos” da época. Na visão cosmológica de Newton, Deus está sempre presente e imanente no espaço-tempo; é o Criador e o mantenedor do sistema cósmico. A “Origem das Espécies” de Darwin, acha-se repleta de menções ao Criador: “ Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a um só?” – Pag. 458. Einstein admitiu plenamente a realidade de Deus e a importância e a necessidade dos valores metafísicos: “ A ciência sem a religião é cega e a religião sem a ciência é coxa”. Depois dele, eminentes cientistas como Plank, Böhr, Heisenberg, Dirac, Schrödinger, Pauli, Born, e mais recentemente, Hoyle, Bohm, Capra, Pribram, Eccles, entre centenas de outros, se atreveram a declarar abertamente seu apoio à Mística. David Bohm disse: “ Luz é energia e informação; conteúdo, forma e estrutura. É o potencial de tudo. A luz é em tudo. O universo é uma realidade autocriada; é um Ser-luz infinito, superpoderoso, dotado de um conteúdo informacional e de uma vontade consciente e criativa, capaz de projetar a Si mesmo sob a forma finita das partículas. As pessoas intuem uma forma de inteligência que, no passado, organizou o universo, e a personalizam chamando-a Deus”. É interessante lembrar que Copérnico e Lemaitre eram padres, e que o primeiro livro impresso de astronomia, o “Tractatus de Sphaera”foi escrito por um padre, Johannes Sacrobosco. A razão lógica sempre foi um mecanismo para detectar as falhas anteriores, porém, sabemos que ela é não pode fundamentar uma verdade universal, isso já é ultrapassado. Atribuímos significações diferentes a diferentes coisas, o que eu acho que é verdadeiro para mim pode ser falso para o outro, “lógico”, é compreensível. Heisenberg com seu Princípio da Incerteza desistiu de entender uma razão lógica para o mundo subatômico. Incerteza? Como podemos julgar a existência ou não de Deus se tudo é incerto? Por isso a crença é um instrumento forte, pois nós sabemos de coração que o que acreditamos é verdadeiro, e isso é o que importa.

Claudio Roberto Guerreiro Biégas - neidebiegas@ig.com.br - Paraná Paraná, enviou em 19/07/2001

Cada vez as coisas se complicam mais ainda, acreditava eu que o teísmo fosse somente uma ideia que certas pessoas aceitavam pois não possuiam outra coisa para por em seu lugar, como explicação para suas miseráveis vidas. Uma vez na "super interessante" fiquei pasmo ao perceber que a maioria dos seres vivos que habitavam a terra seriam parasitas de outros seres vivos. Agora com mais esta, de que a religião possa ser uma prédisposição genética própria dos seres que vivem em sociedade, não vejo muita solução, quem sabe a ciência não evolua e não crie realmente uma vacina para este mal da humanidade a "religião".

Luiz Claudio Pires Estima - luizestima@ig.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 21/06/2001

Já li alguns textos desse autor, e todos muito bons. Porém , nesse encontrei (finalmente) um item para discordar. Indíviduos que acreditam em qualquer religião, ou em qualquer deus, revelam-se não muito inteligentes. O fato de serem PHds em qualquer assunto, não siginifica que sejam necessariamente indíviduos de inteligência privilegiada. Porém acretidar em histórias mirabolantes, sem qualquer prova convincente, e ainda recusar-se a enxergar o obvio diante das provas que lhe são apresentadas, isso sim revela a sua falta de percepção nas coisas da vida. Não se esqueça, que se a humanidade depende-se de pessoas desse tipo, acretitariamos que a Terra é achatada e coisas desse tipo. O fato de existirem biologos , fisico , matematicos, etc que acreditem em deus, só prova que eles estudam muito, mas não que são inteligentes.

Mesmo discordando desse ponto com o autor, gostei muito do texto


Walter Luiz Lopes - wlopes@comgas.com.br - São Paulo São Paulo, enviou em 26/04/2001

Comentário quanto à tradução: ICBM é sigla para Inter Continental Balistic Missile = Míssil Balístico Intercontinental (no começo do texto). Talvez nem todo mundo saiba.

Rálamo - ralamo@porncity.com - Rio Grande do Sul Rio Grande do Sul, enviou em 22/03/2001

O autor esqueceu-se de um item fundamental na religiosidade de uma pessoa: a sua educação. Para um indivíduo que cresce ouvindo sobre Deus e religião é extremamente mais propenso a tornar-se um religioso incurável do que aquele que durante seu crescimento não foi instruído religiosamente.

Cleudo Matos de Medeiros - cleudo@mega-recife.com.br - Pernambuco Pernambuco, enviou em 06/02/2001

Oi pessoal.

Eu li o artigo “Porque a Religiosidade é Tão Difícil de Ser Curada” por Frank R. Zindler. Achei o texto excelente, porém há um erro nele, a seguinte passagem bíblica citada no texto está errada:

II Reis 23:8 'E Jehoiachin tinha dezoito anos quando começou a reinar, e ele reinou em Jerusalem por três meses.' II Crôn 36:9 'Jehoiachin tinha oito anos quando começou a reinar, e ele reinou por três meses e dez dias em Jerusalem.'

Veja abaixo o correto:

II Reis [24]
8 Tinha Joaquim dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém. O nome de sua mãe era Neústa, filha de Elnatã, de Jerusalém.

II Crônicas [36]
9 Tinha Joaquim oito anos quando começou a reinar, e reinou três meses e dez dias em Jerusalém; e fez o que era mau aos olhos do Senhor.

Na realidade não é II Reis 23:8 e sim II Reis 24:8. Só achei o erro porque tenho uma Bíblia eletrônica, onde pude procurar a palavra Joaquim em todo antigo testamento. Se vocês corrigirem o texto, aproveitem para trocar Jehoiachin pelo correspondente em português Joaquim. Só por curiosidade, logo abaixo tem outra pérola para arrancar os cabelos dos fundamentalistas.

II Reis [24]
17 E o rei de Babilônia constituiu rei em lugar de Joaquim a Matanias, seu tio paterno, e lhe mudou o nome em Zedequias.

II Cronicas [36]
10 Na primavera seguinte o rei Nabucodonosor mandou que o levassem para Babilônia, juntamente com os vasos preciosos da casa do Senhor; e constituiu a Zedequias, irmão de Joaquim, rei sobre Judá e Jerusalém.

Um abraço, Cleudo.


Cláudio Cunha - maira@netsan.com.br - Pará Pará, enviou em 10/12/2000

O homem aprendeu a ser subordinado à alguem, quando não encontra, procura um herói salvador, deus. Como se fosse resolver todos os seus problemas. Esperar é o seu lema ir a luta para tentar resolvê-los, jamais. Tudo que é de ruim que acontece, eles acham que está direcionado a eles pela falta de religiosidade, e tudo que é de bom, acham que são os escolhidos, não acreditam no seu próprio talento de vencer.
Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.AmericanAtheist.org/smr99/T2/zindler.html
  • Traduzido por: Leo Vines
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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