Dan Barker
 
 
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Atualizado: 02/01/2003
   
                     
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de Dan Barker


Em fevereiro (de 1999) participei de dois debates do tipo "Deus Existe?"

Em 18 de fevereiro, debati com Tom Rode, presidente do Campus Cruzada Para Cristo (CCC) de Ohio, na universidade estadual de Ohio, Columbus. O evento foi patrocinado pelos alunos a favor do pensamento livre, o CCC e o sindicato dos professores de Ohio. Apesar da platéia de 200 pessoas ser principalmente religiosa, um contingente saudável de alunos e demais ateus e humanistas da comunidade expressaram seu apoio para o lado do Livre Pensamento.

Por ser o primeiro debate público de Rode, ele não estava tão preparado e eloqüente como os outros debatedores. Seus argumentos eram padrões - cosmológicos, desígnio, moralidade e a controvertida ressurreição de Jesus - mas durante o exame cruzado e as perguntas da platéia, sua falta de familiaridade com conceitos científicos e com o estudo crítico da ressurreição era óbvia.

Rode alegava que sem um Deus não havia base para valores morais. Apontei que não havia tal coisa como "valores morais objetivos", e mesmo se houvesse, não há nenhum assunto moral no qual os cristãos concordam. Por exemplo, uma execução estadual estava marcada para o próximo dia (a primeira de Ohio em 35 anos) e cristãos devotos fiéis a Bíblia estavam tomando ambos os lados na discussão.

Se a Bíblia é um guia moral claro, por que crentes discordam em tais assuntos cruciais como a pena de morte, o aborto, a eutanásia, o direito dos gays, o controle de natalidade, o direito da mulher e a guerra?

Depois do debate, um ministro local veio até mim e disse: "O que você está dizendo me assusta."

"Por que deveria te assustar?" perguntei.

"Porque se você estiver certo, então tudo que tenho ensinado e vivido está errado."

"Mas por que isso assusta você?" continuei. "Se o ateísmo estiver certo, então você não ficaria feliz em querer aprendê-lo? Você não estaria feliz de saber a verdade sobre a realidade e se livrar de idéias falsas?"

"Acho que sim, se fosse verdade. Mas mudaria tudo!"

Para crédito deste homem, ele parece estar querendo se entender com a possibilidade de talvez estar errado. Ele não tem medo da verdade: é a mudança que o assusta.

Quero agradecer aos organizadores estudantis August Brunsman, David Frison e Robert Nekervis (moderador) por organizar um evento tão bem sucedido. E um apreço especial aos membros da Fundação Joe Sommer, um advogado de Columbus, que gerenciou (e policiou) a mesa de literatura da FFRF.

Em 23 de fevereiro. Debati com Michael Horner da Sociedade de Filósofos Cristãos da Faculdade Comunitária Shoreline em Seattle, Washington. O debate foi moderado por Ken Schramm, um anfitrião popular do programa de auditório "Town Meeting" da KOMO-TV em Seattle.

Esse era o terceiro debate que tive com Horner, mas diferentemente dos primeiros dois encontros, desta vez a platéia não estava a seu favor. Pela primeira vez em minha experiência, a platéia de mais de 300 alunos e membros da comunidade (incluindo muitos membros da Fundação) estavam divididos em pelo menos 50/50, talvez até um pouco mais para o lado do livre-pensamento. Não havia nenhum patrocínio estudantil ou religioso; o evento foi organizado pela série de palestras da faculdade Shore Line.

Num determinado momento mencionei que o noroeste da costa do Pacífico, especialmente Seattle, continha a maior taxa de descrentes da nação. Quando eu disse, "vocês deveriam ser orgulhosos desse fato", aplausos espontâneos emotivos soaram por todo o salão. Foi uma experiência reconfortante.

Horner é um dos melhores debatedores, versado em todos os temas. Mas ele cometeu o erro de insistir que eu deveria começar (ele alegou erroneamente que ateus compartilham o mesmo ônus da prova. Acho que ele esperava que eu estaria somente preparado com refutações, não oferecendo nada de positivo em favor do ateísmo). Tendo o discurso de abertura, tive a oportunidade de ditar o passo do debate. Não só abordei a falta de provas para o teísmo ("deus das lacunas"), mas também apresentei muitas provas a respeito da possibilidade de um universo sem deuses, mais argumentos positivos "coerentes" listando aspectos mutualmente contraditórios sobre a definição tradicional de um deus.

Horner voltou rebolando e nos engajamos em uns 10 minutos de examinação cruzada bem acalorada que nos deixou a flor da pele. Quando lhe pedi que descrevesse do que Deus era feito ele respondeu "espirito". Quando pedi pela definição de "espirito" ele não tinha nenhuma e me acusou de estar discutindo a questão de maneira que parecesse verdadeira pela recusa em considerar a possibilidade de um ser sem corpo. Quando ele perguntou pela fonte dos "valores morais objetivos" respondi que não havia tal coisa, somente que há uma "base objetiva na natureza" para se fazer escolhas éticas.

Os argumentos principais de Horner eram o cosmológico, o do desígnio e o da moralidade. Diferentemente dos nossos dois primeiros debates ele omitiu a ressurreição de Jesus, talvez por razões de tempo, talvez porque ele sabia, do nosso debate anterior, que eu estava preparado com os resultados de uma recente pesquisa liberal Cristã mostrando que a ressurreição corpórea era lenda e não histórica.

Como no debate de Ohio, as perguntas da platéia de Seattle eram bem fortes. Muitos livres-pensadores levantaram problemas difíceis a Horner, abordando temas excelentes que eu não havia pensado ou não tive tempo de abordar.

Depois do debate eu estava rodeado principalmente por livres-pensadores, o que era incomum. E Horner também! Provavelmente pela primeira vez na vida ele era o missionário em campo.

Durante o nosso trajeto de volta ao hotel, Horner me disse; "Bem, deixamos algumas pessoas pensando está noite."

"Deixamos mesmo", respondi.

Agradecimento especial para os membros da Fundação, Beth e Scott, pela hospitalidade, e a Beth pela organização de um jantar informal para mais de 20 livres-pensadores da área de Seattle no restaurante Wild Ginger na noite anterior ao debate.

Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.ffrf.org/fttoday/april99/barker.html
  • Traduzido por: Willy de Carvalho
  • Revisado por: Leo Vines
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
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