Publicado: 08/09/2001
de Dave Silverman
Se nós temos uma Constituição ou não, e se nós ganhamos um caso de tribunal ou não, nós todos devemos reconhecer que esta é uma nação dominada por cristãos. Há igrejas grandes e ornamentadas em todos lugares, freqüentemente os mais altos e bonitos edifícios na cidade. O Natal e a Páscoa não só são feriados nacionais, mas também épocas de grandes extravagâncias de marketing, com exibições de comerciais com até seis meses de antecedência. Até eu mesmo, escrevendo este ensaio, em Agosto, noto, que exibições do Natal já estão por toda parte, principalmente nos centros comerciais. Assim o que faz você quando seu filho pergunta-lhe o que você é, por que vocês são Ateus, e por que você é tão diferente de todo mundo? O que você diz sobre o Natal, e como você explica o fanatismo a seus filhos? Tenho esperança que este texto lhe trará uma alguma luz nestes assuntos. Como você explica a suas crianças que 90% da população do país (o mundo delas) discorda de você em coisas tão básicas como a existência de uma divindade? Para a resposta desta pergunta eu fiz alguma pesquisa em livros judeus, imagindo que eles passem por um problema semelhante. Porém, esses livros só falavam, na maior parte, da cultura ao redor de Judaísmo, e nenhuma explicação que poderia ser aproveitada pelo Ateísmo. Então aqui vai uma sugestão que veio de minhas conversas com crianças em escolas e e-mails. A proporção 90%-10% é muito assustadora para algumas crianças entenderem. Elas não gostam de estar dentro deste tipo de minoria, isso é compreensível. O que eles gostam mais é de um desarranjo maior. Em vez de dizer "94% são os crentes, e em 6% são os Ateus", diga para eles "14% são católicos, 26% são protestantes, 2% são os judeus, e 6% são os Ateus". Deste modo, toda vez que eles conhecem uma pessoa judia, eles conhecerão alguém mais raro que eles. Eles também terão um entendimento melhor da diversidade deste país. Também, é importante para forjar ideais e modelos para as crianças admirarem. Infelizmente, por alguma razão, esportistas ateus parecem ser difíceis de se encontrar, mas existe um número enorme de ateus ilustres na nossa história. Thomas Edison, Albert Einstein, e Susan B. Anthony vêm logo à nossa mente. Para conhecer outros descrentes, visite a página http://www.visi.com/~markg/atheists.html e para saber quem são os que ainda estão vivos, veja a página http://www.primenet.com/~lippard/atheistcelebs. Destacar os grandes ateus lhes dará um senso de comunidade, ou pelo menos suprirá qualquer solidão ou falta de orgulho provocado por outras crianças. Quanto à essas outras crianças, seu problema principal será o fanatismo. Eu li uma vez em um livro sobre como criar crianças judias que a única coisa que pode ser dita sobre o assunto é que isso existe. Mas uma coisa é certa: o fanatismo não pode ser entendido por crianças, e o que elas têm que saber é só que existe e terão que evitá-lo quando encará-lo. Porém, eu iria mais adiante e lhes ensinaria a combater isto, ativamente ou passivamente. ØAtivamente: Desafie o fanatismo. Quando alguém der uma dura neles, seus filhos devem perguntar para as crianças fanáticas por que elas pensam daquele modo. Lembre-se, o fanatismo é instruído normalmente de forma rudimentar. Então, os fanáticos só sabem que eles devem pensar que os Ateus são ruins, mas provavelmente não sabem por que. Se seu filho os cutuca, para examinar se o fanatismo delas (provável) é por parte de seus pais, elas podem até repensar essas posições de fato. Nada elevará mais a auto-estima de seus filhos que isso. Isto funciona melhor quanto mais velhas forem as crianças, mas tive bons resultados com essa aproximação ativa em crianças novas, de 9 ou 10 anos. Simulação e representação ajudam muito. Finja que você é a criança fanática e escreva num papel tudo o que ela diria e as respostas correspondentes. Isto ajudará a aumentar a confiança de seus filhos em situações de confrontos. ØPassivamente: Evitar confrontos é o caminho mais fácil, e às vezes o melhor. Você e seu filho devem decidir. Ensine para seu filho quais são os estereótipos usados para os ateus, e fale pra eles o que as outras crianças estão dizendo, e tente fazer o oposto. Conduza-o através de exemplos. Caso seus filhos estejam sendo molestados porque os Ateus são "maus", lhes ensine a serem agradáveis, especialmente na frente das outras crianças. Com ações simples e evitando confrontos, eles serão capazes de resolver os problemas que estejam passando. Comentários
Helder Toshiro Suzuki - plex15@linuxbr.com.br - hehehe
Adriano Mitre - amitre@colband.com.br - Valeu a intenção, mas você não é atéia.
Ana Beatriz - ana_bea3@hotmail.com - Esse dilema é uma coisa que passa em minha cabeça quando penso em ter filhos. Atualmente estou sem religião. Às vezes, me considero atéia, na verdade, nunca fui muito fanática. No entanto, quando vem o desespero, e a necessidade de respostas a questoes em que nem sempre elas existem (pelo menos no momento), a vontade de acreditar em algo maior, que te salve e te ampare, é muito forte. Quando era pequena, nesses momentos, rezava, pedia ao meu anjo da guarda, e , que para o mundo de fantasias de uma criança, aquietava o coração. Não sei se quando tiver filhos, darei uma educação sem religião, dando a liberdade para que eles até escolham por ter uma, ou faço como aconteceu comigo, tenham uma religião sem fanatismos e que possam escolher não segui-la mais. A única coisa nesse caso, é que eu não tenho mais uma religião. Pelo menos no momento, ficando meio complicado educar alguem a ter alguma religião. No momento, não sou mais cristã, não acredito em um deus, mas acredito na vida. Essa acredito ser um milagre, algo sem explicação e que tem muito valor para mim. Acho que temos que acreditar em alguma coisa, em nós mesmos, nos nossos atos, afinal para termos opinião sobre alguma coisa precisamos acreditar nela. Talvez ser ateu nao signifique ser descrente. Mas se nao temos maturidade para encarar certos fatos, porque não acreditar em algo além, para nos proteger. Devemos sim buscar crescer, conhecer, descobrir, desvendar, dentro da capacidade que cada um possui. Só espero poder passar para os meus filhos o quanto a vida é importante e valiosa, e que podemos não possuir nada, e já temos tudo. Que o nosso maior patrimonio é a nossa experiência, conhecimento e vivência. Se acreditarmos que essa força maior está dentro de nós, não tem mais por quê de buscá-la fora. Nao vou mentir, ainda me pego rezando para o meu anjo da guarda, e agradecendo a deus. Quem sabe, parte de mim se recusa a ver como penso, já tenha se apegado a essas imagens. Não sei se isso vai mudar, e quando penso nisso, penso que esse deus que estou falando é a própria força da vida, essa força que muitas vezes contraria as previsões. E o meu anjo da guarda sou eu mesmo, e por isso tento estar mais atenta e me proteger mais. |