Enumero aqui algumas das alegações criacionistas mais comuns, cada uma com um contra-argumento resumido. A maioria destas são completamente desenvolvidas no corpo do texto.2
"A evolução é uma religião porque é baseada em processos não observáveis e porque inclui conceitos dissimulados de ética, de valores e de significados últimos."
O racismo é, pelo contrário, a atitude social que defende que as características (especialmente pessoais e sociais) de um indivíduo têm de se conformar, a priori, àquelas que se pensa (geralmente sem evidência) serem típicas da raça à qual o indivíduo pertence, sem levar em conta a existência de variação individual. Não é de modo nenhum fundado sobre o conceito da evolução. Divergência evolutiva em características tais como cor da pele não implica de modo nenhum que outras características como a inteligência tenham divergido. Se evolucionistas do século 19 eram racistas (e nem todos eram), eles apenas partilhavam as suposições não-científicas da sua sociedade.
Embora eu seja contrário a apoiar financeiramente a causa criacionista através da compra das publicações deles, tenho de recomendar alguma literatura criacionista como o antídoto mais eficaz contra acreditar na linha criacionista. Muitas publicações de Creation-Life Publishers, P.O. Box 15666, San Diego, California 92115 servirão perfeitamente. Citei mais extensivamente de Scientific Creationism (Public School Edition), editado por H. M. Morris, e de Evolution: The Fossils Say No! de D. T. Gish. The Troubled Waters of Evolution, de H. M. Morris, contém praticamente o mesmo material mas é mais diretamente religioso no tom. The Genesis Flood, de H. M. Morris e J. C. Whitcomb, apresenta uma "exposição científica" da criação e do dilúvio. The Early Earth, de J. C. Whitcomb, "mostra como a Palavra de Deus refuta todo o tipo de evolução teísta".
The American Biology Teacher (11250 Roger Bacon Drive, Reston, Virginia 22090) é fundamental para professores e tem muitos artigos úteis, incluindo:
Alexander, R. D. 1978. "Evolution, Creation, and Biology Teaching". ABT 40(2):91-104.
Callaghan, C. A. 1980. "Evolution and Creationists' Arguments". ABT 42(7):422-25.
Miller, K. R. 1982. "Special Creation and the Fossil Record: The Central Fallacy". ABT 44(2):85-89. (Uma exposição importante sobre como o cenário do dilúvio é essencial para o argumento criacionista, e por que é absurdo.)
Hughes, S. W. 1982. "The Fact and the Theory of Evolution". ABT 44(1):25-32. (Inclui uma boa análise resumida sobre a cobertura que é dada à evolução em manuais escolares do ensino secundário.)
Na frente legal, a importante decisão em McLean v. Arkansas Board of Education foi reproduzida na sua totalidade em The American Biology Teacher 44(3):172-79 (março de 1982), e em Science 215:934-43 (19 de fevereiro de 1982).
Outros Artigos Úteis Incluem:
Brush, S. G. 1981. "Creationism/Evolution: The Case Against 'Equal Time'". The Science Teacher, vol. 48, no. 4.
Asimov, Isaac. 1981. "The 'Threat' of Creationism". New York Times Magazine, 14 de junho de 1981. Ideal para discussão na sala de aula e para apreciar o seu estilo espirituoso.
Cloud, P. 1977. "Scientific Creationism -- A New Inquisition Brewing". The Humanist 37:1.
Nelkin, D. 1976. "The Science-Textbook Controversies". Scientific American 234(4):33-38. Analisa razões para ataques criacionistas e outros aos currículos de ciência.
Skow, J., et al. 1981. "The Creationists". Science 81, pp. 53-60 (dezembro). Um sumário sucinto sobre quem são eles e como operam.
Brush, S. G. 1982. "Finding the Age of the Earth by Physics or by Faith?" Journal of Geological Education 30:34-58. Uma análise exaustiva sobre datação radioativa e como os criacionistas lidam com ela.
Stebbins, G. L. Processes of Organic Evolution (Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall, 1971). Uma introdução breve e elementar à teoria da mudança evolutiva. Para cursos universitários introdutórios.
Stansfield, W. D. The Science of Evolution (New York: Macmillan, 1977). Um manual um pouco mais avançado.
Dobzhansky, Th., F. J. Ayala, G. L. Stebbins, e J. W. Valentine, Evolution (San Francisco: Freeman, 1977).
Futuyma, D. J. Evolutionary Biology (Sunderland, Mass.: Sinauer, 1979). Este e o livro anterior são presentemente os manuais universitários mais completos sobre o assunto.
Stebbins, G. L. Darwin to DNA, Molecules to Humanity (San Francisco: Freeman, 1982). Este é um dos poucos livros recentes escrito para explicar a evolução ao leitor geral, por um dos líderes na área.
Cloud, P. Cosmos, Earth, and Man (New Haven: Yale University Press, 1978). Uma discussão não-técnica muito acessível sobre a história do universo, da terra e das coisas vivas.
Johanson, D. e E. Maitley, Lucy: The Beginnings of Humankind (New York: Simon & Schuster, 1980). Um relato animado sobre as descobertas de fósseis de um antropólogo e as suas interpretações da evolução humana; transmite uma boa idéia sobre o que é e não é conhecido, e o que fazer para saber mais.
Gould, S. J. The Panda's Thumb (New York: Norton, 1980) [O Polegar do Panda (Lisboa: Gradiva, 2000)]. Ensaios soberbos sobre evolução e ciência por aquele que é talvez o melhor escritor de ciência da atualidade.
Godfrey, L., ed., A Century After Darwin (Boston: Allyn & Bacon, 1983). Uma coleção moderadamente técnica de ensaios tratando o desenvolvimento do pensamento evolucionista desde Darwin. Só toca ligeiramente no criacionismo.
O debate criacionista é tratado explicitamente nos seguintes livros:
Eldredge, N. The Monkey Business (New York: Washington Square Press, 1982). Um tratamento breve e nada técnico dos argumentos.
Newell, N. Creation and Evolution: Myth or Reality? (New York: Columbia University Press, 1982). Para o leitor geral, tratando especialmente aspectos paleontológicos.
Godfrey, L., ed., Scientists Confront Creationism (New York: W. W. Norton, 1983). Coleção de ensaios não-técnicos, por cientistas de muitas áreas, que refuta argumentos criacionistas sobre astronomia, geologia, biologia e antropologia.
Notas
1 - Douglas Futuyma recebeu o seu B.S. da Universidade de Cornell e o seu M.A. e Ph.D. da Universidade de Michigan. É o autor de numerosos artigos nas revistas mais importantes da sua área sobre biologia e evolução, e é o autor de um manual universitário muito usado sobre evolução: Evolutionary Biology. Tem sido editor de Evolution, o mais importante periódico internacional de investigação sobre evolução, e é John Simon Guggenheim Memorial Fellow, bem como presidente tanto da Society for the Study of Evolution como da American Society of Naturalists. É professor no Departamento de Ecologia e Evolução na Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook. (Science on Trial, p. 289.) Voltar