Publicado: 13/11/2001
de Rosana Hermann
Sou contra, contra e contra. Li na Reuters que o Vaticano decidiu que São Isidoro de Sevilha vai ser o padroeiro da Web porque escreveu a primeira enciclopédia. E daí? Não tem o menor sentido. Não tenho nada contra o santo, não sei da vida dele, não vem ao caso. Ele que vá proteger as bibliotecas e a Barsa. Por que ele tem que ser o padroeiro da Web? E depois, a Web não é católica, isso é um absurdo. Daqui a pouco vai ter santo protetor do Judaísmo, do Xintoísmo, sei lá que mais ismo. Quem foi que disse que a Web tem que ter um santo protetor? Eu estou revoltada. Por que não um orixá? Um gnomo? Por que um santo católico? Também não tenho nada contra o catolicismo, mas por que essa imposição agora? Se fosse pra ter um santo, que fosse a minha Santa Arroba dos Emails Perdidos, São Browser dos Últimos Cliques, Santa Conexão da Linha Ocupada, São Provedor das Contas Atrasadas! Eu inventei todos esses, a gente podia inventar mais e fazer um concurso!!! É aí que vai toda a grana do Vaticano, é, em ouro e bobagem? Quanto tempo gastaram,quanto dinheiro pra chegar a esse veredicto? Sabe em que século viveu São Isidoro? Século VII, sete! Tem tudo a ver com a modernidade da Internet, tudo. O Vaticano entrou na web em 96, o papa, em 98. A matéria da Reuters diz que existem 1 bilhão de católicos. OK, mas e os outros 5 bilhões do mundo, não servem? Não contam? Os computadores do Vaticano tem nomes de arcanjos, como Raphael, Michael e Gabriel. Bonito. Meu filho é Gabriel. Lindo. Mas quem disse que a rede mundial tem que ter São Isidoro protetor? E tem mais, o santo já tem função! Ele já é patrono dos trabalhadores! Acúmulo de função! Sou contra! um beijo, um browse, um aperto de mouse da Rosana Hermann
São Paulo, 06 de fevereiro de 2001 Comentários
Carlos - carlostar@starmedia.com - Gostei do texto e da resposta.
Waldon Volpiceli - waldon@zipmail.com.br - Só espero que a Igreja Católica não resolva criar o "Ïndex sitorum prohibhitorum" o indice dos sites proibidos aos católicos, como fez com os livros quando Guttemberg inventou a prensa. |