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de Theodore M. Drange


O argumento (chamemos-lhe "AP") pode ser formulado como se segue:

(a) Se Deus existe, então quem não acreditar nele acabará sendo atormentado eternamente ou pelo menos aniquilado.

(b) Se Deus existe, então quem acreditar nele ganhará vida eterna.

(c) Se Deus não existe, então não importa se as pessoas acreditam nele ou não.

(d) Consequentemente [de (a)-(c)], os não-teístas estão a correr um risco grave. No mínimo, o benefício esperado da situação da sua crença é infinitamente pior do que o dos teístas.

(e) Mas os não-teístas têm a possibilidade de auto-induzir a crença teísta.

(f) Portanto [de (d) & (e)], todos os não-teístas deviam mudar as suas crenças e tornar-se teístas.

Eis algumas objeções à AP:

  1. É possível provar que Deus não existe. [Veja as seções Atheos da S.T.R. e ateísmo da Secular Web.] Por isso, as premissas (a) & (b) da AP são discutíveis ou irrelevantes.

  2. Não há boa razão para acreditar na premissa (a) da AP, e existem muitos teístas que a negariam. Além disso, se essa premissa fosse verdadeira, então isso serviria de base para o Argumento da Descrença, que é um argumento forte para a não existência de Deus. Assim, a premissa dada é fraca e conceptualmente problemática.

  3. Segundo a Bíblia, para a salvação requer-se mais do que a mera crença em Deus. A pessoa também precisa de acreditar no filho de Deus (Marcos 16:16; João 3:18, 36; 8:21-25; 14:6; Atos 4:10-12; 1 João 5:12), arrepender-se (Lucas 13:3, 5), nascer de novo (João 3:3), nascer da água e do Espírito (João 3:5), acreditar em tudo o que está no evangelho (Marcos 16:16), comer a carne de Jesus e beber o seu sangue (João 6:53), ser como uma criança (Marcos 10:15), e fazer boas obras, especialmente para as pessoas necessitadas (Mateus 25:41-46; Romanos 2:5-10; João 5:28-29; Tiago 2:14-26). Portanto, a premissa (b) da AP não é verdadeira em sentido geral, pelo menos no que diz respeito à Bíblia. E, além disso, à parte da Bíblia, não há qualquer razão para acreditar nessa premissa. Assim, a premissa (b) da AP pode razoavelmente ser questionada.

  4. A maioria das pessoas que acreditam em Deus dedicam um tempo significativo a orações e atividades da igreja. Essas pessoas presumivelmente também contribuem dinheiro, talvez o dízimo (10% do seu rendimento). Sem essa crença, muitas delas não fariam essas coisas. Além disso, muitas dessas pessoas vivem com inibições tanto no pensamento como no comportamento. (Considere, por exemplo, inibições a respeito de práticas sexuais, casamento e divórcio, controle de natalidade, aborto, material de leitura, e associação com outras pessoas.) Em muitos casos, essas inibições são bastante extremas e podem ter grandes conseqüências na vida da pessoa e nas vidas de outros. Em algumas comunidades, as mulheres são oprimidas com base na crença teísta. Também, alguns teístas perseguiram e até mataram outras pessoas (como nas inquisições, guerras religiosas, ataques a homossexuais e a pessoas que praticam o aborto, etc.) devido à sua crença de que isso é o que Deus quer que elas façam. Além disso, algumas pessoas (por exemplo, clérigos) dedicam toda a sua vida a Deus. Por estas várias razões, mesmo se Deus não existe, de fato importa muito se uma pessoa acredita em Deus, pelo menos para a maioria desses crentes. Segue-se que a premissa (c) da AP é falsa.

  5. Pode ser que Deus não exista e, em vez disso, algum outro ser governe o universo. Esse ser pode ter intensa aversão e pode infligir punição infinita a qualquer pessoa que acredita em Deus ou que acredita em algo por interesse pessoal (como é recomendado na AP). Mas uma pessoa que passe a acreditar em Deus com base na AP, nesse caso estaria "metida em grandes sarilhos", mesmo que Deus não exista. O benefício esperado da situação de crença do teísta seria infinitamente pior do que o do não-teísta. Segue-se que a premissa (c) da AP é falsa.

  6. Para acreditar em Deus, a pessoa tem de acreditar em proposições nas quais é, do ponto de vista da maioria dos não-teístas, impossível (ou pelo menos muito difícil) acreditar. Por essa razão, a premissa (e) da AP pode ser rejeitada.

  7. A crença não está diretamente sujeita à vontade. Por isso, é impossível (ou pelo menos muito difícil) para os não-teístas auto-induzirem a crença teísta. Isto também torna falsa a premissa (e) da AP.

Por todas estas razões, a AP deve ser rejeitada.

Comentários

Vitória Vasconcelos - mafalda_ramone@hotmail.com - Distrito Federal Distrito Federal, enviou em 12/01/2002

Quero um espaço pra alegar algo pra esse idiota: geverson alencar - alencargeverson@ig.com.br - Recife/Pernambuco, enviou em 11/01/2001

A) Como pode afirmar que Deus exista, segundo o argumento que tudo que nos cerca foi criado por um SER SUPERIOR QUALQUER, sendo fato público e notório? O que parece público pra você? "Todo efeito tem uma causa primária", o que te leva a pensar que a "efeito Terra" venha da "causa deus", se esse não é público e notório? Tudo que nos cerca não foi "criado" de uma semana pra outra. Talvez a piada da evolução de microorganismos que conseguiram se desenvolver por mudanças climáticas e atmosféricas na Terra, e quanto mais se desenvolviam mais modificavam o meio, que os faziam mudarem ou morrer, seja mais inteligível do que inventar mentira e fábulas que só servem pra por criança pra dormir e mal, porque as coitadas sonham com aberrações.
Talvez a burrice a qual tenta se referir, esteja ligada a essa colocação de Pascal "(d) Consequentemente [de (a)-(c)], os não-teístas estão a correr um risco grave. No mínimo, o benefício esperado da situação da sua crença é infinitamente pior do que o dos teístas."
Se não tiver inteligência para analizar isso, então estou perdendo meu tempo, porém, o tempo gasto será bem recompensado quando tiver que repetir pra outro idiota mais inteligente.
1) Bem, creio que se Deus existe, então quem deve provar sua existência são os teístas e não os não teístas que não existam. Pois se o homem teve criatividade pra criar quantos deuses seus algarismos podem contar, isso significaria que todos criaram o mundo e tudo o que tem ou não vida, será que deuses fizeram congresso, até imagino Zeus tirando onda com Tupã e Iavé ao lado de Thor todo tímido, discutindo qual seriam a cor dos homens, e todos concordadando que verde florescente era muito escalafobético. Daí acreditar em um e invalidar o outro o levaria para o céu do deus que acredita e milhões de infernos dos outros.
2) Que causa é essa que não tem fundamento sério e sim várias alusões sem pé nem cabeça, como o universo foi criado por algo inteligível? De onde veio esse ser inteligível, quem o criou?
Se você não leu os Argumentos da Descrença, então não tente invalidá-los alegando que são idiotas.
Que causa primária? "A causa Primária existe independente de acreditar ou não." Você não invalida nenhum dos argumetos que deus nenhum exista fora do campo "anómalo psicológico" de mentes desprovidas de erudição ou por simples medo. Não é idiotice desafiar a "causa primária", pois também seria idiotisse a Aposta de Pascal e a refutação de Drange, o que o torna idiota três vezes.
3) Aqui você perde seu poder de anomalo psicopata, pois suas alegações que tinham um fundo falso, agora não tem nenhum. "existe estudos mais sérios e científicos que provam que são besteiras muitas passagens. Não percam o tempo de vcs procurando na bíblia". Ok, de que Deus então você fala, pois se o argumento primo, seria a crença no deus que está caracterizado na Bíblia, aquela escrita lá pelos psicopatas hebreus, ou será que você acredita que foi Tupã que criou o universo, pois esse seria um bom exemplo como cidadão americano sem conhecimento nem mesmo no que diz respeito a a ligação química h2o, que contribuiu muito para o estado atual da terra . Se não se apoia na bíblia, que fábula não catalogada você usa, se não é pra ser levada em consideração, então esquecemos a discussão, pois o conto de fadas seria mentira o que já prova a existência de um dos tantos deuses que o homem criou.
4) "no 4 vcs se referem a posicionamentos dos homens em um passado recente, mas ainda não provaram que a causa primária não exista. Cadê a prova? Os homens podem aniquilar pessoas, pagar dízimo mas o que que a causa primária tem com isso? A interpletacão errada é dos homens." Prefiria não falar sobre isso, o posicionamento contemporâneo prova os modos antiquados de quem escreveu a biblia, antigos e que nem eles mesmos seguiam, só o fato de não procurar explicações na Biblia, já é a prova que esse deus em questão não exista, você quer causa primária, leia, a Origem das Espécies de Charles Darwin e tudo o que foi feito em cima disso, até mesmo seu livro de biologia primário, se tiver um, ainda bem que você admite que homens se enganam, o que me da todo direito que você não interpretou nada do que foi dito aqui.
Obs, ainda bem que você não vai sair de onde está com esse pensamento jurassico, pois, suas colocações não derrubam nem meu sono, de ler tanta contradição de uma só mente.


Sandro de Souza Alves de Araujo - Cristafari@globo.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 09/11/2001

Sou Presbiteriano , voltado ao ensino do direito de livre expressão, Por isso parabenizo a esta página , mesmo quando discordo ou concordo , fico feliz em ver que existe vida inteligente de gente que não tem medo de pensar ensino isso onde congrego, se está aqui neste templo saiba o porque , não venha aqui por ter aprendido isso na infância ou porque é cômodo e fácil de ser aceito . Um abraço dos racionalistas

João Rodrigues - joaor@mailandnews.com - Portugal, enviou em 19/08/2001

Resposta à mensagem que o ceptico@anymail.com enviou em 21/04/2001.

Se o ateísmo fosse realmente uma doutrina válida para se compreender o mundo,
O ateísmo não é uma "doutrina", nem pretende "compreender o mundo". Portanto o seu comentário começa logo com equívocos.
não seria tão difícil provar a inexistência de Deus, como se verifica no imenso esforço dos não teístas, que ainda não conseguiram apresentar argumentos satisfatórios.
Em primeiro lugar, o ônus da prova não está do lado dos ateístas. Está do lado de quem faz alegações extraordinárias. Portanto mesmo que fosse verdade que os ateus não conseguem provar a inexistência de Deus, isto não invalidava o ateísmo.

Em segundo lugar, você está errado ao dizer que os não teístas "ainda não conseguiram apresentar argumentos satisfatórios" para provar a inexistência de Deus. No ponto 1 do texto de Drange é mencionada a seção ateísmo da Secular Web, onde encontrará alguns argumentos a favor do ateísmo:

Arguments for Atheism
http://www.infidels.org/library/modern/nontheism/atheism/arguments.html

Esses são argumentos "satisfatórios". Se discorda, então terá de tentar escrever refutações desses argumentos e enviá-las para os respectivos autores.

Observa-se que a linha de argumentação contra a existência de Deus segue quase sempre este padrão:
O fato de a linha de argumentação contra a existência de Deus seguir "QUASE sempre" esse padrão não prova que segue sempre esse padrão. Se você quer refutar Drange, então terá de pegar nos argumentos da seção "Arguments for Atheism" da Secular Web, que Drange menciona no ponto 1, e terá de tentar refutá-los um por um. Ora, você não fez isso. Antes, preferiu atacar um straw man.
1) escolhe-se um trecho qualquer da Bíblia,

2) interpreta-se o mesmo de modo literal quando na verdade a Bíblia utiliza uma linguagem de símbolos, e justamente por isso ainda continua atual)

A Bíblia utiliza uma "linguagem de símbolos" em algumas partes, mas não é toda ela feita de linguagem de símbolos.

Quanto à sua afirmação de que a Bíblia "ainda continua atual", dá vontade de perguntar: em que planeta vive você? Não me vou alongar sobre este ponto aqui, mas seria fácil mostrar que a Bíblia está completamente ultrapassada e não continua atual coisíssima nenhuma.

3) a interpretação literal torna o trecho escolhido uma verdadeira caricatura, algo bizarro e ridículo
Ai sim? E como é que você sabe que trechos devem ser interpretados de forma literal e que trechos devem ser interpretados de forma simbólica? Nem sequer as várias religiões estão de acordo sobre isso. Há religiões que defendem que certas passagens são literais, há outras religiões que defendem que essas mesmíssimas passagens são simbólicas.

De qualquer modo, há argumentos contra a existência de Deus que não estão dependentes do caráter literal ou simbólico das passagens bíblicas.

4) "comprova-se" assim que a Bíblia está errada e que, logicamente, ela também erra ao afirmar a existência de Deus,

5) e portanto Deus não existe.

O que você disse nos pontos 1) a 5) não refuta absolutamente nenhum dos vários argumentos que Drange citou no link do ponto 1 do texto. Portanto o que você disse é completamente irrelevante para o texto de Drange.
Agora vejamos a fraqueza dos argumentos contrários à Aposta de Pascal:
Os argumentos de Drange contrários à aposta de Pascal não são fracos. Vou mostrar a seguir que os seus argumentos é que são fracos.
1. Pode ser possível provar que Deus não exista, no entanto, isto ainda não foi feito,
Foi feito no link que Drange indicou no ponto 1 (seção ateísmo da Secular Web), e que você não se deu ao trabalho de ler.
ou pelo menos não de modo convincente, e a prova é que boa parte da humanidade (incluindo os grandes cientistas) ainda continuam acreditando em Deus.
Em primeiro lugar, "boa parte da humanidade" continua a acreditar em Deus, não por ter sido exposta aos sofisticados argumentos que provam a não existência de Deus (mencionados no link que Drange indicou no ponto 1), mas antes por pura ignorância, ou por isso ser costume na terra onde vivem (tradição religiosa), ou por fatores emocionais, ou por não saberem pensar claramente, ou por terem recebido uma lavagem ao cérebro desde que nasceram com a propaganda das religiões. "Boa parte da humanidade" crente é analfabeta ou semi-analfabeta, nem sequer sabe o que é um argumento, não sabe pensar claramente. Portanto o fato de "boa parte da humanidade" ainda continuar acreditando em Deus não prova rigorosamente nada sobre a validade das provas de que Deus não existe.

Em segundo lugar, é falso que os grandes cientistas ainda continuem acreditando em Deus. Mesmo que fosse verdade que os grandes cientistas ainda continuam acreditando em Deus, isso nada provaria quanto à validade das provas de que Deus não existe. Estas provas pertencem ao domínio da filosofia, não ao domínio da ciência.

Resumindo, você não conseguiu refutar o ponto 1 do texto de Theodore Drange, não leu os argumentos da seção da Secular Web que ele indicou dentro de parêntesis, e não conseguiu refutar a afirmação de Drange de que "as premissas (a) & (b) da AP [Aposta de Pascal] são discutíveis ou irrelevantes".

2.Há uma boa razão para se acreditar na premissa "b", sim,
Aqui você equivocou-se. Drange diz: "Não há boa razão para acreditar na premissa (a)". Você diz: "Há uma boa razão para se acreditar na premissa "b"". Drange está a falar da premissa a, você está a falar da b. Portanto você está equivocado.
e é a própria possibilidade de uma vida eterna. Por que não acreditar nisto?
Drange estava a falar da premissa (a), que diz: "Se Deus existe, então quem não acreditar nele acabará sendo atormentado eternamente ou pelo menos aniquilado." Drange diz que não há boa razão para acreditar nisso e até diz que há muitos teístas (note bem: teístas) que a negariam. Você não conseguiu apresentar nenhuma "boa razão" para crer no tormento eterno infligido por Deus, portanto você não conseguiu refutar o que Drange disse no ponto 2. Você não disse nada sobre o Argumento da Descrença, que Drange menciona em link nesse ponto 2. Em suma, você não conseguiu refutar a argumentação de Drange de que a premissa (a) "é fraca e conceptualmente problemática".
Se for mentira, ainda assim será um crença útil para a própria sobrevivência da espécie humana.
É altamente discutível a afirmação de que mentiras religiosas são "úteis" para a sobrevivência da espécie. A história mostra que as mentiras religiosas levaram a grande calamidades e a alguns dos maiores crimes e guerras na história.

Além disso, mesmo que a crença na mentira da vida eterna fosse útil para a sobrevivência da espécie, essa mentira continuaria a ser mentira. Não se transformaria em verdade só por ser útil.

3. A premissa "b" diz que quem acreditar em Deus terá a vida eterna, mas não diz que basta somente isto,
Diz sim. O texto da premissa (b) é este: "(b) Se Deus existe, então quem acreditar nele ganhará vida eterna." Mais nada.
portanto as outras condições colocadas pela Bíblia continuam sendo válidas.
A Aposta de Pascal não menciona essas outras "condições". É precisamente o fato de a Aposta de Pascal não mencionar essas outras "condições" que constitui o cerne da crítica de Drange no ponto 3, e o leva a dizer: "Portanto, a premissa (b) da AP não é verdadeira em sentido geral, pelo menos no que diz respeito à Bíblia." E depois Drange diz: "E, além disso, à parte da Bíblia, não há qualquer razão para acreditar nessa premissa. Assim, a premissa (b) da AP pode razoavelmente ser questionada." Você, cético, não apresentou qualquer razão para se acreditar nessa premissa.

Além do que Drange disse no ponto 3, eu acrescentaria ainda que a questão dos requisitos para a salvação é altamente controversa entre as várias religiões e não há entre elas acordo. Mesmo entre religiões que têm a Bíblia como a base das suas crenças, as divergências sobre o que é preciso fazer para se ser salvo são enormes. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, discordariam veementemente de algumas das coisas que Drange enumera no ponto 3 como requisitos para a salvação. Portanto, você ficaria em apuros e teria várias religiões argumentando veementemente contra si se tentasse remendar a Aposta de Pascal de modo a incluir requisitos para a salvação além da crença em Deus, quaisquer que eles fossem.

4. Muitas pessoas acreditam em Deus sem no entanto dispender tempo ou dinheiro por causa disto, e sem necessariamente viver com algumas das inibições apontadas no argumento.
O objetivo de Theodore Drange no ponto 4 é concluir que "a premissa (c) da AP [Aposta de Pascal] é falsa". O que diz a premissa (c)? Diz: "(c) Se Deus não existe, então não importa se as pessoas acreditam nele ou não." Depois de enumerar uma lista enorme de razões que esmigalham completamente a afirmação de que não importa se as pessoas acreditam nele, Drange diz: "Por estas várias razões, mesmo se Deus não existe, de fato importa muito se uma pessoa acredita em Deus, pelo menos para a maioria desses crentes." Logo a seguir Drange conclui: "Segue-se que a premissa (c) da AP é falsa."

O raciocínio é claro como água. O fato de você não ter conseguido perceber um raciocínio tão simples e expresso de forma tão clara mostra que você não pensa com clareza ou então não conseguiu perceber o que diz a premissa (c).

O contrário também pode ocorrer, ou seja, os não teístas também podem gastar tempo e dinheiro buscando reforçar sua crença na não existência de Deus (livros, seminários, sites na internet), e podem também sofrer grandes inibições, principalmente na hora de assumir suas convicções em público!
Em primeiro lugar, não há qualquer comparação possível entre isso e as situações descritas por Drange no ponto 4.

Em segundo lugar, você, talvez sem se aperceber, dá razão a Drange, pois você argumenta que a "não crença" em Deus importa. Ora, Drange já tinha mostrado no ponto 4 que a "crença" em Deus importa. Reunindo o que Drange disse e o que você disse, chegamos à conclusão de que 'se Deus não existe, então importa se as pessoas acreditam nele [ponto provado por Drange] e importa se as pessoas não acreditam nele [ponto provado por você mesmo].'

Ora, mas isso é exatamente a refutação da premissa (c), que diz: "Se Deus não existe, então NÃO importa se as pessoas acreditam nele ou não."

Portanto você acabou por dar um tiro no pé e ajudou Drange a provar que a premissa (c) da Aposta de Pascal é falsa.

O que a premissa de Pascal diz é que se Deus não existe, então, não importa se você não acredita nele ou não, pois nesse caso não deverá haver uma vida eterna.
O que a premissa (c) da Aposta de Pascal diz é: "(c) Se Deus não existe, então não importa se as pessoas acreditam nele ou não." Mas Drange já provou que essa premissa é falsa, pois a crença em Deus tem conseqüências importantíssimas para as pessoas enquanto elas ainda estão vivas.
Pascal está preocupado com os efeitos desta crença após a morte. De fato, se Deus não existe, o que acontece depois da morte deixa de ter importância, pois a morte será mesmo o fim, o aniquilamento. A premissa "c" portanto continua sendo verdadeira.
Você está errado, por esta razão:

A premissa (c) diz: "(c) Se Deus não existe, então não importa se as pessoas acreditam nele ou não." Ora, este 'acreditar' ou 'não acreditar' em Deus ocorre enquanto as pessoas estão VIVAS. Portanto quando vamos averiguar se "importa" ou se "não importa" as pessoas acreditarem em Deus, não podemos restringir a nossa avaliação ao que se passa depois da morte.

Mesmo que você tentasse remendar a premissa (c) da Aposta de Pascal de modo a restringir o alcance das palavras "não importa" para a vida após a morte, continuaria a ser verdade tudo aquilo que Drange disse no ponto 4 sobre a importância da crença enquanto as pessoas ainda estão vivas, e este fato seria suficiente para derrubar a Aposta de Pascal.

Mas mais importante ainda, no ponto 5 Drange mostra que mesmo que você remende a premissa (c) e limite o seu alcance para o além, ainda assim a premissa é falsa. (Leia o ponto 5 de Drange.)

Portanto você está completamente errado ao dizer que a premissa (c) é verdadeira.

5. O argumento é inconcebível: se Deus não existe, então um "outro ser" governa o universo; logo esta entidade é que deva ser o próprio Deus! Com este paradoxo, o resto do argumento, que nele se apóia, cai por terra.
O argumento é concebível, você é que não o compreendeu. Ora repare: o "outro ser" hipotético não é Deus pois não tem as mesmas qualidades de Deus. Este "outro ser" hipotético, nas palavras de Drange, "pode ter intensa aversão e pode infligir punição infinita a qualquer pessoa que acredita em Deus ou que acredita em algo por interesse pessoal (como é recomendado na AP)." Portanto já se vê que este "outro ser" hipotético não é o Deus de que fala a Aposta de Pascal.

Drange conclui no ponto 5:

"Mas uma pessoa que passe a acreditar em Deus com base na AP, nesse caso estaria "metida em grandes sarilhos", mesmo que Deus não exista. O benefício esperado da situação de crença do teísta seria infinitamente pior do que o do não-teísta. Segue-se que a premissa (c) da AP é falsa."

Você não conseguiu refutar isso.

6. A premissa "e" continua sendo verdadeira: mesmo que Deus não exista, o que impede os não-teístas de, num dado momento, acreditar nele? Seria impossível eles se enganarem? O que impede um não teísta de repentinamente acreditar em Deus, por vontade própria? De fato isto ocorre com frequência com pessoas que de repente são acometidas de doenças terminais, e resolvem deliberadamente seguir a Aposta de Pascal, pois isso passa a ser a única coisa que lhes dá força para continuar vivendo, até a hora final.
Aqui você espalhou-se ao comprido pois não reparou no quantificador universal implícito na premissa (e). Repare, a premissa (e) diz:

"(e) Mas os não-teístas têm a possibilidade de auto-induzir a crença teísta."

A premissa (e) não diz que "ALGUNS não-teístas" têm a possibilidade... pois isso impediria que em (f) se concluísse que "TODOS os não-teístas deviam mudar as suas crenças e tornar-se teístas."

Basta encontrarmos 1 não-teísta que não tenha a possibilidade de auto-induzir a crença teísta para provar que a premissa (e) é falsa. Drange faz isto ao dizer, no ponto 6, que: "Para acreditar em Deus, a pessoa tem de acreditar em proposições nas quais é, do ponto de vista da maioria dos não-teístas, impossível (ou pelo menos muito difícil) acreditar."

Drange conclui: "Por essa razão, a premissa (e) da AP pode ser rejeitada."

7. O argumento final de Pascal é realmente uma aposta:
O Argumento de Pascal é uma falácia do princípio ao fim, conforme Drange provou.
havendo duas possíbilidades, a da existÊncia ou da não existência de Deus, crer na primeira é útil à nossa própria sobrevivência,
Drange já refutou isso nos pontos 4 e 5 do texto. E conforme eu disse acima, isso é muito discutível. Crer em mentiras religiosas pode levar-nos à catástrofe, especialmente se grupos de teístas fundamentalistas se apoderarem dos meios de destruição maciça e decidirem usá-los contra rivais.
e ainda nos deixa com a possibilidade de um prêmio: a vida eterna.
Há vários problemas com essa afirmação.

A crença no deus de Pascal pode deixá-lo com a "possibilidade" de ganhar o inferno (ou coisa pior) no caso de o deus de Pascal ser o "deus errado", e o "deus certo" ser algum dos milhares de deuses da concorrência.

Mesmo que o deus de Pascal fosse o "deus certo", e você acreditasse nele, ainda teria o problema de escolher também a "religião certa" entre as centenas de milhares de religiões existentes. Você poderia estar acreditando no "deus certo", mas se estivesse na "religião errada", iria perder a vida eterna, exatamente como se tivesse escolhido o "deus errado".

E você não provou que a vida eterna é uma possibilidade. Se afirma que a vida eterna é uma possibilidade para quem crê no deus de Pascal, então você tem o ônus de provar que a probabilidade disso ocorrer é superior a zero. Mas você não consegue provar isso.

Crer na segunda hipotese (nao existencia de Deus) resulta numa grande inutlidade... Não há benefícios para a vida humana!
Em primeiro lugar, não são os (duvidosos) "benefícios" para a vida humana que determinam a veracidade ou falsidade de uma proposição.

Em segundo lugar, você não provou que a não existência do deus de Pascal (ou de qualquer outra deidade) resulte em inutilidade.

Em terceiro lugar, o seu comentário não passa de uma falácia das conseqüências indesejáveis (neste caso as conseqüências indesejáveis são a alegada inutilidade ou a alegada ausência de benefícios para a vida humana).

Em quarto lugar, você está a ignorar o que Drange disse no ponto 5 do texto.

Espero que publiquem minhas ponderações. Não pretendo contestar o excelente trabalho dos autores do site, apenas colaborar com o enriquecimento do debate.
As suas "ponderações", tal como as "ponderações" do senhor Pascal, estão erradas e foram todas refutadas.

Dave Strovic - São Paulo São Paulo, enviou em 21/07/2001

P/ geverson alencar...

Tipo...
Tem aquela velha pergunta...

Se você concorda que tudo tem uma causa inicial, o que causou Deus?

Ou será que ele não precisa de causa?
Se você acha isso, também poderia achar que o universo não precisa de causa...


Céptico - ceptico@anymail.com - São Paulo São Paulo, enviou em 21/04/2001

Parabéns pelo site, é importante manter espaços na internet para as pessoas expressarem seu pensamento crítico sobre um assunto tão polêmico.

Quero porém fazer algumas objeções aos argumentos apresentados. Não defendo o teísmo, na verdade me considero cético, e como tal, permitam-se discordar também da sua visão, senão vejamos:

Se o ateísmo fosse realmente uma doutrina válida para se compreender o mundo, não seria tão difícil provar a inexistência de Deus, como se verifica no imenso esforço dos não teístas, que ainda não conseguiram apresentar argumentos satisfatórios.

Observa-se que a linha de argumentação contra a existência de Deus segue quase sempre este padrão:

1) escolhe-se um trecho qualquer da Bíblia,

2) interpreta-se o mesmo de modo literal quando na verdade a Bíblia utiliza uma linguagem de símbolos, e justamente por isso ainda continua atual)

3) a interpretação literal torna o trecho escolhido uma verdadeira caricatura, algo bizarro e ridículo

4) "comprova-se" assim que a Bíblia está errada e que, logicamente, ela também erra ao afirmar a existência de Deus,

5) e portanto Deus não existe.

Agora vejamos a fraqueza dos argumentos contrários à Aposta de Pascal:

1. Pode ser possível provar que Deus não exista, no entanto, isto ainda não foi feito, ou pelo menos não de modo convincente, e a prova é que boa parte da humanidade (incluindo os grandes cientistas) ainda continuam acreditando em Deus.

2.Há uma boa razão para se acreditar na premissa "b", sim, e é a própria possibilidade de uma vida eterna. Por que não acreditar nisto? Se for mentira, ainda assim será um crença útil para a própria sobrevivência da espécie humana.

3. A premissa "b" diz que quem acreditar em Deus terá a vida eterna, mas não diz que basta somente isto, portanto as outras condições colocadas pela Bíblia continuam sendo válidas.

4. Muitas pessoas acreditam em Deus sem no entanto dispender tempo ou dinheiro por causa disto, e sem necessariamente viver com algumas das inibições apontadas no argumento. O contrário também pode ocorrer, ou seja, os não teístas também podem gastar tempo e dinheiro buscando reforçar sua crença na não existência de Deus (livros, seminários, sites na internet), e podem também sofrer grandes inibições, principalmente na hora de assumir suas convicções em público!

O que a premissa de Pascal diz é que se Deus não existe, então, não importa se você não acredita nele ou não, pois nesse caso não deverá haver uma vida eterna. Pascal está preocupado com os efeitos desta crença após a morte. De fato, se Deus não existe, o que acontece depois da morte deixa de ter importância, pois a morte será mesmo o fim, o aniquilamento. A premissa "c" portanto continua sendo verdadeira.

5. O argumento é inconcebível: se Deus não existe, então um "outro ser" governa o universo; logo esta entidade é que deva ser o próprio Deus! Com este paradoxo, o resto do argumento, que nele se apóia, cai por terra.

6. A premissa "e" continua sendo verdadeira: mesmo que Deus não exista, o que impede os não-teístas de, num dado momento, acreditar nele? Seria impossível eles se enganarem? O que impede um não teísta de repentinamente acreditar em Deus, por vontade própria? De fato isto ocorre com frequência com pessoas que de repente são acometidas de doenças terminais, e resolvem deliberadamente seguir a Aposta de Pascal, pois isso passa a ser a única coisa que lhes dá força para continuar vivendo, até a hora final.

7. O argumento final de Pascal é realmente uma aposta: havendo duas possíbilidades, a da existÊncia ou da não existência de Deus, crer na primeira é útil à nossa própria sobrevivência, e ainda nos deixa com a possibilidade de um prêmio: a vida eterna. Crer na segunda hipotese (nao existencia de Deus) resulta numa grande inutlidade... Não há benefícios para a vida humana!

Espero que publiquem minhas ponderações. Não pretendo contestar o excelente trabalho dos autores do site, apenas colaborar com o enriquecimento do debate.


Luiz Iglesias de Holanda Cavalcanti - luiz-iglesias@olimpo.com.br - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, enviou em 13/02/2001

A causa primária é o argumento dos religiosos para a concepção do mundo e ela seria Deus. A teoria quântica da incerteza; o universo atemporal, sempre existente (assim como próprio Deus) reduzem a pó essa premissa. E há também o fato de o homem ser "ainda" um ser limitado.
E a aposta de Pascal deixa de ter validade se observarmos para nossa praticidade.
1) Se Deus existe e ele é como é "bom e justo" nada nos irá acontecer. E podemos "modificar" o mundo para melhor porque o que Ele fez vemops que "não foi bom" e não simplesmente entendê-lo.
2) Se deus não existe, entao estamos perdendo o nosso tempo. E o "nosso latim."
E há provas sobejas que ele não existe.

Maiores detalhes em http://www.webspace.com.br/luiz-iglesias

geverson alencar - alencargeverson@ig.com.br - Recife/Pernambuco, enviou em 11/01/2001
Tentarei ir por partes, sempre respondendo a letra a que se refere para não complicar.
a..Deus existe. Se não existe, como justificar a causa primeira pra todas as coisas que nos cercam. Todo efeito tem uma causa primeira, isto é publico e notório. Mas que foi que falou que não acreditar nele será atormentado ou aniquilado? Isso é burrice.
Bem, pela resposta acima eu já respondo da letra A até a F.
1. nesta questão vcs dizem que provam que Deus não existe. Baseados em que? Provam como? Como que se pode provar que uma causa primária não existe? Se existe o universo ele foi criado por alguém ou por algo inteligente. Concorda? Este criador foi a causa primária, e está causa primária é que é Deus.
2. neste vcs falam do argumento da descrença. Mas que coisa idiota. A causa Primária existe independente de acreditar ou não.
3. no 3 vcs falam sobre passagens bíblicas. existe estudos mais sérios e científicos que provam que são besteiras muitas passagens. Não percam o tempo de vcs procurando na bíblia.
4. no 4 vcs se referem a posicionamentos dos homens em um passado recente, mas ainda não provaram que a causa primária não exista. Cadê a prova? Os homens podem aniquilar pessoas, pagar dízimo mas o que que a causa primária tem com isso? A interpletacão errada é dos homens.

COMO A MINHA COLOCAÇÃO SOBRE A CAUSA PRIMÁRIA DERRUBA TODAS AS OUTRAS, ME RESERVO O DIREITO DE FICAR POR AQUI. OBRIGADO


Anselmo de Souza Rezende - souzarezende@zipmail.com.br - Sergipe Sergipe, enviou em 19/08/2000

Concordo com as afirmações pertinentes a este texto. Um indivíduo não deve aceitar como verdadeira e irrefutável uma resolução só porque ela é preexistente e aceita pela maioria, deve-se sim, buscar, analisar, questionar, testar, experimentar, provar e comprovar. E essa regra não se aplica se seus conceitos são baseados na pura aceitação sob alegação da inquestionabilidade da fé.
Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.infidels.org/library/modern/theodore_drange/wager.html
  • Traduzido por: João Rodrigues
  • Traduções para espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
    Envie o seu comentário, a sua opinião ou correções na tradução/gramática deste texto!

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